democracia e jornalismo: vagas limitadas

Está em Florianópolis? Já se inscreveu neste evento?

o que me surpreendeu no “manual do frila

Devorei ontem o Manual do Frila, que meu amigo Maurício Oliveira lançou no início da semana. Não me surpreendeu o texto leve e bem humorado, afinal trabalhei com o autor e essa é uma das muitas qualidades dele. Não me surpreendeu a objetividade do livro, afinal a editora Luciana Pinsky – minha editora, inclusive – tem lançado títulos no mercado que se caracterizam por sua utilidade e foco bem preciso.

O que eu não esperava era o imenso despudor do Maurício de não apenas dividir sua experiência como jornalista freelancer, mas de escancarar detalhes tão pessoais e íntimos de seu cotidiano. Nas páginas do livro, sabemos da trajetória do repórter, de seus êxitos e mancadas, de seus filhos e esposa, de como organiza seu tempo cotidianamente, e até mesmo do que pretende fazer após os 40 anos.

O Manual do Frila é declaradamente uma obra pessoal, mas os depoimentos colhidos junto a outros freelancers ampliam sua abrangência. Quer dizer: não se trata de uma biografia, mas o tom confessional do Maurício me surpreendeu. Por uma única razão: tenho menos coragem para me mostrar do que ele.

Mas você percebeu: este post é apenas uma impressão muito particular sobre o livro. Se vale a pena ler? Sim, vale. As histórias contadas são ótimas; as dicas, preciosas; os conselhos, úteis; e o livro vem a calhar, pois a bibliografia brasileira sobre o tema é praticamente inexistente…

“democracia e jornalismo na era digital”

A cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, jornalistas e acadêmicos terão a chance de debater as relações entre democracia e os meios de comunicação. O seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital” é uma promoção da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e do Mestrado em Jornalismo da UFSC (PosJor). O evento acontece no próximo dia 26 no Auditório Henrique Fontes, no CCE/UFSC, a partir das 14 horas, é gratuito e aberto ao público.

O seminário vai contar com uma atração internacional, o professor Silvio Waisbord, da George Washington University e um dos principais pesquisadores da área. Waisbord abre os debates tratando da democracia em outros países. O jornalista Carlos Müller, assessor da ANJ e doutor em Ciências Sociais, será o comentador da mesa. Na sequência, o editor-chefe do Diário Catarinense, jornalista Nilson Vargas, aborda os desafios regionais na era digital. Os comentários ficam por conta do professor Francisco José Karam, do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) e do PorJor.

Além de Florianópolis, a ANJ promove eventos semelhantes em mais quatro cidades brasileiras: Brasília, Porto Alegre, Vitória e Fortaleza. Para acompanhar o seminário na Capital é necessário se inscrever por email, bastando enviar nome e CPF. As inscrições são limitadas a 120 vagas.

O Seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital” tem o apoio do Diário Catarinense, objETHOS, Departamento e do Curso de Jornalismo da UFSC.

Serviço:

O quê? Seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital”

Onde? Auditório Henrique Fontes – CCE – UFSC

Quando? 26 de outubro, às 14 horas

Quanto? Entrada Gratuita

Como? Inscrições pelo e-mail objethos@gmail.com

saem os vencedores do pagf 2010

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) anunciou hoje os vencedores do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo de 2010. Nesta quinta edição, foram inscritos 49 trabalhos, novo recorde para a premiação. As inscrições vieram de 29 instituições em onze estados brasileiros e Portugal.

Na Categoria Iniciação Científica, competiram 19 artigos e a vencedora foi Rozana Ellwanger, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Intitulado “Perdão, leitores: uma análise da crítica política na seção opinativa do Coojornal”, o trabalho foi orientado pela professora Veridiana Pivetta de Mello. A comissão de avaliação foi presidida por Márcia Benetti Machado (UFGRS – RS) e composta ainda por Luciana Mielcnizuk (UFSM) e Victor Gentilli (UFES).

O maior número de concorrentes estava na categoria Mestrado: 26 dissertações. A vencedora foi “Objetividade jornalística: o debate contemporâneo do conceito”, de Ben-Hur Demeneck (UFSC). O trabalho foi orientado pelo professor Orlando Tambosi, e os avaliadores foram Ângela Felippi (Unisc), que presidiu os trabalhos, Carla Andrea Schwingel (Casa da Cultura Digital) e Álvaro Larangeira (UTP). A comissão ainda atribuiu menção honrosa à dissertação “Teoria e História do Jornalismo: Desafios epistemológicos”, de Felipe Pontes (UFSC), orientado por Gislene da Silva.

Quatro teses concorreram na Categoria Doutorado. Os professores Zélia Leal Adghirni (UnB), José Salvador Faro (Umesb) e Beatriz Marocco (Unisinos) apontaram como vencedor o trabalho “Radiojornalismo hipermidiático: tendências e perspectivas do jornalismo de rádio all news brasileiro em um contexto de convergência tecnológica”, de Débora Cristina Lopez, orientada na UFBA pelo professor Othon Jambeiro.

A Diretoria e o Conselho Científico da SBPJor indicaram ainda o PAGF 2010 Categoria Sênior para o professor Muniz Sodré de Araújo Cabral (UFRJ) por sua densa, abrangente e influente trajetória na pesquisa em jornalismo. Muniz Sodré tem quarenta anos de carreira acadêmica. É graduado em Direito pela UFBA, mestre em Sociologia da Informação e Comunicação pela Universidade de Paris IV, a Sorbonne e doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ, onde também é professor titular e Livre-Docente em Comunicação. É autor de quase quarenta livros, muitos dos quais referenciais para o Jornalismo. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 1A, Muniz Sodré recebeu diversos prêmios e títulos, entre os quais o de Doutor Honoris Causa pela UFBA e o Prêmio Luiz Beltrão de Maturidade Acadêmica, concedido pela Intercom. Versado em sete idiomas, Muniz Sodré é conhecido por sua erudição, livre trânsito entre as áreas e simpatia. Atualmente, preside a Fundação Biblioteca Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Cultura.

Os vencedores do PAGF 2010 receberão seus prêmios no dia 8 de novembro durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece em São Luís, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

crise do equador na mídia

Dois dos jornais mais importantes do Equador trouxeram editoriais em suas primeiras páginas hoje. Claro que o assunto que paralisou e chacoalhou o país ontem foi a crise institucional que quase se transformou num golpe de estado.

Tensões na América Latina…

ainda sobre a liberdade de imprensa no brasil

Disse há pouco que o perigo maior à liberdade de imprensa e de expressão no país tem vindo muito mais dos tribunais do que dos palácios dos governos. Isto é, o Judiciário impede e cerceia mais o exercício profissional dos jornalistas e a difusão livre da informação que o Poder Executivo.

Os dados, os números mostram isso.
Veja o que diz matéria do Portal Imprensa sobre um relatório divulgado nesta semana pela Associação Nacional de Jornais (ANJ):

… a imprensa brasileira teria sofrido 70 atentados contra a liberdade de informação nos últimos dois anos. (…) O relatório da entidade destaca os números de ordens judiciais impondo censura aos meios de comunicação: dos 70 casos, 26 se referem a decisões do Poder Judiciário, além da determinação de 10 medidas restritivas pela Justiça Eleitoral. A ANJ ressalta, ainda, o aumento da quantidade de decisões judiciais que proíbem jornais de divulgar matérias sobre determinados temas ou conteúdo, seja em período eleitoral ou não. Durante o período do levantamento, o Comitê de Liberdade de Expressão denunciou 20 casos de censura, segundo a entidade.

Trocando em miúdos, o documento aponta que de agosto de 2008 a julho de 2010, houve uma morte, três prisões, 18 casos de agressão, 20 casos de censura, cinco atentados, oito casos de abuso, entre outras ocorrências.

Quer conferir o relatório? Clique aqui.
(62 páginas, formato PDF, 878 Kb)
(Vá direto ao ponto: pule as primeiras 36 páginas do relatório…)

receita de bolo em vez da notícia

Estadão reloaded.

No período mais duro da ditadura militar, nos anos 1970, o jornal O Estado de S.Paulo chegou a usar um expediente criativo e inusitado para preencher os espaços das matérias censuradas pelo governo federal: publicava notícias de bolo ou versos de Os Lusíadas. Nesta semana, quase quarenta anos depois, a Band do Tocantins recorreu ao mesmo expediente.


(O Portal Imprensa também deu a notícia)

O caso chama a atenção para o real foco para uma discussão sobre liberdade de imprensa no país: os perigos aos direitos rondam muito mais o Judiciário do que propriamente os poderes Executivo (como quer fazer entender a Veja) e Legislativo.
Os togados têm investido muito mais contra o exercício da profissão do que os engravatados. Este é um debate a ser retomado.

objethos está mais multimídia

A partir de hoje o site do Observatório da Ética JornalísticaobjETHOS – oferece um novo serviço aos seus leitores: áudios de entrevistas com jornalistas sobre o tema da ética. A seção Ponto de Vista traz podcast produzido pelas repórteres do projeto, acompanhado de um slideshow. A entrevista de estreia é com a repórter Eliane Brum, que abriu a 9ª Semana de Jornalismo na UFSC.

O objETHOS é um projeto de pesquisa e extensão que coordeno no Departamento de Jornalismo junto com o professor Francisco José Karam. Nosso objetivo é desenvolver investigações científicas sobre o grande tema da ética no jornalismo, além de produzir conteúdos que possam servir de referência para profissionais, acadêmicos e demais pessoas que se interessem pelo assunto. O objETHOS surgiu há um ano e já conta com a valiosa parceria do Observatório da Imprensa.

Enquetes, pensatas, resenhas de filmes, artigos, comentários e análises podem ser acessados gratuitamente.
Passe por lá!

amanhã começa a semana de jornalismo

Começa nesta segunda a nona edição da Semana do Jornalismo da UFSC.
O evento é concebido, organizado e promovido totalmente pelos alunos e traz para Florianópolis os maiores nomes da área no país.

Veja a programação:

Segunda-feira (13/09)
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
14h – 15h30 Exibição de documentários
17h30 – 19h Mesa “Coberturas extremas: jornalismo em situações de risco”
Convidados: Alberto Gaspar, Caio Guatelli e Letícia Silva
20h – 21h30 Palestra de abertura com Eliane Brum

Terça-feira (14/09)
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
14h – 15h30 Exibição de documentários
17h30 – 19h Mesa “Jornalismo esportivo: panorama e inovações”
Convidados: André Kfouri e Marcos Castiel
20h – 21h30 Palestra com Suzana Singer, ombudsman do jornal Folha de S. Paulo

Quarta-feira, 15/09
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
14h – 15h30 Exibição de documentários
17h30 – 19h Mesa “A opinião consentida: olhares sobre a crítica cultural”
Convidados: Jotabê Medeiros, Pablo Villaça e Bruno Moreschi
20h – 21h30 Palestra com Palmério Dória

Quinta-feira, 16/09
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
15h – 17h Mesa “Imprensa na contramão: quem vai salvar o jornal impresso?”
Convidados: José Luiz Longo, Octavio Guedes e Luís José Meneghim
17h30 – 19h Mesa “Repórteres de olho: investigação de escândalos políticos”
Convidados: Edson Sardinha, Lúcio VazPaulo Alceu
19h30 Lançamento do documentário Impasse, sobre o transporte coletivo em Florianópolis  (no Auditório da Reitoria)

Sexta-feira, 17/09
14h – Palestra sobre a importância do Intercâmbio na Vida profissional com a World Study Intercâmbio Cultural
17h30 – 19h Mesa “Linguagens particulares: como escrever para públicos específicos”
Convidados: Nina Lemos, Jardel Sebba e Thiago Momm
20h – 21h30 Palestra com Xico Sá

A página oficial do evento é esta e você também pode acompanhar pelo Twitter.

11 de setembro de 2001: a notícia

Onde você estava em 11 de setembro de 2001?
O que estava fazendo quando soube do ataque às torres gêmeas?

Gerações inteiras responderão a essas perguntas por anos e anos. Se você passou por isso, sabe do que estou falando.
Se não sabe, não se lembra ou nasceu bem depois, veja como o telejornal mais influente do país deu a notícia.
É arrepiante.

um manual para jornalistas freelancers

Maurício Oliveira é um dos jornalistas mais talentosos com quem já trabalhei.
Talentoso e experiente, ele já passou por algumas das redações mais fervilhantes do jornalismo brasileiro. Há algum tempo, é um freelancer que não para em casa de tanto trabalho que lhe aparece. É como ele mesmo ensina: não se pode dizer “não” mais de uma vez para o mesmo contratante…

Pois o Maurício está anunciando que logo-logo as melhores e piores livrarias do país vão receber seu Manual do Frila, editado pela competente Luciana Pinsky, minha editora também na Contexto. Para ver do que trata o livro, veja o sumário; para ler a apresentação, vá por aqui.

jornalismo em transformação: uma revista

A editora Beatriz Becker avisa que já está disponível mais uma edição da Brazilian Journalism Research, a revista bilíngue da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). O tema que dá unidade à publicação é “Jornalismo em Transformação: Desafios Metodológicos e Epistemológicos”.

A conferir: versão original em inglês (aqui) e versão traduzida (aqui)

jornalismo, mercado de trabalho e novas funções

Estou em Caxias do Sul (RS) para uma participação relâmpago no 33º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, promovido pela Intercom. A convite do professor Felipe Pena, da UFF, compus com outros colegas uma mesa que discutiu hoje à tarde as novas funções profissionais na atividade jornalística.

Por conta da GOL, cheguei cinco horas atrasado na cidade. Meu roteiro inicial era estar por aqui às 10h30 e só fui botar os pés na Universidade de Caxias do Sul às 15h45. Detalhe: a mesa começou seus trabalhos às 14 horas. Por simpatia e benevolência dos colegas da mesa e da plateia atenta, tive 10 minutinhos para falar, antes que a sessão terminasse. Mas disse aos presentes que deixaria neste blog a íntegra do texto que embasou a minha fala e que não está disponível nos anais do evento.

Promessa feita, promessa paga!

os 10 piores defeitos dos jornalistas

  1. Faltar com o rigor ou a ética.
  2. Acreditar que é o único que conhece “a verdade”.
  3. Achar que é infalível.
  4. Pertencer a uma falsa elite de “jornalistas medalhões”.
  5. Criar manchetes a partir de perguntas capciosas.
  6. Autocensurar-se por vários motivos.
  7. Acreditar que é juiz ou salvador.
  8. Confiar demais nas fontes.
  9. Esquecer que seu objetivo principal é informar as pesssoas.
  10. Acomodar-se em recursos fáceis como o “copia-e-cola” ou “google”.

Calma. A lista não é minha.

A jornalista Esther Vargas conta que a lista surgiu a partir da pergunta “Qual é o principal defeito de um jornalista?”, lançado na página Clases de Periodismo no Facebook.

Você concorda ou discorda? Antes, conheça a lista inteira.

sonia bridi, a ufsc e a semana do jornalismo

A jornalista Sonia Bridi esteve na UFSC há dois dias para uma palestra e o lançamento da Semana Revista, publicação que é um aperitivo do que vai acontecer na 9ª Semana do Jornalismo. Bridi, que fez jornalismo na UFSC, é repórter especial da TV Globo, e foi correspondente da emissora na China, na Europa e nos Estados Unidos.

A 9ª Semana de Jornalismo é um evento totalmente organizado e produzido pelos alunos do Jornalismo/UFSC. Tradicionalmente, traz grandes nomes da área em escala nacional. Alguns destaques deste ano são Eliane Brum, Xico Sá, Suzana Singer, Palmério Dória, André Kfouri, Alberto Gaspar e Jotabê Medeiros.

A programação completa – palestras, minicursos e debates – pode ser encontrada aqui.

os jornais e as eleições: cartilha grátis!

A campanha eleitoral já começou pra valer. As alianças foram fechadas, debates estão acontecendo e os candidatos já saíram às ruas. Na semana que vem, tem início o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, e aí a coisa pega fogo. Como a mídia é o principal palanque, diversos veículos de comunicação têm normas específicas para este período. Entre os jornais, até mesmo a associação nacional (ANJ) produziu e vem distribuindo uma cartilha para orientar as empresas do setor. Vale a pena conhecer.

Clique aqui pra baixar!

fenaj homenageia lage e herz

Um dos últimos atos da gestão de Sérgio Murillo de Andrade à frente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) será conceder comendas da entidade a dois jornalistas de âmbito nacional: Nilson Lage e Daniel Herz. As homenagens acontecerão durante o 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, de 18 a 22 de agosto, em Porto Alegre (RS).

Lage é um dos nomes mais influentes do meio acadêmico no Jornalismo, com obras reeditadas há décadas, e com uma trajetória que permanece nítida e bem pavimentada mesmo depois de sua aposentadoria compulsória em 2006. Para Daniel Herz, a homenagem é póstuma, já que o jornalista, acadêmico e militante pela democratização da mídia morreu em maio de 2006.

O tema do 34º Congresso Nacional dos Jornalistas é “O jornalismo a serviço da sociedade e a defesa da profissão”.

ferramentas google para jornalistas

O jornalista colombiano Mauricio Jaramillo produziu e disponibilizou um Guia de Ferramentas Google para Jornalistas. São 50 páginas e um arquivo em PDF de 9,3 Mega. É útil, é prático e pode lhe servir. Baixe aqui.

(Dica da @lauraseligman)

jornalismo, tecnologia, liberdade e democracia: e-books grátis

Baixe três interessantes publicações, todas atualíssimas e em espanhol, mas que ajudam a refletir sobre as relações entre jornalismo, tecnologia, democratização e consolidação de liberdades individuais.

“El impacto de las tecnologias digitales en el periodismo y la democracis en America Latina y el Caribe” é um estudo organizado por Guillermo Franco, tendo como financiador o Knight Center for Journalism in Americas, da Universidade do Texas. Tem 88 páginas e 11,2 megabites de tamanho de arquivo. Baixe aqui.

“Periodismo digital en un paradigma de transición” é uma publicação organizada por Fernando Irigaray, Dardo Ceballos e Matías Manna, e resulta do 2º Foro de Periodismo Digital de Rosario (Argentina). Tem 109 páginas e o arquivo tem 2 megas. Baixe aqui.

“Libertad de Expression” é uma publicação de 36 páginas em quadrinhos, produzida pela Unesco de Quito. Tem arquivo com 4,2 Megas. Baixe aqui.

mídia e qualidade: indicadores

Acaba de sair há pouco a tradução para o português de um importante documento internacional sobre comunicação e qualidade. Trata-se dos Indicadores de Desenvolvimento da Mídia, publicação produzida e organizada no âmbito da Unesco, reunindo a expertise de profissionais e estudiosos do mundo inteiro.

Vale a leitura do documento. Merece o debate que ele enseja…

Baixe: http://unesdoc.unesco.org/images/0016/001631/163102por.pdf

a morte no jornal e o jornalismo ferido

Uma reportagem cotidiana sobre um crime banal vem causando algum alvoroço nas redes sociais e em listas eletrônicas por aí. Assinada por Afonso Benites e publicada em 28 de maio passado na Folha, a matéria provoca mal estar por conta de dois trechos que, de jornalísticos, nada têm. Leia, com meus grifos:

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90). Era dia de promoção —a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.

As queixas que colhi por aí são de duas naturezas: técnicas e éticas. Em alguns comentários, elas se fundem. Mas de maneira geral, as reclamações se resumem a três:

  • A Folha de S.Paulo estaria fazendo merchandising no meio de uma peça jornalística, contrariando uma antiga divisão de territórios no terreno da comunicação e no interior do próprio negócio das notícias: jornalismo de um lado e publicidade de outro. É a velha separação Igreja-Estado, dois poderes na sociedade que devem se respeitar, conviver em relativa harmonia e preservar suas autonomias, sem mútua intervenção.
  • A Folha de S.Paulo estaria banalizando a violência urbana na medida em que notícias policiais estariam se prestando a veicular informações de cunho publicitário. Pouco importam as três vítimas esfaqueadas no hipermercado. Interessa mais é aproveitar a situação para evidenciar produtos e promoções.
  • A Folha de S.Paulo teria ultrapassado o limite do mau gosto, do respeito à vida alheia, tripudiando com perigosa ironia o fato noticiado e suas circunstâncias.

Confesso que a leitura da matéria me causou um tremendo estranhamento. Não me soou bem, me pareceu sarcástica, oportunista (no sentido mais arrivista), infeliz. Quis me manifestar nas listas eletrônicas, mas me contive. Optei por sentir as reações e em todos os casos foram críticas, quando não raivosas.

Um dos poucos a escrever um pouco mais serenamente sobre o caso foi Marcelo Träsel, que oferece uma interpretação do caso. Entre outros aspectos, ele não vê publicidade descarada na matéria e o crime maior está em como o jornalismo se alimenta de assassinatos e outros delitos para se prevalecer. “A meu ver, a sociedade não perderia nada se as histórias policiais fossem simplesmente banidas dos noticiários”, escreve Träsel. Pelo que pude entender, o autor exime o repórter da responsabilidade sobre o produto final, concede-lhe o benefício da dúvida, mas não poupa a indústria que se nutre do sangue.

Penso ligeiramente diferente. A indústria é implacável e muitas vezes se alimenta de crimes, de escândalos, de polêmicas para engordar seu noticiário, hipertrofiar sua audiência. Mas repórteres, redatores e editores também têm lá suas responsabilidades. No processo de produção jornalística, muitas mãos moldam, alteram e às vezes descaracterizam o texto original. O produto final pode ser muito diferente do que saiu do teclado do repórter, e responsabilidade se dilui. Mas não evapora. Dar o benefício da dúvida ao repórter é sensato pois faz prevalecer o princípio da presunção da inocência.

Mas o fato é que os elementos que causam estranhamento no texto de Afonso Benites poderiam ter sido simplesmente suprimidos. Por uma razão mais do que simples: não são jornalisticamente informativos. Basta voltar ao parágrafo e lê-lo sem os trechos grifados. Algo essencial fica de fora? Não, não fica. Essas sobras não têm estatuto jornalístico, mas contém informações que realçam características comerciais do produto – a faca – e da situação – um dia de uma promoção específica no hipermercado.

Por isso que o episódio inspira debates em torno da ética jornalística. A inserção na reportagem dos trechos grifados adiciona também elementos que contrariam o que convencionamos esperar do jornalismo. Ele é composto por informações que se orientam por interesses coletivos e públicos, e não por interesses de grupos e motivações primordialmente mercantis. Não porque o jornalismo seja melhor que a publicidade ou porque esteja acima do capitalismo. Mas porque o jornalismo se balize por valores que o aproximem mais da democracia do que do mercado. Historicamente, o jornalismo se desenvolveu como uma tecnologia social para as comunidades que servia. Na medida em que se aprimorava, a imprensa construiu em torno de si um conjunto de práticas que a credenciava como fiscal dos poderes, denunciadora de abusos, defensora da livre expressão e do pluralismo no pensamento. A sociedade foi delegando tais funções ao jornalismo, e este foi tecendo para si uma frágil, mas importante teia de sustentação: finalidade pública, função social.

O mal estar que senti ao ler a matéria de Afonso Benites – e pelo jeito não fui o único – é o sintoma do descolamento entre o que se vê no jornalismo e o que dele se espera. É o desvio de função que nos faz torcer o nariz. É uma indisfarçável sensação de estar sendo traído que nos preocupa, que nos indispõe.

O ruidoso episódio na Folha não mata o jornalismo, mas provoca uma incômoda ferida. Ela pode evoluir, arder, infeccionar. Mas também pode secar e cicatrizar. Qualquer diagnóstico é apressado… Irônico é perceber que não foi a faca quem feriu o jornalismo, mas o seu preço estampado na matéria.

sua pesquisa pode valer um prêmio

Já estão abertas as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.

Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

As inscrições vão até 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.

Conheça o Regulamento do PAGF 2010

o futuro do jornalismo na visão dos jornalistas

A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) promoveu de 25 a 28 de maio seu congresso mundial, cujo tema foi “Empregos, Ética e Democracia”. Se você, como eu, não estava em Cádiz (Espanha) nesses dias e se interessa pelo assunto, vá ao hotsite do evento, acompanhe as (raras) postagens no Twitter ou ainda assista aos vídeos no Canal Vimeo.

Interessante também é conferir o documento “Informe sobre o futuro do jornalismo”, onde são reunidas ideias em torno das muitas mudanças na profissão, no mercado e na própria organização classista dos jornalistas. Para sindicalistas ou não.

nova edição de prêmio para pesquisa em jornalismo

Estão abertas a partir de 1º de junho as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.

Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

As inscrições vão de 1º de junho a 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.

Conheça o Regulamento do PAGF 2010

o globo: uma campanha demais!

Você pode achar que O Globo não é lá um grande jornal.

Você pode torcer o nariz para a TV Globo.

Você pode nem passar por perto do G1.

Não importa. Este anúncio não é novo, mas é demais!

folha muda. veja como

A Folha de S.Paulo está fazendo um estardalhaço para as mudanças editoriais e gráficas que inaugura amanhã. Cadernos mudam de nome e de tamanho. Brasil vira Poder. Dinheiro vira Mercado. Mais! vira Ilustríssima. Informática vira Tec. O caderno Esportes vira tabloide, e por aí a coisa vai… Tem mudança de fontes e cores. Tem integração das redações das versões impressa e online… Tem redefinições editoriais e adoção de manuais específicos para cada editoria…

Ana Estela de Sousa Pinto reuniu sete vídeos que contam as mudanças que vêm sendo estudadas por mais de vinte pessoas desde setembro do ano passado. Vale ver!

A reforma da Folha vem logo depois da do concorrente direto, o Estado de S.Paulo, e vem numa onda de novos redesenhos na mídia impressa nacional. Transições, mudanças, transformações…

para americanos, blogueiro = jornalista

Um estudo recentíssimo mostra que 52% dos blogueiros norte-americanos se consideram jornalistas. O levantamento é da PR Week e da PR Newswire. Essa sensação de equivalência era menor no ano passado: um em cada três blogueiros se achavam jornalistas.

Claro que cada caso é um caso, e que a pesquisa é concentrada no complexo ambiente dos Estados Unidos. De qualquer forma, os indicativos nos permitam pensar e discutir em torno das aproximações cada vez mais inevitáveis entre jornalistas e blogueiros. O combustível para essa atração e confusão de papéis atende pelo nome de Redes Sociais. Elas têm chacoalhado as relações profissionais não apenas na Comunicação, mas também na Educação.

Nas páginas finais de meu “Ética no Jornalismo”, eu projetava movimentos convergentes de uma ética jornalística tradicional e de uma ética hacker, cada vez mais influente. Está em curso. Aperte os cintos porque não é apenas a paisagem da janela que está mudando; nosso ônibus já não é mais o mesmo…

os eticistas, o pianista e o jornalista

Uma importante conferência reuniu acadêmicos e profissionais do jornalismo para discutir novos parâmetros e novas condutas para a profissão. O evento aconteceu na semana passada – 30 de abril – na Universidade de Wisconsin-Madison (Canadá), onde funciona o já renomado Center for Journalism Ethics. Na ocasião, a conferência perguntava se é necessária uma nova ética para este novo jornalismo com o qual nos confrontamos diariamente.

Oportuna, a questão trazia consigo uma série de outras indagações que certamente não foram respondidas pelos participantes, por mais experientes e capacitados. Isso porque alguns dilemas éticos estão acabando de aflorar nesse terreno ainda fértil das novas mídias, das tecnologias de informação e do cruzamento dos meios convencionais com as redes sociais.

(Bem) acostumados a debater tais questões, os canadenses não só convocaram grandes nomes do mercado, mas de organizações não governamentais ligadas à área e acadêmicos, mas também instituíram um prêmio para o que chamam de “jornalismo ético”. Como não poderia deixar de ser – já que o evento trata de novas tecnologias -, a conferência teve uma qualificada e generosa cobertura para os meios on line. Um live blogging permite que se tenha acesso a vídeos e textos dos debates; álbuns no Flickr possibilitam captar um pouco do clima do evento; e até mesmo pelo Twitter se consegue recuperar comentários e opiniões de participantes presenciais ou não.

O material que se tem ali é particularmente instigante pra todos os que pensam o jornalismo nos dias atuais. É verdade, existem lá mais perguntas que respostas. Mas não é assim mesmo que funciona isso que chamamos de ética?

Por falar nisso, acabo de devorar “O pianista no bordel”, ótimo livro de Juan Luis Cebrián. Se não ligou o nome à pessoa, Cebrián é um dos principais homens por trás do surgimento de “El País”, na Espanha na metade da década de 1970 em meio à redemocratização do país. Por anos e ainda hoje, o jornal se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão e trouxe consigo um punhado de preocupações essenciais para um jornalismo de qualidade.

O livro de Cebrián acaba de desembarcar nas livrarias brasileiras. Li uma entrevista dele para “O Estado de S.Paulo” e fiquei interessadíssimo no volume. Passando por Recife, escapei para uma livraria e vasculhei tudo atrás do livro. Quando estava para desistir, chega uma atendente com uma pilha de dez exemplares: Cebrián veio direto para a minha mão, e furou a fila na lista das leituras.

Para tratar de jornalismo, sociedade, democracia e novas tecnologias, “O Pianista no Bordel” parte de uma anedota espanhola, um ditado popular:

Não digam à minha mãe que sou jornalista. Prefiro que continue pensando que toco piano num bordel.

Com humor refinado e texto elegante – que muito me lembraram Mino Carta, outro importante publisher -, o autor se vale de dez ensaios para não apenas fazer reminiscências de sua carreira, mas também para dividir o que pensa sobre jornalismo e política. Neste sentido, Cebrián toca em aspectos delicados das coberturas – como no caso do terrorismo -, e reforça valores do jornalismo, como a credibilidade, o rigor, a independência e a liberdade de imprensa. Critica o avanço da justiça e dos governos sobre os jornalistas, e a tentativa de controle da informação; e ainda desmitifica o propalado fim dos jornais por conta da emergência de novas formas de difusão informativa. Para Cebrián, é necessário um resgate do jornalismo para algumas de suas funções. É preciso coragem para enfrentar tempos difíceis, ousadia para ir além do superficial.

Nas 166 páginas do livro, os pontos de vista do velho jornalista são sempre lúcidos e explícitos; as ideias defendidas com uma contumaz bravura espanhola, mas sem sombra de empáfia. Cebrián parece pensar alto, e quem pensa alto não mede o passo de outrem, mede apenas o próprio. As posições que adota podem não ser unânimes, mas possibilitam pensá-las como alternativas respeitáveis, de nada descartáveis. E o que vejo como muito importante: o autor enfrenta as questões do jornalismo não de uma torre de marfim, segura e cômoda. Cebrián pondera também valores que nós, jornalistas, às vezes, atiramos para baixo do tapete, como rentabilidade, solvência empresarial, a busca por lucros e o jornalismo como negócio. Logo, Cebrián não é um utópico, não se aliena das agruras de quem precisa produzir um bom jornal todos os dias para vê-lo desaparecer rapidamente das bancas.

Cebrián desenha um jornalista sobre o fio da navalha, se não veja-se o trecho a seguir:

O senso de responsabilidade dos jornalistas é continuamente solicitado pelos governantes, quando justificam suas exigências de silêncio, manipulação e censura apelando para o bem superior constituído pela segurança coletiva. (…) Seria lamentável que, de uma forma geral, os profissionais da informação dessem ouvidos a semelhantes pressões. A obrigação moral e profissional dos jornalistas é contar os fatos, não calá-los, e a única responsabilidade que se deve exigir deles é a que emana da exigência de veracidade (…) Isso não quer dizer que devam ser insensíveis ao bem geral e não devam avaliar os danos que podem se originar de suas publicações.

Complicado, não? Sim. Com Cebrián, a impressão dá lugar à certeza: o jornalismo é mesmo muito delicado, muito complexo. E o pianista do bordel só pode ser mesmo personagem de piada. O que vale mesmo aqui é o homem que martela outras teclas, as da notícia.

congresso de ciberjornalismo no porto faz chamada de trabalhos

Reproduzo o comunicado lançado há pouco:

A organização do II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, marcado para 09 e 10 de Dezembro de 2010 na Universidade do Porto, convida os investigadores interessados a remeter, até 15 de Julho, propostas de comunicações a apresentar no Congresso.

As comunicações deverão versar sobre Ciberjornalismo, com especial preferência pelos tópicos deste II Congresso:
– Modelos de negócio para o jornalismo na Internet
– Redes sociais e ciberjornalismo

As propostas devem ser enviadas para obciber@gmail.com, em Português, Espanhol ou Inglês. Cada proposta deve contemplar uma descrição de 400 a 500 palavras, que inclua, designadamente, o tópico e relevância do mesmo, hipótese ou argumento, moldura conceptual e metodológica, resultados previstos e até 5 palavras-chave. Cada proposta deve ser acompanhada de uma folha de rosto separada, para blind-review, apenas com nome(s), filiação institucional e endereços postal e electrónico do(s) autor(es).

As propostas serão avaliadas pelos membros da Comissão Científica do Congresso, devendo o resultado ser comunicado a todos os autores até 15 de Setembro.

Os autores das propostas aprovadas comprometem-se a enviar as comunicações completas até 31 de Outubro. As melhores comunicações serão publicadas na revista Prisma.com – http://prisma.cetac.up.pt/.

As taxas de inscrição são iguais às praticadas no I Congresso – http://cobciber.wordpress.com/inscricao/.

O Congresso é organizado pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber) e pelo Centro para as Ciências da Comunicação (C2COM) da Universidade do Porto.

O programa do Congresso, em preparação, incluirá intervenções, já confirmadas, dos Profs. Marcos Palacios (Universidade Federal da Bahía), Elvira García de Torres (Universidad Cardenal Herrera), João Canavilhas (Universidade da Beira Interior) e Helder Bastos (Universidade do Porto).