ética e jornalismo econômico

Damian Tambini, professor da London School of Economics, assina junto com o Departamento de Media and Communications, um relatório que pode servir muito a jornalistas em tempos de crise. “What’s financial journalism for? Ethics and Responsibility in a time of crisis and change” discute aspectos como sustentabilidade, globalização, informação responsável e ética.
O documento é de novembro de 2008, mas não perdeu sua atualidade. Tem 38 páginas em inglês e está em formato PDF.
Baixe aqui.

princípios editoriais da globo: um debate

Na semana passada, participei com Eugênio Bucci, Leonel Aguiar e Alberto Dines de um debate no programa de TV do Observatório da Imprensa. O tema foi o documento das Organizações Globo que estabelece os princípios editoriais do grupo. O programa do Observatório é transmitido pela TVBrasil nas noites de terça-feira (hoje tem!) e depois fica disponível na internet.
A seguir, o debate sobre as diretrizes globais, em três partes.

Parte 1 de 3

Parte 2 de 3

Parte 3 de 3

veja não deu trégua à dilma…

A edição da semana passada da revista Veja trouxe um editorial em que a publicação dá todo apoio à presidente. É uma trégua, então? Não é bem assim. Saiba porque no texto que escrevi para o objETHOS.

cadê a crise que tava aqui?

Certamente, você já ouviu falar que as tiragens dos jornais estão despencando, que as verbas publicitárias evaporaram, que o jornalismo está morrendo à míngua e que o mundo vai acabar em 2012. Pois é, mas não é bem assim não… pelo menos no Brasil.

Na verdade, na verdade, os proprietários de jornais estão rindo de orelha a orelha.

No primeiro semestre de 2011, a circulação de jornais foi recorde: 4,4 milhões de exemplares por dia, conforme números auditados pelo Instituto de Verificação de Circulação (IVC). Se se considerar os jornais que não são acompanhados pelo IVC, a quantidade pode chegar a 8 milhões, estima o mercado. E se você multiplicar cada exemplar por quatro – que é uma média aceita de leitores por produto -, chegaremos a uma fatia de 32 milhões de leitores de jornal por dia no país.

Não fosse só isso, já seria boa notícia. Mas tem mais. O setor calcula que, de 2004 até a primeira metade deste ano, a circulação tenha crescido 32,7%, quase um terço a mais!

Não é à toa que os donos de jornais devem estar gargalhando. Tanto é que a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) não se conteve e publicou anúncio dando esses mesmos dados nos maiores diários brasileiros esta semana. Vá comparar esse desempenho com os mercados europeus e norte-americano…

oportunidade: monitoria no zero

Se você é aluno do Jornalismo/UFSC, pode se interessar por esta: são três vagas para atuar como monitor junto ao jornal-laboratório ZERO. O trabalho é dar apoio ao fechamento de quatro edições do jornal no semestre, sendo supervisionado por professores e tendo uma boa equipe de repórteres.

Ficou interessado? Quer saber mais detalhes? Deixe um comentário aí…

comunicação no mundo ibero-americano: evento!

Suzana Rozendo avisa:

Media Studies and Communication – Research Approaches and Economical Analysis
Call Especial: Situação e Perspectiva da Investigação em Comunicação no espaço Lusófono e Ibero-americano

Prazo de submissão: 26 de Junho

A sessão especial de trabalho sobre a situação e perspectiva da investigação em comunicação no espaço ibero-americano está inserida na conferência ‘Media Studies and Communication – Resear​ch Approaches and Economical Analysis’, organizada pela Association d’Econométrie Appliquée, com a colaboração do CETAC/Universidade do Porto e do CIMJ/ Universidade Nova de Lisboa, que se vai realizar nos dias 8 e 9 de Julho de 2011, na Universidade do Porto, na Praça Coronel Pacheco.

Esta conferência internacional (101ª edição) apresenta um quadro de análise sobre perspectivas transversais aos aspectos relacionados com a actividade da comunicação e media, incluindo abordagens sobre a indústria.

Irão estar presentes investigadores provenientes de 15 países que apresentarão pesquisas desenvolvidas sobre os temas em causa, incluindo abordagens qualitativas e quantitativas. De entre os vários temas considerados, destacam-se:

– Concentração e regulação da indústria dos media,

– Globalização e efeitos na comunicação mediática,

– Impacto das TIC, disrupção e modelos de negócio dos media,

– Estudos de audiências e os efeitos no negócio dos media.

Esta sessão especial – cujos papers poderão ser apresentados em português ou castelhano – pretende estimular a apresentação de trabalhos que abordem temas transversais ao sector da comunicação, realizados por investigadores provenientes de geografias lusófonas e ibero-americanas.

Com este quadro em perspectiva, convidamos-vos a efectuar as vossas inscrições através do site da associação internacional (www.aea-eu.com/2011Porto). Para informações complementares poderão obter esclarecimentos através do seguinte email: faustino.paulo@gmail (Paulo Faustino – Representante Local).

 

 

 

 

 

 

jornalistas e redes sociais: resultados de pesquisa

A divisão brasileira da ONG Artigo 19 já sistematizou os resultados que colheu na pesquisa que realizou com jornalistas abordando o tema das redes sociais. A amostra é de 150 jornalistas de 20 estados e os questionários foram aplicados em abril e maio de 2011.

Algumas questões abordadas:

  • As redes sociais favorecem a liberdade de imprensa?
  • Quais são os limites entre a identidade profissional e o perfil pessoal nas redes sociais?
  • Qual o uso profissional das redes sociais?
  • As redes sociais favorecem o jornalismo cidadão?
  • As redes sociais e blogs aumentam a transparência das empresas jornalísticas?
  • Os jornalistas de referência nas mídias tradicionais são os mesmos de referência nas redes sociais? Blogs e redes sociais favorecem que mais jornalistas se tornem famosos?
  • Como acontece a discussão sobre as políticas de comunicação e a imprensa nas redes
    sociais?

Veja os resultados em arquivo PDF, 11 páginas: aqui

A pesquisa Artigo 19 contou com apoio do escritório da Unesco no Brasil e com o Portal Imprensa.

brasileiros e argentinos vão discutir pesquisa e jornalismo investigativo

Estão abertas a partir de hoje, 11 de maio, as inscrições para o 1º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor). O evento será nos dias 9 e 10 de junho em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). As inscrições, gratuitas e limitadas a 150 vagas, podem ser feitas através do site www.bapijor.ufsc.br, onde também estão disponíveis mais informações e a programação completa.

Pioneiro e inovador, o seminário tem como objetivo expor, debater e dialogar sobre a realidade da profissão e da academia nos dois países. Para isso, contará com a participação de renomados pesquisadores e jornalistas brasileiros e argentinos.

O seminário tem realização do Observatório da Ética Jornalística – objETHOS – e promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, com patrocínio da FAPESC – Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina . Tem o apoio, ainda, da ABRAJI – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo,  ACI – Associação Catarinense de Imprensa, FAPEU – Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária e PRAE – Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da UFSC.

diário catarinense, 25 anos

O jornal de maior circulação em Santa Catarina completou hoje 25 anos.
Numa época em que diversos abutres sobrevoam os jornais impressos, o jubileu do Diário Catarinense é uma notícia que exibe parte do vigor dessa indústria.
A exemplo de outros casos, o DC produziu um vídeo para celebrar a data, mostrando um pouco do seu processo produtivo. Marketing à parte, vale “visitar” a rotina de um jornal diário nesses tempos de notícia full time.

nova revista sobre comunicação e tecnologias

   Já está circulando na rede o primeiro número da revista Tinta Electrónica, voltada para temas da comunicação e das novas possibilidades tecnológicas. A publicação é editada pelos jornalistas Sandro Medina Tovar (do Peru) e Emiliano Cosenza (da Argentina), e na edição de estreia traz textos de Mario Tascón (Espanha), Pedro Jerónimo (Portugal), Anderson Paredes (Venezuela), María Pastora Sandoval (Chile), Martín Fernández (Argentina), Rolly Valdivia Chávez (Peru), Susana Morán (Equador), Lina Ceballos (Colômbia) e Gerardo Albarrán de Alba (México).

A publicação está no formato PDF, é fácil de baixar, e deve sair sempre em abril, agosto e dezembro. O número 1 tem 28 páginas e o layout é bem modesto, talhado para facilitar a leitura do conteúdo. O tema de abertura da nova revista eletrônica é “Fazer jornalismo num novo ecossistema informativo”.

Para saber mais sobre a revista, leia a entrevista que a jornalista Esther Vargas fez com Sandro Medina. Para baixar, clique aqui.

é a independência jornalística uma ilusão?

Terra arrasada?Um dos aspectos que mais me chamou a atenção quando tive acesso às entrevistas com os principais gestores de mídia do país é que era consensual a necessidade da independência editorial para a sobrevivência do jornalismo e das empresas que disso vivem. Foi em 2009 e eram entrevistas com 22 editores-chefes, diretores e publishers de todas as regiões, e eu estava – junto com outros colegas – concluindo uma pesquisa sobre indicadores de qualidade de informação para a Unesco.

O argumento repetido é que as empresas precisam construir condições para se fortalecer financeiramente de maneira a não depender de verbas publicitárias dos governos. A independência editorial é, então, um resultado da independência comercial. O raciocínio é lógico, linear e de fácil convencimento.

Pois esta semana voltei a ouvir interessantes declarações sobre a independência jornalística. Eu participava, no Rio, do encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica), e acompanhei a mesa redonda “Mídia e democracia: questões teóricas”. Na sessão de perguntas finais, alguém da plateia questionou os palestrantes sobre a hipótese de que alguns veículos de imprensa chantageariam o governo federal com a ameaça de publicação de escândalos políticos, tentando atrair para si mais verbas publicitárias. Mesmo sem mencionar explicitamente, o indagador colocou o problema da independência da imprensa nacional.

Bem humorado, o presidente da Compolitica, Afonso de Albuquerque (UFF), disse que todas as relações humanas de alguma forma são baseadas em chantagem. “As relações sentimentais, mais ainda”, brincou, completando que a hipótese pode acontecer com alguma frequência e por parte de alguns veículos e governos. Quer dizer, é da regra do jogo, pertence à lógica que tensiona esses atores. Tentando desviar de um “cinismo” de seu colega de mesa, Fernando Lattman-Weltman (FGV) também deu de ombros diante da chantagem. “Olha, ninguém é independente. Ninguém. Nem mesmo os mortos, afinal, eles dependem da gente para serem enterrados! Por isso, nem vale a pena lutar por esse valor, pela independência”, afirmou.

Confesso que uma fala tão convicta ficou martelando a minha cabeça. Não porque me apegue tanto a certos valores, mas porque venho assistindo nos últimos anos à franca demolição de uma série deles no campo do jornalismo. Não mais se acredita em objetividade; a imparcialidade é questionada a todo momento; a verdade é relativizada; a ética é flexibilizada; a independência editorial não merece ser cultivada… Com isso, parece que daqui a pouco não vai sobrar pedra sobre pedra…

Afinal, esses valores, por décadas, serviram de alicerces para o jornalismo, tanto do ponto de vista ético quanto para garantir padrões mínimos para a sua execução técnica. É verdade que o jornalismo já não é mais o que foi; que a sociedade mudou; nossas percepções de espaço e tempo também foram transformadas; e o mundo e a vida são outros. Entretanto, temo que, no afã de se reformar o jornalismo, jogue-se a criança junto com a água do banho.

A pergunta que agora assalta a minha consciência é: se estamos em busca de uma nova ética para este novo jornalismo, em que mesmo ela estaria apoiada?

Alguém aí se arrisca a responder?

empresa jr na ufsc

Diversos cursos de Comunicação no país já contam com suas agências júniores, que são iniciativas com o claro propósito de aproximar ainda mais as atividades de formação acadêmica com as rotinas do mercado de trabalho. A partir de agora, o curso de Jornalismo da UFSC também terá sua agência: é a Comunica!, autointitulada “a primeira agência júnior de jornalismo de Santa Catarina”.

O evento de inauguração acontece hoje à noite, a partir das 18h30, no auditório do Centro Socio-Econômico (CSE-UFSC). Palestra com Mario Motta, que atua em rádio, TV, jornal e web no Grupo RBS.

Sucesso!
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política de comunicação de verdade

No Reino Unido, os cidadãos contam com o Ofcom, órgão independente regulador das indústrias de comunicação. Lá, a coisa é séria há décadas, e a instância tem políticas efetivas de comunicação, visando o direito das pessoas, a qualidade do conteúdo e a competitividade do setor.

Como não poderia deixar de ser, o Ofcom trabalha com planejamentos, mas também com transparência. Por isso, seu plano de trabalho periódico é feito com antecedência e apresentado à sociedade para adendos, alterações e supressões. De forma participativa, ampla e democrática. Não acredita? Então, confira a versão para discussão do plano de trabalho 2011-2012.

Tão vendo como regulação não significa necessariamente censura ou retirada de direitos?

o congresso e o monopólio na mídia

Será que agora vai? Será que vão mexer neste vespeiro agora?

Veja a matéria do Portal Imprensa:

STF determina que Congresso tem de se posicionar sobre monopólio da comunicação

A Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República também serão interpeladas sobre o tema pelo STF por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 10, encaminhada pelo PSol.O Supremo Tribunal Federal (STF) quer saber o posicionamento do Congresso Nacional a respeito do monopólio da comunicação no país.
O objetivo da ação é fazer com que o STF determine ao Congresso Nacional a regulamentação de três artigos da Constituição Federal (220, 221 e 223), referentes à proibição do monopólio e do oligopólio na comunicação; o cumprimento de princípios que devem nortear a programação em rádio e TV; além da regulação do direito de resposta.
Segundo informa o tele.síntese, ao despachar a decisão no final do ano passado, a ministra Ellen Gracie determinou a solicitação de informações ao Congresso Nacional, “que poderão ser prestadas no prazo de 30 dias”. Determinou, ainda, “abra-se vista sucessiva ao Advogado-Geral da União e ao procurador-geral da República, para que se manifestem, cada qual, no prazo de 15 dias”.

 

panorama da comunicação: baixe!

O Ipea lançou ontem os três volumes do Panorama de Comunicação e das Telecomunicações no Brasil, pesquisa inédita feita com o apoio das principais associações científicas e acadêmicas da área (Socicom).

Os volumes podem ser baixados gratuitamente:

Volume 1, aqui

Volume 2, aqui

Volume 3, aqui


comunicação: um panorama nacional

Retransmito convite do IPEA:

3 piores anúncios de 2010

Existe propaganda boa, e existe a ruim. De cabeça, selecionei três anúncios que considerei meio desastrados em 2010. Começo com a do Campari. Notem que ninguém dá um trago na bebida, que ninguém dá uma prazerosa golada. Ao invés disso, as pessoas jogam Campari nos outros… vai entender!

Outro filme incompreensível é este da Chevrolet. Notem que a estrela do comercial é o Camaro, um carro que você pode ganhar se comprar outro…

E este da Pepsi? O comercial começa com um personagem dizendo: “Só tem Pepsi, pode ser?” Como quem diz: “Só te restou esta alternativa. Vai encarar?”

Posso não entender nada de publicidade, mas os caras que criaram esses anúncios sabiam o que estavam fazendo?

ATUALIZANDO: A Joana Ziller manda a sugestão de mais um pra esta lista bizarra. Lembra do anúncio da lama na cara? Forever young, I want be forever young

“o jornal do brasil que nós amávamos”

regulação da mídia: um evento para se acompanhar

hábitos de consumo de mídia no brasil

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) encomendou à Meta Pesquisas de Opinião um relatório sobre hábitos de informação e de opinião da população brasileira. O documento, de 62 páginas, está dividido em regiões do país e escaneia aspectos muito interessantes sobre a recepção à mídia no país.

Alguns resultados:

  • TV e rádio são os meios mais consumidos no país; a televisão é assistida por 96,6%, e o rádio por 80,3%
  • Menos da metade lê jornais (46,1%) e pouco mais de um décimo consome o meio diariamente (11,4%)
  • “Pessoas mais cultas e de maior poder financeiro lêem mais jornais e revistas, assim como desenvolvem em maior
  • intensidade o hábito de leitura de livros em geral”.
  • Internet chega a 46,1% da população brasileira, e o internauta daqui navega em média 16,4 horas por semana
  • “Os meios de comunicação constituem-se nas principais fontes de informação sobre o Governo Federal. Ainda que a maioria desconfie em relação a sua isenção e imparcialidade, e considere incompletas as informações veiculadas”

A pesquisa foi realizada de 31 de janeiro a 5 de fevereiro, nas cinco regiões do País em 639 cidades. Foram aplicadas 12 mil entrevistas. O estudo foi encomendado pela Secom para “direcionar os esforços de comunicação dos programas e políticas públicas de governo”.

Quer ver o documento? Clique aqui.

o futuro do jornalismo na visão dos jornalistas

A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) promoveu de 25 a 28 de maio seu congresso mundial, cujo tema foi “Empregos, Ética e Democracia”. Se você, como eu, não estava em Cádiz (Espanha) nesses dias e se interessa pelo assunto, vá ao hotsite do evento, acompanhe as (raras) postagens no Twitter ou ainda assista aos vídeos no Canal Vimeo.

Interessante também é conferir o documento “Informe sobre o futuro do jornalismo”, onde são reunidas ideias em torno das muitas mudanças na profissão, no mercado e na própria organização classista dos jornalistas. Para sindicalistas ou não.

o globo: uma campanha demais!

Você pode achar que O Globo não é lá um grande jornal.

Você pode torcer o nariz para a TV Globo.

Você pode nem passar por perto do G1.

Não importa. Este anúncio não é novo, mas é demais!

folha muda. veja como

A Folha de S.Paulo está fazendo um estardalhaço para as mudanças editoriais e gráficas que inaugura amanhã. Cadernos mudam de nome e de tamanho. Brasil vira Poder. Dinheiro vira Mercado. Mais! vira Ilustríssima. Informática vira Tec. O caderno Esportes vira tabloide, e por aí a coisa vai… Tem mudança de fontes e cores. Tem integração das redações das versões impressa e online… Tem redefinições editoriais e adoção de manuais específicos para cada editoria…

Ana Estela de Sousa Pinto reuniu sete vídeos que contam as mudanças que vêm sendo estudadas por mais de vinte pessoas desde setembro do ano passado. Vale ver!

A reforma da Folha vem logo depois da do concorrente direto, o Estado de S.Paulo, e vem numa onda de novos redesenhos na mídia impressa nacional. Transições, mudanças, transformações…

a porta dos fundos e o ralo

Dois números mostram dados do cotidiano jornalístico brasileiro e norte-americano. São informações aleatórias, mas sinalizam a precariedade do negócio jornalismo nos últimos tempos.

  • 1098 é o número de registros profissionais emitidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para quem não tem diploma na área, desde a decisão que derrubou a obrigatoriedade de diploma para exercer o jornalismo.
  • 8,7% é o tamanho do tombo da circulação dos jornais norte-americanos nos últimos seis meses, até o final de março.

Jornalismo, seu sobrenome é crise…

direitos autorais: advogado avalia panorama das disputas judiciais

Ilustrado por Spacca para o ConjurEmbora seja um dos maiores experts brasileiros em Direitos Autorais, o advogado Amaro Moraes e Silva Neto recusa o rótulo de especialista. Ele se vê mais como um profissional que se dedica a questões que envolvem direito e tecnologia da informação, e em especial com casos de violação de direitos autorais na internet. Tudo porque, nos últimos anos, o próprio advogado tem percebido “dezenas de artigos seus” circulando pela rede sem qualquer menção ao autor.
Na entrevista a seguir, feita por email, Amaro Moraes e Silva Neto avalia como está sendo tratada essa que é uma questão cada vez mais estratégica e permanente na web: a autoria e os direitos de quem cria conteúdos.

No Brasil, muita gente move ações judiciais para garantir seus direitos nesta área? São artistas? Escritores? Jornalistas?
No que diz respeito a quem promove estas ações, estão presentes todos os segmentos sociais (artistas, escritores, jornalistas, advogados, etc.) Entretanto, fique ressaltado, o número de processos em trâmite é insignificante. Parece que as pessoas não estão se importando em serem furtadas em suas idéias.

Para termos uma ideia, uma ação ganha nas cortes daqui chega a propor o pagamento de que indenizações? Que reparações são pedidas?
Como já o disse um brilhante jurista brasileiro, Nelson Hungria, “a vida é variedade infinita e nunca se ajusta com irrepreensível justeza aos figurinos da lei ou às modas da doutrina”. No que diz respeito às indenizações por danos morais, deve ser esclarecido que somente cabe ao juiz a determinação do montante da indenização por danos morais.
Em 22 de agosto de 2000, a Coordenadoria de Editoria e Imprensa do Superior Tribunal de Justiça, veiculou notícia relativa ao Recurso Especial nº 114302/SP contra um Acórdão que condenou o pesquisador científico Carlos Augusto Pereira a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais à biomédica Yeda Lopes Nogueira, do Instituto Adolpho Lutz, a título de danos morais em razão do plágio perpetrado. No entanto, às indenizações por danos morais em razão plágio não são tão pródigas. No que diz respeito a danos materiais (inclusive lucros cessantes), estes serão reparados na razão direta de sua comprovação.

O senhor acha que a realidade brasileira é muito diferente de outros países quanto à disputa pela propriedade intelectual? Isto é, nossa legislação – sobretudo a Lei 9610/98 – tem dado conta dos casos? É avançada ou retrógrada?
Num mundo globalizado, de certo modo, tudo é muito parecido, eis que tudo atende, basicamente, a um único fator: o econômico. A legislação que criou a propriedade intelectual (uma aberração jurídica) atendeu aos interesses das mega-corporações que, de fato, dominam o planeta, não aos dos artistas que foram rebaixados a produtores culturais. Tecnicamente, não tenho o que criticar da lei dos direitos autorais. Mas este não é o ponto. O ponto é a aplicação da lei nos moldes dos anseios coletivos.

É claro que o advento da internet trouxe novos elementos para a esfera do direito autoral. Como vem reagindo os poderes Legislativo e Judiciário diante dessas modificações?
A internet não trouxe novos elementos para a esfera do direito autoral. A internet se prestou, como meio de divulgação exponencial, a criar conflitos neste meio. O resto é tudo igual.

Neste sentido, como senhor vê movimentos de flexibilização de direitos de autor, a exemplo das licenças do tipo Creative Commons, propostas pelo jurista Lawrence Lessig?
Acho fabuloso. Sempre fui partícipe desta posição desde 1996, quando criei um portal jurídico chamado Avocati Lócus, que não existe mais. Meus artigos eram assim disponibilizados. O que eu não admito é a omissão de texto ou, principalmente, a de meu nome como autor.

De que maneira isso tem modificado a tramitação de ações por aqui?
Em nada.

Tecnicamente, é mais fácil se identificar plágios em músicas do que em textos. A repetição de um conjunto de acordes caracteriza a cópia indevida. Isso não está muito definido em termos de textos. Em que bases se apoiam as cortes brasileiras para diferenciar um plágio de uma excessiva similaridade? Esses parâmetros são confiáveis?
Eu creio que na literatura é mais fácil se identificar o plágio do que na música. Em primeiro lugar pelo tempo ocupado por uma música e o ocupado por um texto. Menos elementos, mais facilidade. Mas, voltando à identificação do plágio literário, via de regra ele é literal… Alguns raros plagiadores tentam, no começo, dissimular a origem, mudando a ordem do parágrafo com a inversão de frases, substituindo algumas palavras por seus sinônimos e vai. Mas é fácil. Atualmente, existem programas que facilitam esta consulta.
Quanto às bases em que se apóiam as cortes, nos casos em que sou parte ou advogado sempre os julgadores se convenceram estribados nas atas notariais que noticiam os fatos. Trata-se de mera comparação. Quanto à sua confiabilidade, é indiscutível. Na verdade quem, ao tentar explicar (rememorando mais uma vez Nelson Hungria) que a distância mais curta entre dois pontos precisa recorrer aos geômetras da Quarta Dimensão, perdeu a convicção em si mesmo. Certas coisas são simples.

Por trás desses litígios está a ideia de “autoria”. A internet e seus usuários tem proposto novos regimes de autoria, como as compartilhadas e coletivas. Como o senhor observa a evolução desse conceito? Que futuro imediato temos para a produção autoral de conteúdo?
Em havendo acordo entre as partes quanto à exploração de uma idéia, comunitariamente, na verdade nada de novo ocorrerá. A legislação autoral já antecipa isto que se chama co-autoria. Quanto ao futuro imediato eu vejo um caminho sendo bastante bem pavimentado para que nos dispamos integralmente de nossa privacidade e façamos de conta que somos uma grande comunidade. Já não guardo este otimismo dos primeiros momentos da internet. Hoje tudo é uma grande ágora. Mas ainda podemos conspirar.

a crise dos jornais chegou ao brasil?

Notícia veiculada hoje no Meio & Mensagem coloca mais fogo na fogueira que discute o futuro do jornal como negócio viável no ambiente pós-mídia. A matéria é assinada por Alexandre Zaghi Lemos, e reproduzo abaixo:

CIRCULAÇÃO DOS MAIORES JORNAIS BRASILEIROS CAIU 7% EM 2009!

Caiu 6,9% a circulação somada dos 20 maiores jornais diários brasileiros em 2009. Apenas seis conseguiram melhorar seus desempenhos de acordo com dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC). São eles: Daqui (31%), Expresso da Informação (15,7%), Lance (10%), Correio Braziliense (6,7%), Agora São Paulo (4,8%) e Zero Hora (2%). Mantiveram-se estáveis Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico, que encerraram o ano passado com circulações bem próximas às do fechamento de 2008.

Onze títulos viram seus números encolherem durante 2009. Os dois que mais caíram foram os do Grupo O Dia, do Rio de Janeiro: O Dia (-31,7%) e Meia Hora (-19,8%). Também tiveram quedas Diário de S. Paulo (-18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S. Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12%), O Globo (-8,6%), Folha de S. Paulo (-5%), Super Notícia (-4,5) e Estado de Minas (-2%).

Não houve alterações significativas nas posições do ranking, a não ser a evolução contínua de títulos populares como o Dez Minutos, de Manaus, que estreia na 17ª posição, com média diária de 60 mil exemplares – não considerados na conta de queda de 6,9%, pois foi lançado no final do ano passado.

A liderança continua com a Folha de S. Paulo (média diária de 295 mil exemplares), seguida por Super Notícia (289 mil), O Globo (257 mil) e Extra (248 mil). Em quinto lugar está O Estado de S. Paulo (213 mil), à frente do Meia Hora (186 mil) e dos gaúchos Zero Hora (183 mil), Correio do Povo (155 mil) e Diário Gaúcho (147 mil). O top 10 se completa com o Lance (125 mil).

Me chama a atenção a queda na circulação de jornais que antes sustentavam a indústria por aqui, notadamente o Meia Hora, o Extra, o Diário Gaúcho e o Super Notícia. Eles fazem parte de um segmento que a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) chamou de “populares de qualidade”, associados a jornais de rápida leitura, com venda exclusiva em bancas, a preços abaixo dos 2 reais, e com linguagem direta e chamativa.

Pois bem, se os “populares de qualidade” eram a última resistência diante da alardeada crise dos jornais impressos no mundo, a indústria brasileira pode estar ingressando o ano num período duro para sua sobrevivência. Além da crise financeira mundial e da emergência voraz das redes sociais e de formas de informação gratuitas, um outro fator poderia contribuir ainda mais com a queda nas tiragens: a expansão da banda larga entre usuários comuns domésticos… É a tal regra dos 30%, onde se sinaliza que quando um mercado atinge esse patamar de cobertura de banda larga, os jornais começam a sofrer.

Se a regra dos 30% funcionará por aqui e se os jornais estarão amargando o início de uma crise sem precedentes, ainda não se sabe. O que se sabe é que é cada vez mais urgente uma revisão não apenas da sustentabilidade desses segmentos informativos, mas sua própria função dentro de um contexto de consumo midiático como o que temos hoje em dia…

mas também não compre na koerich!

Se você acompanha este blog, percebeu que só nesta semana me incomodei comprando nas lojas Salfer e nas Casas Bahia. Mas não foi só isso. Me irritei também nas lojas Koerich. Por quê?

No dia 30 de dezembro, fiz uma compra numa loja da rede em Itajaí. Foram três peças de cozinha, R$ 800,00. Como de costume, escolhi bem, analisei as condições e informei que os móveis deveriam ser montados em Florianópolis (onde há lojas da mesma rede). “Sem problemas”, disse o vendedor que me informou que os móveis seriam entregues dia 5 de janeiro e que a montagem seria no dia 11. Paguei à vista.

Realmente, os produtos foram entregues no dia marcado, mas nada de montagem, e hoje é dia 14 de janeiro.

A Koerich tem um serviço de atendimento ao consumidor. Não é um 0800, eles não pagariam para te atender. É um 0300, mas não se iluda: não funciona. Liguei muito, conversei com várias vozinhas simpáticas e nenhuma foi capaz de resolver o meu problemas.

Por isso, digo: NÃO COMPRE NAS LOJAS KOERICH!

A menos que queira se irritar, que queira ser ignorado e desrespeitado como consumidor.

ATUALIZANDO: De repente, vieram montar meus móveis. Não foi mais do que obrigação: a raiva continua!

não compre na salfer!

Não existe nada que me deixe mais indignado que ser destratado como consumidor. Nada!

Por uma razão muito simples: as pessoas são constantemente, cotidianamente, frequentemente desrespeitadas por empresas, fornecedores e prestadores de serviço. Por isso, é importante não guardar para si os episódios que nos diminuem, que tentam esvaziar nossa dignidade. Mesmo que não resolva muita coisa, contar o que aconteceu é uma forma de alertar outras pessoas e fazer registro…

Por essas e outras, advirto: NÃO COMPRE NAS LOJAS SALFER! A menos que queira se incomodar…

No dia 29 de dezembro, fiz uma compra numa loja em Itajaí. Eram três produtos, quase R$ 1,8 mil. Escolhi bem, analisei as condições e informei que os móveis deveriam ser montados em Florianópolis (a apenas 90 km de lá e numa cidade onde existem ao menos duas lojas da mesma rede). O vendedor disse “sem problemas”. Paguei à vista. Hoje é dia 14 de janeiro e até agora, nada de montagem dos móveis. Nada!

Nesta semana, liguei para deus e o mundo nessa loja e me empurraram para todos os lados. Xinguei, gritei, falei palavrão para atendentes, gerentes, supervisores. Protestei contra o descaso, me queixei da demora. Fizeram promessas, mas até agora, nada!

Por isso, repito: NÃO COMPRE NAS LOJAS SALFER!

A menos que queira se irritar.

ATUALIZANDO: Como que por encanto os caras vieram montar meus móveis. Mesmo assim, demorou duas semanas e uma vida inteira de estresse. A má impressão continua!

jornais têm menos credibilidade que internet!

É o que mostra uma pesquisa realizada no país e divulgada hoje pelo Comunique-se.

Leia a matéria completa:

Um estudo realizado pelo Instituto Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, aponta que o rádio e a internet são as mídias que despertam mais credibilidade entre os brasileiros. Em uma escala de 1 a 10, o rádio conquistou a maior nota (8,21), quase empatando com a internet (8,20), seguidos pela TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

A pesquisa mostrou que as mídias apontadas pela credibilidade não são necessariamente as mais acessadas, já que a TV é vista pela maioria dos respondentes (99,3%), seguida por rádio (83,5%), jornal impresso (69,4%), internet – sites de notícias e blogs de jornalistas – (52,8%), revista impressa (51,1%), redes sociais – Twitter, Orkut, Facebook, etc – (42,7%), a versão online dos jornais impressos (37,4%) e a versão online das revistas impressas (22,8%).

O economista e coordenador da pesquisa, Luis Contreras, consultor do Grupo Máquina, destaca o avanço das redes sociais, que se aproximam do índice de credibilidade das demais fontes de informação. “Entre os usuários dessa nova mídia, 40% consideram-na como de credibilidade muito alta. Isso nos mostra claramente que não podemos ignorar o poder das redes sociais na formação de opinião”, enfatiza.

Entre os principais meios de informação, a TV continua na liderança (55,9%), seguida pela internet – sites de notícias/blogs jornalísticos – (20,4%), jornal impresso (10,5), rádio (7,8%), internet – redes sociais – 2,7%, jornal online (1,8%), revista impressa (0,8%) e revista online (0,1%).

O estudo entrevistou 2.500 pessoas maiores de 16 anos, entre 25/08 e 09/09, no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

o jornalismo cava a própria cova

Jorge Rocha Neto alimenta uma tese polêmica: para ele, o jornalismo morreu. É bem verdade que Rocha Neto não seja o único a soprar tal trombeta, mas seu timbre é particularmente interessante. Provocador, não é à toa que na internet assine como Exu Caveira Cover e cuspa labaredas para quase todos os lados…

Seu vaticínio mais parece uma praga. Afinal, esse Exu é jornalista e professor da área, o que pode soar como alguém que também cuspa no próprio prato. Que nada! Essa aparente contradição e as raízes do seu raciocínio são explicados pelo diabo em pessoa na entrevista – feita em dois tempos por email – a seguir.

Você mantémfoto para entrevista1 um blog cujo mote principal é a morte do jornalismo. O jornalismo morreu mesmo? Quando e como foi que isso aconteceu?

É preciso frisar ainda que o blog tem como subtítulo “imprimatur de exucaveiracover”. Se pensarmos esse blog como um terreiro virtual, a entidade que incorpora naquele espaço pode ser chamada de gravekeeper, uma sutil sacanagem com o termo gatekeeper – é, eu estou explicando a piada, pode me apedrejar. Há todo um estado de espírito mórbido ali para tratar do jornalismo, porque acredito que esta é a única forma de lidar com este tema sin perder la envergadura. Não pretendo, seja aqui ou acolá, precisar a data da morte do jornalismo, porque se trata de um rigor mortis sui generis, pois é espasmódico e faz confundir estertores com sobrevida.

A prática jornalística a que me refiro é a dos jornalões, é uma tentativa de emular Brás Cubas, cuja condição de morto lhe permitia analisar livremente a si mesmo e as histórias que viveu e acompanhou. No entanto, falta um élan post mortem a esta prática para chegar a estas vias de fato e há corpos de vantagens em quesitos falcatruescos. Se o Fantasma é o espírito-que-anda, o jornalismo é o cadáver-que-escarnece. Seja da sua própria condição, seja do trato com a opinião pública, seja da realidade que faz contorcer em espasmos de entranhas, seja da audiência, ao tentar solapar-lhe nacos de cidadania em sucessivas mordidas de zumbi. Permita-me ser generalista uma vez na vida: o atestado de óbito é diário nas páginas de jornais e revistas, na telinha da TV e nas ondas sonoras dos rádios. Não é redundância ou exagero, desde sempre me defendo: o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova. E, no caso brasileiro, dessas buraqueiras, tal como lírios na lama, surgem iniciativas como o Blog da Petrobrás – há lições e lições a tirar daquilo lá para quem sublima a raivinha besta sentida no momento da sua criação –, o Crônicas de uma catástrofe anunciada e o Cloaca News, só para citar alguns exemplos, porque não estou aqui para fazer elogios.

O fim do jornalismo significa o fim dos jornalistas também?

Eu defendo a ideia de que o jornalismo, conforme apresentado anteriormente, permaneça como está: morto. E enterrado. Assumir a persona de gravekeeper tem lá seu grau de seriedade, pode apostar. O jornalismo é uma prática social, umexu_pagea necessidade inerente à sociedade, e não algo que preste apenas a ser alimentado por dossiês, manipulado por lobistas ou atrelado tão somente a “interesses empresariais”.

Antes que detratores esfreguem as patinhas e venham me chamar de defensor de um jornalismo romântico – como já ouvi diversas vezes, assim como a frase “você é muito radical” –, adianto que sou purista apenas em relação ao uísque que bebo. É claro que entendo a correlação de forças que se aplicam ao jornalismo, convivo com elas mesmo estando fora de redação – por escolha própria e posteriormente por acordo mútuo entre mim e a “barriga da besta”. Enquanto aquilo que é chamado de “pensamento empresarial” dos grandes meios de comunicação servir apenas para atochar gagballs até o palato no jornalismo, encobrindo a safanagem com o epíteto de quarto poder, sem entender que – até mesmo em termos empresariais – é um tiro na cabeça sustentar esse modelo por mais décadas, ficamos todos na lesma lerda. Eu prefiro engrossar as fileiras daqueles que fazem coro com Erik Neveu.

Para o tiozinho, a prática jornalística é um “ofício de fronteira” – sendo que o termo “fronteira” tem aqui muito mais a conotação de pontos de contato do que de barreiras alfandegárias. Neveu considera, e eu prefiro acreditar que compartilho essa crença, que essa forma de lidar com o conceito de fronteira tem que orientar o jornalismo a pensar sua própria natureza como algo ligado à anexação de outras atividades, concatenadas até mesmo – pasme, filisteu! – aos novos meios de comunicação. Fora disso, meu caro, não há vida. E este é o momento em que eu puxo Armand Mattelart pelo braço e deixo que ele diga – uma vez mais – que a comunicação prioritariamente deve corresponder às mudanças percebidas nas relações entre emissor e receptor e no contexto histórico, além de prestar atenção às reconfigurações relacionadas às tecnologias.

O jornalismo a que me refiro como morto é justamente esse que não observa esses pontos e os jornalistas que regurgitam este cadáver nada mais são do que zumbis. Como fã de George Romero que sou, acredito que a solução mais prática é acertar-lhes a cabeça.

Em caso afirmativo, alguém sentirá falta de um ou do outro?

A mesma falta que um corpo morto sente falta dos vermes que se alimentam dele.

No caso de o fim do jornalismo não significar o fim dos jornalistas, o que os jornalistas vão fazer então???

Não sei de outro tempo no qual a figura do jornalista foi mais necessária. Mesmo com toda essa conversa de crise no/do jornalismo que a própria mídia alavanca e faz com que as empresas jornalísticas reajam a esse mal demitindo jornalistas. É o típico ato de cuidar das caspas cortando a cabeça – e você achando que eu é que sou o psicótico nessa história. Mas essa necessidade da qual estou falando é a de um tipo de jornalista que não se locupleta com o “fazer corpo mole” em uma redação. Porque, além de um certo atravancamento no pensamento das empresas de comunicação – dá vontade de rir quando escrevo “empresas de comunicação” – há jornalistas que se contentam em praticar e repetir o mantra “fazer-o-arroz-com-feijão-tá-muito-bão”, que se contentam em fingir de morto para evitar problemas. Tenho raiva desse tipo de profissional e escrevo isso tranquilamente, porque nunca escondi esse sentimento.

Para piorar esse quadro, cabe dizer que parte dos jornalistas que admiro está morta ou fora das redações. Mas respiro aliviado ao ver que ainda salvação – substancialmente fora da “barriga da besta” mas que pode ser transplantada para dentro. De novo: é um jogo político, de enfrentamento e correlação de forças. Como todo e qualquer setor da vida social.

Entendo o seu raciocínio, mas você não teme ser rotulado de “polemista de papel”, de “provocador bem acomodado”, de crítico da academia que se diverte ao atirar pedras no mercado? E de que maneira, sua posição pode não ser vista dessa maneira?

Ah, essa é uma armadilha para rato pequeno e nela eu não tropeço. E é até relativamente fácil de desarmar. Sigam a bolinha, crianças. 1) Só para citar um exemplo fácil, fatos como a família Sarney controlar os meios de comunicação no estado do Maranhão – esta incógnita –, conforme está bem listado no Donos da Mídia, prescindem que eu esteja ou não em uma redação de jornal para compreender a importância política de uma capitania hereditária midiática como essa e criticá-la. E estas capitanias loteiam o Brasil de ponta a ponta, Estado a Estado, cidade a cidade – e dá-lhe síndrome do pequeno poder; você consegue calcular o estrago disso tudo? Isso acontece já a olhos vistos, passível de ser observado por jornalistas nas redações, professores em salas de aula e até mesmo por marcianos rondando o céu de brigadeiro do Brasil.

Fazer tal crítica é algo necessário, independente de onde se esteja, observando a relação promíscua entre – vá lá – poderes constituídos, os arrolhos metidos no jornalismo por conta de conchavos políticos ou a concordância à subserviência para garantir o uísque das crianças. Você pode até não ter espaço para publicizar essa observação/opinião no veículo em que trabalha, mas isso não o tolhe de entender a roda dentada e saber como manifestar seu ponto de vista – de novo, é um jogo político. 2) Acha que minhas considerações são duras por que estou em uma posição confortável, fora de uma redação? Bobagem. Eu nunca escondi minha opinião acerca do jornalismo mesmo quando estava na redação e assim como todo jornalista, passei por maus bocados, como alguns que pontuei aqui. Mas são histórias que prefiro não contar em uma entrevista. Como acadêmico, eu tomo muito mais cuidado com o que digo: em redação eu era muito, mas muito pior.

Mercado e academia podem dialogar na direção de um jornalismo melhor? Como pode se dar esse encontro?

Eu me pergunto a quem interessa esse diálogo. De um lado, há acadêmicos que torcem o nariz à simples menção da palavra “mercado”, de outro, empresários de mídia – e seus “jornalistas representantes”, todos covers de William Bonner e/ou Pedro Bial – que apregoam treinar jornalistas para o mercado. Ambas as proposições estão incorretas, uma vez que estão centradas meramente na ideia de contentar ou não o mercado, essa entidade apocalíptica.

Sim, falta aí uma visão macro, menos dualista, menos passional. É justamente por esse aspecto de “deslumbramento por um treinamento ninja” que não aprecio os cursos de Jornalismo da Abril e afins – e também não é de hoje que eu falo isso –, porque essa é uma visão reducionista às pampas. No meio desse melelê todo, ficam os estudantes de Jornalismo como baratas tontas, muitas vezes acreditando que essa é a única métrica confiável. Claro, não se pode negar a existência das – aham – necessidades mercadológicas, nem mesmo como atitude filosófica, porque o jornalista vai enfrentá-las, isso é estupidamente óbvio. Para um jornalismo melhor, como você classificou, no que tange as duas partes citadas, é preciso que ambos os lados cedam em algumas de suas particularidades: que as empresas de comunicação estimulem e mantenham espaços editoriais para a aplicação de conhecimentos adquiridos na academia – técnicos, teóricos e humanistas – e que as instituições de ensino tenham condições de equipar os estudantes com um cabedal de informações que formem o caráter dessa moçada. Chamo atenção à essa última parte especificamente, dizendo que não se aprende Ética na redação – entendi isso da pior forma possível. Parece discurso de político, não? E é.

Para finalizar, se o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova, quando ele finalmente descansar, quem jogará a última pá de cal sobre o finado?

Espero sinceramente que não seja o Caio Túlio Costa.