Se o Brasil fosse a pátria do jazz, teríamos perdido um dos grandes mestres.
Como não é, perdemos um grande músico muito mais reconhecido no exterior.
Paulo Moura seria o nosso Lester Young.
Categoria: etc.
viva españa!
A Espanha sagrou-se campeã mundial de futebol hoje à tarde.
Em homenagem, ofereço Miles Davis em inesquecíveis performances do clássico “Concierto de Aranjuez”, presentes no disco “Sketches of Spain”
Viva España! Viva el jazz! Viva la vida!
manual oficial de redação web
O governo federal agora tem um padrão para redigir textos em seus sites e blogs. A cartilha foi desenvolvida por Bruno Rodrigues, especialista na área, durante um ano e meio. O documento tem 49 páginas e conta com o aval do Departamento de Governo Eletrônico, ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Ficou curioso? Quer baixar o manual? Clique aqui.
brasil fora do copa
Minha mulher ficou triste. Meu filho só um pouquinho. Eu, irritado com o trio de arbitragem.
Acabou para o Brasil.
Mas eu queria estar agora na coletiva do Dunga…
quem inventou o laptop?
uma saga para chegar a araxá
Saí de casa ontem no final de tarde rumo a Minas Gerais para um evento. Como meu avião particular ainda não voltou do mecânico, tive que aturar a Gol e a Trip, e está sendo uma saga. Só pode ser praga!!!
Veja:
- 55 minutos de vôo de Florianópolis para São Paulo
- 3 horas de espera no aeroporto para o vôo para Belo Horizonte
- 50 minutos de vôo Guarulhos-Confins
- 40 minutos de táxi do aeroporto de Confins para o Hotel
- 5 horas de sono
- 30 minutos de ônibus para o aeroporto da Pampulha
- já são 3h40 de espera no aeroporto para o vôo para Araxá
Nem quero imaginar como será o retorno amanhã…
saramago na 1ª página
dois momentos com saramago
Saramago está morto. Saramago está vivo.
No final dos anos 90, o escritor veio ao Brasil – como tantas outras vezes – para lançar livros e receber homenagens. Eu fazia Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina, e o Conselho Universitário aprovou a concessão do título de doutor honoris causa à eminente figura. Saramago veio a Florianópolis, e a honraria seria acompanhada por uma conferência sua.
O auditório da Reitoria estava lotado de autoridades – leitoras ou não do velho escritor. O hall da Reitoria também estava apinhado de gente, todos ávidos para ouvir aquela voz calma. Foi necessário colocar telão para que as pessoas que transbordaram o prédio acompanhassem a cerimônia. Saramago esbanjou elegância, humildade, lucidez. Foi emocionante ouvi-lo, mesmo envolto àquela pompa toda e eu tendo que me acotovelar para poder ver os melhores momentos.
Com Saramago, aprendi que a glória é irmã da discrição.
***
Nos mesmos dias, um amigo próximo participou de uma atividade que envolvia o escritor. Em sua estada na cidade, alunos e professores do curso de Letras encontraram uma brecha na agenda do homenageado para um encontro numa sala, pretexto para debates e troca de ideias. Eu não estava lá, mas confio no que me foi contado.
A sessão – que deveria ser informal – insinuou-se para lá de circunstanciosa. Teve abertura e tudo. Saramago, todo sem graça. O que é que estou a fazer aqui, murmurou, passando a mão pelos longos cabelos na nuca. Alguém fez uma pergunta ordinária, e o escritor emendou com resposta igualmente comum. A plateia, digo os convivas, aplaudiram entusiasticamente. Saramago perdeu a paciência, conta o meu amigo que aquilo testemunhou. Se vamos começar assim, melhor que terminemos. Todos ficaram estupefatos, baixaram suas bolas e a sessão passou a ser mais palatável.
Com Saramago, aprende-se que a pompa é uma falsa sombra do reconhecimento.
a solução para tudo
Para mim, esta semana é daquelas que termina mas não acaba.
Tenho tantas tarefas pra cumprir que mal consigo passar por este blog, mal tenho tempo de colocar as leituras em dia, e estou em dívida com um monte de gente que espera algo de mim.
Por isso, me lembrei do esquema abaixo. Ele me foi passado por um ex-aluno, treinado pelos Jedis e por ninjas assassinos. Sagaz, ele descobriu/desenvolveu o solucionador cósmico de problemas. Gostaria muito de usá-lo nesta semana, mas não sou muito corajoso… Quem sabe você usa?
esse aí sou eu…

Nos últimos dias, não tenho parado muito quieto, sabe…
minhas copas do mundo
Como ninguém está falando desse assunto, vou tocar nele: a Copa do Mundo. Mas não apenas desta que está em curso na África do Sul, mas de todas as que já acompanhei. Foram muitas. E milhares de leitores vêm mandando emails e cartas, e acotovelam-se na frente da minha sacada em hordas pedindo que eu conte como foram as minhas Copas do Mundo. Sendo assim…
1970: eu era apenas um pensamento furtivo na mente de minha mãe, que vinha sendo enrolada por papai há uns cinco anos já. Na época, namorava-se um tempão e havia ainda uma segunda chance para alguém retomar o juízo, o noivado. Acompanhei a disputa no México num cantinho do coração da minha mãe. Como eu disse, eu era apenas um desejo…
1974: vi poucos jogos. Aos dois anos, dormia mais do que deveria. E o meu ponto de vista sempre era atrapalhado: eu olhava para cima, para a TV, tentando entender aquela correria toda. Não entendia também porque as pessoas gritavam com aquele aparelho em cima da estante…
1978: fiquei levemente confuso. Por que só a Argentina podia colocar mulheres jogando? Anos depois, descobri que eram apenas hermanos cabeludos.
1982: vibrei e colecionei figurinhas que vinham com os chicletes Ping Pong. Depois da partida contra a Itália, pus a gordinha debaixo do braço e desci a rua até o rapadão que tínhamos na esquina. Foi lá que vinguei os 3 a 2. Foi lá que eliminei a Itália, avancei na competição e sagrei-me campeão mundial na Espanha. No começo da noite, minha mãe berrou meu nome e fui jantar.
1986: comemorei antecipado quando marcaram o pênalti para o Brasil contra França. Quando Zico errou, lembrei-me da mãe dele. Não fechei o álbum da Copa.
1990: sofri porque acreditei. Foi a última Copa do meu pai. Ele desistira de ver o Tetra…
1994: foi uma farra. A Copa de minha época de universitário: bebemorava até a vitória de países cuja capital desconhecia. Sofri na final. Me peguei chorando após Baggio errar o pênalti. Eu era Pelé, em 1958, desabando diante da glória.
1998: sortudo, fui escalado para trabalhar em todos os jogos da seleção no jornal. Não levei muita fé. Acabei assistindo apenas uma partida em casa: a final. Ainda bem que estava deitado.
2002: joguei muita bola com a patroa nas madrugadas daquela competição. Vi a final num boteco perdido em Balneário Camboriú, e estendi a farra desfilando e dançando na avenida Beira-Mar em Florianópolis. Comecei a pensar que seria legal ver os jogos da Copa com um filho.
2006: torci pra França. Gostei da cabeçada de Zidane. Aos dois anos, meu filho dormiu mais do que deveria. Às vezes, ele olhava para a TV, tentando entender aquela correria toda. Intrigou-se com a gritaria e o foguetório.
2010: para mim, esta Copa começa amanhã. Espero não ver meu filho tendo que vingar a seleção no campo da pracinha da esquina…
na metade da metade
Bem no comecinho deste mês, eu me lamentava num post sobre os muitos afazeres que me soterravam.
Duas semanas depois, a montanha de escombros que me encobre já permite ver a luz, mas as próximas semanas são decisivas para fechar dignamente o semestre…
… ainda tenho três turmas na graduação pra fechar;
… um jornal-laboratório para produzir, editar e lançar;
… quatro bancas de graduação e um exame de qualificação em duas semanas;
… tenho que avaliar artigos para um periódico;
… dois artigos para escrever, uma comunicação científica para produzir, e um seminário de pós-graduação para preparar!
Para o alto e avante!
PS – Aproveite e confira o blog do meu amigo Jorge Rocha, o popular Exu Caveira Cover, que ressuscitou!
e se jesus fosse professor?
Tudo bem, Cristo era o Mestre. Mas o que teria acontecido se ele também fosse educador?
Alguém pensou nisso e escreveu uma versão do Sermão da Montanha. É hilariante. Recebi da amiga Sonia Padilha, e reproduzo:
Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre
uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes:– “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão ssciados. Felizes os misericordiosos, porque eles…”
Pedro o interrompeu:
– Mestre, vamos ter que saber isso de cor?André perguntou:
– É pra copiar no caderno?Filipe lamentou-se:
– Esqueci meu papiro!Bartolomeu quis saber:
– Vai cair na prova?João levantou a mão:
– Posso ir ao banheiro?Judas Iscariotes resmungou:
– O que é que a gente vai ganhar com isso?Judas Tadeu defendeu-se:
– Foi o outro Judas que perguntou!Tomé questionou:
– Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?Tiago Maior indagou:
– Vai valer nota?Tiago Menor reclamou:
– Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.Simão Zelote gritou, nervoso:
– Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?Mateus queixou-se:
– Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
– Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos?
Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?Caifás emendou:
– Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros
curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
– Quero ver as avaliações da Provinha Brasil, da Prova Brasil e demais testes e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor efetivo…Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu. Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria…
Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor… Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou…
minha mãe agora tem um 38
Quando eu era apenas um garoto, minha mãe era uma mulher enérgica. Dessas que distribuem broncas e que colocam os filhos na linha. Era nervosa, mas também carinhosa. Sempre teve um senso de justiça e de compromisso muito evidentes, e tinha uma preocupação quase maníaca de passar aos filhos um valor: a honestidade. Parecia não se conformar que esses atributos não fossem herdados geneticamente.
Passados tantos anos, me parece cristalino que ela tenha conseguido tudo o que desejou. Com alguma ajuda de meu pai, criou quatro meninos e os encaminhou para suas próprias vidas.
Hoje, está bem mais serena, e nem é sombra da ira santa que destilava antes. É uma outra mulher, e o irônico é que só agora ela tem o seu primeiro 38. Não me refiro a um par de sapatos nem a uma arma de fogo. É que hoje o seu primogênito cumpre anos, e o que ele vai dizer a ela num telefonema daqui a poucos minutos é que todos os acertos foram delas, e os erros são obras do filho desobediente e teimoso.
38 não é nenhum número especial. Nem a data em si, hoje, é. Mas faz pensar…
Noel Rosa durou só 27 anos e ajudou a mudar a música brasileira. Glauber Rocha não chegou a completar 42, mas fez algo parecido com o nosso cinema. Pelé encerrou a carreira com 37, e já tinha marcado 1284 gols. Madonna, aos 38, já era a rainha do pop, tinha gravado seis álbuns e estava prestes a ganhar a primeira filha.
Bruce Lee e Cazuza morreram com 32 anos. Jesus Cristo com 33. Charlie Parker, 34. Renato Russo interrompeu a carreira aos 36, e Elis Regina com quase 37. Definitivamente, furaram a fila.
Mas 38 faz pensar. Aos 38, Gandhi já era preso por causa de sua desobediência civil pacífica. Com a mesma idade, Hitler respondia pela ideologia e pelas políticas internas do partido nazista, e Gretchen já tinha vinte anos de rebolado.
Aos 38, Carlos Drummond de Andrade publicava Sentimento do Mundo, mas depois ainda viria Claro Enigma, A Rosa do Povo e tantos mais. O poeta estava verde ainda. Aos 38, Freddy Mercury nem imaginava que faria um show como o que fez no Brasil em 1985 no Rock in Rio, meses depois, regendo multidões. Aos 38, Clint Eastwood começava a ser o famoso cauboi dos filmes de Don Siegel, e era só o início. Machado de Assis só publicaria Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas aos 40 anos. Aliás, os melhores filmes de Fellini só viriam mesmo depois dessa idade. A tal da idade da razão.
Chegar, então, a este degrau pode ser apenas alcançar um certo patamar na escada. António Lobo Antunes começou sua carreira de escritor aos 37, por exemplo. Guimarães Rosa só viria a escrever sua obra-prima, Grande Sertão: Veredas, aos 48 anos. E Leonardo Da Vinci só começou a pintar a sua Santa Ceia aos 43. O grande Cartola gravou o primeiro disco aos 66, e a doce Cora Coralina só publicou o primeiro livro aos 75.
Tudo bem que George Clooney já era George Clooney aos 38, mas só passou a ganhar prêmios importantes e ser respeitado depois dos 40. Por essas e outras é que 38 pode ser uma boa marca, um bom momento, um jeito de começar coisas, de rever caminhos e se refazer por inteiro. Afinal, o mundo não é pequeno, e a vida não é um fato consumado.
inovações no jornalismo
Acabamos de publicar mais uma edição da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC. “Inovações no Jornalismo” é o tema deste número, que pode ser acessado integralmente aqui.
Com novo projeto gráfico e indexada em seis importantes bases de dados, a Estudos em Jornalismo e Mídia é um periódico B3 no Qualis/Capes e circula semestralmente. O próximo número tem como núcleo temático as relações entre Jornalismo e Políticas Públicas (leia a chamada de textos), e já recebe colaborações.
Ficou curioso? Quer ver o sumário? Então, veja a seguir:
Núcleo Temático
Uma proposta de incorporação dos estudos sobre inovação nas pesquisas em jornalismo
Carlos Eduardo Franciscato
Telejornalismo: em busca de um novo paradigma
Carlos Alberto Moreira Tourinho
O potencial das ferramentas multimídia em ambiente de convergência: um estudo de caso do site da Rádio BandNews FM
Debora Cristina Lopez, Marcelo Freire
Rastros do Blog Fatos e Dados nas redes sociais
Andressa Pacheco Moschetta
Jornal Impresso.com – O desafio da participação on-line no fazer jornalístico em tempos de convergência
Adriana Santiago Araujo
What are you doing? Uma reflexão sobre o twitter
Aglair Bernardo, Filipe Speck
Infografia jornalística: substituta progressiva do fotojornalismo?
Ricardo Jorge de Lucena Lucas
Processualidades da Pesquisa Empírica no Portal ClicRBS e as Experiências em Jornalismo 3G
Grace Kelly Bender Azambuja
Discursos sobre leitura e interatividade em reformas gráfico-editoriais de jornais impressos em tempos de tecnologias digitais
Ana Elisa Ferreira Ribeiro
Temas Livres
Jornalismo e imagem de si: o discurso institucional das revistas semanais
Marcia Benetti, Sean Hagen
Sentidos e sujeitos em cena na notícia em TV: a incorporação da análise de discurso nos estudos de telejornalismo
Iluska Maria da Silva Coutinho, Jhonatan Alves Pereira Mata
A Morte no Jornal Nacional
Michele Negrini
O papel do jornalismo nas controvérsias
Liriam Sponholz
Como os acontecimentos se tornam notícia: uma revisão do conceito de noticiabilidade a partir das contribuições discursivas
Marcos Paulo da Silva
A produção de sentidos na construção do imaginário através da experiência estética do rádio
Adriano Lopes Gomes, Daniel Dantas
Pesquisa em Jornalismo: produção e uso de informação nos artigos apresentados em congressos
Anelise Rublescki
Resenhas
Gêneros jornalísticos e o desafio da classificação
Frederico de Mello Brandão Tavares
Na contramão de uma morte anunciada
Alexandre Lenzi
era uma vez um verão
Você pode não gostar de jazz. Pode nem saber quem foi Chet Baker. Mas se tem dois dedos de sensibilidade e nove minutinhos de tempo livre, feche os olhos e ouça “Once upon a summertime”, em interpretação soberba do trompetista que despencou do quarto andar de um hotel em Amsterdã. Era a madrugada de uma sexta-feira 13. 13 de maio de 1988.
Vale a nota, mas vale mais a vida e a música.
um blues para o harlem
De repente me lembrei que existem lugares cujas geografias são altamente musicais. É assim no Beco das Garrafas, no Rio, nas ladeiras do Pelourinho, em New Orleans, em alguns becos do Harlem. No clipezinho a seguir, Cynda Williams canta Harlem Blues, belíssimo número que tem um Wesley Snipes fingindo tocar no palco, mas que tem na retaguarda mesmo dois gigantes do jazz: Terence Blanchard (no trompete) e Brandford Marsallis (nos saxofones soprano e tenor). Transporte-se para um clube no meio do Harlem, no meio de um filme de Spike Lee… Boa viagem!
príncipe da pérsia vale a pena
A aventura que chegou hoje às telas de cinema brasileiras é uma daquelas produções que exalam os aromas do sucesso. “Príncipe da Pérsia – As areias do tempo” desembarca montado não num resistente camelo ou num rangedor cavalo do deserto, mas num conjunto de estratégias comerciais que surpreenderia tanto quanto uma tempestade no deserto. O filme da Disney chega em versões dublada e legendada, em dezenas de salas e acompanhada de promoções na internet (numa delas o prêmio é uma viagem a Marrocos) e em canais pagos (na ESPN Brasil, por exemplo, vinculou-se belos gols com a magia da história).
Mas para além disso, o filme é uma produção muito bem acabada. A trilha sonora é adequada, as locações bem escolhidas, o elenco convence, os efeitos visuais são deslumbrantes. A versão dublada é caprichosa, como é uma tradição da Disney por aqui. Há atores com A maiúsculo, como Ben Kingsley e Alfred Molina, amparados por bons diálogos e personagens marcantes. Jake Gyllenhall está bem como o personagem título, e Gemma Artenton lembra uma Monica Belucci mais jovem, com rosto levemente mais forte. Um conselho: não olhe diretamente para os olhos dela. Você vai ficar paralisado.
Se você já enfrentou o game que deu origem ao filme, vá igualmente avisado. Não é a mesma trama, mas uma variante. Não temos a princesa Farrah, mas Tamina. Não temos zumbis com cimitarras, mas assassinos implacáveis, hordas enlouquecidas, víboras que saltam. Mas temos alguns elementos que se repetem: traição, um vilão ganancioso, a tensão permanente entre ser predestinado ou fazer seu próprio destino. Há romance, aventura, adrenalina, e a adaga do tempo, peça-chave no game. Como nos consoles, o Príncipe é um ótimo saltador e maneja com muita habilidade a espada. No cinema, ele é mais bem-humorado que no joystick.
O beijo demora pra sair. O desfecho do filme segue as trilhas do game, mas essa previsibilidade não detona a diversão. Ela é garantida. E vale pra família toda. Aqui em casa, mesmo quem não ficou hipnotizado com o controle na mão gostou. Então, vale a pena. Até pelas pequenas ironias que escapam da tela, como finos grãos de areia. A que mais gostei foi a história da guerra motivada por uma denúncia falsa de fabricação e tráfico de armas. Pérsia, Iraque, tanto faz…Definitivamente, os roteiristas não dormem de toca.
nem chegamos à metade…
De repente, pisquei um olho e já estamos em junho!!!
O tempo escorre feito areia. Daqui até a metade de julho, todas as semanas me são decisivas em uma ou outra atividade. O semestre letivo se encaminha pro final, tenho três turmas na graduação e um jornal-laboratório para produzir, editar e lançar em 20 e poucos dias; minhas três orientandas estão enlouquecidas e entusiasmadas com seus TCCs; preciso dar uns empurrõezinhos no meu mestrando; há um montanha de projetos de pesquisa para dar pareceres; tenho que avaliar artigos prum periódico; há relatórios para escrever e concluir; uma revista científica para editar; dois artigos para escrever; uma comunicação científica para produzir; um livro para organizar; um seminário de pós-graduação para preparar…
Isso sem contar nas demandas domésticas, como aniversário do filho, atenção à esposa (quem não dá assistência, dá espaço para a concorrência), um regime para começar, mandar o carro pra revisar, colocar as contas em dia, manter este blog, enfim, a vida é curta demais para ser pequena. Apertem os cintos!
dez cantoras para um domingo sem sol
Toda lista é pessoal; toda lista é imperfeita; toda lista é ordenada ao bel prazer…
Para você, que passou por aqui, ofereço uma listinha de dez cantoras para hoje…
Conte até 10. Ouça mais ainda…
Marisa Monte apresenta uma utopia na geografia: Vilarejo
Billie Holiday canta o seu amor: My man
Sarah Vaughan também fala do amor: My funny Valentine
Diana Krall embala The look of love
Ella Fitzgerald canta Summertime
Elis Regina interpreta Águas de Março (tente não chorar…)
Amy Winehouse brilha com Tears dry on their own
Bruna Caram mostra uma versão muito pessoal de Feira moderna
Sade me fala de uma tal Jezebel
Ana Laux me presenteia com Ballad of strings
dicionário do cansaço: maio
Maio é mês de inferno astral e o começo do fim… do semestre…
Ofereço um instantâneo de minha mesa de trabalho. O que está em cima da mesa sou eu…

ainda perdido em lost
Se você ainda não viu o último episódio de Lost, aquele que encerra as seis temporadas, aconselho a não ir adiante na leitura aqui. Se já assistiu, siga. Se não é fã de Lost, não tem problema, talvez interesse assim mesmo…
Tenho impressões muito pessoais sobre o episódio final de encerramento da série. Foi um longo capítulo com o seguinte dilema: dar desfecho à trama ou responder aos muitos mistérios que ela suscitou? Os produtores preferiram a primeira opção. Por isso, quem esperava ter todas as respostas pode ter ficado frustrado. Não foi o meu caso. Gostei bastante do que vi. Não totalmente, mas já esperava que qualquer desfecho poderia levar à decepção.
Penso que foi um final voltado para os verdadeiros fãs da série, aqueles que acompanharam os Losties durante os últimos seis anos. Daí ser um episódio concentrado no encontro, no reencontro. O desfecho das tramas paralelas, o realinhamento dos casais, o perdão e alguma redenção. Os miniclipes que recuperam as trajetórias dos personagens trazem uma carga extra de emoção. Lost acabou se revelando uma série muito mais sobre relacionamentos do que sobre mistérios. A Ilha se coloca como uma arena onde os atritos, as aproximações, a colisão de interesses, tudo isso e mais fermentam as ações humanas. Com isso, a Ilha se consolida como a metáfora transcendental da vida. Os mistérios funcionam com as pistas falsas que encontramos durante a trajetória.
A imperfeição dos personagens, seus sentimentos contraditórios, as escolhas pragmáticas, a moral conveniente, tudo isso tempera a série, dando a ela contornos mais difusos e camadas de profundidade diversas. E sejamos francos, não estávamos acostumados a ver isso numa série de TV.
Foi muito bom acompanhar tudo isso. Espero a próxima jornada…
lost NÃO termina hoje
Ao contrário do que possa parecer, a série mais comentada da TV dos últimos anos não termina hoje. E tenho lá minhas razões pra acreditar nisso. Não se trata de nenhum golpe de marketing ou manipulação de Benjamin Linus. Acho que o evento televisivo mais esperado do ano nos Estados Unidos (e fora) vá funcionar hoje muito mais como um desfecho formal, e menos como um final.
O aparato montado para a transmissão de hoje à noite dá contornos épicos. Espetaculares. Me lembro do burburinho para o episódio final de Friends – que ficou dez anos no ar – e para E.R. – que ficou 18, e aqui no Brasil foi veiculado como Plantão Médico. E nada se compara. Para se ter uma ideia, a ABC estará cobrando US$ 900 mil para cada 30 segundos de intervalo comercial durante a transmissão. Serão dedicadas cinco horas da programação para o final de Lost. Primeiro, a emissora exibirá um resumo de duas horas das seis temporadas. Depois, virá o Series Finale, com hora e meia de duração. O resto será preenchido com anúncios, e só com essa transmissão, a ABC deve faturar U$ 45 milhões, informa o ótimo Dude We are Lost. É um acontecimento televisivo, semelhante ao Super Bowl, quando dezenas de milhões de americanos param tudo para ver a final do futebol deles…
Mas como eu dizia, Lost não termina hoje.
Depois de seis temporadas e um punhado generoso de mistérios, a série estabeleceu um novo patamar nas produções televisivas. Não apenas porque os gastos por episódio se aproximem dos consumidos por produções cinematográficas modestas, mas porque a qualidade narrativa e a capacidade de envolvimento do público superou o cinema. Sim, sejamos francos. Nos últimos anos, é a TV quem manda. As produções televisivas têm sido muito mais ousadas, exitosas e influentes que os arrasa-quarteirões dos estúdios. Compare-se a geração de filmes e séries/seriados desde o ano 2000… E Lost ajudou a puxar o sarrafo pra cima.
Lost é um fenômeno desses tempos. É um produto da cultura de fã, que já existia bem antes, mas que foi hipertrofiada pelas potencialidades da internet e das redes sociais. Lost é crossmedia, é narrativa transmídia. Não termina no desfecho do episódio, pois continua nos fóruns, nos podcasts e chats. Um personagem pode até bater as botas num momento, mas ressurge nas listas eletrônicas, nas conversas de corredores, nos blogues que reescrevem a trajetória do finado, nas fanfictions…
Como eu dizia, Lost não termina hoje. Esta é a minha primeira certeza.

A segunda é que ficaremos todos decepcionados com o que iremos assistir. Sim, ficaremos. Passados seis anos, catalisada toda a ansiedade e expectativa, nenhum desfecho possível (ou impossível) irá nos satisfazer. Mesmo que todos os mistérios sejam competentemente solucionados. Mesmo que nossos prediletos se salvem, deixem a Ilha e refaçam suas vidas da melhor maneira. Nada disso vai aplacar a nossa ânsia pelo capítulo final.
E quer saber? Pouco importa. Ao menos para mim. Isso porque eu tenho uma terceira certeza. Em Lost, mais importante que o desfecho é a viagem. Qualquer que seja o final, o que fica é o acumulado ao longo desses anos: a mitologia, a galeria de personagens, a Ilha, as loucuras que desafiam a ciência e os sentidos, a Iniciativa Dharma, Os outros… Como diz Jorge Drexler, “amar la trama más que al desenlace”… O que fica é a história, a narrativa, a contação. Adultos e crianças se comportam da mesma forma: adoram ouvir histórias, se fascinam por elas, e embarcam nos seus ritos. As crianças, sem vergonha e sem cansaço, pedem que as mesmas histórias sejam contadas, que os trechos tenham os mesmos acentos, as mesmas pausas, os mesmos diálogos. O prazer não está no final, está no meio, no percurso, no curso da ação. Os adultos também fazem assim, mas de forma escamoteada, alugando filmes que já assistiram, assistindo à reprise do final da novela no sábado, revendo jogos, que chamamos de clássicos. Adoramos replay de gols. Adoramos remakes de filmes… Mais uma vez, o que conta é a história, o meio, a trama, o enredo, e não o seu fecho.
E mesmo sem ter ainda assistido ao Series Finale – e o farei na segunda ou terça -, a impressão que tenho é a mesma que tive quando estava prestes a zerar Grim Fandango, delicioso game de PC dos anos 90. Na cena final, um personagem nos lembra que, nas melhores viagens, o que menos importa é o destino e mais percurso, o trajeto. Por isso, Lost não termina hoje. Não termina mais…
domingo: venegas y drexler
Uma mulher toca acordeon. Um homem toca serrote.
É domingo. Divirta-se com Julieta Venegas; depois, com Jorge Drexler…
final de lost: get lost!
A série mais interessante da televisão termina daqui a dois dias nos Estados Unidos. Por seis anos, milhões de pessoas no mundo inteiro se deixaram perder pelos mistérios que cercavam uma ilha secreta e um punhado de sobreviventes de um acidente aéreo. E mesmo quem pouco ou nada se interessou pela produção não pode ignorar o sucesso que tem sido Lost.
Existem muitas maneiras para tentar explicar, mas Lost intriga não apenas pela trama mas também pela forma como se converteu num objeto de verdadeira devoção. Há quem venere os atores, se identifique com os personagens, sonhe em conhecer os sets de filmagem, colecione camisetas e brindes alusivos à produção. Há os que produzem blogs e paródias, que alimentem fóruns de discussão na tentativa de explicar os mistérios da ilha. Existem também os que – de forma diletante – capturam os episódios, traduzem os diálogos, legendam os episódios e disponibilizam gratuitamente os capítulos para os internautas. E existem os que bombardeiam as caixas postais dos produtores, sugerindo cenas, indicando referências e participando ativamente – mesmo que à distância – do processo de produção da série.
Sim, Lost é um fenômeno. Não é algo comum, ordinário. É sim extraordinário.
Lost é uma festa narrativa. Roteiristas usaram flashbacks para adicionar elementos decisivos, recorreram a flashforwards para ampliar a geografia limitada da ilha e inventaram flashsideways para multiplicar as realidades dos personagens. A linearidade do tempo foi definitivamente sepultada nos primeiros episódios, e a monocromia moral – que teimava em chapar os caráteres nos seriados – foi estilhaçada.
Lost é uma vivência coletiva de entretenimento. Como muitos outros produtos anteriores, Lost funciona como uma forma de integração social. Pessoas conversam sobre a série, discutem seus rumos, aproximam-se por afinidades de seus detalhes, distanciam-se por razões semelhantes. Lost é o assunto do dia; a queixa da rodinha de amigos… Nos últimos seis anos, convivemos com os sobreviventes. Mesmo estando a milhares de quilômetros de distância ou a distância de uma tela que nos separa. Também ficamos presos à ilha. Também sofremos e nos angustiamos com os Outros, com as manipulações de Ben Linus, com a fumaça negra… A cada temporada, escolhemos nossos personagens prediletos, nossos episódios, os temas. Jack, Kate, Sawyer, Locke, Hurley, Sun, Jin, Desmond, Ben e tantos mais se tornaram familiares, nos apegamos a eles. Alimentamos laços com essa poderosa narrativa, por isso nos envolvemos tanto, por isso cultivamos um sentimento de que aquilo também nos pertencia.
Lost é um objeto de colecionador. É um produto bem acabado de uma cultura de fãs, de um consumo que não se quer apenas passivo. Com Lost, queremos assistir, mas ansiamos conhecer os alicerces da narrativa. Queremos saber que destinos aguardam os heróis, mas também desejamos escrever tais destinos. Nos afetamos por Lost e queremos afetá-lo.
Lost é só uma série televisiva. A mais interessante em muitos anos. É também um conjunto de metáforas sobre a vida, sobre segundas chances, sobre redenção e arrependimento. É ainda um punhado de mitologias, de sonhos coletivos, de esperanças. Lost é só uma história… mas desde tempos imemoriais, não é isso que alimenta os nossos espíritos todos os dias? Histórias, narrativas, contos?
Em Lost, melhor do que encontrar a saída da ilha é perder-se.
5 anos monitorando
Hoje, este blog faz cinco anos de postagens ininterruptas. Criado no UOL, migrou há exatos três anos para o WordPress, e como estamos sendo muito bem tratados, por aqui devemos ficar por mais um bom tempo.
Em cinco anos, muitas coisas mudam, outras amadurecem. Para falar das mudanças, um post só não daria conta. Mas do lado de cá do teclado, permanecem dois sentimentos:
- o entusiasmo pelo gesto e pelo estilo de vida blogueiro
- e a imensa gratidão pela sua leitura
Beijos, queijos e caranguejos!
os nerds também amam
Amam, e se reproduzem!
Nas esquinas da Rede, acabei topando com um novo blog do Marcelo Träsel, voltado especificamente a sua nova condição: a de futuro pai. Fiquei feliz, pois é acima de tudo uma glória estar neste lugar. Fiquei feliz também pelo Träsel, que é um cara doce-raivoso, agridoce, destemperado… bem temperado!
Mas o título do blog dele – O pai nerd – me fez juntar as pecinhas que haviam caído no chão: os nerds estão se multiplicando. Träsel não é o único cara num “estado interessante”. Alex Primo está na fila e deve receber seu rebento no meio do ano… Em fevereiro, foi a vez de Raquel Recuero, e no ano passado (ou em 2008?) foi o André Lemos.
Tudo bem que ainda falta uma galera (adriamaral, gabizago, mcaquino, sandramontardo), mas um passarinho azul me contou que eles estão treinando…
O maior barato é imaginar que, daqui a uns 10 aninhos, esses filhotes estarão jogando spacegame, produzindo conteúdo colaborativamente, compartilhando experiências e olhando para a Rede de hoje como quem se detém diante de um jornal velho e amarelado…
um anti-manual de educação
É muito comum uma certa atitude de todos os pais para com seus filhos. Parece que fomos biologicamente programados para alimentar grandes expectativas sobre a prole, de maneira a projetar sobre as crianças nossas insuficiências, nossos insucessos. Quer dizer: pais sempre querem que seus filhos sejam muito, mas muito melhores do que jamais sonharam. Dessa esperança vem o super cuidado, as altas exigências, muita sobrecarga e quase a asfixia.
Não sou diferente, e acredito que pouquíssimos pais conseguem desviar dessas armadilhas. Quando soube que esperávamos um bebê, corri à livraria em busca de títulos que me ensinassem a ser um pai melhor, que me dessem o caminho das pedras, e que me orientassem na melhor educação possível para o inquilino do útero de minha esposa. Me frustrei de cara. Naquela época – e não faz muito, quase sete anos -, não havia títulos no mercado editorial dedicados ao pai. Pensei até em escrever um, com dicas e experiências diversas, mas desisti disso semanas atrás quando terminei de ler “Sob Pressão”, de Carl Honoré. Isso porque o livro é um ótimo anti-manual de educação de filhos, tudo aquilo de que precisamos nesse momento.
Trombei com o livro nessas lojas de aeroporto, abarrotadas de obras de auto-ajuda empresarial e best-sellers de vampiros juvenis. “Sob Pressão” me chamou a atenção pelo subtítulo: “Criança nenhuma merece superpais”. Folheei e trouxe o volume comigo, encaixando a sua leitura nos intervalos possíveis. E por que estou falando tanto do livro?
Ora, porque ele é um excelente chacoalhão nos pais que simplesmente funcionam como torniquetes para seus filhos: enchem-nos de manias, lotam suas agendas, consomem suas energias com preocupações neuróticas, planejam suas vidas como se fossem as de seus pets… “Sob Pressão” nos chama a atenção para que deixemos as crianças serem crianças, para que cuidemos delas no limite de seu bem-estar, conforto e segurança; e não deixemos de viver nossas vidas vivendo as da prole. No final, o próprio Honoré confessa que, no início, queria escrever uma bússola para os pais, mas igualmente perdido, deixou de lado o projeto e pôs-se a pensar em voz alta como os pais precisamos nos colocar na posição de pais e não de dublês dos filhos.
Os perigos da vida continuam existindo. As pressões externas e internas soterram a todos. Tecnologia, consumo exacerbado e violência gratuita fecham o cerco em torno da ninhada. Mas Honoré nos lembra que isso não é novidade, e que gerações e gerações sobreviveram apesar de todas as adversidades. Liberdade, cuidado, equilíbrio e respeito pelo outro – mesmo que ele não tenha nem um metro de altura e ainda dependa de você para ir ao banheiro. Tudo isso aprendi com Carl Honoré e suas angústias, que também são as minhas. Se ficou curioso, vá ao site do autor ou o siga no Twitter… aliás, faça isso junto com seu filho!
o twitter e a demissão do jornalista
Nesta semana, uma notícia causou tremores e ranger de dentes nas redações e nas redes sociais. A Editora Abril demitiu o jornalista Felipe Milanez – até então editor da National Geographic Brasil – por postar tweets críticos à outra revista do mesmo grupo, a Veja.
É claro que o acontecido varreu a internet brasileira como um rastilho de pólvora e provocou reações as mais variadas: houve surpresa, inconformidade, críticas ao próprio jornalista e contestações. Mas a decisão da Abril é irrevogável e os danos irreversíveis, de um lado e de outro. Dentro da Abril, a estupefação de que havia amigo na trincheira; fora do colosso da marginal, queixas de perseguição à livre expressão e tal.
Mas o fato é que o episódio traz velhas e novas lições.
1. As redes sociais inspiram o compartilhamento de conteúdos, de ideias, de sentimentos, de opiniões, mas essa troca provoca consequências, e a mais evidente delas é a contrariedade. Basta criar, por exemplo, uma comunidade no Orkut manifestando a admiração de alguém que logo surgirão comunidades análogas “combatendo” esse pensamento. Basta opinarmos num blog sobre algo que rapidamente leitores deixarão comentários rebatendo nossos argumentos.
2. Nas redes sociais, parece que estamos pensando alto. Mas na web como a conhecemos agora, pensar alto é dividir. E esse compartilhamento se dá no âmbito público e não mais privado. Por isso, toda queixa, ataque ou admoestação pode sim ser rapidamente encontrada, rastreada e, claro, combatida.
3. De nada adianta que eu tenha o meu perfil pessoal numa rede social se nele faço constar também minhas atividades sociais, públicas, funcionais. Isto é, não basta que o jornalista argumente que postou críticas em sua página pessoal se nela, seu perfil afirmava sua condição de editor de tal ou qual publicação. Nas redes sociais, pessoa física e pessoa jurídica se confundem…
4. As redes sociais facilitam muitíssimo a formação de grupos, de elos sociais, mas não isentam as preocupações que temos em outras esferas, principalmente com relação à privacidade. É sim importantíssimo que reflitamos sobre a administração da própria intimidade na internet. O usuário do sistema precisa escolher o que vai mostrar em público; precisa atentar para o que quer manter sigiloso, recluso, discreto. E talvez essa seja a lição mais contundente deste episódio (e de outros também): precisamos cuidar daquilo que somos e daquilo que projetamos nas redes.
Esta é uma questão de cunho moral, não se enganem. É uma questão que envolve valores, que afeta condutas, enfim, que mexe diretamente com a relação que as pessoas estabelecem com as demais. Que o infeliz episódio que custou o emprego de Felipe Milanez nos motive a discutir e refletir mais sobre a rede que estamos tecendo todos juntos.
sobre a convocação de dunga
Pensei em escrever algo, mas nada superaria meu genial amigo Frank Maia:






