dia dos pais: crônica 3

O olhar, o braço e as mãos do pai (23/03/2004)

Faz tempo, mas eu me lembro da sensação. Duas mãos silenciosas, enormes e fortes, me seguravam. Tinham o apoio dos braços, e os passos eram bem cuidadosos, quase flutuantes. Quem me levava quase nem respirava para que eu não acordasse. Muito devagar, me colocavam na cama. Eu deixava meu corpinho serenar, despejando-me no colchão. Mas sentia que alguém me observava por um segundo ou mais: era meu pai. Que desmanchava o sorriso de satisfação assim que percebia que eu acordara. Mas eu, de novo, fechava os olhinhos, e ouvia um suspiro de alívio dele.

Como eu disse, isso aconteceu há muito tempo, quando eu ainda era pequenino e dormia na sala, tendo que ser transportado para a cama. É curioso como a memória da gente funciona. Isso estava guardado lá nos cafundós das minhas lembranças, soterrado abaixo de muita tranqueira e de alguns outros sentimentos.

***

Já tentou cortar um bife com uma mão só? E desrosquear a tampinha do refrigerante só podendo contar com cinco dedos? Não é fácil, mas é possível. Aprendi e executei essas proezas dia desses quando estava com meu filho recém-nascido nos braços. Na verdade, Vinicius estava depositado sobre o braço esquerdo e eu estava com uma sede africana. Caminhei lento e calmo até a cozinha e abri a geladeira. De costas. Não ia expor o filhote àquele ventinho gelado que escapa da porta entreaberta. Numa manobra rápida, escorreguei o braço pelas prateleiras, tateando grades e tomates e cheguei ao pescoço da garrafa de Coca. Puxei e, com um golpe de bunda, fechei a porta da geladeira. Protegidos de qualquer friagem, andamos até a bancada, onde coloquei a garrafa em pé. Foi aí que me dei conta de como abriria a bendita com apenas uma mão. Vinicius respirava quietinho. Estava no país dos sonhos. Não tinha como rearranjá-lo. Prendi a respiração e desci a palma da mão pela rosca da garrafa: apertei como uma morsa – com dois dedos – a parte inferior e dei um tranquinho no sentido antihorário na parte de cima. Tchiiiiiiiiii! Legal, abri! Mas meio segundo depois, pensei ter sido alto demais. Ele vai acordar com esse barulhão, seu burro! Que nada! Vinicius até levantou meia pálpebra para ver se estava tudo bem comigo. Em seguida, suspirou senhor-de-si e voltou ao sono.

***

Resgatei a sensação do calor e da força das mãos do meu pai lá do fundão da memória. Para mim, eram mãos imensas, colossais, capazes de sustentar o mundo. Quando cresci, vi que o mundo encolhera um pouco. E meu pai deixou de me carregar do sofá para a cama. Bastava chacoalhar que eu despertava, ainda meio zonzo. Eu caminhava trôpego até o quarto, sob o olhar aliviado dele. Perdi meu pai há catorze anos, mas só hoje entendo e repito aquele olhar…

dia dos pais: crônica 2

Os insones são felizes (12/07/2004)

Faz duas semanas que me tornei pai. Claro, isso não é lá grande novidade já que quase toda a fauna de homens no mundo passa por isso em algum momento da sua vida. Mas é a minha primeira vez, e ainda não percebi a coisa toda… Vasculhando minha agenda essa tarde, em busca de qualquer outra coisa, esbarrei num bilhetinho que escrevi para mim mesmo na capa do caderno. Nem me lembrava mais que havia feito aquilo, mas agora me recordo nitidamente que rascunhei algumas frases no meio da madrugada: minha mulher descansava do parto, o bebê dormia sem culpa nem nada, e eu ainda me refazia de tudo aquilo. É claro que acompanhei a cirurgia, que tirei fotos, que anunciei o nascimento pelo celular, que monitorei cada respiração daquele menino naquela noite. Medo bobo. Medo de pai novo…

No silêncio do quarto, a clínica praticamente vazia, fiquei ali, só assistindo os dois dormirem. Quis gritar, quis dançar, mas me detive: seria ridículo; incompreensível para qualquer enfermeira que ali entrasse de repente. Cocei a mão e apanhei a agenda. Com uma letra miúda, fui deixando escoar uma ou outra palavra, como num conta-gotas. Não que eu pesasse as palavras, mas porque não queria acordá-los. Fui imprensando palavra com palavra, sem pressa, com cuidado na pontuação, fazendo a madrugada só minha.

***

Tornei-me pai há poucas horas e ainda estou tomado por uma imensa sensação de paz. Não chorei no parto; não fiquei nervoso; só fui sorriso. Não esperava reagir assim, mas acho mesmo que já estava esperando tudo isso. Ser pai me preencheu com tanta força, serenidade e delicadeza que quase nem me reconheço.

A força, eu roubo dos dedinhos dele, que apertam minha mão; a serenidade, eu vejo no soninho leve e contagiante dele; a delicadeza mora nos movimentos suaves dos lábios, quando balbucia historinhas incompreensíveis.

Como será daqui pra frente? Como o mundo vai tratar esse novo passageiro da vida? Eu não sei. Também não quero me preocupar agora com isso. Deixa o mundo girar que eu quero mesmo é velar por esse soninho gostoso.

***

Se fosse essa noite, escreveria outra mensagem. Talvez mais serena, mais amena. Já mudei bastante desde aquela madrugada. Não é responsabilidade ou o peso da idade. Não é medo, nem coragem. É uma sensação diferente, que me preenche, que me acalma, que me renova. É uma paz imensa, espalhada, inebriante. Só. Nessas duas semanas, a vida mudou bastante. Comi menos, sorri mais. Dormi menos do que o normal, é bem verdade. Mas não foi apenas para amainar algum chorinho sem-causa. Perdi o sono para sonhar com ele crescido, correndo pela praia, chutando a espuma da onda que lambe a areia. Não perdi o sono. Ganhei sonhando acordado.

dia dos pais: crônica 1

Sou pai há apenas cinco anos.
No começo, foi uma novidade incrível. Continua sendo.

E como estamos às vésperas do Dia dos Pais, desengaveto aqui alguns textos que cometi há quatro ou cinco anos. Originalmente, eles foram escritos para o site do meu amigo Marcio ABC, grande jornalista e pai da Maria Clara. Nem sei se ele mantém esses textos por lá, mas em todo o caso, deposito aqui também.

Se você é pai, talvez se identifique. Se não é, talvez se motive a ser…

Crônica 1
Mas quem é o pai?
(12/03/2004)

Outro dia, acabei descobrindo que a maternidade é uma instituição e que a paternidade é uma situação. Quer dizer, ser mãe é uma condição já embutida no DNA das mulheres e que se manifesta em algum momento de suas vidas, mesmo que elas não venham a parir. As mães têm sexto sentido; sempre têm razão; têm paciência e pressentem perigos para a prole; estão no centro da família e, quando é o dia delas, recebem presentes. Sempre. Por outro lado, ser pai não é lá grande coisa, e em muitos casos, isso acontece até mesmo sem querer. No dia dos pais, eles recebem uma lembrancinha; eles não detêm nenhum superpoder como a clarividência materna ou o coração em forma de latifúndio. Pais quase não são mais necessários. Ainda mais nos dias de hoje, quando temos bancos de sêmen, técnicas avançadíssimas de inseminação artificial e mulheres mais avançadas ainda. Não vai demorar muito para que os pais sejam tratados como meros doadores de líquidos corporais. (Na verdade, já tem pai que é tratado assim… ou você não se lembra do Luciano Szafir?).

Por isso, a maternidade é uma instituição respeitada e cultivada, um estado desejado, uma condição invejada. A paternidade perde o pouco espaço que teve até então, sendo relegada a um detalhe aqui, outro ali.

Prova disso é o interesse que atrai. Quase nenhum. Um exemplo é o mercado editorial. Minha mulher foi a uma loja atrás de um livro que tratasse de cuidados e conselhos a futuros pais. Andou, andou, andou e não achou nada. Encontrou dezenas de títulos sobre a saúde das gestantes, os cuidados com a gravidez, técnicas de parto, orientações e exercícios físicos para facilitar a dilatação na hora H, guias de nomes, dicionários e enciclopédias neonatais, livrinhos de banho para os recém-chegados, e uma infinidade de manuais de educação infantil. A esmagadora maioria dessas obras era voltada às futuras mamães, ignorando solenemente a presença dos idiotas ao lado, que tentam disfarçar o constrangimento com um sorriso amarelo. Para não dizer que não existam títulos no mercado voltados para os futuros pais, vou citar dois: um foi escrito pelo Gugu Liberato e outro pelo Hélio de La Peña, um dos Cassetas. Diante de tantas opções e graus de especialidade, só mesmo apelando. A pouca oferta é reveladora: ninguém está nem aí para os pais; afinal, eles são meros coadjuvantes, alguém aí pode deixar escapar. Entretanto, depois de procurar muito, até encontramos algo, um livro chamado “O manual do grávido”, que é bem humorado, tem inteligência e é bem útil. Mas é pouco, né!?

O episódio me fez pensar nisso que a gente se transforma quando o exame dá positivo. E, cada vez mais, me convenço de que a paternidade é uma situação, e tudo depende de um bom convencimento. Deixa explicar. Há gerações, as mulheres são condicionadas a esperar que um dia irão se tornar mães. Aí, elas crescem brincando com bonecas, adestram-se na lida com esses afazeres e tomam para si que a missão feminina na Terra é mesmo gerar e parir. A mulher nasce para ser mãe. O homem, não. Ele não é preparado física, técnica e intelectualmente para ser pai. Muito menos emocionalmente. Então, o homem não nasce pai, mas vai acabar se convencendo disso. Alguém – geralmente, a mulher; às vezes, a amante – vai colocar na cabeça dele que é hora de ser pai.

Digo isso com convicção. Tenho amigos que se comportam da mesma forma, e outros que já reproduziram o procedimento que parece ser mesmo padrão. Não é que a gente não queira ser pai, a gente só não estava preparado para isso desde o começo…

De qualquer forma, isso me leva a pensar no que é mesmo ser pai hoje em dia. Se a paternidade é uma situação (e não uma instituição como a maternidade), se, para ser pai, o sujeito tem de se convencer disso, se não fomos educados para isso e se o mundo já é muito diferente do construído pelos nossos pais e avós, é necessário repensar o papel do pai na sociedade atual.

As famílias não são apenas aquele grupinho que tinha papai, mamãe e filhinhos numa mesa de café da manhã passando margarina no pão. Há diversos modelos de células familiares: num deles, quem é o chefe da casa é a mãe; em outro, o casal é homossexual; num terceiro, há filhos de pais separados e casados novamente, gerando aquela confusão de meio-irmão; entre tantos outros exemplos. A família mudou, e o pai já não é aquele cara que sabia tudo e tinha pleno controle das situações. As crianças não temem mais tanto os pais e geram ordens e comandos próprios, conquistando relativa autonomia. Os casais mudaram também. As mulheres são mais emancipadas, independentes e fortes; são mais racionais e ocupam os espaços mais distintos no mundo. Os homens revelam-se mais frágeis, emocionalmente instáveis, avessos a compromissos, desorganizados compulsivos, verdadeiras baratas-tontas bípedes. Com tudo isso, o pai precisa se ajustar a um novo cenário familiar. Não basta apenas que seja o provedor, o protetor, o modelo masculino da força e da coragem. É preciso reconhecer-se em outras posições, em terrenos ainda desconhecidos.

Diante disso, é claro que eu não tenho todas as respostas. Eu só descobri que serei pai faz seis meses. Esta é a minha primeira vez, e é assustador. Mas é fascinante. É pavoroso. Mas empolgante. Calamitoso. Emocionante. Aparvalhante. Maravilhoso…

Sabe, algumas vezes por dia. eu me pego olhando para aquela barriguinha e tento enxergar quem vem vindo ali. Eu abro bem os olhos e passo a ponta dos dedos sobre o ventre dela e sussurro algo (mas não faço com aquelas vozes bobas, juro!). Dá um arrepio de saber que alguém lá dentro me ouviu. Principalmente, se aquele parasitinha dá algum sinal de vida, do tipo chute, cotovelada ou cambalhota. Quando isso acontece, eu não consigo segurar e escancaro um sorriso no rosto. Como se eu tivesse esperando por aquilo desde que nasci…

sessão da tarde na tv senado…

Frank Maia, sempre ele, dá o tom da coisa…

frankmascara

educação em diferentes contextos

Acabo de colocar na rede o Volume 9 nº 2 da Contrapontos, o periódico científico do Mestrado em Educação da Univali (SC, Brasil). A revista é classificada como publicação B2 no Qualis/Capes, é quadrimestral e teve como eixo temático nesta edição “A educação em diferentes”.

Veja o sumário:

Vol. 9, No 2 (2009)
Educação em Diferentes Contextos
Maio – Agosto de 2009
ISSN: 1984-7114 (novo! Versão eletrônica)

Editorial: Educação em diferentes contextos

A formação de professores e a teoria sociológica de Pierre Bourdieu: interface possível para pesquisas em Educação – Cristina Carta Cardoso de Medeiros

Tensão entre a vulgarização e a erudição – Altair Alberto Fávero, Carme Regina Schons

As relações existentes entre a educação e a complexidade na sociedade globalizada: impactos para a formação do leitor crítico – Renata Araújo Jatobá de Oliveira, Janssen Felipe da Silva

Um estudo sobre o trabalho pedagógico de professores das EJA – Emmanuel Ribeiro Cunha

A Educação Bioética no Ensino Fundamental: um estudo a partir da LDB e dos PCNs – Maria Isabel Alves Dumaresq, Margareth Rose Priel, Margaréte May Berkenbrock Rosito

A experimentação animal na Universidade Federal de Goiás: elementos para uma abordagem crítica – Thales A Tréz, Priscila Camargo Reis

Gênero e Educação: delimitação de espaços e construção de estereótipos – Carolina Riente Andrade, Amon Narciso Barros

Reflexões Acadêmicas
A Sustentabilidade No Ensino Superior Brasileiro: alguns elementos a partir da prática de educação ambiental na Universidade
– Fatima Elizabeti Marcomin, Alberto Dias Silva

Seção do Professor
Inclusion: Still an Evolving Term from an International Perspective
– Lilia Dibello

Resenhas
Escola Analógica – Cabeças Digitais: O cotidiano escolar frente às Tecnologias Midiáticas de Informação e Comunicação
– Maria Lucia de Amorim Soares

Entrevistas
Entrevista com o professor Kurt Meredith

nova gripe e férias escolares no monitor

Está na rede a edição 151 do Monitor de Mídia. Veja o sumário:

DIAGNÓSTICO
Um pouco mais do mesmo
Programação infantil na televisão oferece poucas mudanças para as crianças em férias.

REPORTAGEM
Litoral de contrastes
Balneários da Costa Esmeralda, que lotam durante o verão, são ideais para descanso e recolhimento no inverno. Confira nessa reportagem uma galeria de fotos.

REPORTAGEM
Avanço da gripe A
A reportagem do MONITOR DE MÍDIA vai até a fronteira de Santa Catarina com a Argentina para acompanhar as medidas de contenção do vírus H1N1.

EDITORIAL
Reestréias
O MONITOR DE MÍDIA completa oito anos com mudanças em seus quadros e traça novas perspectivas.

MULTIMÍDIA
Previna-se contra a gripe
Confira os vídeos explicativos sobre as principais características da gripe A e suas projeções no Brasil

uma imagem doméstica do inverno

Sim, tem feito bastante frio aqui em Santa Catarina. As temperaturas despencaram pra valer neste inverno, e há uns dez anos não se tremia tanto nas cidades catarinenses. De forma atípica, o frio tem vindo junto com a chuva, o que torna a coisa mais difícil de levar, ao menos pra mim.

Porque é sábado, deixo um flagrante caseiro do frio por estas bandas:

Mila, clandestina num cobertor. Esta sabe viver…

mila_e_o_inverno

fora sarney: um mashup

A dica me foi passada pelo Palmério Dias. É mais uma versão da já clássica cena de A queda, em que Hitler e seus lacaios estão no bunker, na iminência de serem derrotados. Como sabem, Hitler desespera-se e espalha xingamentos e ira para todos os lados. Já vi diversas versões da cena, sempre legendadas num outro contexto e sempre com muito bom humor. Desta vez, Hitler está no papel de Sarney.

miles davis vira trilha de videogame

miles_pixelFaz 50 anos que surgiu um dos discos mais celebrados do Jazz: Kind of Blue. Um disco sensível, único, sensacional, com músicos como Miles Davis e John Coltrane.
É lindo de ouvir, já falei disso. Adoro jazz, mas não sou purista. Por isso é que não torci o nariz para a notícia de que o mítico disco estaria virando trilha sonora de videogame retrô.

Foi Miles quem me mostrou que não vale a pena ser purista, e que é preciso se reinventar a cada dia, a qualquer momento. A trajetória musical de Miles Davis mostra isso. Ele tocou bebop com Charlie Parker e Cia; depois, inventou o cool jazz; depois, veio o free jazz, o fusion, etc. etc. Miles é um cara que tocou todos os standards, todos os clássicos, mas tocou Cindy Lauper e tocou a trilha de abertura do Homem-Aranha… Era um camaleão, com voz de lagarto, sopro poderoso, dedos com mil articulações pressionando os pistos de seu trompete. A figura altiva, os olhos esbugalhados, as roupas fosforescentes, os cabelos revoltos, tudo isso e mais as lendas que o acompanharam fizeram dele um mito.

Uma historinha para terminar este post:

Certa vez, Miles Davis foi convidado para uma recepção na Casa Branca. Lá, havia políticos, empresários, artistas, e uma fauna variada. Uma socialite se aproximou do negro vestido com elegância e perguntou num misto de nojo e curiosidade: “Afinal, o que o senhor faz aqui?” Miles respondeu com tranquilidade assombrosa: “Estou aqui porque mudei o panorama da música mundial duas ou três vezes”.

Sem exageros, Miles não mentiu.

blogs, redes sociais e comunicação digital: um evento na feevale

logo

Estão abertas as inscrições para o 3o. Seminário Blogs: Redes Sociais e Comunicação Digital.
O evento acontece nos dias 21 e 22 de setembro de 2009, na Feevale, em Novo Hamburgo, RS.

A proposta do seminário é abordar a influência das redes sociais na web na comunicação digital a fim de promover a compreensão deste cenário para que se possa agir nele de forma eficaz.

O 3º Seminário Blogs: Redes Sociais e Comunicação Digital vincula-se ao Projeto “Comunicação Corporativa e Conteúdo Gerado pelo Consumidor: desafios e tendências” (CNPq), que faz parte do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cultura, desenvolvido no Centro Universitário Feevale.

Programação (sujeita a alterações):

21/09/2009 – Segunda-feira
17h30min – Abertura Oficial
18h30min às 19h30min – Painel: Blogs e Jornalismo Colaborativo
Ministrantes: Ana Brambilla (PUCRS), Diogo Carvalho (Blog Destemperados) e Rogério Christofoletti (UFSC)
20h às 22h30min – Palestra: Promoção e relacionamento online
Ministrantes: Edney Souza (Interney)  e André Pecini (Google)

22/09 – Terça-feira
14h às 17h – GT’s (Grupos de Trabalho)
– Redes Sociais na Web –  Comunicação mediada por computador nas ferramentas da Web 2.0 (blogs, microblogs, fotologs, videologs, sites de compartilhamento de vídeos, músicas e fotos, podcasts, videocasts, comunicadores instantâneos, plataformas de redes sociais de relacionamento) em sua interface com as redes sociais de relacionamento; Jogos Digitais e relacionamento on-line.
– Conteúdo na Comunicação Digital – Jornalismo on-line; jornalismo cidadão; plataformas colaborativas; plataformas open source; produção, compartilhamento, organização e busca de conteúdo (folksonomia, ferramentas de busca e web semântica); Jogos digitais como produção, compartilhamento e distribuição de conteúdo.
– Comunicação Digital Corporativa – Comunicação organizacional na web; Web 2.0 e a Opinião Pública; Ações de web marketing na Web 2.0; Publicidade on-line; Web Design; Advergames; Jogos digitais como estratégia de marketing na Web.

14h às 17h – Oficinas
Oficina 1: TV na internet (Justin.TV, Youtube, entre outros)
Ministrante: André Pase (PUCRS)
Oficina 2: Como se tornar um formador de preferência a partir das redes sociais (Blogs, Twitter, Facebook e outros)
Ministrante: Arnoldo Barroso Benkenstein (Feevale)
Oficina 3: Plataformas de Música online
Ministrante: Adriana Amaral (UTP)

18h – Plenária

19h – Encerramento Oficial

Datas importantes:
Inscrições: 30 de julho a 20 de setembro de 2009
Submissões de resumos: 30 de julho a 15 de agosto de 2009 (*)
Divulgação dos aceites: 20 de agosto de 2009

* Os resumos devem ter entre 900 e 2500 caracteres com espaços e conter os elementos a seguir especificados (não necessariamente nesta ordem): tema, justificativa, objetivos, metodologia, resultados parciais e/ou finais, considerações finais e palavras-chave (mínimo três e máximo cinco palavras).

Inscrições e mais detalhes em http://www.feevale.br/seminarioblogs

Regulamento AQUI!

ética e certificação de blogs e sites

A dica é rápida e ligeira: Alex Gamela reproduz entrevista que deu a uma acadêmica onde discute a idéia de certificação de qualidade para sites e blogs, bem como um selo de ética online. Vale ler e pensar sobre…

ah, esse lobo antunes…

Lobo Antunes é um desses homens que não têm cara de escritor. Se a gente não o conhece, capaz de esbarrar na fila da padaria e nem pedir desculpas direito. É um desses homens com cara envernizada, com olhares fundos que lembram aos olhos cegos de Jorge Luis Borges, com voz de trovão de palestrante estrangeiro.

Há quem diga que é o maior escritor vivo da Língua Portuguesa. Há quem diga ainda que o Nobel de Literatura está a lhe cair no colo logo-logo.

Li apenas um livro dele e me encantei: Os cus do Judas. Comprei outros tantos que me atiram súplicas de leitura todos os dias, quando percorro as estantes de livros de casa. Conhecimento do Inferno está lá. Fado Alexandrino também. Exortação aos Crocodilos, cujo título adoro e que comprei por uma ninharia numa livraria de aeroporto, sorri malicioso para mim. Esses livros me espreitam como lobos… Enquanto não os enfrento, ouço o sujeito que os escreveu…

– em conversa com Humberto Werneck, na Flip deste ano…

– falando sobre O Arquipélago da Insônia, livro recente…

tá feia a situação no morumbi

images

Esses dias, estava pensando: Putz! Faz tempo que não vibro pra valer com o São Paulo. Dois segundos depois, pensei: Na verdade, ultimamente, é só decepção: mandam embora o Muricy, contratam o Ricardo Gomes, o time acumula derrotas, derrapa e não vai pra frente…

Aí, decidi fazer um “Momento PVC”: números e estatísticas do São Paulo Futebol Clube nos seus últimos 15 jogos.

  • De 19 de abril pra cá, foram 15 jogos em três competições: Paulistão, Brasileirão e Libertadores.
  • 7 derrotas, 5 empates e apenas 3 vitórias
  • O São Paulo perdeu a final do Paulistão, foi desclassificado na Libertadores e hoje – antes do jogo com o Santos – está a 1 ponto da zona de rebaixamento no Brasileirão.
  • Antes de enfrentar o Santos – daqui a pouco -, o São Paulo tem 11 pontos acumulados em 11 jogos. Resultado pífio.
  • O São Paulo só venceu duas vezes neste Brasileirão.
  • A campanha é tão ruim que se o time estivesse na Série B estaria em antepenúltimo, prontinho para cair para a terceira divisão. Pior que o São Paulo na Série B só mesmo o ABC e o Campinense, da Paraíba.

Um retrospecto das últimas 15 partidas:

  • 19 de abril: perdeu por 2 a 0 a final do Paulistão para o Corinthians
  • 22 de abril: ganhou por 2 a 1 do América de Cali na Libertadores
  • 10 de maio: perdeu por 1 gol para o Fluminense no Brasileirão
  • 17 de maio: empatou em 2 gols com o Atlético Paranaense
  • 24 de maio: empatou com o Palmeiras num jogo sem gols
  • 27 de maio: perdeu por 2 a 1 para o Cruzeiro na Libertadores
  • 31 de maio: perdeu mais uma vez para o Cruzeiro: 3 a 0
  • 7 de junho: empate sem gols com o Avaí
  • 13 de junho: Santo Antonio não ajudou e o São Paulo empatou com o Santo André em 1 a 1
  • 18 de junho: virou freguês do Cruzeiro e perdeu mais uma. 2 a 0 pros mineiros
  • 21 de junho: perdeu para o Corinthians por 3 a 1
  • 27 de junho: ganhou do Náutico, por 2 a 0
  • 05 de julho: virou freguês do Corinthians. Perdeu de novo, agora por 2 a 0
  • 12 de julho: arrancou um empate em 2 a 2 com o Flamengo
  • 16 de julho: perdeu por 2 a 0 do Atlético Mineiro

Não arrisco prognóstico para o clássico com o peixe daqui a pouco. Mas tomara que não prevaleçam os números. Nem os que eu citei, nem a disparidade entre os dois times. A equipe do Morumbi é devota de um santo só, enquanto que o time da Baixada é plural na santidade, leva vantagem…

ATUALIZAÇÃO: O São Paulo venceu o Santos por 2 a 1. Mas isso não basta. Precisa melhorar muito ainda…

TOMingo

Porque hoje é domingo, evoco Tom Jobim, um sabiá que tocava piano.

Primeiro, com Edu Lobo, em “Luiza”.

Segundo, com Chico Buarque, em “Sabiá”.

Bom TOMingo!

comunicação de governo e mídias sociais

No início desta semana, fiquei particularmente curioso quando vi no Twitter que Beth Saad estava indo a Brasília para palestrar sobre mídias sociais. Para quem não sabe, Beth é uma das mentas mais abertas e arejadas da academia brasileira quando o assunto é tecnologia, comunicação e gestão estratégica. Pois Beth deixou um robusto post no Intermezzo dando suas impressões sobre o que viu e ouviu por lá.

Como era de se esperar, as expectativas dela – de que não há uma política sobre o tema no Planalto – foram plenamente confirmadas. Infelizmente. Mas o ceticismo de Beth deu lugar a um otimismo pragmático. Postura sábia e objetiva…

Tomara que o governo acorde e assuma seu lugar nesta história toda. Tomara.

3 fatos preocupantes de agora

1. O próprio Ministério da Saúde reconheceu: o vírus da temível gripe A já circula pelo Brasil. O mundo vive uma pandemia e já disseram que na vizinha Argentina haveria 100 mil infectados. Mantenhamos a calma.

2. O presidente da Comissão de Ética do Senado, Paulo Duque, é um senador sem voto. Ele é suplente de suplente de senador. Mantenhamos a vigilância.

3. A oposição e a mídia exibem os tentáculos de José Sarney, mas nada deve acontecer a ele. Mantenhamos a indignação.

last.fm, twitter e webjornalismo participativo

Nesta semana, três orientandos meus defenderam suas monografias em banca, encerrando parte importante de suas graduações em jornalismo.

Vinicius Batista de Oliveira apresentou a pesquisa “A revolução social da música: a relação dos usuários com as tags no Last.fm”. Para discutir aspectos como taggeamento e produção de conhecimento no terreno musical pelos ouvintes do sistema, Vinicius reuniu informações sobre 253 sujeitos de pesquisa em todo o Brasil, de longe o maior levantamento do gênero sobre o Last.fm. Além disso, entrevistou em profundidade duas importantes pesquisadoras nacionais do tema. Como Vinicius planeja publicar parte de sua pesquisa em periódicos científicos das área, não disponibilizamos agora esse material. Mas ficam os slides da apresentação em banca

Joel Minusculi apresentou a pesquisa “Reconfigurações da imprensa no webjornalismo participativo: o caso do Leitor-Repórter do diario.com.br”. Na monografia, Joel discute como o canal que o Diário Catarinense tem para incentivar a participação do leitor comum tem se estruturado, tomando como estudo de caso uma semana de postagens dos usuários. Justamente a semana que sacudiu o Vale do Itajaí em novembro de 2008, quando das enchentes que comoveram o país. Joel avalia a plataforma, o processo e as repercussões que tudo isso vem trazendo para a rotina produtiva dos jornalistas locais. Os slides da apresentação estão aqui.

Franciscos Machado da Silva defendeu a monografia “O papel do Twitter no jornalismo brasileiro”, onde analisa o caso de três contas de veículos nacionais: Trip, Roda Viva e Band Trânsito. No trabalho, Francisco faz uma excelente revisão de bibliografia sobre o microblog, inclusive com dados recentíssimos, e caracteriza o uso que os jornalistas vêm dando ao Twitter como mídia de suporte nos casos analisados. Os slides da apresentação podem ser conferidos aqui.

Fiquei bastante satisfeito com os resultados das pesquisas desses alunos. Eles não apenas mergulharam em seus temas, mas também trouxeram contribuições importantes para a discussão de temas altamente emergentes na área. Sob o signo das mudanças que o jornalismo e a comunicação estão passando nos últimos tempos, essas monografias coroam um período de muito trabalho e estudo por aqui. Muito em breve, vamos compartilhar textos mais enxutos desses trabalhos. Por enquanto, parabéns aos meninos!

5 coisas que não sou, mas queria ser

Vi este meme no Patifaria e peguei pra mim. Se quiser, faça o mesmo…

Trompetista de Jazz. Não sei nada de teoria musical, nada de partituras e a única coisa que sei tocar é cachorro sarnento. Os trompetistas de jazz geralmente são chiques, elegantes, competentes, charmosos e levam a vida no beiço. Suas silhuetas são esguias e a postura sempre pra cima… Quando terminam o show, colocam seus instrumentos nos estojos e vão embora sem demora.

Promotor. No Brasil, o Ministério Público tem um papel parecido com o de uma Liga da Justiça. Os caras são meio super-heróis, pois oferecem denúncia contra empresários que escravizam e que desmatam, perseguem políticos corruptos, tentam encarcerar poderosos malfeitores, e por aí vai. Ser promotor é lutar pela justiça social, pelo direito das populações, pelo resgate de dignidade e tal… Tudo o que o jornalista fazia nos meus sonhos de menino…

Poliglota. Eu disse: po-li-glo-ta. Troglodita eu já sou…

Zen. Na verdade, sou zen. Zen paziência, zen frescura, zen humor…

Pé de valsa. Quem dança, geralmente, leva a vida com mais rebolado e mais suíngue. Quem requebra tem jogo de cintura, tem molejo e malícia. Quem dança sabe onde colocar os pés e onde pôr as mãos…

mais sarney… mais sarney!!!

Sarney é como Michael Jackson: está em toda a parte!

No Maranhão, ainda mais…

– Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
– Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;
– Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
– Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;
– Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize  as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no  interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13  repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;
– Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);
– Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.

Fora do Maranhão

– Para dançar, o Funk do Sarney:

intercom e redes sociais

O Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação acontece em setembro em Curitiba.
Se você quer saber mais do Intercom 2009, os organizadores locais criaram até uma rede social no ning. Confira em http://www.intercom2009.ning.com

me pegaram de surpresa. esses alunos…

O João Guimarães Rosa, que é um cara que a gente devia ler muito mais, escreveu lá pelo meio do Grande Sertão: Veredas que “professor é quem de repente aprende”. E é. Para além dos convencionais clichês que a gente destila nas salas de aula, se o professor prestar bastante a atenção vai aprender todo dia alguma coisa…

Tenho me esforçado nos últimos dez anos a aprender e a dar algumas aulas. Tenho aprendido muito. Verdade…

Em dez anos de docência no ensino superior, tive diversos desafios, mas nenhum deles se comparou a um que precisei enfrentar este semestre. Não é nenhuma inconfidência o que irei contar, já que o jogo sempre foi muito aberto. Mas o fato é que peguei uma turma mista de alunos de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda para uma disciplina estreante: Temas Contemporâneos – Redes Sociais. O desafio estava tanto no trato com os alunos, na quantidade de sujeitos envolvidos (quase 50!), e na complexidade do tema, em constante mutação…

É preciso dizer que nada foi fácil nesses meses. Em muitos momentos, senti que não conseguia envolver completamente a turma, que muitos sequer reagiram, que não compreendiam a relevância dos conteúdos e práticas para seus futuros profissionais. Tivemos momentos tensos, delicados, quase que desagradáveis. Pela primeira vez na vida, tive que me aconselhar com as coordenadoras dos cursos, com a orientadora pedagógica. Era muita angústia a minha, de tentar convencê-los, chacoalhá-los, envolvê-los.

Mas a vida ensina, e os alunos também.

Não se tratava de uma conversão, mas de um convite à compreensão, de um encontro. A partir dali, o ritmo foi outro, o fluxo seguiu, e fui levado… No final do semestre, verdadeiramente, vi que os alunos haviam criado blogs e comunidades no Orkut, com empenho, lançando mão dos recursos tecnológicos e dos conceitos com os quais trabalhamos. Fiquei satisfeito com a conclusão do semestre, com o trajeto percorrido, com os companheiros de jornada. Fiquei de bem, de novo.

Pensei que tinha terminado assim, num happy end. Que nada!

Hoje, recebo email com um link. Lá, descubro que os alunos de Redes Sociais criaram um blog para se despedirem de mim. Estou em processo de transferência para uma outra instituição e ando afivelando as malas por aqui. Claro que me emocionei com o gesto, com as palavras, com tudo. A demonstração de apreço, o reconhecimento de quem realmente interessa – os alunos, oras! -, tudo isso me fez molhar esse teclado. Sinto-me envaidecido, privilegiado, mimado… tocado. Pensei que poderia me sentir realizado ao avaliar o resultado da disciplina no semestre, e ver que de alguma maneira contribui. Estava errado. Aprendi de novo. A sala de aula não tem mais paredes. E eu aprendo mais e mais…

sarney, alencar, lula e o brasil

Não sou analista político, claro. Mas vou palpitar. Aliás, sobre esse assunto eu até demorei pra falar…

Imagine que Lula esteja viajando a trabalho e que, no seu lugar, assuma o vice, José Alencar. Imagine ainda que Alencar adoeça, já que é um homem que luta contra tumores há pelo menos doze anos. Imagine ainda que Alencar não tenha mais condições de retomar o exercício do cargo… quem assume o país é o presidente da Câmara, Michel Temer. E logo em seguida, na linha sucessória, vem quem? Ele mesmo, o presidente do Senado, José Sarney, tão badalado nos últimos tempos.

Como Sarney é desses homens bafejados pela sorte, quem sabe – num jogo de dados do destino -, mesmo ele sendo quase linchado politicamente não se torna novamente presidente do país?

Em 1984, ele era presidente do PDS, o partido da situação, o partido dos presidentes militares do regime de 1964. No mesmo ano, farejando que o barco estava furado, deixou a legenda e junto com outros nomes da política fundou a Frente Liberal, que mais tarde se tornaria o PFL. A Frente coligou com o PMDB de Tancredo Neves, e Sarney virou o vice do político mineiro na disputa indireta pela presidência. Tancredo venceu, mas adoeceu e nem chegou a tomar posse em 1985. Quem assumiu? Ele mesmo, o hoje presidente do Senado, José Sarney, tão badalado nos últimos tempos…

michael jackson em todo lugar

Não acompanhei os funerais de Michael Jackson. Os muitos compromissos de final de semestre simplesmente impediram. Mais sortuda que eu, minha esposa – que já está praticamente de férias – zapeou pela TV hoje à tarde e ficou impressionada com a onipresença do rei do pop.

Segunda ela, ao menos doze emissoras transmitiam o tributo ao vivo: RTP, Globo, Band, Record, Record News, CNN, CNN espanhol, E!, MTV, MTV Brasil, CBS e BandNews. Falta de pauta, exagero midiático, circo sinistro, tudo isso e mais a gigantesca figura pública que o artista construiu durante a carreira.

Quando o papa João Paulo II morreu, o anúncio de sua morte foi considerada a notícia mais dada do mundo. O episódio foi desbancado pela vitória de Barack Obama nas eleições norte-americanas, em menções na mídia. Com o passamento de Michael Jackson, sem apelos religiosos ou políticos, isso deve mudar. Alguém aí duvida que o acontecimento possa ser o fato mais noticiado da história? A conferir…

quando miles encontra michael

Porque ainda esta semana ouviremos muito falar de Michael Jackson, começo a semana com um encontro inusitado, emocionante e intenso: Miles Davis toca a “natureza humana” do rei do pop…

educação brasileira, um diagnóstico

Mario Sergio CortellaUma das entrevistas mais lúcidas que li nas últimas semanas está na edição de junho da revista Fórum. O filósofo Mario Sergio Cortella faz uma análise ponderada, aprofundada e certeira da evolução da educação no Brasil. Sua leitura mescla política, projeto econômico, história e realinhamento de forças na sociedade.
Cortella cita Darcy Ribeiro para quem a educação nacional não vive crise, mas realiza um projeto.

Destaco um trecho:

“A ditadura agudizou a crise da educação no Brasil? Sem dúvida, mas não por ser uma ditadura em si, mas porque fez um projeto capitalista com as elites. Juntar elite predatória, classe política canalha e classes médias acovardadas é uma receita muito boa para se criar uma condição econômica privilegiada e uma da educação que é de miserabilidade”.

Na entrevista, Cortella não se faz de rogado e dá nome aos bois quando avalia as políticas educacionais brasileira e paulistana dos últimos 15 anos. Com elegância e erudição características, o filósofo convida a pensar sobre os papéis da escola e da família, sobre a derrocada da função do professor e sobre a necessidade de fazer da educação um projeto prioritário de nação. Imperdível!!

A revista Fórum é dirigida pelo competente e insistente Renato Rovai.

37 – 5

No mês passado, completei 37 anos. Junho foi um tempo intenso, recheado de excelentes e péssimas notícias, do aconchego de amigos, de trabalho doentio, dos dias que escaparam pelos dedos. Trinta e sete é uma idade esquisitona. Não é bíblica como o 33, capciosa como o 24, nem emblemática como o 40. Não sou mais adolescente faz tempo, mas também não entrei na meia idade. Na verdade, é bem gostoso estar na faixa dos 30 e poucos. Você já não é aquele vulcão sem controle, não carrega tantos pesos desnecessários, tem mais jogo de cintura para os problemas, menos paciência para alguns assuntos e mais tolerância para outros.

No meu caso, a lataria está um pouco mais arranhada do que eu gostaria. A tapeçaria já não é aquela Brastemp, e tem os pneus também… Mas a parte elétrica – a da faísca – e o motor estão bonzinhos. Um vendedor de concessionária diria que é um semi-novo meio maltratatado. Eu concordaria, e pediria desconto pra levar a carcaça pra minha garagem.

Mas se o chassis se sustenta e se o automóvel tem história, conhece as estradas, vale a viagem.

A minha vem valendo muito. Meus 37 anos me deixam muito confortável, sabe? Minha mente é bastante jovial, e cuidar do corpo é por minha conta e risco. A preguiça ou a desculpa da falta de tempo me acomodam na fila daqueles que saqueiam a geladeira nas madrugadas, daqueles que praticam halterocopismo e arremesso de camarão à boca, daqueles que gostariam de puxar o freio de mão da vida, pra que ela seguisse numa marcha bem mais maneira…

Aos 37, me sinto verdadeiramente afortunado pelos meus amigos, pelos parentes que me amam – não são todos, é verdade, e é compreensível -, pela profissão que escolhi, pelo lar que venho construindo, pela vida que venho desenhando no espaço desta existência. Tem sido muito bom, embora eu já imagine que esteja chegando à metade da jornada. Bem, que venha a melhor parte agora…

***

Junho também celebrou os cinco anos de meu filho. Para o leitor que não tem filhos, isso parece apenas uma efeméride vazia, sem graça. Para os que ajudam a povoar o mundo, ah!, esses sabem o que são cinco anos de filiação. Ser pai, ser mãe – ao menos para mim – é exercer o papel de repetir os clichês, os lugares comuns que condenávamos em nossos pais. Dois carimbos fáceis:

“Nossa! Parece que foi ontem!”

“É uma bênção ter filhos, um presente!”

Eu diria mais: ele é a minha evolução, a versão beta mais bem acabada, um reloaded que funciona muito mais rápido e melhor. Seus chips são melhores; suas habilidades mais acionáveis; sua graça e inteligência, mais tangíveis. É muito bom ficar assistindo ao espetáculo da continuação, da geração, da vida em gerúndio. É muito bom perceber o desenvolvimento daquelas cabecinhas, o refinamento gradativo dos modos e comportamentos, o aflorar da consciência dos atos, a manifestação da sinceridade e da personalidade. Viver é maravilhoso; assistir à vida também é muito bom.

Dá um certo desalento cair na real. Ele tem apenas cinco anos. E muito do que você fez com ele, muito do que fez para ele sequer será lembrado. É duro, eu sei. Mas pense: o que você se lembra dos três anos? E dos quatro? Nossas lembranças mais longínquas parecem gravitar em torno dos cinco ou seis anos. E aí, você que é pai, você que é mãe fica pensando: “Putz! Tudo o que fiz se perdeu, se esvaiu?” Sim, talvez sim. Mas eu gosto de ver por outro lado: Foi um prazer participar disso tudo, sabia?

***

Estou aos 37. Ele está aos 5. Ainda vai descobrir esquinas mal iluminadas da vida. Ainda vai se deparar com as dificuldades de se colocar no mundo. Ainda vai conhecer as pessoas de que não quererá esquecer, que vai ansiar em carregar consigo. Foi assim comigo. Tem sido assim desde que o mundo é mundo. Será com ele. E que bom, não é verdade? O disco da vida gira igualzinho sempre, mas cada faixa toca de uma forma…

fim dos diplomas: a moda pegou!

Deu no Consultor Jurídico:

Requião questiona diploma para oficial de Justiça

Depois de decidir que jornalistas não precisam ter diploma para exercer a profissão, será a vez do Supremo Tribunal Federal resolver se oficiais de Justiça precisam de um curso superior para exercer o ofício. Roberto Requião, governador do Paraná, entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade, no STF, contra a Resolução 48/07 do Conselho Nacional de Justiça. A regra estabelece que os Tribunais de Justiça exijam diploma de curso superior para oficial de Justiça. Para Requião, a Resolução é uma afronta à autonomia e isonomia do poder Judiciário dos estados-membros.

Segundo ele, a determinação “produziria uma subordinação absoluta dos tribunais ao CNJ, violando a autonomia administrativo-orçamentária e mesmo de iniciativa legiferante do Judiciário local”. O governador afirma que seria questionável a competência do CNJ para proibir a nomeação, por meio de concurso público, de oficiais de Justiça que não possuam curso superior.

De acordo com Roberto Requião, “apenas a lei em sentido formal – ato editado pelo poder Legislativo, de iniciativa do poder Judiciário – poderia tratar da matéria”. Nesse sentido, o governador lembra que no Paraná existe a Lei estadual nº 16.023/08, que prevê o ensino médio como suficiente para o exercício da função de oficial de Justiça.

A elevação do requisito mínimo para o cargo, alerta Requião, ocasionaria um acréscimo significativo das despesas orçamentárias no Poder Judiciário do Paraná, “inviável na atualidade, pois inexistem recursos financeiros para suprir essa demanda”.

(Por falar no assunto, o blog Azesquerda publica um contundente artigo do constitucionalista João dos Passos Martins Neto sobre o fim do diploma de jornalismo)

literatura e redes sociais

A literatura é mesmo um rio. Não dá pra aprisionar. Você estanca, ela busca formas de se desviar dos entraves. Você tenta deter as águas, mas ela contorna, se espessa, rompe e se espalha.

Esta semana, vi que dois dos caras mais conectados que conheço estão fazendo vazar suas prosas pelas redes sociais. Fernando Arteche começou a publicar trechos de um “suposto livro” na forma de posts em seu blog, Os trabalhos e os dias. André Lemos anunciou que vai adaptar um livro inacabado –  chamado “Reviravolta” – para o twitter. Ele mesmo conta: “História de viagem, na e fora da rede. Posts todo sábado, com o marcador &. Para seguir é so apontar para http://twitter.com/andrelemos

A literatura é mesmo um rio…

michael jackson e eu

25 de junho de 2009. 17h40. “Meu! O Michael Jackson morreu! Não, não. Sofreu um ataque… é, um ataque! Tá aqui no Twitter”. Meu aluno Joel Minusculi suspende o ar no laboratório da universidade. As pessoas se olham, não acreditam, a gente chega a soltar piadinhas, pensando ser mais um hoax da internet.

1982. Num bairro da periferia de Rio Claro, interior de São Paulo, peço pra vizinha para que deixe ver a capa do disco que ela ouve sem parar a todo o volume. Charmosamente, Michael Jackson repousa num conjunto branco, sobre um fundo escuro. Peguei o LP nas mãos e pedi emprestado.

25 de junho de 2009. 18 horas. Os sites noticiosos começam a confirmar a notícia da morte do artista. As redes sociais já convulsionam. “Não acredito! Não acredito”, é o que mais ouço.

1982. Toco “Thriller” sem parar em casa, o telhado quase dança. Eu e meus três irmãos fazemos a farra na ausência dos pais, no trabalho.

1983. No bairro pobre, a moda pega. Quem tem o disco, empresta para que o vizinho faça cópias em fitas cassete. Na escola, no festival de talentos improvisado, começamos a imitar as danças do cara. Juntamos dinheiro para comprar jaquetas vermelhas, como a usada no clipe de “Thriller”. Não evitamos mais usar meias brancas com sapatos e calças escuras. Se ele pode, podemos tambem. Meninos brancos como eu passam a desejar ter mais melanina e mais balanço.

25 de junho de 2009. 19h20. Disciplina de Redes Sociais na Internet. Anuncio na sala de aula a morte de Michael Jackson e a rapidez do twitter, os vídeos mais vistos no YouTube, e os fóruns fervilhantes no orkut. Os alunos têm em média 18 anos. Conheceram a fase menos glamourosa do artista, mas não conseguem disfarçar a consternação, o espanto, a sensação de perda.

1984. Não existe internet. Não existe MTV no Brasil. Os clipes são exibidos em programas da TV aberta, e em ocasiões especiais até mesmo no Fantástico. Quase ninguém tem videocassete no bairro da periferia. Ficamos na expectativa de quando os clipes são exibidos… e quando isso acontece, paramos com tudo para estudar os movimentos do dançarino que parece ter asas nos pés.

1999. Michael Jackson já parece não me importar mais. Tenho outros ídolos. Suas excentricidades, os boatos, os escândalos alimentam uma cadeia imensa de piadas, de gracejos, de lendas. Sim, o artista que mudou a nossa forma de dançar, de cantar, de pensar e viver o pop se torna uma caricatura.

1985. “We are the world” é a música mais executada. Os meninos e as meninas do bairro pobre passam a cantar o hit. Foi a primeira letra de música em inglês que aprendi. As professoras chegaram a distribuir cópias nas aulas, falando de  geopolítica, de união dos países, etc…

1985. Meninos e meninas dançam juntos os sucessos do artista. Imitamos seus passos. Cantamos num inglês inventado. Improvisamos performances na quadra arrebentada da escola. Fingimos ser zumbis coreografados. Esquecemos de tudo e entendemos que se pode ser feliz ao menos na duração de uma canção.

2000. Michael Jackson é um artista recluso, esquisito, atolado em dívidas. É o rei do pop, mas quem venceu a batalha foi Madonna, que soube se inventar, prosperar, impor estilos e modismos. Prince nem é visto pelo retrovisor. Mas quem é rei não perde a majestade.

25 de junho de 2009. 23h40. Minha esposa se espanta com o turbilhão nos sites de relacionamento, as comunidades em luto se espalham numa velocidade impressionante. Ligo para um dos meus irmãos – aquele com quem “ensaiava” os passos -, e ele parecia muito abatido.

26 de junho de 2009. 00h25. Estou num maratona pela TV, zapeando entre clipes, homenagens, noticiários. “A gente parece só dar valor ao que a gente perde”, diz a mulher ao meu lado. Concordo com ela. Michael Jackson já não era o meu artista predileto, era mais um bom motivo de piadinhas, de trocadilhos, de gracejos. Mas não posso ignorar que ontem – com ele – se esvaiu uma parte importante da minha adolescência, do meu passado. Por causa do artista, um dia, os meninos perderam a vergonha e dançaram. Por causa dele, meninos e meninas quiseram aprender a cantar, quiseram aprender inglês, pensaram em ser artistas, em sair do bairro pobre, em buscar uma outra vida. Se alguém conseguiu? Sei lá, não importa. Mas o artista trouxe o sonho, a possibilidade, a expectativa. Tudo num ritmo contagiante, feliz, arrasador.

Por isso, é triste a notícia. Como foi pouco feliz a vida pessoal do astro. Fica a música, ficam os passos, o relevo da sua figura. Fica a lenda.

produção em mídias digitais: uma especialização

Exu Caveira Cover avisa que estão abertas as inscrições para o curso de especialização Produção em Mídias Digitais, que acontece na PUC-Minas de agosto de 2009 a junho de 2010.

Confira aqui!