marco civil corre risco; ainda!

A novela não terminou.

Embora tenha sido aprovado na Câmara Federal o projeto de lei que significa uma espécie de constituição da internet no Brasil, a regra ainda não virou lei. No Senado, o projeto emperrou novamente. Mais uma vez, o PMDB trava a roda da história! (sim, você já leu algo parecido)

O relator da matéria na câmara alta, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), está fazendo doce. “Não creio que a melhor alternativa seja essa urgência urgentíssima que querem nos impor para aprovar este projeto. Acho que o Senado tem todo direito de analisar detalhadamente o projeto para que ele, que já é bom, receba aprimoramento. Da minha parte, vou devagar com o andor, que o santo é de barro”, disse hoje aos repórteres do UOL. Segundo o relator da matéria, o Senado precisa ter tempo para analisar o assunto. Tempo?! Claro, afinal, tudo foi corrido até agora…

> O projeto de lei está tramitando há dois anos!

> O projeto passou por todas as comissões técnicas esperadas!

> A Câmara Federal abriu – pelo seu sistema eletrônico – uma consulta pública que permitiu que qualquer cidadão brasileiro sugerisse ou comentasse o projeto!

> Um relator se cercou de um punhado de experts na área para sistematizar as sugestões de forma a dar nova redação ao projeto!

> O plenário da Câmara adiou por oito (OI-TO!) vezes a votação, já que havia tensão entre deputados, empresas de telefonia e de informática, lobbies diversos e chantagem dos partidos aliados para aprovar o texto!

> Enquanto isso, vieram à tona informações de que a NSA (e vai saber mais quem?!) andou espionando a Petrobras, a presidente da República, ministros, tudo pela internet…!

> Dezenas de emendas foram propostas, e o relator costurou muitas delas no texto final do projeto. Negociações diversas aconteceram. O governo cedeu. As telecoms perderam em outros trechos, enfim, a Câmara aprovou o projeto em votação simbólica!

Pelo rito, a matéria seguiu para o Senado, e agora – mais uma vez! – o PMDB senta em cima do projeto. A presidente tem pressa. Vai ser a anfitriã do mais importante evento global que discute governança na internet – a NetMundial – e quer sinalizar ao mundo que o país pode sair na frente com uma regulamentação no setor que privilegie a privacidade, a neutralidade na rede e os direitos autorais. O evento acontece em São Paulo daqui a 13 dias… Para que os planos de Dilma dessem certo, em menos de duas semanas, o Senado deveria relatar e aprovar o projeto, sem mudanças. Se houver mudanças, a matéria voltaria para a Câmara, e aí, a presidente perderia essa vitrine global…

Para além da exibição pública, o que está em jogo é um marco regulatório para usuários, empresas e diversos grupos interessados, inclusive o Estado. Direitos precisam ser mantidos. Deveres devem ser imputados aos operadores do sistema. Responsabilidades precisam ser compartilhadas. A história reserva momentos importantes em que alguns valores devem prevalecer, acima das vaidades pessoais, das ambições políticas, das sacanagens partidárias, dos achaques.

O senador Luiz Henrique pretende ficar conhecido nacionalmente como aquele que enterrou o Marco Civil da Internet? O PMDB quer pagar a fatura de partido chantagista e que se equilibra em manobras regimentais para aumentar seu valor na república? O governo Dilma não vai se mexer? Os internautas vão assistir a tudo passivamente? A conferir…

ATUALIZAÇÃO de 14/abril/2014, às 16h40:  O jornalista Upiara Boschi informa no blog de Moacir Pereira que o senador Luiz Henrique agendou audiência públicas para discutir o tema. Veja aqui.

aprovaram o marco civil da internet!

Close-up-of-explosion-of-champagne-bottle-cork2Depois de dois anos de discussão, de quase de uma dezena de adiamentos de votação pelos parlamentares, de denúncias de espionagem internacional de governos e empresas, de chantagem do PMDB e de trancamento da pauta, o Congresso Nacional fi-nal-men-te aprovou o texto do Marco Civil da Internet, um documento histórico para as relações de usuários, organizações e infra-estrutura tecnológica.

O texto agora vai para o Senado e, se não sofrer modificações, segue para a sanção presidencial. Depois, vira lei com a publicação no Diário Oficial da União.

Se tudo correr como o esperado, Dilma Rousseff terá nas mãos um belo trunfo para apresentar na Conferência Global sobre Governança da Internet, que o Brasil sedia em abril.

Detalhe da aprovação do Marco Civil: a votação foi simbólica e apenas o PPS não quis votar o texto. Arranjou uma desculpa qualquer para não ter que votar com o governo, a quem não se cansa de espancar verbalmente.

Vou te contar, viu!…

o golpe de 64 e a folha

Screenshot 2014-03-23 12.00.59A Folha de S. Paulo publicou em sua versão online uma extensa reportagem multimídia sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964. O trabalho é exaustivo, aprofundado, abrangente e fartamente ilustrado. Assinado por Ricardo Balthazar, Lucas Ferraz, Érica Fraga, Bernardo Mello Franco, Fabiano Maisonnave e Ricardo Mendonça,  “Tudo sobre a Ditadura Militar” é um bom documento, mas obviamente não traz TUDO, como indica o título. Claro que se trata de um rótulo típico do jornal que, de forma recorrente, exagera na sua auto-importância. Tudo bem, tudo bem…

O material merece e deve ser conferido.

Senti falta de três coisas:

1. Depoimentos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, cujas trajetórias estão ligadas ao episódio.

2. Mais depoimentos de militares envolvidos. Alguém pode argumentar que muitos já morreram, e é verdade, mas outros tantos estão vivinhos da silva e precisavam ser ouvidos. Os depoimentos do tenente-coronel da reserva Lício Maciel, por exemplo, são contundentes na reportagem, mostrando o “outro lado”…

3. Uma explicação melhor sobre uma eventual participação da própria Folha de S.Paulo na sustentação e apoio às ações dos golpistas. Veja o trecho pinçado abaixo:

Screenshot 2014-03-23 11.59.56

Notem que o texto, em determinado momento, deixa de fazer uma narrativa do passado obscuro para fazer propaganda de um episódio mais interessante ou menos vergonhoso, como se o jornal quisesse justificar suas ações pretéritas. Curioso é notar que o sociólogo Marcelo Ridenti, na própria reportagem da Folha, explica que os participantes de esquerda e de direita usam as mesmas estratégias discursivas para legitimar suas ações, mistificando o passado…

Diante do trabalhão que tiveram os repórteres para fazer tal esforço de investigação jornalística, custa muito tentar trazer à tona as respostas às acusações de cessão de veículos do jornal aos agentes da repressão? É difícil tentar olhar para as próprias vísceras? Claro que sim.

Entretanto, seria um momento mais do que oportuno para esclarecer o leitor e a sociedade. Ora, se até as Organizações Globo admitiram ter sido um erro o apoio ao golpe

querem acabar com a sua internet

O Marco Civil da Internet é uma dessas novelas típicas do proselitismo e dos instintos mais baixos da política nacional. O projeto de lei pretende estabelecer regras gerais e essenciais para um setor muito pouco regulamentado no país. O documento foi amplamente discutido por meses e chegou a receber emendas e sugestões de cidadãos em consultas públicas. Teve um relator comprometido, paciente e incansável. Mas vem tropeçando desde 2012 nas pressões que as empresas de tecnologia e telefonia fazem sobre os parlamentares.

Isso se explica porque elas podem perder mercado ou mesmo poder de influência. Também se explica porque elas devem – caso o projeto seja aprovado conforme o texto original – ter obrigações adicionais com os dados dos usuários, por exemplo.

Para se ter uma ideia, o impasse é tão grande que a matéria teve sua votação adiada oito vezes.

Depois que vazaram as informações de que Dilma Rousseff fora espionada pela ANS, que seus ministros têm seus celulares monitorados pelo governo norte-americano e que eles vêm bisbilhotando a maior empresa do país – a Petrobras -, o governo rangeu os dentes. Colocou como uma prioridade aprovar o Marco Civil, como um sinal claro de que o Brasil se preocupa com direitos autorais, privacidade e neutralidade de rede, para citar aspectos mais evidentes do caso.

Dilma colocou sua tropa de choque para trabalhar, e o projeto foi colocado em regime de urgência para votação. Na prática, essa condição obriga o Congresso Nacional a analisar o projeto de lei, pois se não o fizer, não poderá votar outros da fila.

Não adiantou. Um deputado do PMDB – o maior partido aliado de Dilma no governo!!! – se amotinou e conseguiu atrair a atenção de outros parlamentares descontentes. A rebelião ganhou o nome de Blocão e, no momento, usa de chantagem para conseguir aprovar emendas parlamentares, indicação de cargos e outras migalhas. Como bem escreveu o jornalista e pesquisador Marcelo Träsel, a mesquinharia do PMDB pode derrubar a neutralidade da rede.

Vou além: se o governo ceder aos chantagistas e abrir as pernas para as grandes corporações da tecnologia e telefonia, vai acabar com a internet da forma que estamos acostumados. O que temos hoje é uma rede aberta, que não prioriza quem paga mais e que incentiva a criatividade. Tudo isso pode acabar de uma hora para outra. A culpa, você já sabe: vai ser do PMDB. Vai ser do governo. Vai ser dos demais aliados que votarem contra o projeto original. Vai ser dos demais parlamentares que sepultarem o Marco Civil.

Estamos numa encruzilhada sim: o Brasil pode se tornar um pioneiro importante na discussão dos direitos dos usuários na internet ou se juntar aos países que controlam conteúdos de email, que confiscam dados, que vasculham informações pessoais, que traficam conteúdos, que derrubam o sinal de internet, que intercepta comunicações…

Qual internet você quer? 

o objethos voltou

O projeto Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) está retornando do recesso de final de ano. Atualizado semanalmente com comentários, artigos e materiais didáticos, o site volta à carga com um artigo meu sobre a “Pesquisa Brasileira de Mídia”, elaborada pelo Ibope/Inteligência e encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O estudo apresenta um detalhado retrato dos hábitos de consumo de mídia pela população nacional. Você pode ler meu artigo na íntegra aqui.

nsa para desavisados

Já que estamos sendo monitorados pela NSA, não custa nada saber um pouco mais sobre ela:

1. Claro que você já ouviu falar de CIA e FBI. A NSA pode ser uma novidade para muitos de nós, mas pasme: os EUA têm dezesseis (isso mesmo!), dezesseis agências de inteligência governamentais.

2. A NSA não é nova. Ela surgiu em 1952, o que significa dizer que a agência existe há mais de 60 anos…

3. O objetivo inicial da NSA era investigar fora dos EUA, filtrando informações de outros países que colocassem em risco a segurança norte-americana. As revelações de Edward Snowden mostraram que a agência também atuava internamente, bisbilhotando cidadãos estadunidenses.

4. Aliás, estima-se que 80% das comunicações que passem pelos EUA sejam filtradas pela NSA por meio de seus modernos recursos.

5. A NSA não trabalha sozinha. Ela conta com a colaboração – em diferentes graus de envolvimento e dedicação – de empresas de tecnologia e telecomunicações. Quem? Ora, Facebook, Google, Microsoft, Apple, Vodafone, Verizon, entre outras…

6. O Prism é apenas um dos softwares usados pela NSA para espionar pessoas, governos e empresas, Na verdade, ela dispõe de diversos sistemas para colher, filtrar, agregar e compreender dados.

7. A agência também tem altos investimentos e esforços para a quebra de criptografia, para o uso de alçapões em softwares, para a exploração de falhas deliberadas em máquinas e sistemas para extração de dados, e para a coleta de dados diretamente em cabos submarinos…

8. Na maioria das vezes, não importa muito o conteúdo das mensagens interceptadas, mas sim os dados de geolocalização. Com isso, a NSA consegue “ver” onde você está, por onde passa, com quem estabelece relações, etc…

9. Os dados não são tratados manualmente; há sistemas que comportam grandes quantidades de informação, que são sistematizados e convertidos em unidades compreensíveis.

10. Se você pensa que a NSA fica num sótão, num porão escondido, secreta, esqueça! Ela fica em imensos prédios, cercados por gigantescos estacionamentos. Confira aqui.

revista chama textos sobre ditadura

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia anuncia a chamada de artigos para suas edições de 2014:

V. 11 nº 1 – janeiro a junho de 2014
Eixo Temático: 50 anos do Golpe Militar de 64

Em 31 de março de 2014, completa-se meio século do movimento que instaurou uma ditadura militar no Brasil. A revista Estudos em Jornalismo e Mídia aproveita a efeméride para incentivar a análise, a reflexão e o debate sobre esse marco histórico e suas relações com a sociedade e a mídia. São esperados artigos que relatem pesquisas sobre o tema, bem como textos de aporte teórico. Subtemas de interesse: jornalismo e repressão; censura e liberdade de expressão no contexto da ditadura e da democracia; tensões sociais e coberturas jornalísticas; propaganda política, do Estado e de mercado; militarismo e ativismo civil nos meios de comunicação; poderes e contrapoderes; revolução, golpe e contra-revolução; contextos, cenários e personagens, entre outros.

Também serão aceitos artigos com outros temas, mas serão priorizados para análise os que se enquadrarem no eixo temático da edição.

Deadline: 20 de março de 2014

V. 11 nº 2 – julho a dezembro de 2014
Eixo Temático: Esporte e Mídia

Num curto intervalo de quatro anos, o Brasil vai sediar três importantes competições globais: a Copa das Confederações (2013), o Mundial de Seleções da Fifa (2014) e os Jogos Olímpicos (2016). A revista Estudos em Jornalismo e Mídia incentiva autores e pesquisadores a refletir sobre as relações e sentidos entre esportes e meios de comunicação. São aguardados artigos que relatem pesquisas sobre o tema, assim como textos teóricos. Subtemas de interesse: Coberturas de grandes eventos esportivos; problemas e desafios das coberturas cotidianas; política e esporte; políticas do esporte; jornalismo esportivo; grupos de pressão, relações de interesse, disputa política e atividade esportiva; gastos públicos, legado estrutural, acompanhamento cidadão e transparência, entre outros.

Também serão aceitos artigos com outros temas, mas serão priorizados para análise os que se enquadrarem no eixo temático da edição.

Deadline: 20 de setembro de 2014

Mais informações sobre como submeter artigos, aqui.

os protestos nos jornais

Dê uma olhada na vitrine e guarde essas primeiras páginas…

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a internet do mundo e a máquina de moer carne dos eua

Responda rápido: o que há de comum entre Aaron Swartz, Bradley Manning, Julian Assange e Edward Snowden?

Muitas coisas ligam esses nomes, a começar pelo fato de que usam a internet para revelar informações e fatos que muitos tentam ocultar. Mas não só isso. Nenhum deles tem mais de 45 anos, e todos pertencem a gerações diretamente afetadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Todos desafiaram agências de inteligência e o governo norte-americano trazendo à luz iniciativas mesquinhas, neuróticas e moralmente questionáveis.

Bradley Manning é o ex-oficial acusado de ter vazado centenas de milhares de dados sigilosos dos Estados Unidos e que municiaram o WikiLeaks no maior escândalo da história da diplomacia mundial. Foi caçado, preso e está sendo julgado por diversos “crimes”, entre os quais “traição”. Ele tem 25 anos e exibiu uma face simplesmente abjeta do Império. Pode pegar prisão perpétua.

Por falar em WikiLeaks, seu líder, o australiano Julian Assange, também encarou o Monstro. Foi perseguido por norte-americanos, suecos e ingleses e ficou detido em prisão domiciliar. Para além dos vazamentos que constrangeram diplomatas e poderosos, mostrou como helicópteros Apache metralharam civis e jornalistas em suas ações “táticas”. Refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres. Precisa viver clandestino para sobreviver. Nada nem ninguém podem garantir isso.

Aaron Swartz era um prodígio da web e tinha colaborado diretamente com algumas das soluções mais inteligentes e solidárias para compartilhamento de informação e conhecimento. Foi perseguido pela justiça norte-americana por ter “roubado” milhões de artigos científicos em bases de dados por assinatura. Detalhe: a maioria das pesquisas relatadas naqueles artigos havia sido financiada por recursos públicos, mas mesmo assim as tentaculares empresas do ramo cobram pelo acesso a esses textos, e os seus autores nada ganham com isso… Aaron foi perseguido, preso, acusado por diversos “crimes” e ameaçado a pegar 35 anos de prisão mais multa milionária. Tinha 26 anos e não suportou a pressão, e se suicidou em janeiro deste ano.

Edward Snowden é a bola da vez. O ex-assistente técnico da CIA denunciou os sistemas de vigilância interna dos Estados Unidos a telefones e emails. Jogou um facho de luz sobre o rosto do Big Brother. Republicanos e democratas se alternam nas condenações ao ato antipatriótico do rapaz, que precisou sumir. Nada nem ninguém pode garantir sua integridade física diante da caçada que se anuncia.

As campanhas difamatórias aos quatro sujeitos acima aconteceram nos últimos cinco anos. As perseguições não foram perpretadas por George W.Bush ou Ronald Reagan, mas por Barack Obama, o democrata, sedutor, liberal e popular presidente da era das redes sociais. A instauração do terror virtual, a truculência e o abuso de poder vêm de um governo supostamente mais conciliador que o isolacionista anterior. Vem de um presidente jovem, com uma biografia admirável, que já ganhou o Nobel da Paz e que sinalizava uma transformação real no panorama das relações globais.

Não, isso não é um filme de ficção. A neutralidade da rede está em perigo, a internet como arena global corre riscos reais, e os usuários do sistema estão sendo monitorados, quando não criminalizados, oprimidos e eliminados. A inocência é uma palavra amarelada no dicionário, mas a política é um instrumento movido a ideias, palavras e ações. A política se faz nas ruas e diante dos teclados. Como a ética, a lei e a guerra, a política é uma invenção humana para buscar o equilíbrio. Arregace as mangas, então!

jornalismo e qualidade na formação, um evento

Convite Debate Diploma

cada uma que aparece…

Deu entrada ontem na Câmara de Vereadores de Itajaí um projeto de lei que ilustra o despreparo e o desconhecimento dos vereadores sobre o funcionamento da imprensa e da própria sociedade. O proponente, Douglas Cristino (PSD), quer agora que a imprensa local seja obrigada a informar, em matérias de crime, a naturalidade dos suspeitos e acusados.

Isso mesmo!

O vereador acha que jornalistas que cobrem a polícia têm acesso a todas as informações…

O vereador acha que essa informação é mesmo relevante…

O vereador acha que pode decidir sobre o que a imprensa deve informar…

O vereador acha que, com a medida, vai provar que os criminosos na cidade são de fora…

O vereador acha que a atitude criminosa esteja ligada à origem do autor de um delito…

O vereador acha que, provando que os criminosos são forasteiros, ele estará fazendo o seu trabalho como parlamentar municipal…

O vereador acha que sua proposta é constitucional, necessária e importante… Nada disso.

urano fora da maratona

O espetáculo Urano Quer Mudar, montagem do Círculo Artístico Teodora, também está fora da 3ª Maratona Cultural de Florianópolis! A decisão do grupo segue a direção de outros artistas locais em protesto à censura do governo do Estado à peça Kassandra. Parte da classe teatral está em pé de guerra com a organização da Maratona e com o governador Raimundo Colombo, que teria vetado a realização do espetáculo numa famosa casa noturna…

(Se você não sabe do rolo, atualize-se aqui, aqui, aqui e aqui.)

Embora Urano esteja fora da Maratona, as sessões de sábado (23) e domingo (24) ESTÃO GARANTIDAS E VÃO ACONTECER!

Leia aqui a nota do Teodora sobre a desistência do evento:

O Círculo Artístico Teodora vem a público declarar com perplexidade e consternação que se retira da 3ª Maratona Cultural de Florianópolis em que estrearia o espetáculo “Urano quer mudar”, em repúdio: – à interferência do Governo do Estado ao espetáculo Kassandra; – às irregularidades denunciadas pela FECATE e pelo Fórum Setorial Permanente de Artes Cênicas de Florianópolis; – à cláusula contratual que reza: “não fazer manifestações que difundam preconceitos, difamação, calúnias contra qualquer pessoa física ou jurídica, assim como não fazer manifestações que atinjam a honra e/ou moral da contratante e apoiadores, especialmente durante a apresentação do espetáculo contratado.” Como integrantes ativos do Círculo Artístico Teodora, nós, Margarida Baird, José Ronaldo Faleira, Claudia Venturi e Maria Brígida de Miranda, cuja juventude foi passada sob o jugo da ditadura militar, recusamos, na maturidade, vivendo em um pretenso estado de direito, a aceitar censura à liberdade de expressão, que a referida cláusula põe em relevo. Como NÃO queremos que o público deixe de ver o produto de nosso trabalho, apresentaremos “Urano quer mudar” em nossa sala no Campeche, gratuitamente, sem o respaldo financeiro da 3ª Maratona Cultural de Florianópolis, como ensaio aberto. Atenciosamente, Círculo Artístico Teodora.

Repetindo: as sessões de Urano Quer Mudar acontecerão normalmente nos dias 23 e 24 de março. Para assegurar o seu ingresso gratuito, mande email com Nome e dia escolhido para uranoquermudar@gmail.com

Para chegar ao Teodora, siga o mapa abaixo:

governo deu pra trás!

As coisas azedaram definitivamente entre o governo federal e as entidades da sociedade que lutam pela democratização dos meios de comunicação. Veja a nota oficial lançada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, o FNDC:

A declaração do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, no último dia 20, de que este governo não vai tratar da reforma do marco regulatório das comunicações, explicita de forma definitiva uma posição que já vinha sendo expressa pelo governo federal, seja nas entrelinhas, seja pelo silêncio diante do tema.

A justificativa utilizada – a de que não haveria tempo suficiente para amadurecer o debate em ano pré-eleitoral – é patética. Apesar dos insistentes esforços da sociedade civil por construir diálogos e formas de participação, o governo Dilma e o governo do ex-presidente Lula optaram deliberadamente por não encaminhar um projeto efetivo de atualização democratizante do marco regulatório. Mas o atual governo foi ainda mais omisso ao sequer considerar a proposta deixada no final do governo do seu antecessor e por não encaminhar quaisquer deliberações aprovadas na I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009. O que fica claro é a ausência de vontade política e visão estratégica sobre a relevância do tema para o avanço de um projeto de desenvolvimento nacional e a consolidação da democracia brasileira.

A opção do governo significa, na prática, o alinhamento aos setores mais conservadores e o apoio à manutenção do status quo da comunicação, nada plural, nada diverso e nada democrático. Enquanto países com marcos regulatórios consistentes discutem como atualizá-los frente ao cenário da convergência e países latino-americanos estabelecem novas leis para o setor, o Brasil opta por ficar com a sua, de 1962, ultrapassada e em total desrespeito à Constituição, para proteger os interesses comerciais das grandes empresas.

Ao mesmo tempo em que descumpre o compromisso reiterado de abrir um debate público sobre o tema, o governo federal mantém iniciativas tomadas em estreito diálogo com o setor empresarial, acomodando interesses do mercado e deixando de lado o interesse público.

No setor de telecomunicações, na mesma data, foi anunciado um pacote de isenção fiscal de 60 bilhões para as empresas de Telecom para o novo Plano Nacional de Banda Larga em sintonia com as demandas das empresas, desmontando a importante iniciativa do governo anterior de recuperar a Telebrás, e encerrando o único espaço de participação da sociedade no debate desta política – o Fórum Brasil Conectado. Somando-se ao pacote anunciado de benesses fiscais, o governo declara publicamente a necessidade de rever o texto do Marco Civil da Internet que trata da neutralidade de rede, numa postura totalmente subserviente aos interesses econômicos.

Na radiodifusão, faz vistas grossas para arrendamentos de rádio e TVs, mantém punições pífias para violações graves que marcam o setor, conduz a portas fechadas a discussão sobre o apagão analógico da televisão, enquanto conduz de forma tímida e errática a discussão sobre o rádio digital em nosso país. Segue tratando as rádios comunitárias de forma discriminatória, sem encaminhar nenhuma das modificações que lhes permitiriam operar em condições isonômicas com o setor comercial.

Diante desta conjuntura política e do anúncio de que o governo federal não vai dar sequência ao debate de um novo marco regulatório das comunicações, ignorando as resoluções aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, manifestamos nossa indignação, ao mesmo tempo em que reiteramos o nosso compromisso com este debate fundamental para o avanço da democracia.

De nossa parte, seguiremos lutando. A sociedade brasileira reforçará sua mobilização e sua unidade para construir um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações.

Coordenação executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC:

Associação das Rádios Públicas do Brasil – Arpub
Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – Abraço
Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões – Aneate
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Conselho Federal de Psicologia – CFP
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações – FITTEL
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão – Fitert
Intervozes – – Coletivo Brasil de Comunicação Social

Xiiiiii…

crimes contra jornalistas: impunidade!

impunity3_1A IFEX, uma das mais atuantes organizações não-governamentais no campo da liberdade de expressão, divulgou há pouco um relatório sobre a impunidade em crimes contra jornalistas na América Latina e Caribe. O documento aborda casos ocorridos em 2012 no Chile, Bolívia, Peru, Argentina, Brasil, Guatemala, México, Caribe, Honduras, Colômbia, Equador e Venezuela. São 66 páginas, em formato PDF, em espanhol e com arquivo de 11,67 Megas.

Vale a pena conferir e acompanhar a evolução de casos tão polêmicos e revoltantes.

Como está o Brasil nessa história toda? Nada bem…

crimes contra jornalistas na ditadura

web-audiencia

ataques em sc: o pior já passou?

Enquanto você pensa na resposta, que tal olhar pras capas dos principais jornais nesses dias em que o crime fez o governo, a imprensa e a população de gato e sapato…

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é hoje! reportagem, pesquisa e investigação

Eu e Samuel Lima tivemos o prazer e o privilégio de organizar mais um livro resultante do Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo, o Bapijor. Com Francisco José Castilhos Karam, criamos o evento em 2011, e naquele mesmo ano, lançamos “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: fronteiras”, com capítulos assinados por jornalistas e acadêmicos dos dois países.

Agora, propusemos avançar um pouco mais. E com “Reportagem, Pesquisa e Investigação” (também editado pela Insular), pretendemos oferecer alguma contribuição para se pensar métodos para o jornalismo investigativo e a pesquisa acadêmica que se faz sobre esse tema.

Lançaremos inicialmente no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, HOJE (9/11), às 20 horas, na PUC em Curitiba. Ficou curioso? Então, veja o sumário abaixo, e a seguir uma apresentação do livro. (Em breve, nas melhores e piores casas do ramo…)

Sumário

Apresentação: Um discurso pelo método – Rogério Christofoletti

Prefácio: Livre de preconceitos – Mauro César Silveira

>> Parte 1 – Cenários e Desafios

La calidad informativa en contextos digitales – Lila Luchessi

Governos progressistas e meios de comunicação na América Latina – Guillermo Mastrini

O repórter, o pesquisador e a apuração – Francisco J. Castilhos Karam

Oncotô?, doncovim?, proncovô? – Mylton Severiano

Riscos (e avanços) do Jornalismo na profissão e na academia – Valci Zuculoto

Risco Jornalístico, uma questão de Direitos Humanos – Luciana Kraemer

>> Parte 2 – Questões de Método

Jornalismo investigativo e metodologia de pesquisa indiciária – Samuel Lima

Técnicas de la investigación social: el método científico aplicado a la investigación periodística – Sandra Crucianelli

Métodos de Pesquisa e Investigação – Daniela Arbex

Um pouco de sol para o Paraná – James Alberti

Investigação jornalística de encomenda e a extinção dos intelectuais nas redações brasileiras – Leandro Fortes

Telejornalismo com Antropologia e sem câmeras ocultas – Antonio Brasil

Apresentação: um discurso pelo método

Uma das principais dificuldades em qualquer atividade humana é sistematizar conhecimentos. Ordenar ideias, selecionar as que melhor funcionam e fazer descartes é trabalhoso e angustiante. Mas também necessário e recompensador. Aglutinar dados, promovê-los à condição de informação e oferecer a melhor síntese de um conceito ou procedimento interessa não só a quem se dedica a pensar, mas também a quem faz.

O jornalismo se ressente da carência de métodos. Mesmo com uma história universal ligada ao desenvolvimento das sociedades e aos avanços da tecnologia, essa atividade carece da reunião de conhecimentos para a proposição de padrões de ação. Muitas vezes, os saberes são lapidados a duras penas no dia a dia e ficam espalhados, ajudando a consolidar a sensação de que a área é frágil conceitualmente, não tem tradição de trabalho nem massa crítica. Com isso, a dispersão dos conhecimentos empíricos contribui não apenas para a fragmentação da área, mas também para o aprofundamento de uma fissura que insiste em distanciar o mundo do trabalho (o mercado, a indústria e a categoria profissional) da academia (a pesquisa, a experimentação e a formação de novas levas de jornalistas). Existem ainda saberes construídos nas universidades e centros de pesquisa e que lá ficam confinados, como se fizessem parte de um estoque intocável de bens perecíveis.

Tanto num caso como em outro, são perdidos tempo, energia e recursos, que podem impedir que o jornalismo avance justamente porque não sedimentou práticas, não definiu padrões, não pacificou entendimentos. Não se trata apenas de produzir manuais de reportagem, mas de pensar a teoria e a prática a partir dos procedimentos aperfeiçoados no cotidiano, suas dificuldades, impasses e inconsistências. Não se trata também de despejar sobre os jornalistas uma avalancha de ditames que burocratizem o trabalho das redações, que atravanquem o fluxo das informações e engessem suas ações. Mas consolidar métodos de apuração, de investigação de dados, e de tradução e empacotamento da informação são muito bem-vindos na medida em que cristalizam e disseminam os acertos e as melhores práticas na área.

No que concerne ao jornalismo investigativo – aquele que força os limites quase nunca complacentes dos poderes para revelar crimes, imoralidades e abusos –, ainda há muito a se produzir em termos de metodologia. Seja criando e testando técnicas, seja formulando e buscando novas formas de abordagem. Sem deixar de identificar critérios de análise e síntese e, em muitas ocasiões, redobrando os cuidados éticos. A se julgar por sua etimologia, que remonta ao grego antigo e significa “caminho”, a palavra “método” é um oceano a ser explorado no jornalismo, ainda mais nos dias atuais, quando as sociedades se tornaram mais complexas e a revelação de histórias ocultas se mostra mais urgente.

A multiplicação e descentralização de bancos de dados digitais, a exigência crescente dos cidadãos por abertura e transparência de governos e organizações, os muitos avanços tecnológicos, tudo isso contribui para o desenvolvimento de novas técnicas e de novos métodos para averiguar e investigar jornalisticamente. Cabe aos profissionais da informação se habilitarem a explorar essas oportunidades e a recolherem as melhores lições desses usos. Há que se pensar e agir com senso de oportunidade!

O livro que o leitor tem em mãos objetiva fustigar o debate em torno da necessidade do método na reportagem. Resultado do 2º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), que aconteceu em abril de 2012 em Florianópolis, o livro reúne textos de acadêmicos e jornalistas num diálogo impetuoso e franco. O evento foi uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (POSJOR/UFSC) e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Como em “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras” (também editado pela Insular em 2011), este volume atrai formulação científica, experiência profissional, observação de cenários e proposição de reflexões e práticas. São nossos interlocutores nas próximas páginas os jornalistas Daniela Arbex, James Alberti, Leandro Fortes, Luciana Kraemer, Mylton Severiano e Sandra Crucianelli, bem como os pesquisadores Antonio Claudio Brasil, Francisco José Karam, Guillermo Mastrini, Lila Luchessi, Samuel Lima e Valci Zuculoto, a quem agradecemos pela generosidade no compartilhamento de suas ideias e angústias pessoais sobre o tema.

Agradecemos ainda aos mediadores dos painéis do Bapijor – Antonio Brasil, Carlos Castilho, Luís Meneghim e Simone Kafruni – e à equipe de trabalho que tornou o evento possível: Cândida de Oliveira, Carolina Dantas, Carolina Pompeo Grando, Gian Kojikowski, Janara Nicoletti, Lucas Pasqual, Patricia Pamplona, Vanessa Hauser, Vinicius Schmidt e Wesley Klimpel.

As páginas a seguir retomam pontos importantes dos debates já ocorridos, devidamente ampliados e atualizados. Os lugares de fala são variados, o que reforça uma rica heterogeneidade, evidenciando também a multiplicidade de caminhos a perseguir. Nada mal. Talvez esteja aí a primeira atitude a assumir no jornalismo investigativo: compreender e conjugar o método numa perspectiva plural.

a eleição municipal em são paulo

Frank Maia, que é o carioca mais manezinho que eu conheço, faz a síntese perfeita que nenhum paulistano fez da eleição para prefeito…

crise financeira? saiba mais…

 

Transmissão pelo twitter, na conta do @posjorufsc

crise mundial, oriente médio e comunicação pública, por kucinski

(reproduzido do POSJOR)

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC promove a partir deste mês o ciclo “Leituras Contemporâneas com Bernardo Kucinski”, um conjunto de conferências para discutir alguns dos principais temas da atualidade.

Nos mesmos moldes das lectures norte-americanas, as conferências do Leituras Contemporâneas são abertas ao grande público, gratuitas e voltadas à discussão e reflexão. A primeira delas aborda “A crise financeira mundial” e acontece no próximo dia 16 de outubro, terça-feira, às 10 horas no Auditório Henrique da Silva Fontes no CCE-UFSC. O evento é dirigido a professores, pesquisadores e estudantes de diversas áreas e a interessados em geral.

Em novembro, no dia 14, as Leituras Contemporâneas enfocam o “Oriente Médio e a Crise de Narrativas”, e em dezembro, no dia 5, a “Comunicação Pública Democrática”, ambos às 10 horas no Auditório Elke Hering, na Biblioteca Universitária da UFSC.

O ciclo é uma realização do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR), com apoio do Departamento de Jornalismo da UFSC e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS).

Entrada gratuita, com direito a certificados. Inscrições no local.

Quem é Bernardo Kucinski: graduado em Física, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, livre-docente pela mesma universidade e pós-doutor pela University of London. Como jornalista, atuou no serviço brasileiro da BBC de Londres, e, ainda na capital inglesa, foi correspondente da Gazeta Mercantil e dos jornais Bondinho e OPINIÃO. De volta ao Brasil, foi correspondente do The Guardian, e editor dos cadernos especiais da revista Exame, além de trabalhar na Veja e outros veículos. Entre 2003 e 2006 foi assessor Especial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Aposentou-se como titular da USP e é professor visitante junto ao POSJOR da UFSC. É autor de vários livros, entre eles “A ditadura da dívida: a crise do endividamento da América Latina”, “Jornalismo Econômico”, “Jornalismo na era virtual: ensaios sobre o colapso da razão ética”. Em 2011, estreou na ficção com o romance “K”, finalista do Prêmio Jabuti.

cláusula de consciência e um precedente jurídico

A notícia interessa a todos os jornalistas, pois pode criar uma jurisprudência brasileira para casos de violação à cláusula de consciência…

(reproduzido do site do Tribunal Superior do Trabalho. A dica é do professor Marcel Cheida)

Uma jornalista da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão no Estado do Rio Grande do Sul (RS) será indenizada em R$ 10 mil por danos morais após a comprovação de ato de cerceamento da liberdade profissional por parte da Fundação. A decisão, por unanimidade, foi tomada pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que ao negar provimento ao recurso da Fundação manteve a condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS). A Fundação opera uma emissora pública de televisão, a TV Educativa (TVE) do Rio Grande do Sul.

A jornalista em sua inicial narra que foi escalada para fazer uma matéria para a TVE sobre a troca da direção da Secretaria de Transparência do Estado do Rio Grande do Sul. Na matéria seriam entrevistados o recém-nomeado para o cargo e a secretária demissionária. A jornalista destacou que a ex-secretária, ao pedir demissão, havia criticado publicamente o Governo do Estado por este não haver estruturado a Secretaria. As críticas segundo a jornalista foram amplamente divulgadas pela imprensa gaúcha à época.

Após pronta a reportagem sobre a troca de secretários, a jornalista foi informada que sua matéria não seria veiculada e que estaria afastada, a partir daquela data, do jornalismo político, sendo proibida a sua presença no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.

O fato segundo a jornalista repercutiu em toda imprensa gaúcha. O presidente da TVE a época ao ser perguntado sobre os fatos que levaram a jornalista a ser afastada do jornalismo político, acusou-a de “não possuir “padrão técnico” para trabalhar na reportagem política”. A jornalista se refere ao fato como “inacreditável”, já que possuía mais de 15 anos de experiência na área, era concursada e especializada em televisão pela Universidad de Alicante, na Espanha e formada em Documentários para televisão pela Universty of London e Westminster University, ambas no Reino Unido.

Diante dos fatos a jornalista afirmou estar sendo alvo de intimidações e constrangimentos, externados através de humilhações e da proibição de livre exercício da sua profissão. Pedia indenização no valor de R$ 45 mil por danos morais.

A 17ª Vara do Trabalho de Porto Alegre negou o pedido da jornalista. Na sentença o juízo observa que os fatos narrados pela jornalista de fato ocorreram, porém não ficou comprovado que estes tenham atingido de forma negativa sua intimidade, honra ou imagem. O Regional entretanto reformou a sentença e condenou a Fundação por danos morais em R$ 10 mil acrescidos de juros. Para o Regional a prova testemunhal provou o dano causado à dignidade profissional da jornalista, caracterizado através da entrevista do então presidente da TVE.

A Fundação diante da condenação recorreu por meio de recurso de revista ao TST. O seguimento do recurso foi negado pela vice-presidente do TRT da 4ª Região que não constatou a ocorrência de violação a dispositivo de lei ou da Constituição Federal que autorizassem o exame pelo TST. Com isto a Fundação ingressou com o agravo de instrumento agora julgado pela Turma.

Na Oitava Turma a relatora ministra Dora Maria da Costa negou o pedido da Fundação sob o fundamento de que o Regional havia fixado corretamente o valor da condenação, observando a culpa e o porte econômico da jornalista e da Fundação, bem como a proporcionalidade em relação a extensão do prejuízo. A ministra salientou ainda que os acórdão trazidos no recurso para o confronto de teses são inservíveis, por não tratarem dos mesmos fatos que são discutidos no recurso.

(Dirceu Arcoverde/RA)

Processo: AIRR-8600-11.2009.5.04.0017

O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).

poder, midiatização e transformações

Acaba de ser lançado um livro que merece a atenção daqueles que se interessam por política e pelas muitas mudanças pelas quais ela vem passando por conta de novas mídias e das reconfigurações no espaço público. “Transformações da midiatização presidencial: corpos, relatos, negociações, resistências” é organizado por Antonio Fausto Neto, Jean Mouchon e Eliseo Verón e traz textos de evento promovido pelo Centro Internacional de Semiótica e Comunicação (Ciseco) em Alagoas em 2009.

Em cena, autores como Marc Abélès, Oscar Traversa, Mario Carlón e Beatriz Quiñones Cely, entre outros, além de uma interessantíssima entrevista de Umberto Eco a Eliseo Verón.

Também em cena Dilma Rousseff, Cristina Kirschner, Michelle Bachelet, Sarkozy, Zapatero, Evo Morales, Berlusconi, Barack Obama…

ficção televisiva em seminário

Uma oportunidade…

quem está a fim de pagar?

Em meus tempos de universitário, no final das festas, quase sempre havia um coro de canções de Raul Seixas. A maior parte delas era bem deprê, mas bastava uma para espantar a tristeza que anunciava a dosagem alcoólica geral e previa o final da farra: “Aluga-se!”. O refrão é contagiante: “Nós não vamo pagar nada. Nós não vamo pagar nada. Agora é free! Tá na hora, agora é free!…”

Passadas décadas daquilo tudo, nesta manhã preguiçosa de domingo, tropeço numa entrevista na versão online da Folha de S.Paulo que me fez cantarolar novamente a canção. Na matéria, Raul Juste Lores dá voz a um “guru da indústria jornalística”, o norte-americano Ken Doctor, para quem o público está disposto a pagar por conteúdos online. É claro que a fala de Doctor é muitíssimo conveniente para a Folha, que defende a cobrança. É claro também que essa discussão não é nova, já que nasceum um segundo após o nascimento da internet, antes mesmo de cortarem o seu cordão umbilical. Afinal, quem vai pagar pelos custos de se produzir notícia e entretenimento de qualidade?

Não vou entrar nessa discussão agora. Só quero chamar a atenção para o lugar de fala desses personagens. Doctor dá consultoria a grupos de mídia, e um papel importante nesse trabalho é fomentar opiniões que ajudem a aumentar o entusiasmo (e os lucros) dessa indústria. A Folha de S.Paulo está diretamente interessada que o público se convença de que quer pagar mesmo para acessar textos e outros conteúdos. Chris Anderson, conhecido por livros como “The Long Tail” e “Free!”, colocou mais lenha na fogueira, anos atrás, falando sobre gratuidade e conteúdos premium. Curioso é que seu livro sobre o fenômeno do grátis não foi oferecido ao leitor na faixa…

Parte do prestígio de Doctor é o seu “Newsonomics”, em que dita tendências da indústria da mídia. São elas:

  • Diante de tanto conteúdo oferecido e em disputa por atenção, você é o seu próprio editor
  • Cerca de uma dúzia de grandes conglomerados de mídia dominará o mercado
  • O aspecto local conta cada vez mais
  • “O Velho Mundo das notícias acabou – vamos aceitar isso”
  • Uma grande quantidade de intermediários foi eliminada, e quem hoje reúne e oferece os melhores conteúdos, sai na frente
  • As empresas de notícias estão, cada vez mais, usando conteúdos de amadores, e os misturando aos produzidos por profissionais
  • Repórteres se tornam blogueiros, e vice-versa
  • Empresas da mídia estão investindo mais e mais em especialização e nos nichos de consumo
  • Não existe mais a disputa homem versus máquina. Cada um desses elementos auxilia na equação. É preciso tirar o melhor deles para fazer os negócios prosperarem
  • Jornalismo se aproxima e se aproveita do marketing, e vice-versa
  • Jornalistas precisam se esforçar mais ainda (se especializar, se reinventar) para manter seus empregos
  • Não se deve apenas olhar para o cenário de crise. Este mesmo cenário mostra lacunas que podem ser exploradas e se tornar grandes oportunidades

Algumas dessas tendências parecem se aplicar a muitos mercados e realidades, inclusive o brasileiro. Outras, nem tanto.

A posição de Doctor na entrevista à Folha, essa de pagar por conteúdos, carece de mais pesquisa e comprovação nas praças brasileiras. Nos fóruns por onde passo, não vejo essa disponibilidade toda apontada por Ken Doctor. Nos blogs, isso não está evidente. Nem nas redes sociais, vigora tanto entusiasmo.

Estarei exagerando ou falando alguma besteira de graça? Toca Raul!

nada de crise nos jornais

Vamos continuar com a campanha para espantar abutres!
Foram divulgados novos dados que mostram que a propalada crise dos impressos não chegou às nossas praias. Como diz o Joelmir Beting, “o fim do mundo foi adiado mais uma vez”.

Veja o que diz a matéria do Comunique-se:

Os primeiros seis meses deste ano marcaram bons números para o impresso, que teve crescimento médio de 2,3%. A afirmação é do Instituto Verificador de Circulação (IVC), órgão responsável pela auditoria de jornais e revistas no país.

De acordo com os dados, o aumento é resultado das vendas, em especial dos jornais com preço de capa entre 1 e 2 reais, que avançou 2,8%. “O bom desempenho dos jornais com esse preço é um movimento bastante importante. Este grupo inclui os principais títulos de alguns mercados regionais. No ano passado, já era perceptível um fortalecimento que se intensificou neste primeiro semestre”, explicou o presidente executivo do IVC, Pedro Martins Silva.

Veículos com custo por exemplar acima de 2 reais tiveram alta de 2,3% e o grupo de jornais vendidos por até 99 centavos teve elevação de 1,8%. Neste período, a média diária de circulação brasileira foi de 4.543.755 exemplares, o que marca novo recorde histórico para a auditoria da entidade.

essa capa merece um prêmio!!!

A chamada diz tudo: “Por 1 minuto e 43 segundos na tevê, o PT troca Luiza Erundina por Paulo Maluf”.

Arrasô geral!

orgulho e preconceito

Duas notícias recentes expõem com clareza como, de alguma maneira, o brasileiro se posiciona com relação ao seu país e a sua própria condição de brasileiro. As notícias parecem não ter nenhuma relação entre si, mas têm sim. Uma delas é o anúncio de que serão devolvidas ao Canadá as 40 toneladas de lixo que foram encontradas em contêineres no Porto de Itajaí. A carga foi “importada” por uma empresa local, que mentiu nos documentos fiscais dizendo ser polietileno. O golpe não é novo, e já se descobriu que Espanha e Estados Unidos, por exemplo, mandam para cá o que não querem por lá. É mais barato para eles e mais vantajoso para algum abutre inescrupuloso daqui que lucra trazendo carga contaminável de outros países.

A segunda notícia é a reação do governo brasileiro diante das cobranças de alto executivo da Fifa diante do atraso das obras para a Copa do Mundo. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, não quer ver Jerôme Valcke nem pintado de ouro, e por isso mandou recado pela imprensa: quer outro interlocutor para tratar do assunto. Vocês se lembram: Valcke disse que o país merece um chute nos fundilhos para apressar as construções dos estádios e tal…

Em comum, as duas notícias trazem um país que não se acomoda na posição de ser lixeira do mundo civizilizado ou saco de pancadas de conglomerados econômicos. As atitudes das autoridades brasileiras sinalizam que o país não quer se submeter a um julgo que antes era tão comum. Quer dizer: já fomos mais vira-latas e já nos sentimos mais vira-latas antes. Agora, parece ser diferente. A autoestima está mais forte, e, para além das ocasiões ufanistas esportivas, vigora um certo orgulho de ser brasileiro. É bom!

Tem a ver com política – estamos falando de soberania também, né? -, tem a ver com psicologia de massas – orgulho e unidade -, mas tem a ver também com a nossa atitude de cada de se colocar na vida. Não basta apenas sinalizar que não gostamos do lugar a que nos imputam. É preciso se antecipar e escolher a posição que mais faz os nossos olhos brilharem.

novo piso dos professores é quase…

Esse Frank Maia faz coisa…

ops! cancelaram o encontro de blogueiros

Sabe o Primeiro Encontro de Blogueiros e Tuiteiros de Santa Catarina, que aconteceria nos dias 9 e 10 deste mês?
Pois é, não vai ter.

Vejam a nota de cancelamento dos organizadores

Lamentamos informar que o Primeiro Encontro dos Blogueiros e Twitteiros de Santa Catarina está cancelado por problemas de planejamento e consequente falta de recursos para sua realização.

A ideia, porém, continua de pé. Neste espaço continuaremos a divulgar blogs do estado e notícias do interesse da população catarinense que não alcançam espaço na mídia tradicional.

Nossa luta por pluralidade de informações e pelo marco regulatório das comunicações continua, assim como a busca por qualidade e honestidade em nossas publicações.

Parceiros são bem vindos, o blog está aberto a colaboradores que queiram participar desta árdua batalha que é combater o pensamento único da mídia e sua relação simbiótica com o poder público catarinense.

Com pesar suspendemos o evento, mas continuamos com o projeto e se tudo der certo, teremos um grande encontro no próximo ano.

Aos inscritos, agradecemos a confiança e entraremos em contato por e-mail para maiores esclarecimentos.

A comunicação é um direito seu, participe desta luta que cresce em todo Brasil pela sua democratização!

blogueiros catarinenses, uni-vos!

(reproduzido do site da UFSC)

Estão abertas as inscrições para o “I Encontro dos Blogueiros e Twiteiros de Santa Catarina”.
O evento acontecerá nos dias 9 e 10 de março de 2012, no hotel e Centro de Eventos Canto da Ilha, localizado na Avenida Luiz Boiteux Piazza, 4810 – Cachoeira do Bom Jesus, Florianópolis-SC.
O objetivo do evento é debater o novo marco regulatório das comunicações e as ações regionais dos blogueiros catarinenses, que lutam pela criação do conselho de comunicação estadual e organização dos meios independentes de informação, os blogs e redes sociais.

Os convidados para a mesa principal, “Comunicação e Oligopólio em Santa Catarina”, são  Venício Lima, Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de “Regulação das Comunicações – História, poder e direitos”, Editora Paulus, 2011; e Rosane Bertotti, atual coordenadora nacional do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações).

O custo da inscrição é de R$ 100,00, incluídas a estadia e alimentação nos dois dias de evento.

Para os participantes que não precisarem de estadia a inscrição é gratuita, sem alimentação inclusa. Basta enviar os seguintes dados através do formulário de contato no rodapé do site ou para o email contato@blogueirossc.com.br – nome completo, RG, telefone e e-mail para contato.

O evento é organizado pela estudante de economia da UFSC, Binah Ire, com apoio do professor Márcio Vieira de Souza, do curso de Tecnologias da Informação e da Comunicação do Campus de Araranguá.

Informações: binahire@hotmail.com ou http://blogueirossc.com.br