reportagem em quadrinhos!

A Copa do Mundo está na esquina. Quer saber além da escalação das seleções e dos detalhes dos jogos?

Então, confira a reportagem em quadrinhos Meninas em Jogo, de Andrea Dip e De Maio, para a Agência Pública: aqui.

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trolladores amadores

O pré-candidato à presidência da República Aécio Neves (PSDB) torceu o nariz para uma série de páginas e ações na web que o teriam caluniado, difamado e injuriado. Entrou na justiça para saber quem estava por trás daquilo e chegou a processar Facebook e Twitter em sua cruzada digital. Contratou um super escritório de advogados e foi à forra. A Folha de S.Paulo de hoje informa que uma prefeitura petista estaria por trás das ações. Ao menos uma servidora pública da Prefeitura de Guarulhos teria atuado no caso, e equipamentos e instalações da Secretaria de Comunicação teriam sido usados.

A briga segue na justiça, mas se essas informações se confirmarem, teremos um caso de muito amadorismo em ataques políticos. É muita ingenuidade, burrice ou total desconhecimento de como funciona a internet e a informática tentar ferrar um inimigo político dessa forma tão primitiva

o cerco a assange

Faz tempo que você não ouve mais nada sobre o WikiLeaks?

Não tem mais novidades de Julian Assange?

O WikiLeaks informa que seu principal homem está há 1246 dias enfrentando algum tipo de detenção, 686 deles recluso na Embaixada do Equador em Londres. O site denuncia ainda que um júri secreto trabalha há 1539 dias para interromper os trabalhos do WikiLeaks, e que Chelsea Manning está preso há 1436 dias.

Não sabe do que estou falando? Veja aqui e aqui. E se o interesse aumentar, assista a O Quinto Poder (trailer abaixo):

quem pode ser jornalista?

A resposta polêmica e incômoda de Jean-François Fogel é “qualquer um”. Pois quem decide é o público!

A declaração foi dada num evento recente no México e arrepiou a nuca de muita gente. Para um bom resumo da abordagem de Fogel, leia “No ambiente da nova mídia, o público decide quem é jornalista”, artigo de James Breiner.

Para ouvir as palavras do próprio Fogel, assista ao videozinho abaixo:

Você concorda?

querem acabar com a sua internet

O Marco Civil da Internet é uma dessas novelas típicas do proselitismo e dos instintos mais baixos da política nacional. O projeto de lei pretende estabelecer regras gerais e essenciais para um setor muito pouco regulamentado no país. O documento foi amplamente discutido por meses e chegou a receber emendas e sugestões de cidadãos em consultas públicas. Teve um relator comprometido, paciente e incansável. Mas vem tropeçando desde 2012 nas pressões que as empresas de tecnologia e telefonia fazem sobre os parlamentares.

Isso se explica porque elas podem perder mercado ou mesmo poder de influência. Também se explica porque elas devem – caso o projeto seja aprovado conforme o texto original – ter obrigações adicionais com os dados dos usuários, por exemplo.

Para se ter uma ideia, o impasse é tão grande que a matéria teve sua votação adiada oito vezes.

Depois que vazaram as informações de que Dilma Rousseff fora espionada pela ANS, que seus ministros têm seus celulares monitorados pelo governo norte-americano e que eles vêm bisbilhotando a maior empresa do país – a Petrobras -, o governo rangeu os dentes. Colocou como uma prioridade aprovar o Marco Civil, como um sinal claro de que o Brasil se preocupa com direitos autorais, privacidade e neutralidade de rede, para citar aspectos mais evidentes do caso.

Dilma colocou sua tropa de choque para trabalhar, e o projeto foi colocado em regime de urgência para votação. Na prática, essa condição obriga o Congresso Nacional a analisar o projeto de lei, pois se não o fizer, não poderá votar outros da fila.

Não adiantou. Um deputado do PMDB – o maior partido aliado de Dilma no governo!!! – se amotinou e conseguiu atrair a atenção de outros parlamentares descontentes. A rebelião ganhou o nome de Blocão e, no momento, usa de chantagem para conseguir aprovar emendas parlamentares, indicação de cargos e outras migalhas. Como bem escreveu o jornalista e pesquisador Marcelo Träsel, a mesquinharia do PMDB pode derrubar a neutralidade da rede.

Vou além: se o governo ceder aos chantagistas e abrir as pernas para as grandes corporações da tecnologia e telefonia, vai acabar com a internet da forma que estamos acostumados. O que temos hoje é uma rede aberta, que não prioriza quem paga mais e que incentiva a criatividade. Tudo isso pode acabar de uma hora para outra. A culpa, você já sabe: vai ser do PMDB. Vai ser do governo. Vai ser dos demais aliados que votarem contra o projeto original. Vai ser dos demais parlamentares que sepultarem o Marco Civil.

Estamos numa encruzilhada sim: o Brasil pode se tornar um pioneiro importante na discussão dos direitos dos usuários na internet ou se juntar aos países que controlam conteúdos de email, que confiscam dados, que vasculham informações pessoais, que traficam conteúdos, que derrubam o sinal de internet, que intercepta comunicações…

Qual internet você quer? 

facebook, whatsapp e você com isso…

A semana passou e cansei de ver jornalistas na TV anunciarem com um indisfarçável sorriso a compra do WhatsApp pelo Facebook por US$ 16 bilhões. Fiquei intrigado: por que tanta alegria? Quem ganha com um negócio desses?

Os mais entusiastas dirão: os usuários porque agora o WhatsApp vai bombar. Besteira. Nada garante isso.

Pergunto de novo: quem ganha com isso? Só o Facebook. Tenta conter a já alardeada e preocupante sangria de usuários, dá um passo na direção dos mais jovens que uatsapam e concentra mais o mercado da internet.

A concentração de mercado só é uma boa jogada para os peixes grandes que devoram os pequenos. Só.

a mídia e o cuidado como obrigação

David Putnam teve uma longa carreira como produtor de filmes premiados. Depois, cansou, largou tudo e passou a atuar com educação e ativismo social. Chegou a ser o homem forte da Unicef no Reino Unido. No video abaixo – uma intervenção no mundialmente aclamado TED – , ele traz questões bastantes interessantes sobre a mídia. Afinal, ela não deveria ter a obrigação de ser mais cuidadosa?

Para ver e pensar.

cadê a privacidade que estava aqui?

Capa_PoliTICS_16_100x133Se você é daqueles que andam bem cabreiros quando navegam na internet, vale a pena estar muito informado sobre as principais discussões sobre privacidade e segurança de dados. Existe muita coisa por aí que merece ser conhecida e lida, e uma lista de leituras obrigatórias seria sempre muito limitada. Por isso, nem me arrisco a fazer, até porque por mais que estude o assunto, ainda tenho muito a aprender sobre a tal coisa…

De qualquer forma, me atrevo a indicar a leitura do mais recente número da revista poliTICs, editada pelo Nupef, que circula gratuitamente e pode ser lida tanto em papel quanto em PDF.  O número em questão traz três artigos muito importantes. O professor Pedro Antonio Dourado de Rezende, de Ciências da Computação da UnB, aponta caminhos para se entender melhor as denúncias de espionagem e vigilância global, hipertrofiadas com as ações de Edward Snowden. De quebra, faz um “afago” ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

O cultuado ativista Cory Doctorow chacoalha a cadeira para falar de marcos regulatórios para proteção de dados na União Europeia. Você não mora por lá? Não importa. Se algo de grave acontecer do outro lado do Atlântico, o que garante que as ondas não cheguem aqui?

E se você pensa que “privacidade” é apenas manterem seus dados guardadinhos quando você acessa algum site, abra a cabeça com o artigo de Koichi Kameda e Magaly Pazello, pesquisadores do Nupef, que abordam a segurança de dados sobre a saúde das pessoas num ambiente hiperconectado como o nosso.

E já que estamos falando nisso, por que não conferir Os arquivos de Snowden, o livro do jornalista Luke Harding, do The Guardian, sobre o delator dos megaesquemas de espionagem dos EUA? Lendo a trajetória do jovem analista de segurança terceirizado da NSA, dá pra ver como resta quase nada do que chamávamos de segurança na navegação e privacidade…

o beijo gay e o mundo de amanhã

Futebol e telenovela são coisas seríssimas no Brasil, sempre digo isso. E é claro que acompanhamos aqui em casa o capítulo final de “Amor à vida”. A família grudada no sofá esperava com ansiedade os desfechos da trama, e na cena com os personagens Félix e Niko, prendemos a respiração. Eles trocaram declarações de amor, os segundos passaram, a tensão aumentou e meu filho, de nove anos, soltou: “Beija logo, cara!”.

Félix e Niko se beijaram, as redes sociais explodiram em festa e ódio, e assim que subiram os créditos, fui com o filho para o quintal. Ficamos ali em silêncio, olhando nossos gatos, e eu me reconheci muitíssimo feliz com a atitude do filho. Sem preconceito, ele torceu pela felicidade dos personagens, inclusive de um que era o vilão da história até então. Gostei muitíssimo de ver a ousadia da maior empresa de comunicação do país em exibir uma cena que pode afrontar a tanta gente. Mas gostei muito mais de ver uma criança não se importar com o pre-julgamento dos outros, acatar a vontade de amar de pessoas diferentes, enfim…

A frase desabafada aqui na sala de casa me fez sonhar com um mundo melhor amanhã. Mais tolerante, mais aberto, menos preconceituoso, mais afeto ao amor. A todo tipo de amor. Foi um final feliz de novela…

junho vai deixar saudades

Nesta época de tantos superlativos e adjetivos totalizantes é muito fácil cair na tentação de cavar “dias históricos”. Mesmo assim, não receio em errar e me arrepender de apostar que aqui no Brasil vivemos um junho pra não mais esquecer.

Junho foi barulhento, agitado. As muitas passeatas trouxeram à rua milhões de pessoas em todas as partes do país. Nas metrópoles e nas cidades pequenas, do Acre ao Rio Grande do Sul, e mais de uma vez em muitos locais. As palavras de ordem eram muitas, e elas chacoalharam as pilastras dos centros de poder. Botaram medo e trouxeram apreensão para quem tem mandato político. Subiram no teto do Congresso Nacional, fecharam as pontes em Florianópolis, tentaram invadir o Itamarati e a Alerj…

Junho fez tarifas de transporte cair em várias cidades; fez os governos cortarem impostos; e fez com que parlamentares trabalhassem duro e rápido em pleno dia de jogo da seleção. Junho forçou a derrubada da PEC 37 e a aprovação da lei que tipifica corrupção como crime hediondo.

Junho viu ainda jogos na Copa das Confederações cercados de vaias, de batalhas campais nos entornos dos estádios e repulsa generalizada a políticos, cartolas, escroques e outros aproveitadores. O mês viu uma seleção brasileira vigorosa que atropelou o time dos sonhos do momento, campeão mundial mais recente. Junho viu também que é possível por aqui protestar, reclamar e se expressar, torcer, priorizar e discernir.

O mês que finda a primeira metade do ano se foi. E tudo o que aconteceu não foi pouco para 30 dias. E como julho começa em plena segunda-feira, é melhor se preparar porque o segundo tempo de 2013 vai começar.