dia dos pais: crônica 7

Vai saber o que ele quis dizer (05/03/2005)

Tem coisa mais patética que o auto-engano? Pois é, pior não é se iludir, mas perceber que você mesmo trabalhou para ocultar aquilo de si. E quando a gente vê isso, dá uma raiva, misturada com arrependimento e a sensação: Putz! Como fui trouxa!

Bem, tudo isso pra dizer que passei por essa situação agora há pouco. Há algumas semanas, o sabidão aqui chegou ao trabalho todo feliz, quase saltitante. Meu filhote de oito meses já fala, já balbucia alguns verbetes. Não os mais complexos, é verdade, mas os mais necessários: Mã-mã e Bã-bá. É claro que até as frestas das paredes souberam da novidade por lá. Orgulhoso, fagueiro, eu desfilava pelos corredores acenando majestático a todos. Até mesmo aos desconhecidos, que se entreolhavam, perguntando: Quem é esse cara?

Um ou outro colega sacana me dizia: Mas você tem certeza que seu garoto está falando essas coisas? Na altura de meus oito meses de experiência, eu fulminava meu interlocutor com um olhar de desprezo, respirava dois segundos (coitado!), e tascava: Mas é claro! Eu conheço o meu filho! Você precisa ver!

Outro dia, quando me deixava inundar por um mar de baba de meu filho, passei a observar os seus hábitos. Eu o levantava para o alto em movimentos rápidos, coisa que – pelo jeito – ele adorou. Eu erguia os braços (ele junto) e baixava. O moleque se matava de rir: não sei se é um sádico ou masoquista. Meus braços quase despregando do corpo de cansaço e ele rindo. Ele quase se estatelando no chão da sala, e ainda rindo. E claro: vocalizava a todo o momento, entre uma risada e outra, um “Bã-bá”. Eu sorria, orgulhoso. Afinal, o cara – com aquele pedacinho de vida que tinha – já me reconhecia, me chamava de pai em seu dialeto particular.

De repente, sua mãe chega, e ele escancara novo sorriso, estende os braços em sua direção: Mã-mã! Evidentemente, solicitava seu afeto e colo. Passei a olhá-los de longe, sem ser visto. A TV ligada e eles conversando, digamos. O molequinho balbuciando coisinhas e a mãe, sorrindo e respondendo palavras que, essas, eu entendia. De repente, aparece na TV o Ratinho, e o garoto vira seu rosto para o apresentador, arregala os olhos e diz: Bã-bá! Me indigno. Em segundos, a imagem é substituída por outra: um pássaro pousa num galho de árvore, e meu filho: Bã-bá! Me confundo. Dois minutos depois, a mãe oferece uma banana ao pequenino, e ele, Bã-bá! Já não entendo mais nada. Disposto a tirar isso a limpo, sigo – passos firmes – até eles e me coloco à frente daqueles olhinhos faiscantes. Ele me vê, sorri no canto da boca, e diz: uama-mame-babobo, seguido de mmmmiammumu. Já sem poder me conter, explodo: Quer dizer que eu não sou mais o Bã-bá? Ele franze o cenho, passa a mão sobre o meu braço e explica: ê-amu-ma-ma-ba.

Daquele dia em diante, eu presto atenção no que ele diz, mas ele não diz nada com nada. “Bã-bá” pode ser um monte de coisas, inclusive eu. “Bã-bá” é vocalizado de forma prazerosa. Eu vejo isso, porque vem acompanhado de sorrisos e risinhos baixos. Mas “Bã-bá” não é apenas uma maneira de se referir a mim. E justo eu que convenci meio mundo disso…

dia dos pais: crônica 6

Você sabe quando… (30/01/2005)

Há coisas que a gente pega no ar. Não precisa dizer muito. É uma expressão no rosto, uma sombra de atitude, meia palavra… e pronto! A gente saca, e aí não dá para disfarçar, desmentir, falsear. Nessas ocasiões – e elas não são poucas -, o ser humano é previsível, transparente. E mesmo aqueles que se acham acima do bem e do mal, acabam repetindo o comportamento padrão.

Por exemplo: a gente sabe quando o cara é um “pai fresco”…

… quando ele chega no trabalho com a parte do ombro da camisa encharcada da babá do bebê;

… quando carrega na agenda umas 600 fotos da sua cria e insiste em te mostrar todas elas, comentando em detalhes (agora, a baba que escorre é a dele…);

… quando, mesmo sem nada nos braços, ele fica em pé oscilando de um lado para o outro, como um imenso pêndulo. Suave, pra lá e pra cá;

… quando ele só tem um assunto: a diarréia do filho ou o balbucio incompreensível que ele traduz como palavra;

… quando estoura o cartão de crédito para montar o enxoval e o quartinho do bebê.

Mais adiante, a gente sabe logo de cara quando o sujeito tem filhos pequenos. A gente percebe…

… quando o cidadão carrega aqueles desenhos dos filhos na mesma valise com os contratos e os documentos da firma;

… quando ele chega atrasado a uma importante reunião com a desculpa de que levou o garoto na escola;

… quando o cara falta ao serviço para ir à reunião de pais e mestres. E pior: interrompe a discussão para mostrar o boletim colorido do filhote;

… quando ele entra no cheque especial para comprar toda a lista de material escolar da pestinha.

Tem mais. A gente também saca quando o cara é pai de adolescente. É…

… quando corta o cabelo de forma engraçada, ignorando a própria idade e se achando garotão. Isso quando não põe piercing e faz tatuagem;

… quando o som de seu carro só tem CD estranho. Seja as bandas malucas da filha ou mesmo as que ele cultuava quando era jovem, e resolveu ouvir de novo;

… quando hipoteca a casa e vende o carro para mandar os jovenzinhos para estudar inglês nos Estados Unidos ou na Austrália, destino da moda.

Ainda não acabou. A gente vê de longe quando o cara tem filho estudando na universidade, em outra cidade, e dependendo de mesada. É um tempo em que…

… a conta do telefone alcança um quilômetro de extensão;

… e o indivíduo vende as jóias de estimação da família e apressa o advogado no inventário de bens da família.

Alguns anos depois, quando os filhos se formam – sem cartão e cheque, pagando aluguel e a pé -, a gente vê o que sobrou do cara…

… dobrou as horas extras na firma para pagar as dívidas;

… quer matar o advogado que ainda o enrola;

… continua trocando os nomes dos filhos mais velhos pelos mais novos;

… e morre de saudades deles, que nunca telefonam.

(Quando eles ligam pra pedir uma grana emprestada, ligam a cobrar)

dia dos pais: crônica 5

Das fragilidades (05/10/2004)

No começo de tudo, ele não era nada. Ou quase nada. Um pontinho preto num mar de sei lá o quê. Era frágil, sem forma, sem nada definido. Não era sequer um acidente ou uma imprudência nossa. Mas já fazia diferença. Depois de algum tempo, voltas no relógio, ela passou a ser um amontoado de células loucas por mitoses e meioses, um corpo empelotado, amorfo, disforme. Era frágil, não por ser quebradiço, mas por ser delicadamente pequeno: leve a ponto de flutuar no útero, ínfimo a ponto de perdermos sua nitidez na tela do ultra-som.

Hélices do tempo, os ponteiros do relógio giraram fazendo aquela coisinha crescer, tomar forma. De ser empelotado passou a girino. De girino tornou-se um sapinho não-verde. O batráquio deu lugar a um lêmure sem pelos, com olhos nos cantos da cabeça. Bicho estranho, mas fascinante, curioso. Feio, é preciso dizer, sem meias-palavras. Mas que arrancava sorrisos toda vez que se avistava naquele país imaginário que é um útero fértil.

Volto a dizer. Se o tirássemos naquele segundo, não duraria mais nenhum segundo. Frágil demais, dependente total de líquidos protéicos, de calor, de sangue e proteção. Tal como hoje, passados alguns meses – as hélices não param nunca? -, em que continua fraquinho, inofensivo, diminuto.

Afinal, ele não é nada: tem um nome que escolheram para ele, não se alimenta sozinho, nem se limpa com as próprias mãos. Não duraria nesta selva de pedra aí fora. Ele nem pesa mais que um saco de arroz, não fica totalmente em pé, nem articula “obrigado” e “até logo”. Não se penteia porque o cabelo é ralo demais. Não amarra os sapatos, pois a articulação das mãos ainda não lhe permite. Mas sapatos para que, se ele nem caminha por aí?

É frágil, inofensivo, incapaz, delicado. Com um sorriso, me derrete. Com um olhar maroto, me faz encolher os ombros e estremecer. Com a pressão daqueles dedinhos gordinhos, esmaga a ponta do mau humor que trago comigo e dilui o meu veneno. Com um balbuciar de palavras em línguas incompreensíveis, ele me mostra as verdades e as essências do que é viver. Mas ele é pequeno, fraquinho, mole demais. Eu, não. Sou rijo, enfrento problemas, sou auto-suficiente. Dirijo situações, influencio pessoas, aconselho amigos. Conduzo, batalho, venço. Quando ele ameaça chorar, entorta minhas sobrancelhas para cima, destrava meu queixo que cai. Aí, dobro os joelhos. Olho em minha volta e vejo: sou pequeno, tão pequeno que caibo num cantinho do seu coração. Aquela ameixinha que pulsa leve, frágil.

dia dos pais: crônica 4

Os botões dos bebês (01/09/2004)

Eu acho que bebês deveriam vir ao mundo com alguns opcionais. É, como esses modelos de carro que a gente vê por aí: ar condicionado, vidros elétricos, teto solar, airbag para o carona… Pois, para mim, os bebês poderiam vir equipados com três botões: um que ligasse e desligasse, outro com função Mudo e um terceiro que acionasse o mecanismo autolimpante.

Garanto que se eles viessem com esses opcionais de fábrica, muita gente iria se entusiasmar e produzir mais e mais bebês. Claro que isso acarreta num problema de superpopulação, mas não quero entrar em questões ambientais tão profundas… Na verdade, como qualquer cidadão na média, fico pensando nas facilidades que esses novos bebês trariam à rotina doméstica. Já pensou como seria? Então, imagine: você chega em casa exausto do trabalho, mas louco de saudade de seu filhote. Você beija a esposa, burocraticamente conta como foi o seu dia, assiste o telejornal, dribla a novela e vai brincar com o bebezinho. Brinca, brinca, brinca e cai morto de cansaço. Ele, não. Agora, está mais aceso do que nunca. Quer atenção, quer carinho, quer que você continue com os movimentos ritmados e frenéticos que você mesmo inventou. Seus músculos não suportam mais, mas o bebê quer, faz beicinho, treme o queixo, agita os bracinhos, pende a cabeça. E chora, berrando a plenos pulmões, abalando as estruturas do edifício onde você mora. Se o seu bebê for equipamento com a tecla LIGA, basta que você aperte a bendita e o pequeno tirano se desligará em meio segundo, dobrando-se sobre si mesmo como um boneco. Aí, é só guardar no berço e religar na manhã seguinte.

Mas vamos adiante nesse exercício de imaginação… Você acalentou seu rebento por horas e ele agora dorme um soninho tranqüilo. Você o deposita com o maior dos cuidados no berço, para que ele durma mais confortável e para que você possa assistir à final do campeonato sem estresse. Você o coloca como se fosse uma pluma, vai nas pontas dos pés até a sala e liga a tv com o volume no primeiro tracinho. Meio segundo depois, ele acorda aos berros, chorando a plenos pulmões, desestabilizando qualquer monge budista e aniquilando qualquer pretensão de ver pelo menos o segundo tempo da partida. Se você for um cara sortudo, e seu bebê tiver uma tecla MUDO, basta acioná-la. Para desencargos de consciência, você até pode trazê-lo para a sala e sentá-lo ao seu lado no sofá, diante das cervejas e da telinha. Ele se esgoelará, mas tudo em silêncio. Mexerá os bracinhos, puxará os próprios cabelinhos, ficará roxo, mas tudo no mais perfeito mutismo.

Terceira situação hipotética: você já acordou mais cedo, tomou seu banho, colocou a melhor roupa, já que é dia de reunião. Preparou o café para a patroa, está feliz. Só falta mesmo trocar o bebê, que está um pouco agitadinho e parece estar recheado com algo. Você conversa com a criança, mas ela não te dá ouvidos e solta um jato quente, amarelo e que mancha na sua camisa. Você pensa em soltar um palavrão, mas não é o momento de introduzir seu bebê no reino da má-educação. Você se contente com um gemido, um muxoxo apenas. Bem, você terá que se trocar novamente, irá se atrasar e seu humor já não é mais o mesmo. Tudo poderia ser evitado se o seu bebê fosse equipado com um botão autolimpante. Isso jamais estragaria uma manhã sua ou do alegre casal que há pouco ganhou um bebezinho…

Mas, convenhamos, a realidade é outra e os bebês não vêm com botões. Seria divertido se isso acontecesse, mas os modelos chegam às maternidades na modalidade básica, sem acessórios. Eu até convivo muito bem sem essa parafernália toda. Mas bem que trocaria os três botões por uma única tecla: a SAP. Com ela, eu não precisaria das demais. Afinal, meu filho balbuciaria que está com fome, que precisa ser trocado, que está com dorzinha de barriga ou mesmo que quer mais atenção. Com a tecla SAP, ele olharia para mim e, entre os esgarçar de um sorriso e outro, deixaria escapar qualquer eu-te-amo-papai…

dia dos pais: crônica 3

O olhar, o braço e as mãos do pai (23/03/2004)

Faz tempo, mas eu me lembro da sensação. Duas mãos silenciosas, enormes e fortes, me seguravam. Tinham o apoio dos braços, e os passos eram bem cuidadosos, quase flutuantes. Quem me levava quase nem respirava para que eu não acordasse. Muito devagar, me colocavam na cama. Eu deixava meu corpinho serenar, despejando-me no colchão. Mas sentia que alguém me observava por um segundo ou mais: era meu pai. Que desmanchava o sorriso de satisfação assim que percebia que eu acordara. Mas eu, de novo, fechava os olhinhos, e ouvia um suspiro de alívio dele.

Como eu disse, isso aconteceu há muito tempo, quando eu ainda era pequenino e dormia na sala, tendo que ser transportado para a cama. É curioso como a memória da gente funciona. Isso estava guardado lá nos cafundós das minhas lembranças, soterrado abaixo de muita tranqueira e de alguns outros sentimentos.

***

Já tentou cortar um bife com uma mão só? E desrosquear a tampinha do refrigerante só podendo contar com cinco dedos? Não é fácil, mas é possível. Aprendi e executei essas proezas dia desses quando estava com meu filho recém-nascido nos braços. Na verdade, Vinicius estava depositado sobre o braço esquerdo e eu estava com uma sede africana. Caminhei lento e calmo até a cozinha e abri a geladeira. De costas. Não ia expor o filhote àquele ventinho gelado que escapa da porta entreaberta. Numa manobra rápida, escorreguei o braço pelas prateleiras, tateando grades e tomates e cheguei ao pescoço da garrafa de Coca. Puxei e, com um golpe de bunda, fechei a porta da geladeira. Protegidos de qualquer friagem, andamos até a bancada, onde coloquei a garrafa em pé. Foi aí que me dei conta de como abriria a bendita com apenas uma mão. Vinicius respirava quietinho. Estava no país dos sonhos. Não tinha como rearranjá-lo. Prendi a respiração e desci a palma da mão pela rosca da garrafa: apertei como uma morsa – com dois dedos – a parte inferior e dei um tranquinho no sentido antihorário na parte de cima. Tchiiiiiiiiii! Legal, abri! Mas meio segundo depois, pensei ter sido alto demais. Ele vai acordar com esse barulhão, seu burro! Que nada! Vinicius até levantou meia pálpebra para ver se estava tudo bem comigo. Em seguida, suspirou senhor-de-si e voltou ao sono.

***

Resgatei a sensação do calor e da força das mãos do meu pai lá do fundão da memória. Para mim, eram mãos imensas, colossais, capazes de sustentar o mundo. Quando cresci, vi que o mundo encolhera um pouco. E meu pai deixou de me carregar do sofá para a cama. Bastava chacoalhar que eu despertava, ainda meio zonzo. Eu caminhava trôpego até o quarto, sob o olhar aliviado dele. Perdi meu pai há catorze anos, mas só hoje entendo e repito aquele olhar…

dia dos pais: crônica 2

Os insones são felizes (12/07/2004)

Faz duas semanas que me tornei pai. Claro, isso não é lá grande novidade já que quase toda a fauna de homens no mundo passa por isso em algum momento da sua vida. Mas é a minha primeira vez, e ainda não percebi a coisa toda… Vasculhando minha agenda essa tarde, em busca de qualquer outra coisa, esbarrei num bilhetinho que escrevi para mim mesmo na capa do caderno. Nem me lembrava mais que havia feito aquilo, mas agora me recordo nitidamente que rascunhei algumas frases no meio da madrugada: minha mulher descansava do parto, o bebê dormia sem culpa nem nada, e eu ainda me refazia de tudo aquilo. É claro que acompanhei a cirurgia, que tirei fotos, que anunciei o nascimento pelo celular, que monitorei cada respiração daquele menino naquela noite. Medo bobo. Medo de pai novo…

No silêncio do quarto, a clínica praticamente vazia, fiquei ali, só assistindo os dois dormirem. Quis gritar, quis dançar, mas me detive: seria ridículo; incompreensível para qualquer enfermeira que ali entrasse de repente. Cocei a mão e apanhei a agenda. Com uma letra miúda, fui deixando escoar uma ou outra palavra, como num conta-gotas. Não que eu pesasse as palavras, mas porque não queria acordá-los. Fui imprensando palavra com palavra, sem pressa, com cuidado na pontuação, fazendo a madrugada só minha.

***

Tornei-me pai há poucas horas e ainda estou tomado por uma imensa sensação de paz. Não chorei no parto; não fiquei nervoso; só fui sorriso. Não esperava reagir assim, mas acho mesmo que já estava esperando tudo isso. Ser pai me preencheu com tanta força, serenidade e delicadeza que quase nem me reconheço.

A força, eu roubo dos dedinhos dele, que apertam minha mão; a serenidade, eu vejo no soninho leve e contagiante dele; a delicadeza mora nos movimentos suaves dos lábios, quando balbucia historinhas incompreensíveis.

Como será daqui pra frente? Como o mundo vai tratar esse novo passageiro da vida? Eu não sei. Também não quero me preocupar agora com isso. Deixa o mundo girar que eu quero mesmo é velar por esse soninho gostoso.

***

Se fosse essa noite, escreveria outra mensagem. Talvez mais serena, mais amena. Já mudei bastante desde aquela madrugada. Não é responsabilidade ou o peso da idade. Não é medo, nem coragem. É uma sensação diferente, que me preenche, que me acalma, que me renova. É uma paz imensa, espalhada, inebriante. Só. Nessas duas semanas, a vida mudou bastante. Comi menos, sorri mais. Dormi menos do que o normal, é bem verdade. Mas não foi apenas para amainar algum chorinho sem-causa. Perdi o sono para sonhar com ele crescido, correndo pela praia, chutando a espuma da onda que lambe a areia. Não perdi o sono. Ganhei sonhando acordado.

dia dos pais: crônica 1

Sou pai há apenas cinco anos.
No começo, foi uma novidade incrível. Continua sendo.

E como estamos às vésperas do Dia dos Pais, desengaveto aqui alguns textos que cometi há quatro ou cinco anos. Originalmente, eles foram escritos para o site do meu amigo Marcio ABC, grande jornalista e pai da Maria Clara. Nem sei se ele mantém esses textos por lá, mas em todo o caso, deposito aqui também.

Se você é pai, talvez se identifique. Se não é, talvez se motive a ser…

Crônica 1
Mas quem é o pai?
(12/03/2004)

Outro dia, acabei descobrindo que a maternidade é uma instituição e que a paternidade é uma situação. Quer dizer, ser mãe é uma condição já embutida no DNA das mulheres e que se manifesta em algum momento de suas vidas, mesmo que elas não venham a parir. As mães têm sexto sentido; sempre têm razão; têm paciência e pressentem perigos para a prole; estão no centro da família e, quando é o dia delas, recebem presentes. Sempre. Por outro lado, ser pai não é lá grande coisa, e em muitos casos, isso acontece até mesmo sem querer. No dia dos pais, eles recebem uma lembrancinha; eles não detêm nenhum superpoder como a clarividência materna ou o coração em forma de latifúndio. Pais quase não são mais necessários. Ainda mais nos dias de hoje, quando temos bancos de sêmen, técnicas avançadíssimas de inseminação artificial e mulheres mais avançadas ainda. Não vai demorar muito para que os pais sejam tratados como meros doadores de líquidos corporais. (Na verdade, já tem pai que é tratado assim… ou você não se lembra do Luciano Szafir?).

Por isso, a maternidade é uma instituição respeitada e cultivada, um estado desejado, uma condição invejada. A paternidade perde o pouco espaço que teve até então, sendo relegada a um detalhe aqui, outro ali.

Prova disso é o interesse que atrai. Quase nenhum. Um exemplo é o mercado editorial. Minha mulher foi a uma loja atrás de um livro que tratasse de cuidados e conselhos a futuros pais. Andou, andou, andou e não achou nada. Encontrou dezenas de títulos sobre a saúde das gestantes, os cuidados com a gravidez, técnicas de parto, orientações e exercícios físicos para facilitar a dilatação na hora H, guias de nomes, dicionários e enciclopédias neonatais, livrinhos de banho para os recém-chegados, e uma infinidade de manuais de educação infantil. A esmagadora maioria dessas obras era voltada às futuras mamães, ignorando solenemente a presença dos idiotas ao lado, que tentam disfarçar o constrangimento com um sorriso amarelo. Para não dizer que não existam títulos no mercado voltados para os futuros pais, vou citar dois: um foi escrito pelo Gugu Liberato e outro pelo Hélio de La Peña, um dos Cassetas. Diante de tantas opções e graus de especialidade, só mesmo apelando. A pouca oferta é reveladora: ninguém está nem aí para os pais; afinal, eles são meros coadjuvantes, alguém aí pode deixar escapar. Entretanto, depois de procurar muito, até encontramos algo, um livro chamado “O manual do grávido”, que é bem humorado, tem inteligência e é bem útil. Mas é pouco, né!?

O episódio me fez pensar nisso que a gente se transforma quando o exame dá positivo. E, cada vez mais, me convenço de que a paternidade é uma situação, e tudo depende de um bom convencimento. Deixa explicar. Há gerações, as mulheres são condicionadas a esperar que um dia irão se tornar mães. Aí, elas crescem brincando com bonecas, adestram-se na lida com esses afazeres e tomam para si que a missão feminina na Terra é mesmo gerar e parir. A mulher nasce para ser mãe. O homem, não. Ele não é preparado física, técnica e intelectualmente para ser pai. Muito menos emocionalmente. Então, o homem não nasce pai, mas vai acabar se convencendo disso. Alguém – geralmente, a mulher; às vezes, a amante – vai colocar na cabeça dele que é hora de ser pai.

Digo isso com convicção. Tenho amigos que se comportam da mesma forma, e outros que já reproduziram o procedimento que parece ser mesmo padrão. Não é que a gente não queira ser pai, a gente só não estava preparado para isso desde o começo…

De qualquer forma, isso me leva a pensar no que é mesmo ser pai hoje em dia. Se a paternidade é uma situação (e não uma instituição como a maternidade), se, para ser pai, o sujeito tem de se convencer disso, se não fomos educados para isso e se o mundo já é muito diferente do construído pelos nossos pais e avós, é necessário repensar o papel do pai na sociedade atual.

As famílias não são apenas aquele grupinho que tinha papai, mamãe e filhinhos numa mesa de café da manhã passando margarina no pão. Há diversos modelos de células familiares: num deles, quem é o chefe da casa é a mãe; em outro, o casal é homossexual; num terceiro, há filhos de pais separados e casados novamente, gerando aquela confusão de meio-irmão; entre tantos outros exemplos. A família mudou, e o pai já não é aquele cara que sabia tudo e tinha pleno controle das situações. As crianças não temem mais tanto os pais e geram ordens e comandos próprios, conquistando relativa autonomia. Os casais mudaram também. As mulheres são mais emancipadas, independentes e fortes; são mais racionais e ocupam os espaços mais distintos no mundo. Os homens revelam-se mais frágeis, emocionalmente instáveis, avessos a compromissos, desorganizados compulsivos, verdadeiras baratas-tontas bípedes. Com tudo isso, o pai precisa se ajustar a um novo cenário familiar. Não basta apenas que seja o provedor, o protetor, o modelo masculino da força e da coragem. É preciso reconhecer-se em outras posições, em terrenos ainda desconhecidos.

Diante disso, é claro que eu não tenho todas as respostas. Eu só descobri que serei pai faz seis meses. Esta é a minha primeira vez, e é assustador. Mas é fascinante. É pavoroso. Mas empolgante. Calamitoso. Emocionante. Aparvalhante. Maravilhoso…

Sabe, algumas vezes por dia. eu me pego olhando para aquela barriguinha e tento enxergar quem vem vindo ali. Eu abro bem os olhos e passo a ponta dos dedos sobre o ventre dela e sussurro algo (mas não faço com aquelas vozes bobas, juro!). Dá um arrepio de saber que alguém lá dentro me ouviu. Principalmente, se aquele parasitinha dá algum sinal de vida, do tipo chute, cotovelada ou cambalhota. Quando isso acontece, eu não consigo segurar e escancaro um sorriso no rosto. Como se eu tivesse esperando por aquilo desde que nasci…

meia dúzia de links acadêmicos sobre jornalismo

Rápido e rasteiro:

vencedores convidam para o prêmio adelmo genro filho 2009

Faltam quatro dias para o final do prazo de inscrições para o Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e está na quarta edição. Podem participar trabalhos apresentados ou defendidos em 2008, nas categorias Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado.

Considerado o prêmio de maior prestígio nacional na área da pesquisa, o PAGF já destacou trabalhos importantes em diversos segmentos de estudo em Jornalismo. O vencedor da categoria Doutorado de 2007, José Afonso da Silva Júnior, destaca o impacto da iniciativa: “O prêmio não é apenas um reconhecimento à qualidade e relevância das pesquisas em jornalismo. Mais que isso, o PAGF se constitui num importante argumento em prol da consolidação do ensino e investigação do jornalismo como área de conhecimento e de apontar para práticas de jornalismo aperfeiçoadas sob o ponto de vista social, profissional é ético no contexto contemporâneo”. Para Zé Afonso, prêmio “demonstra ainda a crescente maturidade da pesquisa realizadas no Brasil que tem o jornalismo como problema. É como um sismógrafo: capaz de registrar a construção de conhecimento em torno do jornalismo e avançar a discussão e aprofundamento dos temas”.

Marcelo Träsel recebeu o PAGF no ano passado. “Foi um importantíssimo reconhecimento pelo trabalho que desenvolvi durante o mestrado. A pesquisa acadêmica é cercada de dúvidas sobre a relevância das questões estudadas e a pertinência das teorias e métodos que usamos. Receber um prêmio de seus colegas é um sinal de que você está no caminho certo. No meu caso, foi um dos principais incentivos para seguir adiante na carreira acadêmica e entrar no doutorado”.

As inscrições para o PAGF 2009 vão até 10 de agosto!

O regulamento está aqui: http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=421

Veja os vencedores dos anos anteriores:

2006

Iniciação Científica
1º lugar: O cidadão-comum nas páginas do Diário de Santa Maria: uma questão de valores-notícia
Carolina Adolfo De Carvalho (Universidade Federal de Santa Maria)
Orientadora: Dra. Márcia Franz Amaral

Mestrado
1º lugar: O Webjornalismo Audiovisual: uma análise de notícias no UOL News e na TV UERJ Online
Leila Nogueira (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Dr. Elias Machado

Doutorado
1º lugar: Ilustrações: fronteiras entre o Jornalismo e a Arte
Gilmar Adolfo Hermes (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos)
Orientador: Dr. Ronaldo Henn

2007

Iniciação Científica
1º lugar: O uso da infografia na revista Saúde!
Elaine Aparecida Manini (UFSC)
Orientadora: Tattiana Teixeira

*Menção Honrosa na categoria Iniciação Científica
Título do Trabalho: Nuances de Análise Histórica do Jornalismo: homens, mulheres e a cidade nas páginas do Diário dos Campos (1910-1923)
Felipe Simão Pontes (UEPG)
Orientador: Sérgio Luiz Gadini

Mestrado
1º lugar: A qualidade da informação jornalística: uma análise da cobertura da grande imprensa sobre os transgênicos em 2004
Carina Andrade Benedeti (UnB)
Orientador: Luiz Gonzaga Figueiredo Motta

Doutorado
1º lugar: Uma trajetória em redes: modelos e características operacionais das agências de notícias: modelos e características operacionais das agências de notícias, das origens às redes digitais: com estudo de caso de três agências de notícias
José Afonso da Silva Júnior (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Marcos Silva Palácios

Sênior
Profa. Dra. Christa Berger – Universidade do Vale do Rio dos Sinos

2008

Iniciação Científica
1º lugar: Gabriela Jardim Rocha (PUC-Minas), “Mediações sociais no jornalismo colaborativo”
Orientadora: Geane Alzamora

Menção honrosa: Mariana de Almeida Costa (UFF), “Jornalistas e marginalidade social”
Orientadora: Sylvia Moretzsohn

Mestrado

1º lugar: Marcelo Ruschel Träsel (UFRGS), “A pluralização no webjornalismo participativo”
Orientador: Alex Primo

Menção honrosa: Ana Paula Ferrari Lemos Barros (UnB), “Saúde, sociedade e imprensa”
Orientadora: Dione Moura

Doutorado
1º lugar: Suzana Barbosa (UFBA), “Jornalismo digital em base de dados”
Orientador: Marcos Palacios

Sênior
Marcos Palacios (UFBA)

sessão da tarde na tv senado…

Frank Maia, sempre ele, dá o tom da coisa…

frankmascara

educação em diferentes contextos

Acabo de colocar na rede o Volume 9 nº 2 da Contrapontos, o periódico científico do Mestrado em Educação da Univali (SC, Brasil). A revista é classificada como publicação B2 no Qualis/Capes, é quadrimestral e teve como eixo temático nesta edição “A educação em diferentes”.

Veja o sumário:

Vol. 9, No 2 (2009)
Educação em Diferentes Contextos
Maio – Agosto de 2009
ISSN: 1984-7114 (novo! Versão eletrônica)

Editorial: Educação em diferentes contextos

A formação de professores e a teoria sociológica de Pierre Bourdieu: interface possível para pesquisas em Educação – Cristina Carta Cardoso de Medeiros

Tensão entre a vulgarização e a erudição – Altair Alberto Fávero, Carme Regina Schons

As relações existentes entre a educação e a complexidade na sociedade globalizada: impactos para a formação do leitor crítico – Renata Araújo Jatobá de Oliveira, Janssen Felipe da Silva

Um estudo sobre o trabalho pedagógico de professores das EJA – Emmanuel Ribeiro Cunha

A Educação Bioética no Ensino Fundamental: um estudo a partir da LDB e dos PCNs – Maria Isabel Alves Dumaresq, Margareth Rose Priel, Margaréte May Berkenbrock Rosito

A experimentação animal na Universidade Federal de Goiás: elementos para uma abordagem crítica – Thales A Tréz, Priscila Camargo Reis

Gênero e Educação: delimitação de espaços e construção de estereótipos – Carolina Riente Andrade, Amon Narciso Barros

Reflexões Acadêmicas
A Sustentabilidade No Ensino Superior Brasileiro: alguns elementos a partir da prática de educação ambiental na Universidade
– Fatima Elizabeti Marcomin, Alberto Dias Silva

Seção do Professor
Inclusion: Still an Evolving Term from an International Perspective
– Lilia Dibello

Resenhas
Escola Analógica – Cabeças Digitais: O cotidiano escolar frente às Tecnologias Midiáticas de Informação e Comunicação
– Maria Lucia de Amorim Soares

Entrevistas
Entrevista com o professor Kurt Meredith

nova gripe e férias escolares no monitor

Está na rede a edição 151 do Monitor de Mídia. Veja o sumário:

DIAGNÓSTICO
Um pouco mais do mesmo
Programação infantil na televisão oferece poucas mudanças para as crianças em férias.

REPORTAGEM
Litoral de contrastes
Balneários da Costa Esmeralda, que lotam durante o verão, são ideais para descanso e recolhimento no inverno. Confira nessa reportagem uma galeria de fotos.

REPORTAGEM
Avanço da gripe A
A reportagem do MONITOR DE MÍDIA vai até a fronteira de Santa Catarina com a Argentina para acompanhar as medidas de contenção do vírus H1N1.

EDITORIAL
Reestréias
O MONITOR DE MÍDIA completa oito anos com mudanças em seus quadros e traça novas perspectivas.

MULTIMÍDIA
Previna-se contra a gripe
Confira os vídeos explicativos sobre as principais características da gripe A e suas projeções no Brasil

jornalismo, direitos autorais e a ofensiva da associated press

Dias atrás, comentei aqui post de Carlos Castilho sobre uma estratégia da Associated Press para controlar melhor seus conteúdos. De acordo com a AP, já seria possível responsabilizar buscadores como o Google sobre reproduções não autorizadas de seus materiais. Polêmica a ofensiva, pra se dizer o mínimo. À época de meu post, Marcelo Träsel respondeu com sua contundência habitual demonstrando ser um equívoco da empresa.

O tempo passou, mas não muito. Hoje mesmo, o mesmo Träsel vem à tona com um excelente post em seu blog. Reproduzo o finalzinho, mas se eu fosse você leria de cabo a rabo. Inteligente, equilibrado e muito lúcido!

Um dos desafios do jornalismo hoje é encontrar o equilíbrio entre o caráter de serviço público e, consequentemente, a necessidade de permitir o uso justo das informações, e a proteção ao trabalho dos profissionais de imprensa. Se algumas empresas de mídia estão tomando posições irracionais frente às mudanças trazidas pela comunicação em rede, se tentam controlar o incontrolável, é certo que também há abusos por parte de muitas iniciativas individuais e empresariais. O uso justo da informação reside em algum ponto entre esses dois casos.

prêmio adelmo genro: última semana

Restam apenas sete dias para o final do prazo de inscrição para a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é concedida pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e é  voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2008.

São três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.

O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da SBPJor, e os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros, e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.

Os resultados têm anúncio previsto para 6 de outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Paulo.

Mais informações: http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=421

Reforçando: inscrições no PAGF 2009 até 10 de agosto!!!

sala de prensa, 118: na rede!

Já está disponível a nova edição de Sala de Prensa. Parabéns, Gerardo Albarrán de Alba, pela longevidade desta importante referência!!!

O sumário 118 é o que segue:

  • Venezuela – Proyecto de Ley Especial contra Delitos Mediáticos
  • La prensa frente al crimen organizado: Periodistas, no voceros – Pascal Beltrán del Río
  • Análisis del seguimiento contra la libertad de expresión en México – Karina Coronado Cruz, Nubia C. Salas Lizana y Karla E. Aguilar Padilla
  • O Jornalismo entre a dúvida e a incerteza: reflexões sobre a natureza da atividade – Rogério Christofoletti
  • Los 21 puntos clave para una nueva ley de comunicación – Carlos A. Camacho
  • Aportes al pluralismo informativo – Daniel G. Gutman
  • El periodismo sin palabras – Isabel Cerón y Germán Perlaza Rúa
  • Periodismo literario: entre el mito y la verdad – Luis Raúl Vázquez Muñoz
  • Ten Years Later July 2009: Revisiting the Death of Photojournalism – Dirck Halstead

ainda sobre jornalismo visual…

Tattiana Teixeira, que sabe muito mais de infografia do que eu, avisou a mim e ao Clóvis Geyer que as mudanças na Superinteressante tinham sido ocasionadas pelas “mudanças radicais editoriais e gráficas da Galileu”. A twittada dela me fez pensar e passar numa banca de revistas para conferir…

Sim, Tattiana tem razão. Não se pode julgar alterações num produto levando-se em conta apenas as motivações internas. Aspectos mercadológicos são fundamentais. E no caso da Super, claro, que reformas na concorrente direta – editada pela Globo e que está completando 18 anos este mês – foram determinantes para os ajustes a que mencionei antes. Na verdade, sempre, um conjunto de fatores internos e externos, estruturais e conjunturais fazem com que as empresas se modifiquem, alterem suas rotinas e redimensionem seus produtos e serviços.

A edição de agosto de Galileu também é muito visual. Recorre a infográficos, a cores, a ícones, mas não o faz em detrimento dos longos textos, mesmo quando justificado. Super parece apostar nisso. Galileu sofreu reformas e está mais visual, mas não abriu mão da extensão das palavras. Basta comparar as edições deste mês e perceber – sem cálculo, sem nada – que Galileu oferece muito mais unidades de informação verbal do que a concorrente da Abril. Por um preço ligeiramente menor, diga-se…

Isso faz da Galileu melhor? Não necessariamente. Se os textos forem bons, e funcionarem como “ferramentas” melhores para se contar histórias, tanto melhor. Se não, não. Pessoalmente, acompanho mais a Super que Galileu, mas no conjunto, a revista popular de ciência da Globo está muito mais interessante que a própria Superinteressante… Pautas, enfoques, angulações e textos estão bem mais instigantes…

No post anterior, eu destacava a aposta de Super, como um lance de ousadia pelo jornalismo visual. Talvez a estratégia se mostre equivocada. Mas os passos de Galileu sinalizam que não. Galileu também está mais atraente, visual, chamativa, sedutora aos olhos. Por aí, já se disse no mercado e na academia que o jornalismo visual era uma das tendências mais fortes dos próximos anos para a área. Adriana Alves, do ótimo blog Infografia em Base de Dados, citou diversos exemplos num comentário a este blog que bem demonstram tais tendências…

super muda pra continuar a mesma

É com a frase do título que o redator-chefe da Superinteressante, Sérgio Gwercman, justifica o conjunto de mudanças pelas quais passou a revista a partir do número que está nas bancas. Quer dizer: a Super mudou para manter-se no jogo, para reforçar seu espírito de sempre.

Se você não viu ainda a edição 268 – de agosto de 2009 -, eu dou o serviço: as mudanças são mais de forma que de conteúdo. Isto é, com exceção do surgimento de uma ou duas novas seções, a estrutura da publicação continua a mesma. O que se percebe a olhos vistos é um novo projeto gráfico e a assunção de uma vocação histórica da revista: os infográficos. Quem acompanha a Super sabe que a publicação sempre foi jovial e sempre, sempre investiu pesado em infográficos de peso, que geralmente ocupavam as páginas centrais, juntinho aos grampos, estrategicamente ali colocados para serem destacados e se tornarem pôsteres. Esses infográficos tomavam duas páginas e o leitor – como os da Playboy – precisavam virar 90 graus a revista para acompanhar os detalhes.

A coisa era tão bem feita que houve um tempo em que a Super era a única publicação brasileira a trazer nas matérias a assinatura do repórter, do fotógrafo/ilustrador e do designer da página!

Pois bem, a Super – segundo Gwercman – agora traz mais e mais infográficos. E é verdade. Não apenas esses gigantes, mas outros menores, ocupando uma página ou menos. O fato é que se percebe que a redação decidiu colocar matérias e infográficos no mesmo patamar. Com isso, não uma mas várias vezes, o leitor vai encontrar arranjos tipográficos, soluções gráficas e muito visualmente trabalhadas ao invés de um texto corrido. Isso é uma mudança e tanto! Vou repetir: o jornalismo visual ganha espaço e divide as páginas da Super com o jornalismo de texto tradicional, bem redigido e tal.

É cedo para dizer se isso vai dar certo e se essa é a melhor forma de se adaptar a novos tempos de jornalismo e de mídia renovada.

Mas é curioso perceber que a Super faz isso para se manter firme e forte. Ao mesmo tempo em que permite que qualquer leitor acesse seu farto conteúdo na internet, apela para uma estratégia inteligente para reembalar seu conteúdo para o suporte impresso. No site, há infográficos também. Mas não se compara ao prazer de vê-los em papel de revista. Prazer mesmo!

Eu disse há pouco que é curioso perceber esse caminho, pois nos anos 80 a sedução pelos olhos foi a saída para uma certa reinvenção dos jornais. A Folha de S.Paulo seguiu os passos do USA Today, que buscou na TV uma nova diagramação para suas páginas, abrindo fotos em mais colunas, recorrendo à cor e reforçando a narrativa do texto com gráficos… Àquela época, os jornais copiavam a linguagem da TV para aumentar seu tempo de sobrevivência. Como o animal que mimetiza seu predador para não ser devorado por ele.

No caso da Super, não se trata de copiar a TV novamente. Mas de reforçar nas páginas impressas uma vocação da revista, um jornalismo visual que parece funcionar muito bem no suporte de papel e não na tela. Com isso, a Super oferece conteúdos semelhantes, mas embalados de forma distinta na web e nas bancas. Não é mais o mimetismo da presa, mas a encarnação de uma pelagem para se fazer notar, como os espécimes que se transformam para seduzir e acasalar. Namorar com o leitor, no caso. Me parece inteligente, ousado, arriscado.

É bem verdade, não gostei tanto das tipologias adotadas pelo novo projeto gráfico. Mas a revista continua superatraente. De qualquer forma, é bom acompanhar o desenrolar dessa história. Ao invés de sentar, cobrir a cabeça com o véu e chorar diante do alardeado cadáver do jornalismo impresso, tem gente que está é sacudindo o caixão e bagunçando o coreto do velório…

uma imagem doméstica do inverno

Sim, tem feito bastante frio aqui em Santa Catarina. As temperaturas despencaram pra valer neste inverno, e há uns dez anos não se tremia tanto nas cidades catarinenses. De forma atípica, o frio tem vindo junto com a chuva, o que torna a coisa mais difícil de levar, ao menos pra mim.

Porque é sábado, deixo um flagrante caseiro do frio por estas bandas:

Mila, clandestina num cobertor. Esta sabe viver…

mila_e_o_inverno

fora sarney: um mashup

A dica me foi passada pelo Palmério Dias. É mais uma versão da já clássica cena de A queda, em que Hitler e seus lacaios estão no bunker, na iminência de serem derrotados. Como sabem, Hitler desespera-se e espalha xingamentos e ira para todos os lados. Já vi diversas versões da cena, sempre legendadas num outro contexto e sempre com muito bom humor. Desta vez, Hitler está no papel de Sarney.

miles davis vira trilha de videogame

miles_pixelFaz 50 anos que surgiu um dos discos mais celebrados do Jazz: Kind of Blue. Um disco sensível, único, sensacional, com músicos como Miles Davis e John Coltrane.
É lindo de ouvir, já falei disso. Adoro jazz, mas não sou purista. Por isso é que não torci o nariz para a notícia de que o mítico disco estaria virando trilha sonora de videogame retrô.

Foi Miles quem me mostrou que não vale a pena ser purista, e que é preciso se reinventar a cada dia, a qualquer momento. A trajetória musical de Miles Davis mostra isso. Ele tocou bebop com Charlie Parker e Cia; depois, inventou o cool jazz; depois, veio o free jazz, o fusion, etc. etc. Miles é um cara que tocou todos os standards, todos os clássicos, mas tocou Cindy Lauper e tocou a trilha de abertura do Homem-Aranha… Era um camaleão, com voz de lagarto, sopro poderoso, dedos com mil articulações pressionando os pistos de seu trompete. A figura altiva, os olhos esbugalhados, as roupas fosforescentes, os cabelos revoltos, tudo isso e mais as lendas que o acompanharam fizeram dele um mito.

Uma historinha para terminar este post:

Certa vez, Miles Davis foi convidado para uma recepção na Casa Branca. Lá, havia políticos, empresários, artistas, e uma fauna variada. Uma socialite se aproximou do negro vestido com elegância e perguntou num misto de nojo e curiosidade: “Afinal, o que o senhor faz aqui?” Miles respondeu com tranquilidade assombrosa: “Estou aqui porque mudei o panorama da música mundial duas ou três vezes”.

Sem exageros, Miles não mentiu.

blogs, redes sociais e comunicação digital: um evento na feevale

logo

Estão abertas as inscrições para o 3o. Seminário Blogs: Redes Sociais e Comunicação Digital.
O evento acontece nos dias 21 e 22 de setembro de 2009, na Feevale, em Novo Hamburgo, RS.

A proposta do seminário é abordar a influência das redes sociais na web na comunicação digital a fim de promover a compreensão deste cenário para que se possa agir nele de forma eficaz.

O 3º Seminário Blogs: Redes Sociais e Comunicação Digital vincula-se ao Projeto “Comunicação Corporativa e Conteúdo Gerado pelo Consumidor: desafios e tendências” (CNPq), que faz parte do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cultura, desenvolvido no Centro Universitário Feevale.

Programação (sujeita a alterações):

21/09/2009 – Segunda-feira
17h30min – Abertura Oficial
18h30min às 19h30min – Painel: Blogs e Jornalismo Colaborativo
Ministrantes: Ana Brambilla (PUCRS), Diogo Carvalho (Blog Destemperados) e Rogério Christofoletti (UFSC)
20h às 22h30min – Palestra: Promoção e relacionamento online
Ministrantes: Edney Souza (Interney)  e André Pecini (Google)

22/09 – Terça-feira
14h às 17h – GT’s (Grupos de Trabalho)
– Redes Sociais na Web –  Comunicação mediada por computador nas ferramentas da Web 2.0 (blogs, microblogs, fotologs, videologs, sites de compartilhamento de vídeos, músicas e fotos, podcasts, videocasts, comunicadores instantâneos, plataformas de redes sociais de relacionamento) em sua interface com as redes sociais de relacionamento; Jogos Digitais e relacionamento on-line.
– Conteúdo na Comunicação Digital – Jornalismo on-line; jornalismo cidadão; plataformas colaborativas; plataformas open source; produção, compartilhamento, organização e busca de conteúdo (folksonomia, ferramentas de busca e web semântica); Jogos digitais como produção, compartilhamento e distribuição de conteúdo.
– Comunicação Digital Corporativa – Comunicação organizacional na web; Web 2.0 e a Opinião Pública; Ações de web marketing na Web 2.0; Publicidade on-line; Web Design; Advergames; Jogos digitais como estratégia de marketing na Web.

14h às 17h – Oficinas
Oficina 1: TV na internet (Justin.TV, Youtube, entre outros)
Ministrante: André Pase (PUCRS)
Oficina 2: Como se tornar um formador de preferência a partir das redes sociais (Blogs, Twitter, Facebook e outros)
Ministrante: Arnoldo Barroso Benkenstein (Feevale)
Oficina 3: Plataformas de Música online
Ministrante: Adriana Amaral (UTP)

18h – Plenária

19h – Encerramento Oficial

Datas importantes:
Inscrições: 30 de julho a 20 de setembro de 2009
Submissões de resumos: 30 de julho a 15 de agosto de 2009 (*)
Divulgação dos aceites: 20 de agosto de 2009

* Os resumos devem ter entre 900 e 2500 caracteres com espaços e conter os elementos a seguir especificados (não necessariamente nesta ordem): tema, justificativa, objetivos, metodologia, resultados parciais e/ou finais, considerações finais e palavras-chave (mínimo três e máximo cinco palavras).

Inscrições e mais detalhes em http://www.feevale.br/seminarioblogs

Regulamento AQUI!

ética e certificação de blogs e sites

A dica é rápida e ligeira: Alex Gamela reproduz entrevista que deu a uma acadêmica onde discute a idéia de certificação de qualidade para sites e blogs, bem como um selo de ética online. Vale ler e pensar sobre…

com o twitter, quem precisa de jornais?

Chris Anderson, o editor da Wired, dá uma paulada na moleira da mídia tradicional. Em entrevista a Frank Hornig, do Salon.com, o autor de A Cauda Longa fala de jornalismo, de modelos de negócio que podem ajudar a sustentar a indústria de mídia e sobre o tamanho da economia da internet. O título da entrevista é provocativo: quem precisa dos jornais quando se tem o Twitter?

O homem por trás de uma das mais prestigiadas publicações (impressas) sobre tecnologia é categórico. Quando se detém para discutir o futuro da comunicação, não usa mais palavras como “jornalismo”, “mídia” e “notícias”. Para ele, esses termos ajudaram a definir o padrão de difusão informativa no século XX e hoje já precisariam ser substituídas, porque o cenário mudou.

A entrevista é interessantíssima, deve ser lida com atenção, e guardada para conferirmos possíveis erros e acertos nos prognósticos.

sbpjor prorroga prazo para trabalhos

Reproduzo informe da Diretoria Científica da SBPJor:

A SBPJor decidiu prorrogar em uma semana a inscrição de trabalhos para o VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. O prazo passa a ser 10 de agosto.

O sistema de inscrições está em http://www.sbpjor.org.br/artigos2009

O site do evento também está no ar: http://sbpjor.org.br/evento

em tempos de gripe a, como atua a mídia?

Vivemos dias complicados para os governos e as redações, né mesmo?

Imagine que diante da pandemia de gripe A, os administradores públicos precisam informar a população, convencer o cidadão comum a adotar procedimentos de segurança e ainda repassar novidades aos agentes de saúde, por exemplo. A imprensa, por sua vez, também tem um papel estratégico nesta situação: disseminar massivamente as informações que realmente interessam, atualizar o noticiário, acompanhar os movimentos dos governos para ver se as melhores políticas públicas de saúde estão sendo adotadas… E o enrosco é justamente este: Como informar sem alarmar? Como comunicar com fidelidade as circunstâncias que compõem a realidade sem causar histeria coletiva? Que cuidados se deve tomar nessas condições?

Não é fácil.

Por isso, já falei aqui de uma publicação da ANDI sobre Jornalismo Preventivo e Cobertura de Situações de Risco. Mas volto a falar da Agência de Notícias dos Direitos da Infância, uma das ONGs que mais se preocupa com o jornalismo voltado ao desenvolvimento e às políticas públicas sociais. Desta vez, lembro que a ANDI disponibilizou mais uma publicação, agora uma análise sobre como a mídia tratou a dengue e a febre amarela. O livro está em formato PDF, o arquivo tem 3,1 mega,  e é uma sequência de “Jornalismo Preventivo”…”. Baixe aqui.

futuro do jornalismo: palpites

Dois toques ligeiros:

1. A dica é do Luís Santos, do Atrium: Kevin Sablan fez uma interessante linha do tempo com prognósticos, vaticínios e palpites sobre o futuro do jornalismo. O levantamento tem suas limitações, é verdade, já que se apóia em alguns blogs e sites, apenas em língua inglesa, mas é um documento atualíssimo, pois se concentra no ano de 2009. Portanto, é uma timeline a ser esticada e acompanhada…

2. O CyberJournalis.Net arrisca: o futuro do jornalismo está nos jornais de nicho. Também vamos devagar… pois qualquer profecia nesses tempos tem tudo para ser contestada… mas vale pensar sobre…

contagem regressiva: prêmio adelmo genro filho de pesquisa em jornalismo

Vão até o dia 10 de agosto as inscrições para a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2008 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.

O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da SBPJor, e os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros, e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.

Os resultados têm anúncio previsto para 6 de outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Paulo.

Mais informações: http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=421

ah, esse lobo antunes…

Lobo Antunes é um desses homens que não têm cara de escritor. Se a gente não o conhece, capaz de esbarrar na fila da padaria e nem pedir desculpas direito. É um desses homens com cara envernizada, com olhares fundos que lembram aos olhos cegos de Jorge Luis Borges, com voz de trovão de palestrante estrangeiro.

Há quem diga que é o maior escritor vivo da Língua Portuguesa. Há quem diga ainda que o Nobel de Literatura está a lhe cair no colo logo-logo.

Li apenas um livro dele e me encantei: Os cus do Judas. Comprei outros tantos que me atiram súplicas de leitura todos os dias, quando percorro as estantes de livros de casa. Conhecimento do Inferno está lá. Fado Alexandrino também. Exortação aos Crocodilos, cujo título adoro e que comprei por uma ninharia numa livraria de aeroporto, sorri malicioso para mim. Esses livros me espreitam como lobos… Enquanto não os enfrento, ouço o sujeito que os escreveu…

– em conversa com Humberto Werneck, na Flip deste ano…

– falando sobre O Arquipélago da Insônia, livro recente…

o valor do jornalismo e o dna da notícia

Dois links nesta sexta ensolarada – ao menos no litoral norte catarinense – me chamaram muito a atenção.

1. No agourento Newspaper Death Watch, Paul Gillin faz rápida reflexão sobre o valor do trabalho jornalístico.

2. Carlos Castilho conta em seu Código Aberto a reação da Associated Press para não ser lesada pelo Google e cia., que “chupam” seus materiais sem dar créditos ou dividendos.

Os dois links parecem não ter nada a ver entre si. Ilusão. Eles roçam em questões práticas e essenciais para o presente e o futuro do jornalismo. Se não existe almoço grátis, quem vai pagar a conta disso tudo?

sala de prensa 117 na rede!

Gerardo Albarrán de Alba avisa: está na rede a edição 117 de Sala de Prensa, deste mês de julho. Veja o sumário:

  • Irán: información atomizada, la nueva ola – Santiago O’Donnell
  • Hacia una historia del nuevo periodismo – Maricarmen Fernández Chapou
  • Concentración mediática y lavado de cerebros en América Latina – Jenaro Villamil
  • Notícias do Outro quando lá fora – Dinis Manuel Alves
  • La teoría de los géneros periodísticos en España: notas sobre su origen y estado de la cuestión – Ana Mancera Rueda
  • Informar y sobrevivir en Ciudad Juárez – Mike O’Connor
  • Sete anos e 45 viagens para um furo histórico – Luiz Weis
  • María Teresa Ronderos:“El periodista tiene que verificar y verificar” – Genaro Rodríguez Navarrete
  • Un aporte para pensar las formas comunicacionales de los pueblos originarios – Washington Uranga
  • CPJ Special Report Journalists in Exile 2009 – Karen Phillips
  • La comunicación antes de Colón
  • Reformas a la ley de prensa en Uruguay