12 resoluções para 2012

1. Fazer ao menos uma coisa diferente por mês. Serão 12 maneiras novas de viver. Experimente!

2. Contar até 11 diante dos problemas. Seja paciente!

3. Não fazer 10 coisas ao mesmo tempo. Tenha foco!

4. Dormir 9 horas diárias. Descanse!

5. Tentar trabalhar apenas 8 horas por dia. Equilibre-se!

6. Não gastar nenhuma das minhas 7 vidas. Cuide-se!

7. Fazer mais meia dúzia de amigos. Conviva!

8. Conjugar 5 verbos em todos os tempos: Perdoar, Dialogar, Celebrar, Ousar, Viajar.

9. Perder 4 quilos, e não voltar a encontrá-los na cozinha. Seja mais leve!

10. Conceder-se 3 desejos, e realizá-los. Presenteie!

11. Agradecer 2 vezes, sempre. Reconheça!

12. Amar a vida como se ela fosse uma só. Aproveite!

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“desovando” orientandos…

A expressão é grosseira, mas bastante usada quando estamos orgulhosamente encaminhando nossos orientandos para os exames de qualificação e defesas de dissertação. Por isso, em novembro e dezembro – além da longa lista de afazeres do final de semestre -, estarei “desovando” algumas crias…

No dia 22 de novembro, terça, tem qualificação do trabalho “Jornalismo, credibilidade e legitimação: imagem de si e construção do ethos no discurso jornalístico”, de Cândida de Oliveira

Resumo: Esta pesquisa investiga os processos de credibilidade e legitimação do jornalismo, em sua dimensão institucional e discursiva. Compreende-se que o jornalismo encontra credibilidade e legitimidade pública ao exercer um poder organizador que, derivado da palavra consignada, lhe confere o status de instituição social. No contexto atual, a substituição da referência à realidade – ancorado no critério de verdade, o que contribui para sustentar a credibilidade – pela autorreferência no discurso jornalístico denota transformações no modo como o jornalismo se apresenta para a sociedade, ou seja, como constrói a imagem de si, parte integrante do ethos discursivo. Diante disso, a pesquisa investiga a representação que o jornalismo faz de si na construção do ethos e as implicações dessa representação nos conceitos de credibilidade e legitimidade jornalística. A discussão será sustentada ainda por uma análise empírica focada no discurso institucional e opinativo de quatro grandes jornais brasileiros: Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo e Zero Hora. De modo geral, a pesquisa busca compreender e explicar como o jornalismo constrói a imagem de si e o ethos, e de que forma essa imagem interfere na credibilidade e legitimação do jornalismo. A pesquisa filia-se em referenciais teórico-metodológicos que se inscrevem na teoria do jornalismo, da nova retórica e da análise do discurso, o que permite levar em conta não apenas a organização desse discurso, mas também seu funcionamento e produção de sentidos.

No  dia 1 de dezembro, tem qualificação do trabalho “Liberdade de expressão e tensões público x privado: jornalistas nas redes sociais”, de Janara Nicoletti

Resumo: Com as mídias sociais na internet, a forma de comunicar foi reconfigurada. Diante deste novo cenário, organizações jornalísticas buscam um reposicionamento que garanta fidelizar seus públicos e manter seu poder midiático. Para direcionar e efetivar as estratégias empresariais de presença nos novos meios, são instituídas diretrizes de uso de redes sociais. Como inexiste um balizador comum, cada empresa determina suas próprias normas e regimentos, com base em valores e metas próprios – o que pode interferir na qualidade profissional e no cumprimento dos preceitos éticos e deontológicos do Jornalismo. Acima disso, pode comprometer a liberdade individual dos profissionais. Este trabalho irá investigar como as organizações jornalísticas orientam a conduta de seus colaboradores nas novas mídias, a partir da formulação de normas técnicas e deontológicas de uso das redes sociais, e até que ponto esta padronização de postura interfere no trabalho diário e na liberdade de expressão dos colaboradores.

Em 7 de dezembro, tem defesa da dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”, de Marcelo Barcelos

Barcelos entrega a dissertação à coordenadora Gislene Silva
Barcelos entrega volume à coordenadora Gislene Silva

Resumo: O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.

“daytripper” é a melhor HQ da “história desse país”

Os quadrinhos brasileiros já têm a sua obra-prima: Daytripper, dos irmãos Fábio Bá e Gabriel Moon. Mas alguém poderá dizer: isso é um exagero e é um erro. Exagero porque a HQ pode não ser tudo o que se está comentando. Erro porque a revista foi originalmente lançada nos Estados Unidos, em inglês, e só este ano chegou ao país. Mas reafirmo: Daytripper é o maior feito individual das histórias em quadrinhos do Brasil.

Embora tenha sido publicada antes por uma editora norte-americana – o selo Vertigo -, Daytripper não permite dúvidas: narra a história de um personagem brasileiro, no contexto brasileiro, escrita e ilustrada por dois brasileiros. Não bastasse isso, o protagonista traz parte do país no nome: Brás de Oliva Domingos.

Daytripper tem um argumento intrigante: Brás é o filho de um famoso escritor e também ambiciona uma carreira literária, mas sua vida se resume a escrever necrológios para os jornais. Sua rotina parece vazia e, ao escrever sobre os feitos dos mortos, Brás fica a imaginar quando os momentos realmente importantes de sua vida acontecerão. A partir daí, Fábio Bá e Gabriel Moon constroem uma obra sólida, multifacetada, sensível e tocante.

Os desenhos são delicados, levemente oníricos em contraste com cenários minuciosos e realistas. Os diálogos bem escritos, fluentes e sem gordura. Personagens são compostos com complexidade rara. Mas o que chama mais a atenção é a construção narrativa: a vida de Brás é conjugada no plural, em várias dimensões, em distintos momentos da trajetória do protagonista. A morte o assalta aos 33 anos, aos 11, aos 41, aos 76… A trama é atravessada por temas pungentes, como o destino, a fatalidade, a fragilidade da vida, as relações entre pais e filhos, a ausência de entes queridos, a amizade e o amor. Esses assuntos reverberam entre os capítulos da história, vão e voltam como ideias-força que impulsionam os personagens de um lado a outro. Impactado, o leitor se deixa levar pela narrativa à medida em que reflete sobre a sua própria vida. É mágico, é envolvente, lindo.

Ressaltado pelo New York Times em sua lista de mais vendidos e pelo site da Amazon Books, Daytripper venceu alguns dos principais prêmios mundiais dos quadrinhos: no Reino Unido, levou o Eagle Awards; nos Estados Unidos, ganhou o Harvey e o Will Eisner; e no Brasil, o HQ Mix. O livro arrancou elogios rasgados de gente graúda da indústria. Jeff Smith disse que não conseguia parar de ler. Terry Moore afirmou que foi a história mais envolvente do ano passado. E nada disso é exagerado, creiam.

Daytripper é daqueles exemplos que justificariam a expressão graphic novel. Trata-se de um romance gráfico, com profundidade psicológica, trama bem elaborada, argumento que transcende as páginas do volume. Daytripper é daqueles casos em que o produto artístico alcança um patamar de destaque que extrapola o interesse do público a que se dirige. É também a materialização da excelência na arte em que se dedica.

O trabalho dos gêmeos Bá e Moon precisa ser conhecido e reverenciado. Daytripper é um diamante lapidado com capricho, luxuosamente embalado e que vale cada centavo. Escrevam: daqui a dez, vinte anos ainda lembraremos deste trabalho. É uma obra madura e emocionante. Pare já de ler este post e corra para as páginas de Daytripper.

os vingadores vêm aí; tintin também

Já faz tempo que a indústria dos quadrinhos não vive apenas da venda de gibis. Na verdade, em termos globais, o que anda segurando a onda das grandes editoras são mesmo as produções de séries televisivas, licenciamento de produtos e filmes para cinema. Enquanto a DC vem com Batman, Superman e Lanterna Verde, a Marvel ataca de X-Men, Homem-Aranha, Capitão América, Thor, Hulk, Homem de Ferro e… Os Vingadores!

Mas não são apenas os super-heróis que brilham na tela grande. Personagens menos poderosos, mas também cativantes desembarcam nos cinemas, como será o caso de Tintin, do belga Hergé.

Grandes produções, elencos estrelados, diretores de grife, super efeitos especiais… tudo isso não cabe mesmo nas páginas de revistas em quadrinhos… o cinema atualiza a nona arte. Por que não?

uma visita a espinosa

Você já marcou um encontro com alguém que sequer te conhece? E com quem sequer existe?

No último domingo, numa rápida passagem pelo Rio, desapareci no meio da floresta de concreto de Copacabana. Diante da praia mais famosa do mundo fileiras infinitas de prédios se espremem, deixando escapar ruas e avenidas como se fossem trilhas na relva. No final da manhã ensolarada, despenquei do quinto andar do Astoria Palace para visitar o Delegado Espinosa, o personagem mais conhecido em oito romances policiais de Luiz Alfredo García-Roza. Isso mesmo! Eu ia ao encontro de um detetive literário que mora no Bairro Peixoto, um amontoado urbano espremido entre os morros dos Cabritos e de São João.

Sem avisar Espinosa, segui pela avenida Atlântica como quem vai a Ipanema, mas só por algumas quadras. Diante do olhar misterioso de uma velhinha entrevada numa cadeira de rodas, dobrei a rua Figueiredo Magalhães, andando por quase meio quilômetro desviando de turistas deslumbrados, nativos enfadados e parte da fauna diurna de Copacabana. A noturna é tão interessante quanto, mas mais variada…

Na rua Tonelero, virei à esquerda e na Anita Garibaldi ao contrário. Havia muita gente pelas calçadas desperdiçando o domingo em conversa fiada, mas mesmo assim, me senti observado, vigiado. Apressei o passo, olhando furtivamente para trás para flagrar alguém me seguindo, mas nada! Não vi nada e a sensação de ser uma presa vulnerável não me abandonou até chegar à Praça Edmundo Bittencourt, logo em seguida: o reduto do Delegado Espinosa.

Como nas econômicas descrições dos romances, a praça é calma, encravada num aglomerado de prédios baixos de até três andares. Há brinquedos infantis, um chafariz, alguns bustos de figuras históricas, bancos, árvores, pombos, aposentados, crianças, babás, cuidadoras, namorados, cães desgarrados de seus donos e uma estátua de Nossa Senhora de Fátima, aprisionada numa caixa de vidro. O tempo segue mais devagar na praça, recorte de qualquer cidade do interior. Nem parece estar a um quilômetro e meio apenas do efervescente e glamouroso Copacabana Palace.

Espinosa mora num desses prediozinhos com sacada de metal, quase encostada à janela. Volta e meia, abre a porta, estica as pernas sobre a grade e mira a praça. Sob a sua vista, tudo em ordem. Dentro de si, sinapses intensas tentam solucionar crimes insolúveis.

Dei três voltas ao redor da praça, olhando menos para ela e mais para as paredes que a cercavam. Nenhum sinal de Espinosa nas sacadas. A cartomante húngara me lançou um olhar desconfiado, misto de praga e de desdém. Um pastor alemão latiu com a mesma animosidade. Não esperei mais nada para desaparecer dali. Fui direto à 12ª DP, na Hilário de Gouveia, mas rosnaram que Espinosa não estava de plantão. Como estava quase na hora do almoço, imagino que o delegado tenha ido almoçar no La Trattoria, na Fernando Mendes quase na dobra com a avenida Atlântica. Chego esbaforido, com a sensação de perseguição que não me larga. Pergunto por Espinosa, e um garçom pançudinho sorri: “Acabou de sair. Tá logo ali”, aponta para esquina. Corro e só consigo enxergar um homem alto de costas, entrando num táxi em câmera lenta. Grito seu nome, mas o veículo amarelo aproveita o sinal verde e vai embora.

“koko be good” surpreende!

Devorei com curiosidade e prazer a graphic novel de estreia de Jen Wang: Koko be good – não é fácil ser boazinha, que chegou este mês às bancas e livrarias brasileiras.

Wang é uma jovem artista norte-americana com ascendência oriental que desenha e escreve tão bem que parece uma veterana da arte sequencial. Socióloga de formação, Wang jé teve ocupações inusitadas e temporárias como qualquer jovem que está buscando um lugar para si no mundo. Aliás, neste sentido, Koko be good reflete muito as angústias de quem está às vésperas de se formar na faculdade e ainda não tem muito definido o que quer fazer “quando crescer”. Iniciar uma carreira, ingressar no famigerado mundo dos adultos, romper grilhões com a família e o passado, escrever a própria história, dar rumos à vida, concretizar sonhos… tudo isso (e mais!) está embutido no universo da irriquieta e eletrizante Koko, do angustiado Jon, do taciturno Faron, cujos destinos se cruzam nas mais de 300 páginas da HQ.

Buscar satisfazer sonhos individuais ou atuar em causas coletivas e sociais?, perguntam-se os personagens, com uma indisfarçável culpa herdada de não se sabe quem. Afinal, parece que quem corre atrás das próprias demandas não é tão bom (no sentido da bondade) quanto aqueles que se doam para projetos mais comunitários.

Para além de um roteiro bem escrito e de diálogos bem amarrados, a HQ traz um dos melhores traços que vi nos últimos anos. Sério! Jen Wang é econômica e eficiente, e domina com leveza as regras da narrativa que junta texto e desenho. Sua arte lembra a de Will Eisner, mas o grande mestre sempre foi muito detalhista nos cenários, na caracterização de figurinos e no histrionismo de seus personagens. Jen Wang concentra seu talento na expressividade de rostos desenhados com rapidez e limpeza. Tem atributos ricos para quem se dedica à caricatura e à charge: síntese e drama, expressão e economia de linhas.

Além disso, Jen Wang é clara e fina nos contornos. Distribui bem os quadros na página, e varia na orientação de leitura, conduzindo o leitor sem solavancos. Senhora de si, ela não se apoia nas cores, e suas pranchas de desenho ficam bem estruturadas no preto, no branco e em tons pasteis. Nada mais.

Se você gosta de quadrinhos e não conhecia Jen Wang, anote este nome. Ouviremos falar muito bem dessa moça.

Se você não gosta de quadrinhos, essa moça pode te fazer mudar de ideia.

PS – Koko é uma personagem carismática, apaixonante, viciante. Pegue duas doses da Mônica (Maurício de Sousa), junte com mais duas de Mafalda (Quino) e bata com raspas de Ravena (Teen Titans), Lola (Charlie & Lola) e Menino Maluquinho (Ziraldo). Sirva fervendo…

2/3

É, a gente nem sentiu, né?
Mas lá se foram dois terços do ano… agosto foi chuvoso em Santa Catarina, como não era há mais de uma década… que setembro venha sequinho, sequinho…

steve jobs não é o único

Não foi necessariamente uma surpresa a renúncia de Steve Jobs do comando da Apple. Já se sabia que mais dia menos dia ele deixaria a cadeira para cuidar de assuntos bem mais urgentes que o IPad 3 ou qualquer outra traquitana hightech. São evidentes e indeléveis as marcas dele nos resultados da Apple e na história recente da tecnologia, mas sua saída provocou uma comoção virtual nos blogs e redes sociais.

Calma, gente! O Steve Jobs não morreu! Só pegou o seu boné e foi fazer computação em nuvem!

Bem, e ele não é o único a limpar as gavetas. O António Granado informa que Jim Romenesko, nome importante da blogosfera, também vai se aposentar

(Aliás, ontem, um piadista já anunciava no Twitter: “Steve Jobs deixa a Apple e muda de nome. Vai passar a atender por Steve Vacations”…)

 

se eu soubesse…

…tinha ouvido antes o recente disco de Chico Buarque – Chico -, que acabei de ganhar no dia dos pais.
São caprichadas dez faixas, e a que me pegou de cara foi justamente “Se eu soubesse…”, que ele divide os vocais com a namorada Thais Gulin.

hqcon 2011: o que vi por lá

A expectativa era grande para a versão 2011 da HQCon, o evento de Florianópolis para quem curte quadrinhos, games, RPG, cosplay, objetos colecionáveis e todas as formas de cultura pop. Fez um dia de cinema, com sol intenso e temperatura inimaginável para a época: 30 graus!

A HQCon acontece hoje e amanhã num dos níveis do estacionamento do Floripa Shopping, o que pode resultar positiva e negativamente. O bom: fazer uma convenção como essa num shopping aproxima diversos públicos. O mau: fazer uma convenção numa garagem preserva aquele jeitão improvisado, despreparado.

Como se trata de um programa familiar, levei a primeira dama e o herdeiro de minhas dívidas. Como íamos de bando, planejamos chegar vestidos de Os Incríveis, mas não foi possível: o uniforme do Senhor Incrível não cabia em mim (tempos difíceis os nossos!). Abortamos a missão e resolvemos homenagear George Lucas: fomos de StarWars! Passamos uma tarde inteira na HQCon, o que me permitiu tirar algumas impressões que você pode comparar com as do ano passado (isso já está se tornando uma tradição).

Positivo

  • Dois dias de evento! Isso é bom, pois permite mais flexibilidade pra frequentar e… voltar!
  • O preço dos ingressos: R$ 15,00. O mesmo do ano passado e meia entrada pra todo o mundo. Crianças até 10 anos não pagavam nada, o que estimula nerds a levarem sua prole (Sim, senhor! Nerds também procriam!)
  • A organização se esforçou para trazer nomes importantes da área para compor as palestras e debates. Isso é fundamental para oxigenar as ideias e aproximar quem faz de quem consome…
  • Teve um debate que tratou especificamente da produção de quadrinhos em Santa Catarina! É assim também que se bota lenha na fogueira da produção local!
  • Sorteios de brindes e gincanas. Tem cada marmanjo que se acotovela pra ganhar uns brinquedinhos!
  • Houve apresentações tai-chi-chuan, artes marciais, manipulação de espadas e o escambau. Ficou interessante ver demonstrações práticas de superpoderes…
  • Os espaços dedicados a videogames estão coalhados de gente. Tem neguinho enchendo as redes do Santiago Bernabeu, tem uns desferindo golpes no Capcom, tem as meninas dançando na frente do Kinect e tem os headbangers do Guitar Hero…

Negativo

  • Se está pensando em passar um dia inteiro na HQCon leve sua marmita. Não tem nenhum lugar pra rangar no estacionamento. Claro que você pode sair do evento e buscar uma opção no shopping, mas vai enfrentar filas e pode ficar tentado a não voltar…
  • Não beba muito líquido. Você pode querer tirar a água do joelho e para isso também deverá deixar o evento para procurar um lugar adequado…
  • Houve atraso na programação, mas isso não é o fim do mundo…
  • Se no ano passado os stands ficaram apertadinhos no Floripa Music Hall, neste ano, esse não foi o problema. Tinha espaço de sobra. Poucas lojas. Opções limitadas, embora houvesse novidades como as canecas da Marvel, por exemplo…
  • No ano passado, no palco, tinha uma banda que fazia uns BGs legais (backgrounds = fundos musicais). Este ano faltou uma musiquinha. Só rolava rock’n’roll mesmo lá nos caras do Guitar Hero.
  • O espaço para as palestras ficou a desejar. Como se trata de um estacionamento, as condições acústicas não são as melhores, e por mais que o sistema de som tentasse, a recepção era difícil. Na verdade, isso tem a ver com o ambiente em si, que não gostei muito, conforme deu pra perceber. O lugar é maior que o ano passado, mas com menos estrutura. Acho mesmo que a HQCon ainda precisa de um super lugar pra acontecer em Florianópolis.

Umas ideias para os organizadores

  • Que tal uns puffs, sofás, poltronas, tapetes mágicos, sei lá, para os visitantes se escarrapacharem pela HQCon?
  • Que tal chamar umas bandas pra tocar nos intervalos das palestras?
  • Por que não convidar escolas e articular a vinda de mais crianças e pré-adolescentes? (Lembrem o que disse um dos debatedores: leitor de quadrinhos morre. É diferente de super-heroi que morre e volta. Por isso, é preciso investir na formação de público…)
  • Por que não investir mais nos públicos de seriados? Me deu a impressão que eles ficaram à margem…
  • Já pensaram em transmitir as palestras em videostreaming pela internet? Acho que iria provocar um buzz interessante na web…
  • Por falar nisso, e se na próxima edição, a HQCon tivesse um esquema forte de mídias sociais, com transmissões em tempo real de diversas partes, videos no YouTube, foruns borbulhando, podcast e rádio online, interação nas perguntas aos debatedores??
  •  E se no ano que vem a HQCon tivesse um patrono artístico? Tipo um grande nome nacional (internacional ou interplanetário) que viesse à convenção, interagisse com os fãs, recebesse homenagens e tal… Cada ano poderia ter um patrono…

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hqcon: as palestras

Começa hoje o maior evento da história das HQs em Santa Catarina: a HQCon

Confira a programação das palestras, apenas uma parte das atrações que se estendem por oficinas, feira, mesas de RPGs, cosplay e outros eventos:

HOJE

11h: Heróis e Batalha

Palestrantes:

  • Alan Monteiro O Mundo de “Herois & Batalhas®”
  • Evandro Kuhnen Mercado de games, importância dos jogos e redes sociais

13h30: SC faz HQ

Palestrantes:

  • Alex Guenther  HQS independentes com resgate histórico da região e Catacomics coletivo de desenhistas catarinenses
  • Chicolan  Menino Caranguejo, quadrinhos digitais, aplicativo Crabboy para iPhone e iPad
  • Marcelo Mueller  Como entrar e ficar no concorrido mercado de HQ americano

16h: Anos 80 – Cultura Jovem Brasileira nos Anos 80

Palestrantes:  

  • Guilherme Bryan
  • Mario Luiz C. Barroso

18h: DC X Marvel – As Mudanças e Franquias das Duas Maiores Editoras de HQ

  • Fabio Fernandes
  • Hector Lima
  • Mario Luiz C. Barroso
  • Sidney Gusman

AMANHÃ

12h: A Turma do Mauricio – Case Mauricio de Sousa e a HQ nacional

Palestrantes:

  • Sidney Gusman
  • Ricardo Manhaes
  • Hector Lima

14h: Festival Punk – Possibilidades do Retrofuturismo

Palestrantes:

  • Fabio Fernandes
  • Romeu Martins

16h: Computação Gráfica para Publicidade, Cinema e Games

Palestrantes:

  • Daniel Meurer
  • Janon Berka

18h: Cosplay

tudo novo no monitorando

Certidão de nascimento: nosso Internet Blog Serial Number

Após exaustivas reuniões, infindáveis negociações e delicados ajustes, o monitorando entra em nova fase.

Criado numa data cabalística – 20/05/2005 -, o blog ficou inicialmente hospedado no UOL e dois anos depois migrou para o WordPress. Permanecemos no mesmo endereço, mas agora inauguramos domínio próprio – christofoletti.com -, o que permite que o visitante chegue aqui por mais atalhos.

Além do novo endereço, fizemos uma faxina nos links, filtrando inativos e desatualizados, e nos arriscamos a mais uma cirurgia plástica, adotando um novo template: Mystique, da digitalnature. Também reativamos páginas com conteúdos mais estáveis, como a de Artigos e Livros, e uma nova, com síntese biográfica.

Formalmente, o monitorando agora é um site. Mas o espírito continua de blog. Na verdade, hoje, não faz diferença ter site ou blog. Importante é estar online. Estamos aí!

florianópolis na rota dos quadrinhos

Acontece amanhã e domingo em Florianópolis mais uma edição da HQCon, evento que reúne produtores e amantes de quadrinhos, games, RPGs e todas as outras formas de cultura de fãs existentes nesta e em outras galáxias.

A HQCon segue o formato das já famosas convenções de quadrinhos, que juntam e aproximam os diversos públicos da cultura de massa e alguns dos nomes mais evidentes no mercado. E pelo que se percebe, o evento está pegando pra valer. Se no ano passado, ao menos 700 pessoas lotaram o Floripa Music Hall, desta vez, a HQCon será realizada em dois dias e ocupará um nível inteiro do estacionamento do Floripa Shopping.

Passei pela convenção no ano passado e, para além do grande feito de promover um evento como esse na cidade, o que me chamou muito a atenção foi o clima contagiante dos frequentadores. Deu a impressão de que todos estavam muito felizes com aquela reunião e que ansiavam por isso há muito tempo. Como se pequenas multidões estivessem dispersas e fossem reagrupadas para um acontecimento.

Dessa sensação, tiro um outro palpite: Florianópolis está sim se credenciando pra ser um pólo interessante para a produção, consumo e discussão de HQs, games, RPGs e outras formas de subculturas de massa. Há dez anos, por exemplo, não havia por aqui locais privilegiados para compra de revistas ou objetos colecionáveis. Hoje, existem boas bancas – como a Joreli – ou a Universo, que vende de camisetas a miniaturas, de pôsteres a revistas, passando por toda sorte de coisas para colecionar. Floripa tem também gente que assina roteiros de HQ, tem indústrias de games para celular e outras plataformas, tem grupos de estudo acadêmico sobre esses temas, e tem gente desenhando e produzindo quadrinhos! Daí que não é nenhum exagero meu em dizer que a cidade está na rota desses negócios. Já ouvi, inclusive, gente de dentro da HQCon dizendo que o evento quer disputar espaço e atenção nacional com feiras de São Paulo e Rio. É pouco ou quer mais?!

o que eu não queria ter visto (2)

Na minha ausência do mundo, Amy Winehouse morreu. Parecia anunciado, mas é dessas notícias que não se quer anunciar nem ouvir. Há meses já era uma história triste, com personagens decadentes, com episódios melancólicos cercados de cobranças moralistas, com arrochos sentimentais. A sensação que parece contagiar a todos é que foi um grande desperdício, afinal poderíamos ter tido mais trinta, talvez quarenta anos de carreira musical da artista. Ficou no condicional.

Fiquei triste com o desfecho do caso. Fiquei mais triste com o tratamento desrespeitoso dado à morte da cantora por alguns programas de entretenimento. O Fantástico do domingo pulverizou a cobertura ao longo do programa inteiro. O pior foi prometer “uma homenagem surpresa” ao final. Um recurso muito usado por programas de fofoca, na tentativa de “amarrar” a audiência. A tal homenagem surpresa era a apresentação de uma cover de Amy que desfigurou uma de suas canções.

Na segunda-feira, Ana Maria Braga vestiu uma peruca da cantora e ficou requebrando ao lado do papagaio de boneco. Aquilo era uma “homenagem”. Dispensável, claro. Como foi dispensável a abertura do mesmo programa onde a apresentadora fez uma teatrinho bobo numa rua deserta nos arredores do ProJac. De repente, graças aos “efeitos especiais” de sua equipe, um bueiro explodiu, em clara alusão ao que vem acontecendo no Rio de Janeiro. Explodiu, mas nada aconteceu, pois era uma tentativa de piada de Ana Maria Braga. Uma praga.

diferenças entre jogar futebol e jogar bola

Passe os olhos pelos jornais agora e vá direto às páginas de esportes. Sim, concentre-se nos textos que tratam do vexame da seleção brasileira na Copa América. (Se você estava na lua ou teve o bom senso de aproveitar o final de semana para descansar da TV e não viu nada, o Paraguai eliminou o Brasil da competição, sem gols. E a seleção perdeu quatro pênaltis na derradeira disputa…)

Volte aos textos e assista a um desfile patético de tentativas de explicação do inusitado, de frases mancas dos jogadores, de constrangimentos espalhados entre os colunistas e redatores. É isso mesmo. A vergonha é indisfarçável e contagiante. Só o tempo vai dissipá-la… Enquanto isso, não posso deixar de dizer que não engulo alguns lugares comuns que preenchem as páginas dos jornais, as músicas nos elevadores, as paredes dos prédios.

“Futebol é assim mesmo! É o único esporte onde nem sempre o melhor vence!”

“Jogaram muito melhor que o adversário. Só faltou o gol, foi um detalhe”

“Foi injusto. Jogaram melhor, mas deixamos escapar a vitória no final…”

Ora, bolas!

Qual é a razão do esporte? Numa palavra: vencer.
O futebol é esporte? É.
Qual a razão do futebol, então? Vencer.
Como é que se vence no futebol? Fazendo mais gols que o adversário.
Qual é o momento mais esperado do jogo? O do gol.

Então, gente, gol não é detalhe, não é um capricho de preciosistas. É a condição para se alcançar o objetivo desse esporte criado pelos bretões. Jogar melhor e não vencer viola as regras mais lógicas. Como é possível ser superior sem sobrepujar o oponente? Não existe, não funciona, não é. Trata-se de retórica, de discurso de resignação, de autopiedade. Muita gente embarca na história porque o raciocínio tem um toque místico, que desestabiliza a razão, a lógica, o senso.

Daí que também não existe injustiça nesse caso. Se não fez o gol que demarcaria ser mais que o rival, por que seria justo que o time fosse o vencedor? Apenas por belas jogadas? Apenas pela criatividade? É pouco. Claro que adoro ver futebol bem jogado, quem não gosta? Mas belos passes que não geram gols são, esses sim, detalhes que não desaguaram no que vai diferenciar uma equipe da outra. Não é só pragmatismo; é realismo. As regras são conhecidas por todos desde o apito inicial. Tem que fazer mais gols do que o outro. Senão não tem vitória. Está aí uma das diferenças entre jogar futebol – profissionalmente – e jogar bola – por prazer, sem compromissos maiores.

a imagem do dia…

Não, não foi a derrota da seleção brasileira para a paraguaia na Copa América. Mas tem a ver com futebol.

Vejam só o que o presidente dos Estados Unidos estava fazendo:

Isso mesmo! Barack Obama estava vendo a final da Copa do Mundo de futebol feminino!

Dois erros fatais: 1. Chamou a patroa e a criançada pra ver a partida e nem pediu para elas colocarem um chinelinho. Vai pegar friagem! 2. Dá uma olhadinha na mesa lá atrás. Viu?! Tá cheio de trabalho acumulado e ele matando o tempo ali. Ô, presidente, o povo americano tá aflito com a aprovação de um novo limite de endividamento público…

O pior de tudo é que a seleção do presidente (também) perdeu. A foto não mostra, mas Barack Obama também está descalço e sem meias. Pé frio que nem Mick Jagger.

rc, ano 40

Outro dia aí, fiz 39. Foi tudo normal, e eu quase nem senti a diferença. Agora é que começam a aparecer os sintomas: toda vez que respiro, encho os pulmões de ar; toda vez que abro os olhos, vejo o mundo; todas as vezes em que me levanto, fico em pé… É, parece que nada mudou!

Começou o ano 40.

Não é aos 40 que a vida começa? Como diz o personagem de Roy Scheider em All That Jazz, “it’s show time!”

um domingo com terence

Terence Blanchard é um dos trompetistas mais aclamados do jazz atual. Já gravou discos reconhecidamente importantes, fez parcerias com artistas renomados, assinou trabalhos em homenagem a velhos ícones da música; já ganhou prêmios como o Grammy, lançou trabalhos em que relê clássicos do cinema, entre outras tantas aventuras.

É de uma dinastia que o liga a Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Nicholas Payton e Wynton Marsallis…

Por isso e muito mais, um domingo frio, fechado e carrancudo como o de hoje em Florianópolis é melhor na companhia dele.

Divirta-se!

finais dos estaduais de futebol e piadinhas

Os campeonatos estaduais de futebol estão chegando ao fim. Com isso, alguns clubes vão às decisões, outros ficam pelo caminho. Terreno mais do que fértil para piadinhas sobre os times rivais.

No Paulistão, meu tricolor foi tirado da final pelo Santos. Ultimamente, o São Paulo não vem jogando no seu próprio estádio, o Morumbi, que tem abrigado grandes shows internacionais. Os torcedores do contra já arriscam dizer que “U2, Blacked Yey Peaks, todo o mundo dá show no Morumbi, menos o São Paulo”.

No Catarinense, duas provocações sobre os times da capital, ambos de fora da decisão. No correio, hoje, a atendente bem humorada me deu as opções de entrega de encomendas: “Tem opção Figueirense e Avaí: na primeira, entrega em casa; na outra, demora um pouco, mas entrega também”…

um sábado sem sabato

Foi anunciada hoje a morte de Ernesto Sabato, o maior escritor argentino vivo desde Jorge Luis Borges. Sabato completaria 100 anos no final de junho; foi-se por causa de uma bronquite, o que é devastador para quem está com essa idade…

Na primeira vez que fui a Buenos Aires, trouxe na bagagem um exemplar de seu “Sobre homens e tumbas”. O grosso volume, com capa dura e miolo de papel barato, ainda dorme na minha prateleira. Não fui além das primeiras páginas porque outros autores furaram a fila. Outro título do próprio Sabato passou à frente. Devorei “O túnel” em dois dias e fiquei perplexo com uma prosa tão marcante do final dos anos 40.

No feriado da Páscoa, passei pelas livrarias da Corrientes e me deparei com livros de Sabato em promoção. Os argentinos parecem não ter pudores com isso. Ao lado dele nas bancas montadas estava um Borges aqui, um Bioy-Casares ali. Uma senhora estava ao meu lado e passou delicadamente os dedos pela capa de “Um e o Universo”, o livro de estreia de Sabato. A leitora parecia acariciar o rosto do autor. Nem ela, nem eu imaginávamos que uma semana depois seríamos informados da morte do velho escritor…

wolverine tem muitos nomes

Ele já foi James Howlett e também Logan…
Nos Estados Unidos, no Brasil e na maioria dos países, ele é chamado de Wolverine.
Mas em algumas partes, batizam-no de cada coisa! Na Espanha, ele é Lobezno (!!!). Em outros lugares, Jim Logan, Patch, Canucklehead, Emilio Garra (!!), Weapon Chi, Weapon X, Experiment X, Agent Ten, Canada, Wildboy, Peter Richards, Glotón, Muerte, Aullador, Aguja dinámica, Guepardo…

Nossa! Que informação relevante! (SNICT!)

300 mil acessos e um novo endereço

Nossos sistemas acabaram de registrar que este blog já recebeu mais de 300 mil visitas desde que foi hospedado aqui no WordPress em 20 de maio de 2007. Isso é motivo de celebração e de agradecimento.

Começo pelo final, então: qualquer que tenha sido o motivo e a maneira que te trouxe aqui, obrigado pela visita. E se foi bem tratado, volte mais vezes. É sempre um prazer acompanhar as estatísticas e ver que os acessos são constantes, o que me dá a entender que o endereço (de alguma forma) se estabeleceu nesse oceano-web.

Para celebrar a marca, fiz uma cirurgia plástica no blog e estou decerrando a placa de meu site pessoal: www.christofoletti.com

Não, o Monitorando não está encerrando suas atividades.

Não, não republicarei lá o que faço aqui. Existem conexões entre uma coisa e outra, mas uma coisa é uma coisa; a outra coisa é outra, naturalmente.

Não, não darei prêmios e vantagens para quem visitar o site.

Então, por que ter mais um endereço? Para facilitar o trabalho dos meus biógrafos?
Não, apenas para eu ter um espaço um pouco mais estável e permanente com minha produção, meus projetos e outros trabalhos. É uma questão de sistematização, como quem arruma as próprias gavetas. No Monitorando, continuarei blogando com mais frequência; no site, estarão conteúdos mais sedimentados, mais cristalizados. Note, por exemplo, que as páginas livros e artigos que eu mantinha aqui foram parar por lá… Aliás, vá lá conhecer… E aqui, aproveite o novo visual…

uma música, um piano, uma animação

É possível que já tenha ouvido esse tema.
Está na novela das sete na Globo. Originalmente, ele vem do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, e o tema musical é assinado por Yan Thiersen: Comptine d’un autre été l’après midi (algo como Rima de uma outra tarde de verão).
O filme é lindo, a música também, e a animação… bem, confira.

vivo numa ilha!

É praticamente impossível escolher onde se nasce. Por uma razão muito simples: nunca te consultam sobre isso. Mas é plenamente possível optar onde viver e, quem sabe, passar os últimos dias da vida.

Para os seres humanos, a vida se desenrola em torno das cidades. E mesmo que tentemos fugir delas, elas se estendem ao longo do mundo e acabam nos alcançando. Não se vive fora delas, e cada cidade ajuda a gerar tipos diferentes de vida. Por isso que escolher é tão importante, tão precioso, tão especial.

Eu, por exemplo, vivo numa ilha há catorze anos. Num dia qualquer, me precipitei do interior de São Paulo para Florianópolis, com o claro propósito de escrever as linhas da vida com a minha caligrafia torta. Talvez tenha sido esse o único destino verdadeiro que decidi. De lá pra cá, mergulhei na cidade, e fiz dela a minha pátria. Como a gente pertence à cidade dos filhos, tratei de fincar uma raiz familiar na capital catarinense. E costumo dizer: quando (e se) eu morrer, quero ser enterrado aqui.

Eu sei que Florianópolis é desses lugares fáceis de deitar elogios. As belezas naturais, a exuberância de suas mulheres, as curvas dos seus caminhos, seus sabores à mesa, seu sol e as águas do Atlântico fazem desse canto um encanto. Mas quem aqui vive sabe também das feridas: o trânsito caótico, a insegurança pública, a fauna especulativa no setor imobiliário, o anacronismo político.

Mas eu vivo numa ilha e sou muito, muito feliz.
Meu horizonte se alarga aqui. A maresia me desvencilha dos problemas. O vento sul renova nossos ares.

Florianópolis faz aniversário amanhã, e eu quase nem ligo pra isso. É que comemoro todos os dias.

Ao leitor invejoso, desculpe a falta de pudor. É que ando meio manezinho, sabe…

 

hitler e o wikileaks

Em mais uma paródia ao filme A Queda, quando legendas cômicas são adicionadas a uma cena num bunker, Hitler se irrita com os vazamentos do Wikileaks. Guardadas as devidas proporções, deve ter acontecido uma explosão semelhante no gabinete da secretária de Estado Hillary Clinton, em dezembro passado…

fantasia de carnaval 2

Naqueles dias, o amor era como o ar que se respirava: era ofegante, quente, abrasador, todos dependiam dele pra viver e estava em toda a parte. Amava-se mais que tudo. Entre um baile e outro. Entre uma ala e outra na avenida. Com máscaras ou sem elas, com todas as fantasias ou sem nenhuma roupa. Após os quatro dias, e bem depois – nove meses além -, nasciam os filhos do Carnaval.

Esses podiam ser brancos ou negros, ricos ou pobres, meninos ou meninas. Eram diversos, mas tinham uma coisa em comum: nasciam com um gen específico, incrustado no seu código genético, e humanamente irresistível. Como um vírus incubado, o gen ficava adormecido por anos, e só era despertado lá pelos 14 ou 15 anos, quando seu portador ouvia o estrondo de uma bateria de escola de samba. A marcação do surdo, os pipocos dos tamborins e o gemido jocoso das cuícas faziam a pessoa requebrar, sacolejar e sambar até ficar exausto. O gen, esse dos filhos do Carnaval, só foi mapeado e identificado pelos cientistas há poucos anos, e recebeu uma etiqueta incompreensível: G14253C. Nas ruas e nas casas dos filhos do Carnaval, era conhecido como “gen da alegria”.

fantasia de carnaval 1

Naqueles quatro dias, o que caía do céu em clubes e nas ruas eram confetes coloridos e saborosos. Gotinhas de chocolate fantasiadas de amarelo, azul, verde, vermelho, rosa, marrom, roxo, prata…

Naqueles quatro dias, toda serpentina que o folião lançasse alcançava um novo amor. Envolvia-lhe o pescoço e num movimento rápido, trazia-se para perto de si alguém com os lábios só prontos pra sorrir e beijar.

Naqueles quatro dias, como num decreto federal, era proibido morrer nas estradas, cometer crimes, ofender as pessoas. De forma compulsória, todo cidadão de bem tinha que morrer de rir, cometer loucuras, ofender a tristeza…

 

 

lá vai ronaldo…

Anos atrás, o título acima indicava mais um ataque fulminante de um jogador fora de série. E quase sempre o final da história era uma rede estufada, uma torcida aos berros, sorrisos de um lado, mãos à cabeça do outro, e alguém tendo que alterar o placar. Pelo que informou primeiro o jornalista Daniel Piza, amanhã, Ronaldo Nazário deve anunciar sua aposentadoria, o fim de sua carreira no futebol. “Lá vai Ronaldo…” será mais um capítulo da história do futebol. Afinal, até mesmo os épicos têm o seu fim.

Além da ironia acima, há outra. Não foi nenhum comentarista tarimbado, um analista experiente ou um repórter de esportes impertinente que deu o “furo jornalístico”. Foi um jornalista da área da Cultura, que gosta de futebol, é verdade, mas seu terreno está mais para as letras e as artes do que a dança que entorna as cadeiras dos zagueiros.

No argentino Olé, eu leio: “Se va un Fenomeno”. Na France Football, “la fin d’un mythe”. O que dirão outros mais?

o mundo de vinicius

Meu filho Vinicius tem seis anos e meio. É um garoto ativo, inteligente, perguntador, como bem convém a um cidadãozinho dessa idade. Convivemos bastante, moramos na mesma casa, mas vivemos em mundos muito diferentes. Essas semanas de férias têm me permitido ao menos espreitar por uma frestinha o que é isso.

Como Vini ainda não sabe ler, sua leitura do mundo é muito visual, e ele confia piamente nos adultos à sua volta. Lemos placas para ele, retransmitidos o que vemos nas legendas de filmes, contamos o que se dá nos balõezinhos das histórias em quadrinhos. Essa confiança permite, por exemplo, que editemos alguns conteúdos das mensagens, não para deturpar ou enganar, mas para fazer com que ele entenda o contexto. Existem gírias que ele não conhece, e só agora está tomando mais contato com a ironia, com o sarcasmo. Aliás, ele começa a se dar bastante bem nisso, o que me deixa particularmente orgulhoso, pois isso é um atestado fiel de sagacidade.

Vini também está se habituando com os números. Rapidamente, fez amizade com os algarismos, já escreve e copia cada um deles, e sabe contar até cem, e tem noções bastante satisfatórias das centenas. Mas o pequeno ainda tem dificuldades com alguns números mais abstratos: milhões, bilhões são só palavras. E para Vini, 100 mil parece ser a maior quantidade possível. Nas suas brincadeiras, algo muito caro custa 100 mil, uma coisa muito antiga tem 100 mil anos, esperar muito é ter que aturar 100 mil horas.

Então, os limites do mundo do meu filho são esses: as palavras escritas não fazem muito sentido; os dias da semana têm uma ordem bem embaralhada; os números terminam em 100 mil.

Apesar disso, do alto de seus seis anos, Vinicius me ensina todos os dias algumas lições ancestrais. Porque confia demais no que dizemos a ele, sempre quando deixamos de cumprir uma promessa, ele nos interpela. “Mas você PROMETEU!”, me olha interrogativo, insultado, vilipendiado. Como quem diz “como é possível alguém fazer isso?”, Vini nos ensina que a palavra empenhada vale mais que a palavra escrita. Verdade, compromisso, confiança.

Quando ele faz algo que contraria o que antes dissemos, me olha interrogado. E ensina: paciência, eu só tenho seis anos. Ensina mais: a bondade de quem é inocente, a humildade de quem ocupa apenas um pedacinho de chão no mundo, a perseverança de quem está apenas começando a caminhada. Vinicius sorri meio sem jeito, com aquele charme que faz derreter glaciares. Parece me dizer: Ah, fala de novo, vai? Vale a pena repetir para que eu aprenda isso. Vai ser legal, você vai ver…