tecnologia e comunicação: uma revista

O diretor Jesús Flores, da revista TecCom Studies informa que está aberta a chamada de textos:

Número 2, junio de 2011
Fecha límite de presentación de artículos: 13 de mayo de 2011

La revista trimestral TecCom Studies, del Lab MID (UCM) abre la convocatoria de artículos a todos los centros, grupos académicos e investigadores de la comunicación (periodismo, publicidad y comunicación audiovisual, cine) y tecnología (Internet,medios sociales, blogs, gadgets, telefonía, aplicaciones) desde cualquier perspectiva (modelos de negocio, informativos, formación, innovación) que deseen publicar los resultados de su investigación de calidad.
Los textos han de ser originales e inéditos y no pueden estar sujetos al procedimiento de selección de otra revista. Los artículos, escritos en castellano, inglés o portugués, se someterán al proceso de revisión y arbitraje. Las normas para publicar artículos en TecCom Studies, están disponibles en:

http://www.teccomstudies.com/libro/normas-publicacion

Puede enviar sus artículos a redaccion@teccomstudies.org

bin laden morto nos jornais

Uma manchete que os americanos fantasiaram por anos…
(As edições a seguir são de hoje, dia 2 de maio de 2011)

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o primeiro terço

Lá se foi abril, e com ele um terço de 2011.
Eu sei, o tempo está passando muito rápido, a gente piscou e maio já está aí.

Melhor apertar o cinto porque a partir de agora, vamos engatar uma marcha mais veloz ainda…

um sábado sem sabato

Foi anunciada hoje a morte de Ernesto Sabato, o maior escritor argentino vivo desde Jorge Luis Borges. Sabato completaria 100 anos no final de junho; foi-se por causa de uma bronquite, o que é devastador para quem está com essa idade…

Na primeira vez que fui a Buenos Aires, trouxe na bagagem um exemplar de seu “Sobre homens e tumbas”. O grosso volume, com capa dura e miolo de papel barato, ainda dorme na minha prateleira. Não fui além das primeiras páginas porque outros autores furaram a fila. Outro título do próprio Sabato passou à frente. Devorei “O túnel” em dois dias e fiquei perplexo com uma prosa tão marcante do final dos anos 40.

No feriado da Páscoa, passei pelas livrarias da Corrientes e me deparei com livros de Sabato em promoção. Os argentinos parecem não ter pudores com isso. Ao lado dele nas bancas montadas estava um Borges aqui, um Bioy-Casares ali. Uma senhora estava ao meu lado e passou delicadamente os dedos pela capa de “Um e o Universo”, o livro de estreia de Sabato. A leitora parecia acariciar o rosto do autor. Nem ela, nem eu imaginávamos que uma semana depois seríamos informados da morte do velho escritor…

um radar sobre o jornalismo e a ética

Não tem chuva ou temporal que impeça: todos os sábados tem Radar objETHOS, uma coletânea de alguns dos links mais interessantes da semana sobre jornalismo, ética jornalística e assuntos afins. O serviço é uma publicação do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) e traz contribuições e links em português, inglês, espanhol e francês.

O desta semana pode ser acessado aqui. Mas você pode recuperar os demais por aqui. Sirva-se!

a real do casamento real

Como o casamento do príncipe William é a coisa mais importante da galáxia nesta década, também não resisti.
E porque eu não sei nada de realeza, principados e outras monarquias, pergunto:

  • O príncipe trabalha onde mesmo?
  • Quem está pagando a festa?
  • Após colocar a aliança no dedo da moça quem vai pagar as contas deles?
  • Do que vive a monarquia inglesa? Quanto custam as regalias à família de sangue azul?

Não precisa responder. Apenas pense nisso…

jornalistas e redes sociais: uma pesquisa

O escritório da UNESCO no Brasil, o Portal Imprensa e a ONG Artigo 19 estão aplicando uma pesquisa online sobre jornalismo e mídias sociais. Segundo os promotores, a divulgação dos resultados da pesquisa vai fazer parte das atividades de celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa no Brasil, em 3 de maio.

“O objetivo da pesquisa é identificar desafios e possibilidades do uso de redes sociais para o exercício do jornalismo”, informam os realizadores. A pesquisa é aplicada por meio de um formulário eletrônico, com 32 questões bem diretas, e que não duram muito para serem concluídas. As respostas podem ser anônimas.

Para participar, acesse http://artigo19.org/midiassociais/pesquisa

wolverine tem muitos nomes

Ele já foi James Howlett e também Logan…
Nos Estados Unidos, no Brasil e na maioria dos países, ele é chamado de Wolverine.
Mas em algumas partes, batizam-no de cada coisa! Na Espanha, ele é Lobezno (!!!). Em outros lugares, Jim Logan, Patch, Canucklehead, Emilio Garra (!!), Weapon Chi, Weapon X, Experiment X, Agent Ten, Canada, Wildboy, Peter Richards, Glotón, Muerte, Aullador, Aguja dinámica, Guepardo…

Nossa! Que informação relevante! (SNICT!)

nova revista sobre comunicação e tecnologias

   Já está circulando na rede o primeiro número da revista Tinta Electrónica, voltada para temas da comunicação e das novas possibilidades tecnológicas. A publicação é editada pelos jornalistas Sandro Medina Tovar (do Peru) e Emiliano Cosenza (da Argentina), e na edição de estreia traz textos de Mario Tascón (Espanha), Pedro Jerónimo (Portugal), Anderson Paredes (Venezuela), María Pastora Sandoval (Chile), Martín Fernández (Argentina), Rolly Valdivia Chávez (Peru), Susana Morán (Equador), Lina Ceballos (Colômbia) e Gerardo Albarrán de Alba (México).

A publicação está no formato PDF, é fácil de baixar, e deve sair sempre em abril, agosto e dezembro. O número 1 tem 28 páginas e o layout é bem modesto, talhado para facilitar a leitura do conteúdo. O tema de abertura da nova revista eletrônica é “Fazer jornalismo num novo ecossistema informativo”.

Para saber mais sobre a revista, leia a entrevista que a jornalista Esther Vargas fez com Sandro Medina. Para baixar, clique aqui.

erro na capa… do livro

“O apressado come cru”. É o que diz o velho ditado. E ditados são como o azar: não costumam poupar ninguém.

A célebre editora argentina La Crujía, especializada em livros de comunicação, correu com alguns de seus títulos para lançá-los a tempo da 37ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, que acontece de 20 de abril a 9 de maio. A toque de caixa, colocou na gráfica uma série de novos livros, mas em ao menos um deles o editor seguiu a lei de Murphy: “Javier Darío Restrepo: periodismo y pasión”, coletânea de textos do jornalista colombiano que é um dos maiores especialistas em ética jornalística do continente.

Atendendo à pressa dos editores, os funcionários da gráfica conseguiram terminar a impressão a tempo de ser lançado nos primeiros dias da feira. Mas um único detalhe embarcou toda a edição: um “s” a mais no nome do veterano jornalista obrigou uma segunda impressão. Restrepo aparece como “Restrespo” na capa e nas folhas de rosto.

Erros acontecem, é verdade. A ironia é Restrepo ser um dos mais evidentes defensores da qualidade no jornalismo…

jornalismo de guerra, vivência e sobrevivência

De repente, por uma série de fatores, estou mergulhado em pensamentos sobre as coberturas jornalísticas de guerra. As mortes recentes do jornalista e ativista italiano Vittorio Arrigoni e do fotógrafo e documentarista Tim Hetherington, ambos em zonas de conflito, repercutem ainda nos meios profissionais e políticos, e chamam a atenção para a vida desses profissionais e seus cotidianos.

Aliás, ontem mesmo, a edição online do The Guardian trouxe dois artigos que se preocupam em abordar o assunto com naturalidade, crueza e realismo. O fotojornalista Sean Smith diz que não se surpreendeu ao saber que Tim estava em Misrata, no meio do fervo, afinal, este era o trabalho dele. “Precisamos mandar nossos repórteres para relatar os conflitos”, diz, afastando o senso comum de que fotógrafos de guerra são viciados em perigo.

Roger Tooth, que responde pelo setor de foto do The Guardian, lembra que fotojornalistas precisam estar perto da ação. Às vezes, perto demais. Seu pensamento ecoa a célebre frase do mítico jornalista de guerra Robert Capa: “Se as suas fotos não estão suficientemente boas, é porque você não está suficientemente perto do fato”. Mas como diz Tooth, a guerra está mudando e cada vez é mais difícil cobri-la. Um conterrâneo seu, Peter Beaumont, repete isso com frequência em seu “A vida secreta da guerra”, que estou devorando nos últimos dias.

Beaumont cobriu (e cobre) diversos conflitos para o jornal The Observer, também do grupo do The Guardian. Beaumont também cita Capa, mas esparrama os próprios sentimentos e memórias no livro, mostrando como é cada vez mais complexo estar próximo do fato, desviar-se das balas e morteiros, captar o que deve ser relatado e voltar vivo para transmitir o que foi apurado. O drama das ruas, a violência contra os civis, a miséria e a fome, a indigência moral, tudo isso vem em bando; e como uma sucessão de pestes que se abate sobre quem está em guerra.

Por isso que não consigo parar de refletir sobre essas questões todas. O jornalismo é necessário sim. E a vida, mais ainda. O dilema do que cobrir, os limites próprios de ação, e outras questões colaterais tornam a reportagem de guerra o maior desafio para o jornalista em ação. Na maioria das vezes, ele é o único ali, no meio da troca de tiros, desarmado, sem condições de revide, e tendo que retornar vivo…

coelhinho da páscoa do mal

Você não gosta de feriados? Não suporta como todos transformam datas religiosas em oportunidades de consumo obrigatório? Você odeia a Páscoa?
Bem, talvez seja porque o próprio Coelhinho da Páscoa te odeie também!
Veja o que esse fofinho faz durante os outros 364 dias do ano…

lei de acesso à informação avança

(Reproduzido de Artigo 19)

Brasília, 20.04.2011. Ontem, em sessão conjunta de duas comissões, senadores aprovaram pareceres favoráveis ao projeto de lei que regulamenta o direito à informação no Brasil. A proposta ainda precisa passar por mais uma comissão, mas o governo trabalha para que ela seja enviada rapidamente ao Plenário para aprovação.

“O projeto é um marco positivo para o desenvolvimento do direito à informação no Brasil”, afirma Agnès Callamard, diretora executiva da ARTIGO 19. “Nós saudamos os esforços do governo brasileiro de buscar acelerar a tramitação do projeto. O país enviaria uma mensagem muito positiva ao mundo se a proposta fosse aprovada antes do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio.”

Originalmente, a sessão conjunta entre a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado previa a participação da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Mas as articulações com a comissão presidida por Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não avançaram, e o projeto (PLC 41/2010) ainda precisará passar por sua revisão.

O projeto de lei em tramitação no Senado é um substitutivo do texto enviado pela Casa Civil à Câmara dos Deputados em 2009, quando foi discutido e emendado pela sociedade civil e deputados. A presidente Dilma Rousseff esteve diretamente envolvida na elaboração do texto original e já manifestou seu apoio a uma aprovação célere do projeto pelo Senado.

O projeto de lei prevê a criação de procedimentos para facilitar e garantir o acesso a informações públicas mantidas por autoridades públicas. Ele inclui o treinamento de servidores públicos, sanções ao desrespeito à lei, obrigações de divulgação pró-ativa de informações de interesse publico e campanhas de conscientização. A regulamentação do direito de acesso à informação pública é uma tendência mundial, com mais de 90 países tendo aprovado leis de liberdade de informação.

simpósio de jornalismo online: a revista

Há doze anos o Knight Center for Journalism in the Americas (da Universidade do Texas, em Austin) promove o seu Simpósio Internacional de Jornalismo Online, um evento que já é referência mundial para as dicussões da área. Em 2011, vinte pesquisas foram apresentadas, selecionadas de um total de cinquenta enviadas. Mais de duzentas pessoas acompanharam o simpósio no início de abril e uma síntese pode ser lida aqui.

Entre as novidades, houve o lançamento do primeiro número de uma revista científica que estará vinculada ao simpósio, a #ISOJ. A publicação pode ser acessada em formato ePub e PDF.

No sumário deste número inaugural,

Setting Guidelines on How to Design the News Online. Portuguese Online Newspapers and their Spanish, Argentinian and Brazilian CounterpartsNuno A.Vargas (Universidade de Barcelona, Espanha)

Citizen Journalism, Citizen Activism, and Technology: Positioning Technology as a ‘Second Superpower’ in Times of Disasters and TerrorismSharon Meraz (Universidade de Illinois, EUA)

Web Production, News Judgment, and Emerging Categories of Online Newswork in Metropolitan JournalismChris Anderson (College of Staten Island, EUA)

Methods for Mapping Hyperlink Networks: Examining the Environment of Belgian News WebsitesJuliette De Maeyer (Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica)

Hypertext Newswriting Effects on Satisfaction, Comprehension and AttitudesJoão Canavilhas (Universidade da Beira Interior, Portugal)

fórum de professores no sudeste

Wanderley Garcia, da direção regional sudeste do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, avisa que trabalhos para o 5º Encontro Estadual de Professores de Jornalismo podem ser mandados até 15 de maio.

O evento acontece dias 27 e 28 de maio na PUC-Campinas, e serão aceitos relatos de experiência, comunicações científicas e pôsteres. O tema do encontro é “A formação superior como elemento constituinte e legitimador do campo do Jornalismo”.

Mais informações: http://www.fnpj.org.br/5eppj

saíram os vencedores do pulitzer

O mais conhecido e invejado prêmio jornalístico do mundo já tem seus vencedores neste ano. Os organizadores do Pulitzer Prize anunciaram os laureados e suas categorias. Conheça!

PUBLIC SERVICELos Angeles Times

BREAKING NEWS REPORTINGNo Award

INVESTIGATIVE REPORTINGPaige St. John, do Sarasota Herald-Tribune

EXPLANATORY REPORTINGMark Johnson, Kathleen, Gallagher, Gary Porter, Lou Saldivar e Alison Sherwood, do Milwaukee Journal Sentinel

LOCAL REPORTINGFrank Main, Mark Konkol e John J. Kim, do Chicago Sun-Times

NATIONAL REPORTINGJesse Eisinger e Jake Bernstein, do ProPublica – aliás, em dois anos, este site ganhou dois Pulitzers. Não perca de vista!

INTERNATIONAL REPORTINGClifford J. Levy e Ellen Barry, do The New York Times

FEATURE WRITINGAmy Ellis Nutt, da The Star-Ledger, Newark, N.J.

COMMENTARYDavid Leonhardt, do The New York Times

CRITICISMSebastian Smee, do The Boston Globe

EDITORIAL WRITINGJoseph Rago, do The Wall Street Journal

EDITORIAL CARTOONINGMike Keefe, do The Denver Post

BREAKING NEWS PHOTOGRAPHYCarol Guzy, Nikki Kahn e Ricky Carioti, do The Washington Post

FEATURE PHOTOGRAPHYBarbara Davidson, do Los Angeles Times

só até amanhã

Se você é pesquisador da comunicação e tem um paper inédito sobre democracia e mídia, sobre regulação dos meios de comunicação ou sobre as relações tensas entre comunicação e política, amanhã é o deadline da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC.

Veja a chamada:

Um dos temas mais discutidos nos últimos meses tem sido a estrutura dos meios de comunicação e a natureza da organização do mercado midiático brasileiro. Movimentos vindos de organizações não-governamentais, da academia e até mesmo do governo federal têm sinalizado para a necessidade de a sociedade discutir novas regras para o setor. Até mesmo uma importante organização do mercado – a Associação Nacional dos Jornais – manifestou a disposição para a autorregulação.
Diante desse cenário, a primeira edição da revista Estudos em Jornalismo e Mídia de 2011 objetiva discutir as complexas relações entre democracia e regulação do mercado de mídia.
Será priorizada a análise de artigos que tratem de temas como: políticas de comunicação no Brasil; marcos regulatórios no setor; regulaçã o, regulamentação e autorregulamentação dos meios; concentração de mídia; propriedade cruzada; relações entre meios de comunicação e grupos políticos; comparativos entre as legislações de mídia no Brasil e outros países; limites operacionais em meios audiovisuais e internet; órgãos de regulação; proteção da concorrência; mudanças estruturais no jornalismo a partir de marcos regulatórios; liberdade de imprensa, democracia e cidadania.

Deadline: 20 de abril de 2011
Publicação: Junho de 2011

A equipe editorial avisa que agora só estão sendo aceitos trabalhos que abordem o tema Democracia e Regulação.

Estudos em Jornalismo e Mídia existe desde 2004, é semestral, e circula exclusivamente em meioi eletrônico. No sistema de avaliação Qualis/Capes, é uma publicação B3.

um flagrante do meu cotidiano

É mais ou menos assim que me sinto diariamente, combatendo a burocracia nossa de cada dia.

é a independência jornalística uma ilusão?

Terra arrasada?Um dos aspectos que mais me chamou a atenção quando tive acesso às entrevistas com os principais gestores de mídia do país é que era consensual a necessidade da independência editorial para a sobrevivência do jornalismo e das empresas que disso vivem. Foi em 2009 e eram entrevistas com 22 editores-chefes, diretores e publishers de todas as regiões, e eu estava – junto com outros colegas – concluindo uma pesquisa sobre indicadores de qualidade de informação para a Unesco.

O argumento repetido é que as empresas precisam construir condições para se fortalecer financeiramente de maneira a não depender de verbas publicitárias dos governos. A independência editorial é, então, um resultado da independência comercial. O raciocínio é lógico, linear e de fácil convencimento.

Pois esta semana voltei a ouvir interessantes declarações sobre a independência jornalística. Eu participava, no Rio, do encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica), e acompanhei a mesa redonda “Mídia e democracia: questões teóricas”. Na sessão de perguntas finais, alguém da plateia questionou os palestrantes sobre a hipótese de que alguns veículos de imprensa chantageariam o governo federal com a ameaça de publicação de escândalos políticos, tentando atrair para si mais verbas publicitárias. Mesmo sem mencionar explicitamente, o indagador colocou o problema da independência da imprensa nacional.

Bem humorado, o presidente da Compolitica, Afonso de Albuquerque (UFF), disse que todas as relações humanas de alguma forma são baseadas em chantagem. “As relações sentimentais, mais ainda”, brincou, completando que a hipótese pode acontecer com alguma frequência e por parte de alguns veículos e governos. Quer dizer, é da regra do jogo, pertence à lógica que tensiona esses atores. Tentando desviar de um “cinismo” de seu colega de mesa, Fernando Lattman-Weltman (FGV) também deu de ombros diante da chantagem. “Olha, ninguém é independente. Ninguém. Nem mesmo os mortos, afinal, eles dependem da gente para serem enterrados! Por isso, nem vale a pena lutar por esse valor, pela independência”, afirmou.

Confesso que uma fala tão convicta ficou martelando a minha cabeça. Não porque me apegue tanto a certos valores, mas porque venho assistindo nos últimos anos à franca demolição de uma série deles no campo do jornalismo. Não mais se acredita em objetividade; a imparcialidade é questionada a todo momento; a verdade é relativizada; a ética é flexibilizada; a independência editorial não merece ser cultivada… Com isso, parece que daqui a pouco não vai sobrar pedra sobre pedra…

Afinal, esses valores, por décadas, serviram de alicerces para o jornalismo, tanto do ponto de vista ético quanto para garantir padrões mínimos para a sua execução técnica. É verdade que o jornalismo já não é mais o que foi; que a sociedade mudou; nossas percepções de espaço e tempo também foram transformadas; e o mundo e a vida são outros. Entretanto, temo que, no afã de se reformar o jornalismo, jogue-se a criança junto com a água do banho.

A pergunta que agora assalta a minha consciência é: se estamos em busca de uma nova ética para este novo jornalismo, em que mesmo ela estaria apoiada?

Alguém aí se arrisca a responder?

mais um e-book grátis sobre direitos autorais

O Grupo de Estudos em Direitos Autorais e Informação (Gedai) da UFSC é um dos pólos mais produtivos de investigação sobre o tema no país. Seus membros desenvolvem pesquisas, promovem eventos e fazem circular muitos materiais de referência para a área. O mais recente deles é o e-book dos anais do 4º Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, que aconteceu no ano passado em Florianópolis.

Baixe aqui.

 

 

crise nuclear, segredos e o direito à informação

Não sei nada de japonês, o idioma. Chego a trocar “arikatô” por “saionará”. Mas gostaria muito de saber a língua japonesa para acompanhar a cobertura da crise nuclear. Fico intrigado com o que vem sendo noticiado pelas agências internacionais e curiosíssimo para saber se o povo de lá anda satisfeito com o nível de informação.

A impressão que tenho daqui é que tem muita coisa debaixo do tapete. E, para administrar a crise, o governo vai soltando informes em doses homeopáticas, de maneira a saciar provisoriamente a sanha dos cidadãos e a histeria da comunidade internacional. Mas algo me diz que a coisa pode ser pior do que se aventa. Posso estar errado, devo estar, quero estar.

Veja abaixo a primeira página do Asahi Shimbun de ontem, 13. Nem sei dizer se ela é alarmante ou não. Por isso, recorri ao The Japan Times e ao Stars & Stripes, também editados em Tóquio. Em ambos, a tentativa é de oferecer alguma tranquilidade ao leitor, na medida em que deixa em aberto que o acidente na usina de Fusushima não é brincadeira. A equiparação com o caso Chernobyl já deveria ter provocado uma gritaria maior na comunidade global ou mesmo em organismos multilaterais. Mas até agora, nada.

Estará a mídia nipônica tendo acesso a todas as informações que seus públicos anseiam e necessitam? O governo tem sido transparente? Quanto do noticiário oferecido é confiável e suficiente?

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é assim ó, obama

Até pouco tempo atrás, os Estados Unidos eram de longe os principais parceiros comerciais do Brasil. Acontece que o mundo gira e a China foi chegando, chegando… Tio Sam não gostou nadinha disso, já que nos últimos anos o Brasil de Lula foi tirando as manguinhas pra fora, estabelecendo uma política externa própria e procurando novos coleguinhas pra fazer negócios.

Foi só Lula se empirulitar do Planalto que Barack Obama desembarcou por aqui. Veio encantar a galera com sua família sadia, seu sorriso de playboy e seus acenos em câmera lenta. A missão diplomática foi um carnaval, teve encontros com empresários, festerês nas comunidades e reuniões com lideranças políticas. Os resultados concretos? Ainda não estão tão concretos.

Semanas se passaram e a China mostra a Obama como é que se faz. O carrancudo presidente não veio ao Brasil, não se preocupou em aprender meia dúvida de palavras em português – como fazem os astros de rock ou os papagaios -, mas foi bastante objetivo ao receber Dilma lá do outro lado do mundo: botou o dim-dim na mesa. Protocolos assinados projetam investimentos de US$ 18 bilhões em seis anos no Brasil com instalação de fábrica de alta tecnologia e criação possível de 100 mil empregos diretos.

Entendeu como são as coisas, Obama?
Como dizem na minha terra: “Meu filho, amigo é dinheiro no bolso”.

chamada de textos na vozes e diálogo

A editora Laura Seligman anuncia que a revista Vozes & Diálogo, da Univali, está recebendo artigos para sua edição do segundo semestre. O deadline é 15 de junho e o tema do número é  “Comunicação e Novas Linguagens – percursos teóricos e empíricos”.

Textos devem ser submetidos na página da revista (aqui) ou encaminhados sem identificação dos autores para o email da editora (seligman@univali.br).

compolítica começa amanhã

Os professores Alessandra Aldé e Fernando Gonçalves, da organização, reforçam o convite para a abertura amanhã do 4º Encontro da Compolítica – Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política.

O evento é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ em parceria com a UFF, e acontece no campus Maracanã a partir das 18h30 com a conferência “A Comunicação Política e sua institucionalização no Brasil”, do professor Marcus Figueiredo (IESP-UERJ).

A programação é bem recheada e pode ser conferida aqui. Estarei por lá com os colegas Fernando Azevedo (UFSCar), Flávia Biroli (UnB) e Fernando Rezende (UFF) na Mesa Redonda “Jornalismo e Política”. Vou abordar o Cablegate do WikiLeaks e suas implicações para a ética jornalística. Mas fora isso, haverá muita coisa boa no evento…

internet, informática e astronomia

Não é mais privilégio dos astrônomos trabalhar com números imensos e grandezas vertiginosas. A internet e a informática já cuidaram disso também. Quer exemplos?

  • 107 trilhões é o número de emails enviados por ano no mundo
  • 294 bilhões é a quantidade de emails trocadas por dia no planeta
  • 50 bilhões de toneladas é o quanto produziremos de lixo tecnológico na Terra até o final de 2011

Impressionante, né?

(Dados da revista Info de abril)

 

afinal, como se narra a dor?

Os tiros da manhã de quinta-feira na zona oeste do Rio de Janeiro sacudiram as atenções da maioria dos brasileiros. Como se estivéssemos em um sono profundo, fomos atirados da cama para perceber uma realidade assustadora e terrível. O resultado aterrador do massacre na escola de Realengo era algo que sempre imputamos aos norte-americanos, um povo tão beligerante que se arma até em supermercados. O resultado do massacre é uma fila de corpos de quem cultivava seu futuro ainda de forma muito adolescente. O resultado é o aparecimento de personagens como o atirador, movido por razões ainda desconhecidas, moldado pela solidão, frustração e pensamentos doentios.

Infelizmente, o país já havia visto adolescentes vitimados pela violência urbana. Desconhecido ainda era o anônimo que encarna o mal e dispara o gatilho não mais a esmo, mas escolhendo suas vítimas, alvejando órgãos vitais, recarregando reiteradamente as armas, disposto a acabar com tudo.

(Trecho do Comentário da Semana, que assino hoje no objETHOS. Na íntegra, aqui)

 

 

300 mil acessos e um novo endereço

Nossos sistemas acabaram de registrar que este blog já recebeu mais de 300 mil visitas desde que foi hospedado aqui no WordPress em 20 de maio de 2007. Isso é motivo de celebração e de agradecimento.

Começo pelo final, então: qualquer que tenha sido o motivo e a maneira que te trouxe aqui, obrigado pela visita. E se foi bem tratado, volte mais vezes. É sempre um prazer acompanhar as estatísticas e ver que os acessos são constantes, o que me dá a entender que o endereço (de alguma forma) se estabeleceu nesse oceano-web.

Para celebrar a marca, fiz uma cirurgia plástica no blog e estou decerrando a placa de meu site pessoal: www.christofoletti.com

Não, o Monitorando não está encerrando suas atividades.

Não, não republicarei lá o que faço aqui. Existem conexões entre uma coisa e outra, mas uma coisa é uma coisa; a outra coisa é outra, naturalmente.

Não, não darei prêmios e vantagens para quem visitar o site.

Então, por que ter mais um endereço? Para facilitar o trabalho dos meus biógrafos?
Não, apenas para eu ter um espaço um pouco mais estável e permanente com minha produção, meus projetos e outros trabalhos. É uma questão de sistematização, como quem arruma as próprias gavetas. No Monitorando, continuarei blogando com mais frequência; no site, estarão conteúdos mais sedimentados, mais cristalizados. Note, por exemplo, que as páginas livros e artigos que eu mantinha aqui foram parar por lá… Aliás, vá lá conhecer… E aqui, aproveite o novo visual…

adeus, gutenberg… ou não!

Anthony Smith, Philip Meyer, Ramón Salaverria, Mario Tascón, entre outros, abordam o futuro do jornalismo, a crise dos impressos, a emergência dos tabletes e de outras formas de difundir o jornalismo. Tudo na mais recente edição da revista Periodistas, da Federação das Associações de Jornalistas da Espanha (FAPE).

Baixe e confira.

observando o observador…

Qual é o assunto mais comentado da semana?

Isso mesmo! O massacre na escola de Realengo, no Rio. Foi na quinta, mas de lá pra cá, ele quase absorveu todo o tempo e o espaço de cobertura dos meios de comunicação.

Na Folha de S.Paulo de hoje, qual é o assunto tratado pela ombudsman do maior jornal do país?

Não, não é o massacre de Realengo. Em vez disso, Suzana Singer aborda o noticiário sobre a troca de comando na Vale do Rio Doce e a distância desinteressada que deveriam ter os colunistas da Folha, que na última semana foram cobrados por leitores por olhar para os próprios umbigos…

Uma pena. Eu gostaria de saber como a ombudsman está observando a cobertura do tema mais comentado da semana…

o massacre nos jornais do mundo

A repercussão internacional da tragédia em Realengo…

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