se eu soubesse…

…tinha ouvido antes o recente disco de Chico Buarque – Chico -, que acabei de ganhar no dia dos pais.
São caprichadas dez faixas, e a que me pegou de cara foi justamente “Se eu soubesse…”, que ele divide os vocais com a namorada Thais Gulin.

ser pai: em dois momentos

hqcon 2011: o que vi por lá

A expectativa era grande para a versão 2011 da HQCon, o evento de Florianópolis para quem curte quadrinhos, games, RPG, cosplay, objetos colecionáveis e todas as formas de cultura pop. Fez um dia de cinema, com sol intenso e temperatura inimaginável para a época: 30 graus!

A HQCon acontece hoje e amanhã num dos níveis do estacionamento do Floripa Shopping, o que pode resultar positiva e negativamente. O bom: fazer uma convenção como essa num shopping aproxima diversos públicos. O mau: fazer uma convenção numa garagem preserva aquele jeitão improvisado, despreparado.

Como se trata de um programa familiar, levei a primeira dama e o herdeiro de minhas dívidas. Como íamos de bando, planejamos chegar vestidos de Os Incríveis, mas não foi possível: o uniforme do Senhor Incrível não cabia em mim (tempos difíceis os nossos!). Abortamos a missão e resolvemos homenagear George Lucas: fomos de StarWars! Passamos uma tarde inteira na HQCon, o que me permitiu tirar algumas impressões que você pode comparar com as do ano passado (isso já está se tornando uma tradição).

Positivo

  • Dois dias de evento! Isso é bom, pois permite mais flexibilidade pra frequentar e… voltar!
  • O preço dos ingressos: R$ 15,00. O mesmo do ano passado e meia entrada pra todo o mundo. Crianças até 10 anos não pagavam nada, o que estimula nerds a levarem sua prole (Sim, senhor! Nerds também procriam!)
  • A organização se esforçou para trazer nomes importantes da área para compor as palestras e debates. Isso é fundamental para oxigenar as ideias e aproximar quem faz de quem consome…
  • Teve um debate que tratou especificamente da produção de quadrinhos em Santa Catarina! É assim também que se bota lenha na fogueira da produção local!
  • Sorteios de brindes e gincanas. Tem cada marmanjo que se acotovela pra ganhar uns brinquedinhos!
  • Houve apresentações tai-chi-chuan, artes marciais, manipulação de espadas e o escambau. Ficou interessante ver demonstrações práticas de superpoderes…
  • Os espaços dedicados a videogames estão coalhados de gente. Tem neguinho enchendo as redes do Santiago Bernabeu, tem uns desferindo golpes no Capcom, tem as meninas dançando na frente do Kinect e tem os headbangers do Guitar Hero…

Negativo

  • Se está pensando em passar um dia inteiro na HQCon leve sua marmita. Não tem nenhum lugar pra rangar no estacionamento. Claro que você pode sair do evento e buscar uma opção no shopping, mas vai enfrentar filas e pode ficar tentado a não voltar…
  • Não beba muito líquido. Você pode querer tirar a água do joelho e para isso também deverá deixar o evento para procurar um lugar adequado…
  • Houve atraso na programação, mas isso não é o fim do mundo…
  • Se no ano passado os stands ficaram apertadinhos no Floripa Music Hall, neste ano, esse não foi o problema. Tinha espaço de sobra. Poucas lojas. Opções limitadas, embora houvesse novidades como as canecas da Marvel, por exemplo…
  • No ano passado, no palco, tinha uma banda que fazia uns BGs legais (backgrounds = fundos musicais). Este ano faltou uma musiquinha. Só rolava rock’n’roll mesmo lá nos caras do Guitar Hero.
  • O espaço para as palestras ficou a desejar. Como se trata de um estacionamento, as condições acústicas não são as melhores, e por mais que o sistema de som tentasse, a recepção era difícil. Na verdade, isso tem a ver com o ambiente em si, que não gostei muito, conforme deu pra perceber. O lugar é maior que o ano passado, mas com menos estrutura. Acho mesmo que a HQCon ainda precisa de um super lugar pra acontecer em Florianópolis.

Umas ideias para os organizadores

  • Que tal uns puffs, sofás, poltronas, tapetes mágicos, sei lá, para os visitantes se escarrapacharem pela HQCon?
  • Que tal chamar umas bandas pra tocar nos intervalos das palestras?
  • Por que não convidar escolas e articular a vinda de mais crianças e pré-adolescentes? (Lembrem o que disse um dos debatedores: leitor de quadrinhos morre. É diferente de super-heroi que morre e volta. Por isso, é preciso investir na formação de público…)
  • Por que não investir mais nos públicos de seriados? Me deu a impressão que eles ficaram à margem…
  • Já pensaram em transmitir as palestras em videostreaming pela internet? Acho que iria provocar um buzz interessante na web…
  • Por falar nisso, e se na próxima edição, a HQCon tivesse um esquema forte de mídias sociais, com transmissões em tempo real de diversas partes, videos no YouTube, foruns borbulhando, podcast e rádio online, interação nas perguntas aos debatedores??
  •  E se no ano que vem a HQCon tivesse um patrono artístico? Tipo um grande nome nacional (internacional ou interplanetário) que viesse à convenção, interagisse com os fãs, recebesse homenagens e tal… Cada ano poderia ter um patrono…

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hqcon: as palestras

Começa hoje o maior evento da história das HQs em Santa Catarina: a HQCon

Confira a programação das palestras, apenas uma parte das atrações que se estendem por oficinas, feira, mesas de RPGs, cosplay e outros eventos:

HOJE

11h: Heróis e Batalha

Palestrantes:

  • Alan Monteiro O Mundo de “Herois & Batalhas®”
  • Evandro Kuhnen Mercado de games, importância dos jogos e redes sociais

13h30: SC faz HQ

Palestrantes:

  • Alex Guenther  HQS independentes com resgate histórico da região e Catacomics coletivo de desenhistas catarinenses
  • Chicolan  Menino Caranguejo, quadrinhos digitais, aplicativo Crabboy para iPhone e iPad
  • Marcelo Mueller  Como entrar e ficar no concorrido mercado de HQ americano

16h: Anos 80 – Cultura Jovem Brasileira nos Anos 80

Palestrantes:  

  • Guilherme Bryan
  • Mario Luiz C. Barroso

18h: DC X Marvel – As Mudanças e Franquias das Duas Maiores Editoras de HQ

  • Fabio Fernandes
  • Hector Lima
  • Mario Luiz C. Barroso
  • Sidney Gusman

AMANHÃ

12h: A Turma do Mauricio – Case Mauricio de Sousa e a HQ nacional

Palestrantes:

  • Sidney Gusman
  • Ricardo Manhaes
  • Hector Lima

14h: Festival Punk – Possibilidades do Retrofuturismo

Palestrantes:

  • Fabio Fernandes
  • Romeu Martins

16h: Computação Gráfica para Publicidade, Cinema e Games

Palestrantes:

  • Daniel Meurer
  • Janon Berka

18h: Cosplay

tudo novo no monitorando

Certidão de nascimento: nosso Internet Blog Serial Number

Após exaustivas reuniões, infindáveis negociações e delicados ajustes, o monitorando entra em nova fase.

Criado numa data cabalística – 20/05/2005 -, o blog ficou inicialmente hospedado no UOL e dois anos depois migrou para o WordPress. Permanecemos no mesmo endereço, mas agora inauguramos domínio próprio – christofoletti.com -, o que permite que o visitante chegue aqui por mais atalhos.

Além do novo endereço, fizemos uma faxina nos links, filtrando inativos e desatualizados, e nos arriscamos a mais uma cirurgia plástica, adotando um novo template: Mystique, da digitalnature. Também reativamos páginas com conteúdos mais estáveis, como a de Artigos e Livros, e uma nova, com síntese biográfica.

Formalmente, o monitorando agora é um site. Mas o espírito continua de blog. Na verdade, hoje, não faz diferença ter site ou blog. Importante é estar online. Estamos aí!

florianópolis na rota dos quadrinhos

Acontece amanhã e domingo em Florianópolis mais uma edição da HQCon, evento que reúne produtores e amantes de quadrinhos, games, RPGs e todas as outras formas de cultura de fãs existentes nesta e em outras galáxias.

A HQCon segue o formato das já famosas convenções de quadrinhos, que juntam e aproximam os diversos públicos da cultura de massa e alguns dos nomes mais evidentes no mercado. E pelo que se percebe, o evento está pegando pra valer. Se no ano passado, ao menos 700 pessoas lotaram o Floripa Music Hall, desta vez, a HQCon será realizada em dois dias e ocupará um nível inteiro do estacionamento do Floripa Shopping.

Passei pela convenção no ano passado e, para além do grande feito de promover um evento como esse na cidade, o que me chamou muito a atenção foi o clima contagiante dos frequentadores. Deu a impressão de que todos estavam muito felizes com aquela reunião e que ansiavam por isso há muito tempo. Como se pequenas multidões estivessem dispersas e fossem reagrupadas para um acontecimento.

Dessa sensação, tiro um outro palpite: Florianópolis está sim se credenciando pra ser um pólo interessante para a produção, consumo e discussão de HQs, games, RPGs e outras formas de subculturas de massa. Há dez anos, por exemplo, não havia por aqui locais privilegiados para compra de revistas ou objetos colecionáveis. Hoje, existem boas bancas – como a Joreli – ou a Universo, que vende de camisetas a miniaturas, de pôsteres a revistas, passando por toda sorte de coisas para colecionar. Floripa tem também gente que assina roteiros de HQ, tem indústrias de games para celular e outras plataformas, tem grupos de estudo acadêmico sobre esses temas, e tem gente desenhando e produzindo quadrinhos! Daí que não é nenhum exagero meu em dizer que a cidade está na rota desses negócios. Já ouvi, inclusive, gente de dentro da HQCon dizendo que o evento quer disputar espaço e atenção nacional com feiras de São Paulo e Rio. É pouco ou quer mais?!

ei, isso aqui não é demais?

Essa inglesinha está apenas no segundo álbum… imagina só o que ela pode fazer em dez, vinte anos de carreira…

o passado, não; agora, o presente e o futuro

Outro dia, me embrenhei nos cipós do passado e quase me perdi por lá. Hoje, mesmo com a correria do dia, meus olhos, braços, pensamentos e sentimentos estão todos voltados pro meu presente. Meu filho completa sete anos, e eu repito o que todos os pais do mundo repetem: parece que foi ontem. Pisquei os olhos e ele aparece correndo na sala como um garoto esperto, inteligente, lindo, charmoso, saudável, sensível, cordial, suave e feliz. Sorri atrás da tela do computador que me ilumina o rosto. Mas não é a máquina que brilha…

Olho para o presente, mas vejo a planta do futuro.

Machado já escreveu que o “menino é o pai do homem”. Canso de sublinhar essa frase todos os dias. Aprendo a cada momento, me preencho a cada instante. Vejo que posso continuar por ali. Na forma do sobrenome que ele carrega, nas semelhanças de um par de sobramcelhas, no jeitinho de falar, em uma porção de características que quero ter minhas e repassadas a ele.

Já escrevi muito sobre ele por aqui. Mas nunca o bastante… Se você o conhece, sabe que não estou exagerando. Se não conhece, veja como ele ensina metafísica, como ele exibe sua inocência, como ele desenha bem, e como o seu mundo é maravilhoso

 

o sonho, com miles davis

Manhã gelada de inverno em Florianópolis, e acordo com The Dream na cabeça.
Ouça o Miles!

E por falar em sonho… que tal Moon Dreams?

 

ah, o passado…

Se o passado é uma colcha de retalhos e lembranças, se o futuro é uma pilha de projeções e se o presente não dura mais que um segundo, a rigor, não nos sobra tempo nenhum. Essa é uma verdade que a gente tenta sepultar a cada vez que olha para o mostrador do relógio ou para o calendário. Mas ainda soterrado por essa lógica linear, me sinto nos últimos dias meio que atropelado por trens do passado… Personagens esquecidos aparecem, episódios guardados vêm à tona e um desfile infinito se dá na minha cabeça… perco as horas, vou e volto…

O curioso é que essas memórias todas me chegam pela internet, que já foi um sonho do futuro. Hoje, com mais de 15 anos, ela é presente, passado e futuro…

Por email, meu irmão mais novo me manda uma fotografia que eu julgava perdida. Nela, estou espremido entre vinte e poucos colegas que se preparam para formatura da 8ª série! Estamos em 1986, no pátio de um colégio que não existe mais, olhando para um futuro que nem mais me lembro. Sou mais magro, tenho mais cabelos e metade dos sonhos que tenho hoje. Temos espinhas no rosto, estamos de uniforme e nenhum de nós imagina o que lhe vai acontecer quando chegar à maioridade…

A foto pertence ao convite da formatura e com ele, uma lista de nomes e sobrenomes. Banquete para correr atrás dessas pessoas nas redes sociais. No Facebook, recebo solicitações de amizades de 25, 30 anos atrás. Envio outras. Faço contatos temerosos: “oi, não sei se lembra de mim, mas fizemos o ensino médio juntos…”

Em duas ou três mensagens trocadas, persiste a vontade de atualizar e atualizar o noticiário. “O que você fez nos últimos 25 anos?” “O que te aconteceu desde que a gente perdeu o contato?”

Acabo sabendo que namoradinhos da época da 8ª série se casaram! que atléticos rapazes mantiveram-se no esporte! que galãs daquela época perderam os cabelos e ganharam quilos! que alguns casaram e descasaram! que outros mantêm-se nas trincheiras da solteirice! que uns nem moram mais no Brasil! que outros resolveram povoar o mundo, assumiram os negócios dos pais, enfim, histórias, destinos, episódios de cada um…

Me dá uma saudade das precárias amizades, das montanhas de insegurança que se tem aos 15 anos, de amores não correspondidos, de mágoas de final de semana… me dá uma nostalgia desse nada que se foi… e que só ficou dormente na memória, como que em repouso, esperando apenas ser despertado por um oi qualquer…

 

um domingo com terence

Terence Blanchard é um dos trompetistas mais aclamados do jazz atual. Já gravou discos reconhecidamente importantes, fez parcerias com artistas renomados, assinou trabalhos em homenagem a velhos ícones da música; já ganhou prêmios como o Grammy, lançou trabalhos em que relê clássicos do cinema, entre outras tantas aventuras.

É de uma dinastia que o liga a Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Nicholas Payton e Wynton Marsallis…

Por isso e muito mais, um domingo frio, fechado e carrancudo como o de hoje em Florianópolis é melhor na companhia dele.

Divirta-se!

mais uma do maurício

Meu amigo Maurício de Oliveira tem “macaquinhos no sótão”, como diz o Ziraldo. Não para!
Por isso, na próxima sexta – 13 de maio -, quando a Ponte Hercílio Luz completa 85 anos, ele vai lançar nova edição de seu livro “Ponte Hercílio Luz: Tragédia Anunciada”. O evento acontece às 19 horas no estande da Editora Insular, na 4ª Feira Catarinense do Livro, no Largo da Alfândega, centro de Florianópolis.

Ele convidou os amigos, e eu reforço e espalho para os meus…

um sábado sem sabato

Foi anunciada hoje a morte de Ernesto Sabato, o maior escritor argentino vivo desde Jorge Luis Borges. Sabato completaria 100 anos no final de junho; foi-se por causa de uma bronquite, o que é devastador para quem está com essa idade…

Na primeira vez que fui a Buenos Aires, trouxe na bagagem um exemplar de seu “Sobre homens e tumbas”. O grosso volume, com capa dura e miolo de papel barato, ainda dorme na minha prateleira. Não fui além das primeiras páginas porque outros autores furaram a fila. Outro título do próprio Sabato passou à frente. Devorei “O túnel” em dois dias e fiquei perplexo com uma prosa tão marcante do final dos anos 40.

No feriado da Páscoa, passei pelas livrarias da Corrientes e me deparei com livros de Sabato em promoção. Os argentinos parecem não ter pudores com isso. Ao lado dele nas bancas montadas estava um Borges aqui, um Bioy-Casares ali. Uma senhora estava ao meu lado e passou delicadamente os dedos pela capa de “Um e o Universo”, o livro de estreia de Sabato. A leitora parecia acariciar o rosto do autor. Nem ela, nem eu imaginávamos que uma semana depois seríamos informados da morte do velho escritor…

coelhinho da páscoa do mal

Você não gosta de feriados? Não suporta como todos transformam datas religiosas em oportunidades de consumo obrigatório? Você odeia a Páscoa?
Bem, talvez seja porque o próprio Coelhinho da Páscoa te odeie também!
Veja o que esse fofinho faz durante os outros 364 dias do ano…

300 mil acessos e um novo endereço

Nossos sistemas acabaram de registrar que este blog já recebeu mais de 300 mil visitas desde que foi hospedado aqui no WordPress em 20 de maio de 2007. Isso é motivo de celebração e de agradecimento.

Começo pelo final, então: qualquer que tenha sido o motivo e a maneira que te trouxe aqui, obrigado pela visita. E se foi bem tratado, volte mais vezes. É sempre um prazer acompanhar as estatísticas e ver que os acessos são constantes, o que me dá a entender que o endereço (de alguma forma) se estabeleceu nesse oceano-web.

Para celebrar a marca, fiz uma cirurgia plástica no blog e estou decerrando a placa de meu site pessoal: www.christofoletti.com

Não, o Monitorando não está encerrando suas atividades.

Não, não republicarei lá o que faço aqui. Existem conexões entre uma coisa e outra, mas uma coisa é uma coisa; a outra coisa é outra, naturalmente.

Não, não darei prêmios e vantagens para quem visitar o site.

Então, por que ter mais um endereço? Para facilitar o trabalho dos meus biógrafos?
Não, apenas para eu ter um espaço um pouco mais estável e permanente com minha produção, meus projetos e outros trabalhos. É uma questão de sistematização, como quem arruma as próprias gavetas. No Monitorando, continuarei blogando com mais frequência; no site, estarão conteúdos mais sedimentados, mais cristalizados. Note, por exemplo, que as páginas livros e artigos que eu mantinha aqui foram parar por lá… Aliás, vá lá conhecer… E aqui, aproveite o novo visual…

uma música, um piano, uma animação

É possível que já tenha ouvido esse tema.
Está na novela das sete na Globo. Originalmente, ele vem do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, e o tema musical é assinado por Yan Thiersen: Comptine d’un autre été l’après midi (algo como Rima de uma outra tarde de verão).
O filme é lindo, a música também, e a animação… bem, confira.

ceni faz o centésimo gol

100 gols de um goleiro equivalem a 1000 de um atacante.
Sem mais…


(dica do também são-paulino Marcos Palacios)

 

vivo numa ilha!

É praticamente impossível escolher onde se nasce. Por uma razão muito simples: nunca te consultam sobre isso. Mas é plenamente possível optar onde viver e, quem sabe, passar os últimos dias da vida.

Para os seres humanos, a vida se desenrola em torno das cidades. E mesmo que tentemos fugir delas, elas se estendem ao longo do mundo e acabam nos alcançando. Não se vive fora delas, e cada cidade ajuda a gerar tipos diferentes de vida. Por isso que escolher é tão importante, tão precioso, tão especial.

Eu, por exemplo, vivo numa ilha há catorze anos. Num dia qualquer, me precipitei do interior de São Paulo para Florianópolis, com o claro propósito de escrever as linhas da vida com a minha caligrafia torta. Talvez tenha sido esse o único destino verdadeiro que decidi. De lá pra cá, mergulhei na cidade, e fiz dela a minha pátria. Como a gente pertence à cidade dos filhos, tratei de fincar uma raiz familiar na capital catarinense. E costumo dizer: quando (e se) eu morrer, quero ser enterrado aqui.

Eu sei que Florianópolis é desses lugares fáceis de deitar elogios. As belezas naturais, a exuberância de suas mulheres, as curvas dos seus caminhos, seus sabores à mesa, seu sol e as águas do Atlântico fazem desse canto um encanto. Mas quem aqui vive sabe também das feridas: o trânsito caótico, a insegurança pública, a fauna especulativa no setor imobiliário, o anacronismo político.

Mas eu vivo numa ilha e sou muito, muito feliz.
Meu horizonte se alarga aqui. A maresia me desvencilha dos problemas. O vento sul renova nossos ares.

Florianópolis faz aniversário amanhã, e eu quase nem ligo pra isso. É que comemoro todos os dias.

Ao leitor invejoso, desculpe a falta de pudor. É que ando meio manezinho, sabe…

 

mulher e jornalista

Como não poderia deixar de ser, o assunto hoje – e para mim, todos os dias! – é a mulher.
Não gosto da data porque a sua origem é muito triste, mas marcar um dia por elas ainda é necessário. Não acha?

Então, veja o relatório que os Repórteres Sem Fronteiras fizeram sobre liberdade de imprensa e gênero… Em inglês, 12 páginas e 1,3 mega de arquivo.

 

 

 

fantasia de carnaval 2

Naqueles dias, o amor era como o ar que se respirava: era ofegante, quente, abrasador, todos dependiam dele pra viver e estava em toda a parte. Amava-se mais que tudo. Entre um baile e outro. Entre uma ala e outra na avenida. Com máscaras ou sem elas, com todas as fantasias ou sem nenhuma roupa. Após os quatro dias, e bem depois – nove meses além -, nasciam os filhos do Carnaval.

Esses podiam ser brancos ou negros, ricos ou pobres, meninos ou meninas. Eram diversos, mas tinham uma coisa em comum: nasciam com um gen específico, incrustado no seu código genético, e humanamente irresistível. Como um vírus incubado, o gen ficava adormecido por anos, e só era despertado lá pelos 14 ou 15 anos, quando seu portador ouvia o estrondo de uma bateria de escola de samba. A marcação do surdo, os pipocos dos tamborins e o gemido jocoso das cuícas faziam a pessoa requebrar, sacolejar e sambar até ficar exausto. O gen, esse dos filhos do Carnaval, só foi mapeado e identificado pelos cientistas há poucos anos, e recebeu uma etiqueta incompreensível: G14253C. Nas ruas e nas casas dos filhos do Carnaval, era conhecido como “gen da alegria”.

fantasia de carnaval 1

Naqueles quatro dias, o que caía do céu em clubes e nas ruas eram confetes coloridos e saborosos. Gotinhas de chocolate fantasiadas de amarelo, azul, verde, vermelho, rosa, marrom, roxo, prata…

Naqueles quatro dias, toda serpentina que o folião lançasse alcançava um novo amor. Envolvia-lhe o pescoço e num movimento rápido, trazia-se para perto de si alguém com os lábios só prontos pra sorrir e beijar.

Naqueles quatro dias, como num decreto federal, era proibido morrer nas estradas, cometer crimes, ofender as pessoas. De forma compulsória, todo cidadão de bem tinha que morrer de rir, cometer loucuras, ofender a tristeza…

 

 

lá vai ronaldo…

Anos atrás, o título acima indicava mais um ataque fulminante de um jogador fora de série. E quase sempre o final da história era uma rede estufada, uma torcida aos berros, sorrisos de um lado, mãos à cabeça do outro, e alguém tendo que alterar o placar. Pelo que informou primeiro o jornalista Daniel Piza, amanhã, Ronaldo Nazário deve anunciar sua aposentadoria, o fim de sua carreira no futebol. “Lá vai Ronaldo…” será mais um capítulo da história do futebol. Afinal, até mesmo os épicos têm o seu fim.

Além da ironia acima, há outra. Não foi nenhum comentarista tarimbado, um analista experiente ou um repórter de esportes impertinente que deu o “furo jornalístico”. Foi um jornalista da área da Cultura, que gosta de futebol, é verdade, mas seu terreno está mais para as letras e as artes do que a dança que entorna as cadeiras dos zagueiros.

No argentino Olé, eu leio: “Se va un Fenomeno”. Na France Football, “la fin d’un mythe”. O que dirão outros mais?

vade retro, mubarak

Junião manda bem!

o meme das idiossincrasias

Porque este post foi inspirado no post do Dauro, que se inspirou no do Brüggemann, vamos dizer que seja um meme

Para mim, a palavra “idiossincrasia” não é pernóstica, é reveladora e musical. Feia é a palavra “seborréia”, mais ainda que “diarréia”. Gosto de ler jornais sentado no chão. E gosto de ser o primeiro. Tenho egoísmo incontrolável de folhear cada caderno, sem emprestar nenhum pra ninguém enquanto gasto minha vida ali, sabendo da vida dos outros. Termino de ler e olho sempre para os dedos – que costumam ficar sujos de tinta – e os levo até o nariz para conferir o odor das impressoras.

Gosto de ternos, mas não tenho muitos. Poderia trabalhar vestido nisso, sem problemas. Me endireita a coluna. Mas não confio em nenhum homem que usa ternos de cores claras. Bege é praticamente um atestado de frouxidão de caráter. Azul marinho é o rei dos ternos, e ponto final.

Tenho preguiça de comprar roupas. E despisto minha esposa para fazê-lo. Detesto comprar roupas com ela. Me lembra a minha mãe. Prefiro gastar com livros, CDs e quadrinhos. Não gasto com DVDs. Eles são como camisinhas pra mim: uso uma vez só.

Sou meio obcecado por liberdade. Me irrita muitíssimo quando percebo cerceamento, controle. Me tira do sério. Assim como desrespeito aos direitos do consumidor. Fico fulo da vida com isso. Ainda quero ter um programa de TV pra detonar empresas que lesam o consumidor, tipo justiceiro, mas nada parecido com Wagner Montes ou Celso Russomano. Para preservar a ideia, não vou dar mais detalhes, mas atuaria como um paladino dando nomes aos bois, recitando artigos do Código de Defesa do Consumidor, constrangendo fdps diversos.

Adoro doces. Sou praticamente uma nuvem de gafanhotos em caixas de bombons, em pacotes de bolacha recheada, e outros prazeres sorridentes. Quero reduzir o consumo de doces para enxugar parte de minha pança que já quase tem um CEP próprio. Não gosto de hortaliças e faço discursos épicos contra o seu consumo. “Só como aquilo que pode se defender. As alfaces nem podem fugir de seus algozes!”. Gosto de frutas, mas minha fruta predileta é o torresmo. Detesto goiaba, nem posso com o cheiro, mas adoro goiabada. Poderia crescer em árvores, ao lado do pé de queijo minas. Facilitaria…

Me perco com facilidade em livrarias e padarias. Mas não só. Me perco bastante no trânsito, fico tenso e passo do ponto. Passava. Tenho um GPS agora, e não devo me perder mais. As viagens é que vão perder a graça, afinal era um rito certo a gente errar o caminho… Nada me tira da cabeça que a dona da voz do GPS é uma mulher de 35 anos, loira, mãe de dois filhos e cujo charme não se restringe às cordas vocais.

Sou realizado na minha profissão, mas sinceramente mudaria completamente de ramo. Entraria para a indústria pornô. Não me falta coragem. Falta é talento.

o mundo de vinicius

Meu filho Vinicius tem seis anos e meio. É um garoto ativo, inteligente, perguntador, como bem convém a um cidadãozinho dessa idade. Convivemos bastante, moramos na mesma casa, mas vivemos em mundos muito diferentes. Essas semanas de férias têm me permitido ao menos espreitar por uma frestinha o que é isso.

Como Vini ainda não sabe ler, sua leitura do mundo é muito visual, e ele confia piamente nos adultos à sua volta. Lemos placas para ele, retransmitidos o que vemos nas legendas de filmes, contamos o que se dá nos balõezinhos das histórias em quadrinhos. Essa confiança permite, por exemplo, que editemos alguns conteúdos das mensagens, não para deturpar ou enganar, mas para fazer com que ele entenda o contexto. Existem gírias que ele não conhece, e só agora está tomando mais contato com a ironia, com o sarcasmo. Aliás, ele começa a se dar bastante bem nisso, o que me deixa particularmente orgulhoso, pois isso é um atestado fiel de sagacidade.

Vini também está se habituando com os números. Rapidamente, fez amizade com os algarismos, já escreve e copia cada um deles, e sabe contar até cem, e tem noções bastante satisfatórias das centenas. Mas o pequeno ainda tem dificuldades com alguns números mais abstratos: milhões, bilhões são só palavras. E para Vini, 100 mil parece ser a maior quantidade possível. Nas suas brincadeiras, algo muito caro custa 100 mil, uma coisa muito antiga tem 100 mil anos, esperar muito é ter que aturar 100 mil horas.

Então, os limites do mundo do meu filho são esses: as palavras escritas não fazem muito sentido; os dias da semana têm uma ordem bem embaralhada; os números terminam em 100 mil.

Apesar disso, do alto de seus seis anos, Vinicius me ensina todos os dias algumas lições ancestrais. Porque confia demais no que dizemos a ele, sempre quando deixamos de cumprir uma promessa, ele nos interpela. “Mas você PROMETEU!”, me olha interrogativo, insultado, vilipendiado. Como quem diz “como é possível alguém fazer isso?”, Vini nos ensina que a palavra empenhada vale mais que a palavra escrita. Verdade, compromisso, confiança.

Quando ele faz algo que contraria o que antes dissemos, me olha interrogado. E ensina: paciência, eu só tenho seis anos. Ensina mais: a bondade de quem é inocente, a humildade de quem ocupa apenas um pedacinho de chão no mundo, a perseverança de quem está apenas começando a caminhada. Vinicius sorri meio sem jeito, com aquele charme que faz derreter glaciares. Parece me dizer: Ah, fala de novo, vai? Vale a pena repetir para que eu aprenda isso. Vai ser legal, você vai ver…

a biografia de um disco

Esse tal de jazz tem umas coisas super curiosas. A exemplo de outros gêneros, você pode encontrar livros que contam a história de um artista ou de um grupo de artistas, mas vai além. Tem também biografia de gravadora, de casa de show e até mesmo de disco. Terminei de ler esta semana A Love Supreme, simplesmente a biografia do disco mais famoso de John Coltrane.

Se você sabe do que estou falando, deve imaginar o que deve ser: um livro para aficcionados, para tarados em Coltrane, um incansável renovador do uso do sax.

Se você está boiando, a coisa é simples: o livro conta como o saxofonista foi reunindo um quarteto célebre para duas noites memoráveis de gravação no mítico selo Impulse. “A Love Supreme” é um disco de 1965, um dos últimos do instrumentista que viria a morrer de câncer no fígado dois anos depois. É um álbum que influencia músicos até hoje e que surgiu num contexto importante da ascensão da cultura negra na sopa cultural norte-americana. Misterioso, espiritual, pungente e extremista, o álbum ainda fascina, mesmo quem – como eu – não sabe nada de música ou teoria musical.

O livro de Ashley Kahn tenta dar conta da atmosfera que cerca os músicos à época de “A Love Supreme”. Por muitos momentos, o livro se torna enfadonho por conta dos muitos detalhes técnicos, mas vale o registro e a busca de um clima daquele momento. Ainda mais para colocar os devidos pingos nos is, afinal Coltrane ainda é um dos jazzistas mais mitificados do mundo. Até igreja tem em homenagem a ele!

Vale a leitura. Mas antes de começar a ler, coloque o disco na agulha…

(Uma amostra grátis: o primeiro “movimento” de A Love Supreme: Acknowledgement)

o que você tem a ver com as mortes no rio?

Evitei o quanto pude escrever sobre os acontecimentos desta semana, o terrível episódio que vitimou centenas de pessoas na região serrana no Rio de Janeiro. Não quis opinar, manifestar indignação ou acrescentar palavras ao que simplesmente nos rouba o sentido das frases. Mas eu hoje senti uma forte necessidade de pensar aqui neste espaço sobre isso.

Diante da assombrosa realidade das perdas, dos danos, dos prejuízos e das mortes, o que se diz, o que se pensa fica tão banal, tão gratuito e fácil que chega às vezes a ser ofensivo. Por mais que se diga que é uma tristeza sem fim as milhares de histórias contadas nos telejornais; por mais que a gente comente – confortavelmente no sofá de casa – o drama dos outros; por mais que isso tudo nos comova com sinceridade, as palavras simplesmente esfarelam. Elas não podem conter conforto a quem perde um filho ou um amigo; elas não trazem confiança ou esperança, já que a água levou tudo; elas só se limitam a contar, a narrar. É pouco, claro, mas talvez seja uma maneira de nos convencermos da fragilidade da vida, da necessidade do agora, da falência de nossas certezas frente a forças tão incomensuráveis como as da natureza.

Ouvi hoje uma frase atribuída ao evolucionista Richard Dawkins que é mais ou menos assim: “a natureza não é impiedosa; ela é simplesmente indiferente”. Quer dizer, ela não se vinga de nossos atos, não se volta contra o homem-agressor. Ela só segue seu curso, suas regras, estando nós em seu caminho ou não.

Parece resignação, mas é uma maneira escancaradamente realista do que é a espécie humana num planeta de 4,5 bilhões de anos de existência, num canto qualquer de um sistema solar pouco expressivo, numa galáxia ordinária nisso que chamamos de universo. Os humanos nos acostumamos a reivindicar um lugar especial em meio à natureza, pois ainda nos surpreendemos com nossos feitos. Nos deslumbramos com isso ainda. Mas olhando em perspectiva histórica, percebemos que nossa história no curso da natureza é muito diminuta ainda. E observando em termos espaciais, preenchemos muito pouco na dimensão que nos ajuda a delimitar o visível.

O que é que nos sobra, então?

Pra ser honesto, muito pouca coisa. Sobram nossos sentimentos, nossos sonhos, nossas histórias, nossas conquistas, nossos desejos, nossas derrotas. E nada disso é quantificável. Nada disso cabe em galpão nenhum.

É este incontornável sentimento de pequenez que me invade frente às pilhas de mortos em Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro… É disso que não consigo desviar ao me perguntar como cada protagonista desses dramas vai reinventar roteiro para suas vidas. A dor é maior que a perda. A morte é o que nos faz pensar na vida. A lágrima desavisada do anônimo no outro lado da tela é que te faz soluçar por aqui.

Uma maneira modesta de dar algum sentido nisso tudo é criar narrativas particulares: talvez isso venha a nos ensinar algo; talvez seja uma provação à nossa fé; talvez ressurjamos mais fortes disso tudo; talvez, talvez, talvez…

É assombrado com o que está acontecendo que fico pensando na nossa imediata necessidade de repactuar nossas relações neste tempo. Precisamos redimensionar nossos valores, atualizar nossas prioridades, redefinir os desejos. O leitor pode enviar donativos aos desabrigados, pode servir como voluntário nesse momento amargo, pode enviar uma prece ou um pensamento positivo. Pode exigir mais atitudes das autoridades, pode se engajar numa luta coletiva. Só não pode é ficar indiferente.

desejos

Que venha o ano novo; que venha uma nova década; que venham momentos felizes para todos.

Que o diálogo esteja sempre à mesa; e que estejamos ao redor dela.

Que a honestidade e a franqueza possa governar nossos corações, e que possamos buscar os melhores caminhos.

Que sejam dias melhores, e que possamos lutar por eles.

ele esteve de olho…

Papai Noel sabe de tudo.
Seus pais já contaram como foi o seu ano. Seus credores também.

Por isso, se você não pediu desculpas àquele seu irmão, se não foi legal com seu vizinho, se não tratou bem os colegas do trabalho, você já sabe, né?…

Viva o natal!