É mais ou menos assim que me sinto diariamente, combatendo a burocracia nossa de cada dia.

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compolítica começa amanhã
Os professores Alessandra Aldé e Fernando Gonçalves, da organização, reforçam o convite para a abertura amanhã do 4º Encontro da Compolítica – Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política.
O evento é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ em parceria com a UFF, e acontece no campus Maracanã a partir das 18h30 com a conferência “A Comunicação Política e sua institucionalização no Brasil”, do professor Marcus Figueiredo (IESP-UERJ).
A programação é bem recheada e pode ser conferida aqui. Estarei por lá com os colegas Fernando Azevedo (UFSCar), Flávia Biroli (UnB) e Fernando Rezende (UFF) na Mesa Redonda “Jornalismo e Política”. Vou abordar o Cablegate do WikiLeaks e suas implicações para a ética jornalística. Mas fora isso, haverá muita coisa boa no evento…
300 mil acessos e um novo endereço
Nossos sistemas acabaram de registrar que este blog já recebeu mais de 300 mil visitas desde que foi hospedado aqui no WordPress em 20 de maio de 2007. Isso é motivo de celebração e de agradecimento.
Começo pelo final, então: qualquer que tenha sido o motivo e a maneira que te trouxe aqui, obrigado pela visita. E se foi bem tratado, volte mais vezes. É sempre um prazer acompanhar as estatísticas e ver que os acessos são constantes, o que me dá a entender que o endereço (de alguma forma) se estabeleceu nesse oceano-web.
Para celebrar a marca, fiz uma cirurgia plástica no blog e estou decerrando a placa de meu site pessoal: www.christofoletti.com
Não, o Monitorando não está encerrando suas atividades.
Não, não republicarei lá o que faço aqui. Existem conexões entre uma coisa e outra, mas uma coisa é uma coisa; a outra coisa é outra, naturalmente.
Não, não darei prêmios e vantagens para quem visitar o site.
Então, por que ter mais um endereço? Para facilitar o trabalho dos meus biógrafos?
Não, apenas para eu ter um espaço um pouco mais estável e permanente com minha produção, meus projetos e outros trabalhos. É uma questão de sistematização, como quem arruma as próprias gavetas. No Monitorando, continuarei blogando com mais frequência; no site, estarão conteúdos mais sedimentados, mais cristalizados. Note, por exemplo, que as páginas livros e artigos que eu mantinha aqui foram parar por lá… Aliás, vá lá conhecer… E aqui, aproveite o novo visual…
redes sociais, jovens e crianças
Orkut, Facebook e Twitter já são tão populares entre as novas gerações que parece que alguns bebês abrem suas contas nesses ambientes antes mesmo de fazer o teste do pezinho. Apesar do meu exagero, tem gente mais qualificada que se preocupa com o uso (ou intenso uso) das redes sociais por crianças e jovens.
É o caso da Academia Americana de Pediatria, que produziu e está circulando um estudo sobre o tema em seu periódico oficial. Em pauta, benefícios dos usos, impactos na aprendizagem, acesso a informações de saúde, ciberbullyng, pressões para o consumo, preocupações com a garantia da privacidade dos pequenos.
Tudo bem que a publicação é localizada – originária dos Estados Unidos -, mas pode servir como um bom roteiro para ser replicada em outras partes, inclusive aqui. (São 303 Kb, sete páginas, em PDF e em inglês)
o major me ligou
21h44 de ontem e toca meu celular. Não reconheci o número que chamava, mas atendi. Do outro lado, uma voz calma, num tom baixo, anunciou que se tratava do major Marcio Luiz Alves, responsável pela Defesa Civil em Santa Catarina. Respeitosamente, desculpou-se de estar ligando àquela hora e justamente no celular, e perguntou se eu tinha tempo para falar com ele. Respondi afirmativamente, e ele revelou que me ligara por conta de um post neste blog, em que eu questionava a atitude dele se candidatar em 2010 a uma vaga na Assembleia Legislativa.
No post de janeiro deste ano (leia aqui), eu me questionava se aquele gesto não teria sido oportunismo, já que o soldado frequentava com assiduidade os meios de comunicação locais. À época do post, eu “pensava em voz alta”, tentando investigar as razões da minha discordância de sua atitude.
Pois bem, não é que ontem me liga o major?
Como jornalista, não foi a primeira vez que alguém me procurou para comentar o que escrevi. Já recebi telefonemas mais inflamados, menos educados, alguns até ofensivos, outros elogiosos. Já recebi ameaças ostensivas e veladas, e chamadas que tentavam me convencer de que aquela não era a melhor maneira de narrar ou descrever algo.
Mas o telefonema do major me surpreendeu ontem. Não por ele ter ficado “chateado” com o que escrevi, mas pelo tom cordato, civilizado; pela atenção que dispensou ao contar pacientemente sua trajetória pública. Me surpreendeu também o fato de ele encontrar o telefone pessoal de um blogueiro desconhecido e tentar falar com ele pessoalmente, para explicar suas razões. Ele poderia ter ignorado, ou deixado um comentário no blog… Achei, no mínimo, atencioso. O major tinha o claro propósito de tirar uma má impressão que eu mantinha dele, e isso me fez pensar sobre como as redes sociais, os blogs, e as novas tecnologias de informação e comunicação podem aproximar mais e mais as pessoas. Imagine se todo político tivesse esse canal aberto com seus eleitores? Imagine se também ocorresse o contrário: um eleitor indignado com seu representante ligaria para ele se queixando?
Pois esses novos dispositivos de comunicação que dispomos permitem o encurtamento de certas distâncias. No meu caso, me manifestei num blog. Por alguma razão qualquer, o major leu e quis falar com aquele cara que dele escreveu, quis conhecer um eleitor anônimo. Em termos de democracia, não é pouca coisa. Em outros tempos, um militar te ligaria para tirar satisfação e não para prestar informações. Nos quase vinte minutos de chamada, não me senti pressionado a apagar meu post ou a fazer qualquer retratação. Do outro lado da linha, o major em nenhum momento insinuou isso. Percebi que ele respeitou minha opinião, e porque achei o caso surpreendentemente positivo e por respeito a ele, faço esse registro.
ceni faz o centésimo gol
100 gols de um goleiro equivalem a 1000 de um atacante.
Sem mais…
(dica do também são-paulino Marcos Palacios)
vivo numa ilha!
É praticamente impossível escolher onde se nasce. Por uma razão muito simples: nunca te consultam sobre isso. Mas é plenamente possível optar onde viver e, quem sabe, passar os últimos dias da vida.
Para os seres humanos, a vida se desenrola em torno das cidades. E mesmo que tentemos fugir delas, elas se estendem ao longo do mundo e acabam nos alcançando. Não se vive fora delas, e cada cidade ajuda a gerar tipos diferentes de vida. Por isso que escolher é tão importante, tão precioso, tão especial.
Eu, por exemplo, vivo numa ilha há catorze anos. Num dia qualquer, me precipitei do interior de São Paulo para Florianópolis, com o claro propósito de escrever as linhas da vida com a minha caligrafia torta. Talvez tenha sido esse o único destino verdadeiro que decidi. De lá pra cá, mergulhei na cidade, e fiz dela a minha pátria. Como a gente pertence à cidade dos filhos, tratei de fincar uma raiz familiar na capital catarinense. E costumo dizer: quando (e se) eu morrer, quero ser enterrado aqui.
Eu sei que Florianópolis é desses lugares fáceis de deitar elogios. As belezas naturais, a exuberância de suas mulheres, as curvas dos seus caminhos, seus sabores à mesa, seu sol e as águas do Atlântico fazem desse canto um encanto. Mas quem aqui vive sabe também das feridas: o trânsito caótico, a insegurança pública, a fauna especulativa no setor imobiliário, o anacronismo político.
Mas eu vivo numa ilha e sou muito, muito feliz.
Meu horizonte se alarga aqui. A maresia me desvencilha dos problemas. O vento sul renova nossos ares.
Florianópolis faz aniversário amanhã, e eu quase nem ligo pra isso. É que comemoro todos os dias.
Ao leitor invejoso, desculpe a falta de pudor. É que ando meio manezinho, sabe…
fantasia de carnaval 2
Naqueles dias, o amor era como o ar que se respirava: era ofegante, quente, abrasador, todos dependiam dele pra viver e estava em toda a parte. Amava-se mais que tudo. Entre um baile e outro. Entre uma ala e outra na avenida. Com máscaras ou sem elas, com todas as fantasias ou sem nenhuma roupa. Após os quatro dias, e bem depois – nove meses além -, nasciam os filhos do Carnaval.
Esses podiam ser brancos ou negros, ricos ou pobres, meninos ou meninas. Eram diversos, mas tinham uma coisa em comum: nasciam com um gen específico, incrustado no seu código genético, e humanamente irresistível. Como um vírus incubado, o gen ficava adormecido por anos, e só era despertado lá pelos 14 ou 15 anos, quando seu portador ouvia o estrondo de uma bateria de escola de samba. A marcação do surdo, os pipocos dos tamborins e o gemido jocoso das cuícas faziam a pessoa requebrar, sacolejar e sambar até ficar exausto. O gen, esse dos filhos do Carnaval, só foi mapeado e identificado pelos cientistas há poucos anos, e recebeu uma etiqueta incompreensível: G14253C. Nas ruas e nas casas dos filhos do Carnaval, era conhecido como “gen da alegria”.
fantasia de carnaval 1
Naqueles quatro dias, o que caía do céu em clubes e nas ruas eram confetes coloridos e saborosos. Gotinhas de chocolate fantasiadas de amarelo, azul, verde, vermelho, rosa, marrom, roxo, prata…
Naqueles quatro dias, toda serpentina que o folião lançasse alcançava um novo amor. Envolvia-lhe o pescoço e num movimento rápido, trazia-se para perto de si alguém com os lábios só prontos pra sorrir e beijar.
Naqueles quatro dias, como num decreto federal, era proibido morrer nas estradas, cometer crimes, ofender as pessoas. De forma compulsória, todo cidadão de bem tinha que morrer de rir, cometer loucuras, ofender a tristeza…
mobilidade
o meme das idiossincrasias
Porque este post foi inspirado no post do Dauro, que se inspirou no do Brüggemann, vamos dizer que seja um meme…
Para mim, a palavra “idiossincrasia” não é pernóstica, é reveladora e musical. Feia é a palavra “seborréia”, mais ainda que “diarréia”. Gosto de ler jornais sentado no chão. E gosto de ser o primeiro. Tenho egoísmo incontrolável de folhear cada caderno, sem emprestar nenhum pra ninguém enquanto gasto minha vida ali, sabendo da vida dos outros. Termino de ler e olho sempre para os dedos – que costumam ficar sujos de tinta – e os levo até o nariz para conferir o odor das impressoras.
Gosto de ternos, mas não tenho muitos. Poderia trabalhar vestido nisso, sem problemas. Me endireita a coluna. Mas não confio em nenhum homem que usa ternos de cores claras. Bege é praticamente um atestado de frouxidão de caráter. Azul marinho é o rei dos ternos, e ponto final.
Tenho preguiça de comprar roupas. E despisto minha esposa para fazê-lo. Detesto comprar roupas com ela. Me lembra a minha mãe. Prefiro gastar com livros, CDs e quadrinhos. Não gasto com DVDs. Eles são como camisinhas pra mim: uso uma vez só.
Sou meio obcecado por liberdade. Me irrita muitíssimo quando percebo cerceamento, controle. Me tira do sério. Assim como desrespeito aos direitos do consumidor. Fico fulo da vida com isso. Ainda quero ter um programa de TV pra detonar empresas que lesam o consumidor, tipo justiceiro, mas nada parecido com Wagner Montes ou Celso Russomano. Para preservar a ideia, não vou dar mais detalhes, mas atuaria como um paladino dando nomes aos bois, recitando artigos do Código de Defesa do Consumidor, constrangendo fdps diversos.
Adoro doces. Sou praticamente uma nuvem de gafanhotos em caixas de bombons, em pacotes de bolacha recheada, e outros prazeres sorridentes. Quero reduzir o consumo de doces para enxugar parte de minha pança que já quase tem um CEP próprio. Não gosto de hortaliças e faço discursos épicos contra o seu consumo. “Só como aquilo que pode se defender. As alfaces nem podem fugir de seus algozes!”. Gosto de frutas, mas minha fruta predileta é o torresmo. Detesto goiaba, nem posso com o cheiro, mas adoro goiabada. Poderia crescer em árvores, ao lado do pé de queijo minas. Facilitaria…
Me perco com facilidade em livrarias e padarias. Mas não só. Me perco bastante no trânsito, fico tenso e passo do ponto. Passava. Tenho um GPS agora, e não devo me perder mais. As viagens é que vão perder a graça, afinal era um rito certo a gente errar o caminho… Nada me tira da cabeça que a dona da voz do GPS é uma mulher de 35 anos, loira, mãe de dois filhos e cujo charme não se restringe às cordas vocais.
Sou realizado na minha profissão, mas sinceramente mudaria completamente de ramo. Entraria para a indústria pornô. Não me falta coragem. Falta é talento.
sim, eu sou um et
Você se sente um completo alienígena quando não faz o que a maioria dos seus próximos fazem; quando não vê sentido algum em pensar da forma como eles pensam; quando sente o que eles deixaram de sentir ou não vêem nenhum sentido em sentir o que você sente…
Por isso, às vezes, me sinto como E.T.
Afinal,
eu não acesso a internet de meu celular
eu não faço compras coletivas pela net
eu não tenho um smartphone
não tuíto a cada vez que dou um peido
eu ainda não comprei um kindle nem um Iphone nem um Ipad, embora já tenha um MacBook
eu não tenho um time para cada lugar do país ou do mundo
eu não estou totalmente convencido do aquecimento global
eu não percebo diferenças entre o som da música no CD e no disco de vinil
eu não desdenho de astrologia
eu não ligo para o (mau) comportamento de Amy Winehouse
eu não estou com saudades de Diogo Mainardi na Veja nem de Arnaldo Jabor nos cinemas
eu não tenho pudor em dizer que tenho preconceito com políticos de direita
eu não tenho vergonha de às vezes ser otimista
o mundo de vinicius
Meu filho Vinicius tem seis anos e meio. É um garoto ativo, inteligente, perguntador, como bem convém a um cidadãozinho dessa idade. Convivemos bastante, moramos na mesma casa, mas vivemos em mundos muito diferentes. Essas semanas de férias têm me permitido ao menos espreitar por uma frestinha o que é isso.
Como Vini ainda não sabe ler, sua leitura do mundo é muito visual, e ele confia piamente nos adultos à sua volta. Lemos placas para ele, retransmitidos o que vemos nas legendas de filmes, contamos o que se dá nos balõezinhos das histórias em quadrinhos. Essa confiança permite, por exemplo, que editemos alguns conteúdos das mensagens, não para deturpar ou enganar, mas para fazer com que ele entenda o contexto. Existem gírias que ele não conhece, e só agora está tomando mais contato com a ironia, com o sarcasmo. Aliás, ele começa a se dar bastante bem nisso, o que me deixa particularmente orgulhoso, pois isso é um atestado fiel de sagacidade.
Vini também está se habituando com os números. Rapidamente, fez amizade com os algarismos, já escreve e copia cada um deles, e sabe contar até cem, e tem noções bastante satisfatórias das centenas. Mas o pequeno ainda tem dificuldades com alguns números mais abstratos: milhões, bilhões são só palavras. E para Vini, 100 mil parece ser a maior quantidade possível. Nas suas brincadeiras, algo muito caro custa 100 mil, uma coisa muito antiga tem 100 mil anos, esperar muito é ter que aturar 100 mil horas.
Então, os limites do mundo do meu filho são esses: as palavras escritas não fazem muito sentido; os dias da semana têm uma ordem bem embaralhada; os números terminam em 100 mil.
Apesar disso, do alto de seus seis anos, Vinicius me ensina todos os dias algumas lições ancestrais. Porque confia demais no que dizemos a ele, sempre quando deixamos de cumprir uma promessa, ele nos interpela. “Mas você PROMETEU!”, me olha interrogativo, insultado, vilipendiado. Como quem diz “como é possível alguém fazer isso?”, Vini nos ensina que a palavra empenhada vale mais que a palavra escrita. Verdade, compromisso, confiança.
Quando ele faz algo que contraria o que antes dissemos, me olha interrogado. E ensina: paciência, eu só tenho seis anos. Ensina mais: a bondade de quem é inocente, a humildade de quem ocupa apenas um pedacinho de chão no mundo, a perseverança de quem está apenas começando a caminhada. Vinicius sorri meio sem jeito, com aquele charme que faz derreter glaciares. Parece me dizer: Ah, fala de novo, vai? Vale a pena repetir para que eu aprenda isso. Vai ser legal, você vai ver…
encontro paulista de professores de jornalismo
Wanderley Garcia, diretor regional sudeste do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, avisa:
O 5º Encontro Paulista de Professores de Jornalismo (EPPJ) será realizado na PUC-Campinas nos dias 29 e 30 de abril de 2011. A direção do Curso de Jornalismo manifestou seu interesse em sediar o evento no encontro anterior, realizado na Faculdade Cásper Líbero, em 2008.
O encontro vai coincidir com a Jornada de Jornalismo, realizada anualmente na Universidade. Nesta jornada, profissionais e pesquisadores convidados debatem com os alunos durante a semana nos dois períodos do curso (matutino e noturno). A última noite da Jornada, 29, sexta-feira, marcará o início do EPPJ, com uma conferência que terá tema e palestrante definidos pela organização local. No mesmo dia, à tarde, será realizado o 3º Encontro de Coordenadores de Curso de Jornalismo do Estado de São Paulo.
No período da manhã de sábado serão realizadas as mesas de debates e à tarde as apresentações nos Grupos de Trabalho.
A coordenação local está a cargo do diretor da Faculdade de Jornalismo, Lindolfo Alexandre de Souza. Em outubro, o presidente do FNPJ, Sérgio Gadini, visitou a Puc-Campinas e conversou com Souza, com o diretor do Centro de Linguagem e Comunicação, Rogério Bazi e outros professores da Universidade.
PUC-Campinas
Em 2011, a PUC-Campinas comemora 70 anos de existência de sua primeira unidade, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. O título de Pontifícia veio em 1972, concedido pelo papa Paulo VI. Hoje a universidade tem três campi (todos em Campinas), num total de 47 cursos de graduação.
O curso de jornalismo foi criado em 1970 e é oferecido nos períodos matutino e noturno.
O EPPJ será realizado no Campus I (Rodovia D. Pedro I, km 136), o maior da universidade e onde estão os cursos de Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas).
Campinas tem 1,08 milhão de habitantes e é sede de região metropolitana com 2,8 milhões de habitantes. Fica a 99 quilômetros de São Paulo, cortada por importanes rodovias, como a Anhanguera, dos Bandeirantes, D. Pedro I e Santos Dumont. Em Campinas também se encontra o Aerporto Internacional de Viracopos. Essa infraestrutura facilita o acesso tanto para quem vem de outros municípios paulistas, como para quem vem de outros estados.
Mais informações: jornal.clc@puc-campinas.edu.br
sobre catástrofes, oportunismo e moralidade
As fortes chuvas que assolam Santa Catarina nos últimos dias, após a tragédia na região serrana do Rio, trouxeram à mídia um personagem já conhecido: o responsável pela Defesa Civil, o major Marcio Luiz Alves. O personagem é conhecido, pois também frequentou os meios de comunicação com assiduidade em novembro de 2008, quando das cheias daquele ano. Mas confesso que nutro uma antipatia pelo major Alves e quero entender porquê.
A primeira coisa que me vem à mente é que não gostei do fato de o major ter sido candidato a deputado estadual em 2010. Sim, o major disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, mas só conseguiu 10325 votos, apesar de ter tido farta mídia espontânea e de ser filiado ao partido do então governador Luiz Henrique da Silveira, o PMDB. Na minha lógica linear, um certo oportunismo teria movido o major a buscar um cargo público eletivo. E isso poderia ter me indignado, o que geraria a tal antipatia.
Acompanhando meu raciocínio, minha mulher intervém. “Mas e outros casos que poderiam ter tido oportunismo também? Esse casos te indignam também?” Os exemplos são variados: Romeu Tuma se projetou como xerife da Polícia Federal e se converteu em parlamentar nacional; artistas como Frank Aguiar e Agnaldo Timóteo usaram sua fama nos palcos para “entrar na política”; esportistas como Bernard (do vôlei), Romário e Bebeto (eleitos em 2010 para a Câmara Federal e a Assembleia fluminense), idem… Não, meu sentimento em relação a eles é menos contundente. Não existe complacência, mas acho que o caso do major Alves me indigna mais.
Minha esposa torna a argumentar: “Mas ele tem direito como qualquer um. Você mesmo já defendeu a candidatura do Tiririca!”. Sim, o major Alves, o Tiririca, a Mulher Pera e qualquer um que tenha ficha limpa, seja alfabetizado e tenha uma legenda podem concorrer a cargos públicos. É o que diz a lei. A legislação permite que se candidatem, mas o meu problema aqui não é de ordem jurídica, mas de ordem moral. É algo que farejo como imoral que me causa antipatia, que me faz torcer o nariz.
É claro que o major Alves pode se candidatar ao cargo que quiser; ele tem esse direito. Aliás, como eu tenho direito de nutrir antipatia por ele e manifestar isso sem difamá-lo, injuriá-lo ou atribuir a ele falso crime. Mas a questão que me move aqui é pensar o caso sob o viés de sua moralidade. Isto é: quero investigar porque isso me incomoda, que valor a situação contraria de modo a provocar um sentimento de repulsa ou resistência. Notem que entendo existir uma cadeia que liga valores a sentimentos a ações/atitudes: na medida em que alguns valores/princípios nos quais acreditamos são contrariados, são instigados sentimentos como a indignação, o que provoca – por sua vez – atitudes refratárias de nossa parte.
No caso do major Alves, talvez eu acredite que tenha havido um oportunismo para que ele se candidatasse menos de dois anos depois de sua ampla exposição na mídia. Exposição que se deu num momento dramático para milhares de pessoas. Essa possível atitude se chocou com uma projeção do que acredito ser a defesa civil ou os órgãos de assistência do tipo; e mais: o que penso ser a responsabilidade e papel daqueles que trabalham nessas circunstâncias. Os valores de base – a meu ver – devem (ou deveriam?) ser os mais nobres, aqueles que desprezam o “momento propício” para se beneficiar em causa própria. Deve prevalecer a luta coletiva, a busca da salvação em grupo e não da própria pele.
Mas ainda não estou totalmente convencido de que “apenas” isso tenha motivado esse minha antipatia pelo major Alves. Ando investigando meus sentimentos e os valores que os sustentam. Fico colocando à prova outros casos que podem se assemelhar. Estarei eu apenas implicando com o soldado? Estarei esperando demais daqueles que ocupam cargos estratégicos? Estarei projetando ilusões sobre o caráter e a moralidade dos atos das pessoas em geral? Eu faria diferente do major Alves na situação em que ele esteve? O que pode justificar moralmente a atitude dele se candidatar?
O que você acha, leitor?
ATUALIZAÇÃO: Quase três meses depois, o major Marcio me ligou no celular, dando sua versão do episódio. Leia aqui.
a biografia de um disco
Esse tal de jazz tem umas coisas super curiosas. A exemplo de outros gêneros, você pode encontrar livros que contam a história de um artista ou de um grupo de artistas, mas vai além. Tem também biografia de gravadora, de casa de show e até mesmo de disco. Terminei de ler esta semana A Love Supreme, simplesmente a biografia do disco mais famoso de John Coltrane.
Se você sabe do que estou falando, deve imaginar o que deve ser: um livro para aficcionados, para tarados em Coltrane, um incansável renovador do uso do sax.
Se você está boiando, a coisa é simples: o livro conta como o saxofonista foi reunindo um quarteto célebre para duas noites memoráveis de gravação no mítico selo Impulse. “A Love Supreme” é um disco de 1965, um dos últimos do instrumentista que viria a morrer de câncer no fígado dois anos depois. É um álbum que influencia músicos até hoje e que surgiu num contexto importante da ascensão da cultura negra na sopa cultural norte-americana. Misterioso, espiritual, pungente e extremista, o álbum ainda fascina, mesmo quem – como eu – não sabe nada de música ou teoria musical.
O livro de Ashley Kahn tenta dar conta da atmosfera que cerca os músicos à época de “A Love Supreme”. Por muitos momentos, o livro se torna enfadonho por conta dos muitos detalhes técnicos, mas vale o registro e a busca de um clima daquele momento. Ainda mais para colocar os devidos pingos nos is, afinal Coltrane ainda é um dos jazzistas mais mitificados do mundo. Até igreja tem em homenagem a ele!
Vale a leitura. Mas antes de começar a ler, coloque o disco na agulha…
(Uma amostra grátis: o primeiro “movimento” de A Love Supreme: Acknowledgement)
o que você tem a ver com as mortes no rio?
Evitei o quanto pude escrever sobre os acontecimentos desta semana, o terrível episódio que vitimou centenas de pessoas na região serrana no Rio de Janeiro. Não quis opinar, manifestar indignação ou acrescentar palavras ao que simplesmente nos rouba o sentido das frases. Mas eu hoje senti uma forte necessidade de pensar aqui neste espaço sobre isso.
Diante da assombrosa realidade das perdas, dos danos, dos prejuízos e das mortes, o que se diz, o que se pensa fica tão banal, tão gratuito e fácil que chega às vezes a ser ofensivo. Por mais que se diga que é uma tristeza sem fim as milhares de histórias contadas nos telejornais; por mais que a gente comente – confortavelmente no sofá de casa – o drama dos outros; por mais que isso tudo nos comova com sinceridade, as palavras simplesmente esfarelam. Elas não podem conter conforto a quem perde um filho ou um amigo; elas não trazem confiança ou esperança, já que a água levou tudo; elas só se limitam a contar, a narrar. É pouco, claro, mas talvez seja uma maneira de nos convencermos da fragilidade da vida, da necessidade do agora, da falência de nossas certezas frente a forças tão incomensuráveis como as da natureza.
Ouvi hoje uma frase atribuída ao evolucionista Richard Dawkins que é mais ou menos assim: “a natureza não é impiedosa; ela é simplesmente indiferente”. Quer dizer, ela não se vinga de nossos atos, não se volta contra o homem-agressor. Ela só segue seu curso, suas regras, estando nós em seu caminho ou não.
Parece resignação, mas é uma maneira escancaradamente realista do que é a espécie humana num planeta de 4,5 bilhões de anos de existência, num canto qualquer de um sistema solar pouco expressivo, numa galáxia ordinária nisso que chamamos de universo. Os humanos nos acostumamos a reivindicar um lugar especial em meio à natureza, pois ainda nos surpreendemos com nossos feitos. Nos deslumbramos com isso ainda. Mas olhando em perspectiva histórica, percebemos que nossa história no curso da natureza é muito diminuta ainda. E observando em termos espaciais, preenchemos muito pouco na dimensão que nos ajuda a delimitar o visível.
O que é que nos sobra, então?
Pra ser honesto, muito pouca coisa. Sobram nossos sentimentos, nossos sonhos, nossas histórias, nossas conquistas, nossos desejos, nossas derrotas. E nada disso é quantificável. Nada disso cabe em galpão nenhum.
É este incontornável sentimento de pequenez que me invade frente às pilhas de mortos em Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro… É disso que não consigo desviar ao me perguntar como cada protagonista desses dramas vai reinventar roteiro para suas vidas. A dor é maior que a perda. A morte é o que nos faz pensar na vida. A lágrima desavisada do anônimo no outro lado da tela é que te faz soluçar por aqui.
Uma maneira modesta de dar algum sentido nisso tudo é criar narrativas particulares: talvez isso venha a nos ensinar algo; talvez seja uma provação à nossa fé; talvez ressurjamos mais fortes disso tudo; talvez, talvez, talvez…
É assombrado com o que está acontecendo que fico pensando na nossa imediata necessidade de repactuar nossas relações neste tempo. Precisamos redimensionar nossos valores, atualizar nossas prioridades, redefinir os desejos. O leitor pode enviar donativos aos desabrigados, pode servir como voluntário nesse momento amargo, pode enviar uma prece ou um pensamento positivo. Pode exigir mais atitudes das autoridades, pode se engajar numa luta coletiva. Só não pode é ficar indiferente.
uma estratégia calhorda
A TIM não cansa de fazer das suas! Não bastasse as tarifas extorsivas, o sinal de qualidade duvidosa e a cobertura que alterou seu slogan de “Sem Fronteiras” para “Sem Serviço”, a operadora vai além.
Há coisa de um mês, venho recebendo sistematicamente torpedos do Tim Notícias, que oferece manchetes super apelativas do tipo “Exército invade o Alemão”, “Tiririca, o novo Lula”, “Hebe Camargo: morte ao vivo”, “Jogador de futebol é sequestrado”, “Gêmeas tem diferença de 11 anos”, “Elton John gasta 90 mil reais com bebê”. Ao lado da manchete, vem o convite para um link – a TIM avisa: navegação cobrada, só não diz quanto.
Não preciso dizer que isso não é serviço de notícias, mas de mexericos.
O sensacionalismo barato vem acompanhado do dinheirismo numa autêntica demonstração de que a Anatel deveria intervir em casos como este.
lobão ainda interessa; e surpreende
Não tenho nenhum disco do Lobão em casa. Guardo com verdadeiro carinho algumas canções dele na memória, mas ele não é um artista que eu possa chamar de preferido. É mais um personagem pra mim. Como para muita gente.
Apesar dessa não-familiaridade, acabo de devorar as quase 600 páginas de sua autobiografia – Lobão: 50 anos a mil -, que ele lançou com o jornalista Claudio Tognolli. Aliás, taí uma dupla que combina muito, pela fama, pelo humor rasgado, pela inteligência aguda… Mas eu dizia que devorei a biografia do Lobão mesmo não ligando muito pra ele, e você pode se perguntar por que. Bem, foi uma surpresa. Minha mulher me deu o livro no Natal, confessando “ser uma aposta”. Entendi que ela estava oferecendo um prato para que eu provasse e, quem sabe, aprovasse. Entendi também que ela havia comprado o livro com segundas e terceiras intenções, pois se identifica muito mais com o biografado do que eu. Calei. Folheei e comecei a ler o 50 anos a mil ao mesmo tempo em que lia outro livro, mas o fato é que Lobão é um cara bastante espaçoso e foi ocupando todo o meu tempo de leitura nesses dias tórridos de verão em Florianópolis.
Por isso, você deve imaginar que o personagem vale a leitura, que as histórias são boas, enfim, que haja assunto para um catatau que pesa mais de um quilo e que traz esse semblante risonho e convidativo aí ao lado.
Olha, Lobão não é só espaçoso, mas também portador de todos os adjetivos que você já ouviu por aí. É uma metralhadora giratória; tem opinião para tudo; fala demais; é agressivo à toa; briga com todo o mundo; se entupiu de drogas boa parte da vida; é oportunista e meio marqueteiro; foi também meio bandidão, delinquente, desajustado… quer dizer, o cara é encrenca na certa.
Tá, isso tudo. Mas mais.
Na honesta e verborrágica autobiografia, Lobão se mostra ostensivamente afetuoso, deliberadamente franco e atavicamente determinado a colocar uma vida a limpo. Não que ele esteja no final dela. Quem ler, lerá que não.
Contrariando a expectativa de muita gente, Lobão se revela muito autoexigente, um estudioso aplicado e esforçado naquilo que lhe interesse – sobretudo música e literatura. Ele se debruça sobre um instrumento e persegue algo ali que está sempre além de si. Mergulha, se concentra e se joga. É inquieto, contraditório e hiperativo; um lobo correndo em círculos, sem matilha, e com a nítida sensação de estar sendo espreitado por predadores.
Como qualquer biografia que se preza, esta é também um acerto de contas. Com inimigos, com a família, com a imagem que lhe imputam e consigo mesmo. Lobão parece estar cagando para o que o público pensa dele hoje, agora. Está mais preocupado em se fazer entender. Talvez porque também esteja mais devotado a se entender também. Nas últimas 200 páginas, deixa escapar um persistente ressentimento: não estão me compreendendo ainda, não entenderam a música que eu persigo e quero fazer. É natural, é esperado, ainda mais de um lobo solitário como este. Caçado por muita gente por aí.
Mas o livro é bom? É bem escrito?
Sim, é bom. Vale a leitura. Vale a viagem. Lobão é bem-humorado, inteligente, repetitivo em algumas expressões, insistente em se fazer mostrar. É um aparecido! Tem alma de artista, espírito esvoaçante, personalidade forte e sentido espetacularizante, midiático. 50 anos a mil não é lá bem escrito, pois se apoia em um bom punhado de clichês e vícios de linguagem, e porque sua estrutura como narrativa é quadradona, o que surpreende de alguém tão criativo como ele. Mas pouco importa! Já que a força das histórias, a verborragia do biografado dão o tom do samba. O leitor se depara com Lobão falando tudo aquilo, é possível reconhecê-lo em sua oralidade perturbadora, que junta Nietzsche a meia-dúzia de palavrões que aprendemos nos estádios de futebol.
A estrutura do livro também é um pouco errante. Lobão é literal, linear e bastante minucioso de seus primeiros vinte anos. Isso faz com que o leitor encontre o Lobão como o conhecemos só lá pela página 150, quando ele vai tocar com Ritchie e Lulu Santos no Vímana! Por isso, se não tiver o devido saco, pule e vá direto ao ponto. A partir do momento em que desponta para o estrelato, encontramos no final de cada capítulo um clipping do Lobão na Mídia, o que ajuda a entender um pouco o tiroteio a que foi (e vem sendo) submetido. No final, não dá pra entender muito a reprodução de seis entrevistas com alguns personagens que cruzaram a vida do compositor (precisava?) e a publicação de acórdãos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (era mesmo necessário?). Cortando aqui, cortando ali, o catatau poderia ser mais enxuto, mais delgado… mas não seria Lobão! O estriônico, o hiperbólico, o deboçhado, o tonitruante, o apoplético.
Apesar de todas as trombadas que deu na vida, ele está aí, se reinventando na TV. Enterrou diversos amigos, emplacou hits nacionais, fracassou miseravelmente em outros projetos, casou, descasou, teve filha, teve cabelão, cortou a juba, deixou a barba crescer e passou a usar óculos. Hoje, é um senhor de 53 anos. Um senhor é o caralho! Um lobo é um lobo, mesmo quando seus pelos estão esbranquiçados e os caninos meio falhos.
Som e fúria!
este blog mudou!
Calma, calma aí. O Monitorando continua no mesmo endereço na web.
Meu escritório é que mudou para a praia. Entro oficialmente de férias agora e as atualizações por aqui podem ser mais esparsas, mais preguiçosas, recheadas de areia e maresia. Portanto, tenha paciência com a gente. A vida tem dessas coisas…
nem precisa explicar. precisa?
o que penso do wikileaks?
Se você leu o título deste post e se perguntou “o que é esse tal Wikileaks?”, desculpe, mas ou você não é deste planeta ou anda bem distraído. Afinal, este é o assunto das últimas duas semanas. Tanto que todo o mundo está opinando sobre o site que disponibiliza documentos secretos vazados. Até eu estou dando meus pitacos. Quer saber? Então, veja o que escrevi lá no Observatório da Ética Jornalística, o objETHOS!
videozinho pra animar…
Ops! Este blog quase está criando teia de aranha! Três dias sem posts na blogosfera equivalem a décadas. Porque a vida não espera, deixo um videozinho de uma banda que não conhecia, mas que Carolina Dantas apresentou: The XX. Inclusive, o tema – Teardrops – foi tomado de empréstimo para as vinhetas do Ponto de Vista do objETHOS.
previsões para as próximas semanas
Geralmente, vai chegando o final do ano e os meios de comunicação abordam tarólogos, astrólogos, pais de santo e videntes em geral para as previsões a partir de janeiro. Bem, serei mais contido, e tentarei antecipar o que me aguarda o destino nas próximas quatro semanas.
Por favor, não ria! Respeite o sofrimento dos outros…
Semana 1: Desespero
É o momento atual, o que significa sobrecarga de trabalho e ausência total de tempo. A certeza compartilhada é de que não seremos capazes de sobreviver ao final do ano. No horizonte imediato, estão dois exames de qualificação no mestrado, uma reunião, três pareceres a serem dados e um jornal-laboratório a ser fechado.
Semana 2: Pânico
A coisa não melhorou. Estão previstas duas aulas e o encerramento de uma disciplina. Some-se ainda dois pareceres para artigos em revistas e a participação num concorrido concurso de jornalismo. Coloque ainda as tradicionais filas nas comprinhas de Natal.
Semana 3: Alarme
Só termina quando acaba! Na agenda, já figuram uma longa reunião de avaliação de semestre, uma banca de trabalho de conclusão de curso, a escritura de um artigo já prometido, alguns compromissos domésticos de final de ano.
Semana 4: Exaustão
É o momento em que a pessoa surta, deixa de acreditar em Deus e, contrariando toda a lógica, passa a rezar para ele mesmo assim. Na agenda, estão as participações em duas bancas de mestrado e em duas qualificações. Em duas cidades diferentes. Mais: reuniões de final de ano, visitas de parentes…
E aí? Tá diferente por aí?
dois anos da tragédia hoje
Chove sem parar em Florianópolis, mas não é de assustar. Diferente de há dois anos, quando sofremos com as maiores enchentes da história do Vale do Itajaí. Aliás, hoje, faz exatamente dois anos do dia em que várias cidades foram tomadas por uma água barrenta, pútrida, perigosa e mortífera.
Dias de intensa chuva, solo encharcado, maré alta, tubulações entupidas, e outros fatores combinados contribuíram para que as águas não escoassem para o mar, alagando mais de 80% de Itajaí. Além dos milhões de reais de prejuízos, tivemos dezenas de milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas, 135 mortos e incontáveis recordações de dias muito, mas muito difíceis mesmo.
Estive entre os desalojados, registrei parte desta história e também me juntei aos voluntários que acudiam a cidade submersa. A Arca de Noé, uma rede social na internet, surgiu e ajudou no que pôde. Outros grupos se articularam e a cidade foi se reerguendo. O mesmo se deu em Blumenau, em Ilhota e outros municípios afetados.
Diferente do que pensávamos nos piores momentos, o mundo não acabou. Diferente do que pensávamos nos momentos mais esperançosos, não vieram os recursos para a reconstrução da região e para o fortalecimento de um sistema de defesa civil. Como nos fizeram acreditar no meio da tormenta, a vida se refez, as construções foram reerguidas, os laços de amizade se fortaleceram. Mas as memórias, essas ainda não dissiparam…
nervos à flor da pele e o brasil dividido
Evitei tratar de eleições neste blog nos últimos meses. Foi deliberado. Não me senti muito à vontade para fazê-lo, mesmo que seja um assunto que eu goste muito e entenda menos do que gostaria. Acompanhei a campanha com muito interesse como em outros anos. Mas tentei não transformar este espaço em mais um palanque. Há quem o faça, e é igualmente legítimo. Um blog pode ser também um espaço muito pessoal, muito particular. E no meu caso – o de evitar tratar de eleições aqui – também foi uma opção muito pessoal e particular.
Mas antes da votação de domingo, quero deixar registradas umas duas coisinhas:
Primeiro. Há muito tempo eu não via uma campanha tão nervosa, tão combativa e tão suja. Na verdade, desde 1989, eu não via algo assim tão polarizado, tão confrontante. Os candidatos não ajudaram: não têm carisma, elegeram temas desimportantes e apelaram para diversos expedientes condenáveis para se atacar. Perdeu-se uma oportunidade histórica de se discutir mais profundamente o país, de se definir uma agenda mais concreta para os próximos quatro anos, de avançarmos em temas ainda não tratados, como as reformas política e fiscal. Fiquei enojado em alguns momentos. Tentei não me irritar, fiz graça, embarquei em algumas piadas e até narrei um debate ao estilo de uma luta de boxe. Tudo para manter algum equilíbrio, distância e senso da importância (ou não) de alguns episódios.
Segundo. A campanha suja, o clima apaixonado, tudo isso ajudou a dividir o país. Li nas redes sociais, nos jornais, em diversos locais ataques de lado a lado, o que é natural e esperado. Mas percebi um clima de guerra fratricida, diferente do que já havia presenciado antes. Eu sei, é tudo muito impressionista, mas foi o que senti, o que vi e testemunhei. Vi pessoas que eram tão amistosas bloqueando outros colegas no Twitter por causa de suas preferências eleitorais; vi gente se agredindo violentamente nos comentários de blogs; alguns habitualmente corteses mostraram-se irados; outros habitualmente nervosos mostraram-se mais agressivos ainda; no trânsito, testemunhei motoristas provocando com palavrões quem estava com o carro ao lado e que ostentava um adesivo diferente do seu… Isso me fez pensar bastante em conceitos tão repetidos nesses dias, como democracia, cidadania, respeito à opinião alheia, paz…
Sim, eu entendo que o próprio formato das eleições contribui para a polarização, para a divisão, já que a existência do segundo turno é o confronto direto de um contra o outro.
Sim, eu sei que a eleição é importante, que é determinante para o futuro a curto prazo, que serviu para escolher governantes e representantes nos legislativos. Sei também que eleger um presidente não é qualquer coisa. Mas por outro lado também não é a decisão mais importante da vida, a que justifique perder amizades, criar inimigos, destilar ódio e irracionalidade, mentir desvairadamente, desejar a morte dos outros e por aí vai…
Aliás, taí uma coisa que é preciso ser dita: escolher o presidente é importante, mas a importância não termina aí. Pelo contrário: ela começa aí. Tão importante quanto eleger o presidente é acompanhar seus atos, perceber a “quebra de contrato” com o eleitor, cobrar, fiscalizar, posicionar-se. Então, não se justifica gastar toda a energia e destempero agora. A vida é mais do que essa disputa. A vida é uma disputa maior, bem maior.
“a origem” desestabiliza quem o assiste
O filme mais comentado do momento tem um bom punhado de razões para sê-lo. “A origem”, de Christopher Nolan, é mesmo impactante. Não apenas pelos impressionantes efeitos visuais e sonoros, mas pela rocambólica trama e pelo ritmo eletrizante. Assim, o filme que reúne Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe e Ellen Page no elenco – com participação luxuosa de Michael Caine – verdadeiramente tira o espectador de sua zona de conforto para envolvê-lo numa sucessão de jogos mentais e pensamentos frenéticos.
Não é exagero dizer que o “A origem” desestabiliza o espectador e o faz pensar, o que nem sempre é exigido no cinema. Tanto nas explicações oferecidas pelos personagens sobre o plano – entrar nos sonhos de um megaempresário e enxertar uma ideia na sua mente – quanto na história de fundo do personagem de DiCaprio. Não é um filme digestivo. Diversos elementos se encadeiam numa complexa estrutura narrativa. É um filme de jornada, dessas em que os personagens atravessam o inferno para cumprir uma missão e se transformam no meio dela. O que sobra, no final, são personagens-outros, redimensionados.
Christopher Nolan junta um punhado de ideias poderosas e de símbolos recorrentes: Convencer, mudar a opinião de alguém. Transformar a mente. Mudar os sonhos para modificar a realidade. A estrutura arquitetônica como um reflexo da estrutura da mente. Labirintos mentais. Labirintos físicos. Sofrer na vida real e despertar do pesadelo. Níveis de consciência. Um sonho dentro de um sonho, dentro de outro e de outro. Labirintos e espirais. Paradoxos e dúvidas. Embaçamento das fronteiras entre o real e o ilusório. O inconsciente como um cofre. Ariadne, a jovem arquiteta onírica, sendo o fio que conecta todos à realidade, como na mitologia que a coloca num labirinto.
Enfim, “A origem” mexe com a gente. Fica-se incomodado com a sensação claustrofóbica de estar mergulhado nos sonhos. Como se houvesse um efeito babuska, a boneca russa que tem dentro de si bonecas menores. Camadas de uma cebola. Níveis, estruturas interdependentes.
Do ponto de vista moral, o filme embaralha nossos valores. Torcemos para uma gangue de criminosos. Eles querem invadir a mente de um empresário por um propósito meramente comercial, claramente antiético. A gangue é empregada por um outro empresário que quer simplesmente anular seu concorrente, impedir que este cresça e se torne um rival impossível de ser controlado. Aliás, essa ideia – a de controle – perpassa todo o filme. Todos querem ter controle de seus sonhos, de suas vidas, de suas memórias, dos negócios, das estruturas de uma cidade, do tempo, dos níveis de consciência. Taí uma angústia que sustenta nossa existência: estar no controle das coisas e de si.
Claro, “A origem” é um filme, não passa disso. Não se trata de uma proposta de vida, uma visão alternativa dela. Mas de alguma maneira encarna uma obsessão humana, um sonho. Um sonho? Será? Já se beliscou pra ver se é mesmo?
ganhei o luiz beltrão: reações
A Intercom divulgou há duas semanas os vencedores do Prêmio Luiz Beltrão, e fui um dos honrados neste ano, na categoria Liderança Emergente. É claro que isso me surpreendeu, me deixou bastante feliz e honrado. Desde então, venho recebendo emails, recados no Facebook e direct messages no Twitter lustrando meu ego. Mas algumas reações foram ótimas pra me deixar com os pés no chão…
- De um amigo: “Não é pergunta de estraga-prazeres não, mas o que isso muda na sua vida?”
- Do meu filho de seis anos: “Pai, cê vai ganhar uma medalha?”
- De um dos meus irmãos: “E aí, tem dinheiro na parada? Me empresta uma grana?”
- De outro amigo: “Xiiii! Agora o cara vai se achar!!!”
- De mais um amigo: “É merecido. Mas espero que ainda responda meus emails, emergente!”
- De uma amiga: “Pô, parabéns! Agora, você vai entrar para a maçonaria da Comunicação! Lembra dos pobres, tá?”
- De outra amiga: “Parabéns, Christo! Mas não posso deixar a piada passar: você é a nova Vera Loyola da Comunicação. Viva os emergentes!”
a melhor semana do ano!!!
Sabe aqueles dias em que tudo dá certo? Se não tudo, ao menos o que mais importa?
Sabe aquele tempo em que você tem razões de sobra pra comemorar e que nem cabe em si?
Definitivamente, a semana que passou foi a melhor semana do ano, e olha que 2010 tem sido muitíssimo generoso comigo… Tenho bons motivos pra celebrar…
- Estou muito próximo de fechar um semestre exaustivo e vitorioso
- Na terça, minha querida Ana Laux foi brilhante na apresentação de seu Trabalho de Conclusão de Curso “Almanaque dos Grandes Detetives“, alcançando a nota máxima e recebendo entusiasmados elogios da banca
- Na quarta, tive um projeto aprovado e uma bolsa do CNPq concedida para um assistente de pesquisa
- Na quinta, a Receita Federal me deu uma ótima notícia, coisa que meus credores também adoraram!
- Nesta sexta, saiu mais uma edição do Quatro, o jornal-laboratório que edito com alunos aqui na UFSC!
- De quebra, a Intercom me deu outra excelente notícia, algo que verdadeiramente me surpreendeu e honrou.
É ou não é uma semana memorável???!!!
uma saga para chegar a araxá
Saí de casa ontem no final de tarde rumo a Minas Gerais para um evento. Como meu avião particular ainda não voltou do mecânico, tive que aturar a Gol e a Trip, e está sendo uma saga. Só pode ser praga!!!
Veja:
- 55 minutos de vôo de Florianópolis para São Paulo
- 3 horas de espera no aeroporto para o vôo para Belo Horizonte
- 50 minutos de vôo Guarulhos-Confins
- 40 minutos de táxi do aeroporto de Confins para o Hotel
- 5 horas de sono
- 30 minutos de ônibus para o aeroporto da Pampulha
- já são 3h40 de espera no aeroporto para o vôo para Araxá
Nem quero imaginar como será o retorno amanhã…



